Palácio do Planalto, 21 de junho de 2006
Eu prometo que não vai ter discurso aqui, hoje, porque o que eu ia falar, na verdade já foi apresentado no filme.
Eu queria cumprimentar o nosso querido José Alencar, vice-presidente da República. Queria cumprimentar os embaixadores estrangeiros que estão participando deste evento. Queria cumprimentar e dar os parabéns ao general Félix, pelo trabalho cumprido de forma extraordinária até agora. Quero cumprimentar o Orlando, ministro do Esporte, que tem a responsabilidade de ter um programa que envolve 1 milhão e 300 mil jovens e adolescentes. Quero cumprimentar minha companheira Marisa. Senador Romeu Tuma. Deputado Robson Tuma. Quero cumprimentar o Paulo Roberto Uchôa, nosso general, secretário nacional antidrogas. Quero cumprimentar o nosso querido professor Carlini. Quero cumprimentar os membros da Polícia Federal aqui presentes. Os membros do Ministério Público, do Poder Judiciário. Quero cumprimentar as escolas que se inscreveram e as pessoas que, individualmente, se inscreveram para participar dos mais diferentes concursos feitos pela Secretaria. Sobretudo quero cumprimentar as crianças e, certamente, os educadores dessas crianças, que os motivaram a escrever tudo isso.
Eu acho, general Félix e general Uchôa, que parece que nós encontramos o caminho. Certamente que é um caminho muito longo, um caminho que encontraremos muitas barreiras, muitos percalços para vencer, mas eu acho que nós encontramos o caminho. Qual é o caminho? Eu penso que tudo o que nós ouvimos e vimos aqui já está consagrado na cabeça do governo e eu acredito que de uma grande parcela da sociedade brasileira, a definição de que ninguém tem hegemonia para cuidar de um problema dessa magnitude.
Houve um tempo no Brasil em que as coisas andavam menos, porque as pessoas achavam que o seu departamento, a sua instituição, era a única que poderia cuidar de determinado problema. Ora a Polícia achava que era ela quem tinha que cuidar da droga, ora era a Saúde, que se achava única e onipotente para cuidar do problema da droga, ora eram psicólogos, assistentes sociais, ora era a Polícia Militar. E o que nós estamos descobrindo agora? Que o compartilhamento de responsabilidade entre os 190 milhões de brasileiros e, entre eles, as instituições existentes no nosso país, envolvendo, sobretudo, a comunidade, é, possivelmente, o caminho da salvação da lavoura no combate à droga, na recuperação dos drogados, no combate ao narcotráfico, porque senão nós ficamos responsabilizando os outros.
Ora culpa-se o presidente da República, ora culpa-se o delegado-chefe da Polícia Federal, ora culpa-se o ministro da Saúde, ora culpa-se o coordenador da Senad, ora culpa-se o general Félix, em outros tempos culpava-se o Tuma, e assim nós vamos procurando culpados, vamos jogando a responsabilidade, e vamos nos eximindo da nossa responsabilidade de não ter cumprido com o nosso papel no enfrentamento de uma situação tão delicada para o futuro do nosso país.
Nós temos hoje, no Brasil, quase 900 mil jovens envolvidos nos mais diferentes programas. Apareceu no filme que o Félix mostrou ali, no começo, um jovem dizendo: "olha, a gente acha que a juventude vai à droga porque ela está à procura de alguma coisa". E é verdade, eu acho que o milagre é a gente despertar na consciência das pessoas que existe algo para ela fazer melhor do que as facilidades que as drogas lhes oferecem momentaneamente. Porque, ou é um momento de fraqueza ou um momento de frustração, ou é um momento de muita pressão da própria situação, não apenas social ou econômica, mas muitas vezes a situação dentro de casa, porque nós estamos sempre procurando o problema, muitas vezes longe de onde ele está. É muito mais fácil culpar o apartamento vizinho, é muito mais fácil culpar os amigos da escola, é muito mais fácil culpar os meninos da outra escola do que a gente olhar para dentro da gente e descobrir que, muitas vezes, nós somos a causa e, ao mesmo tempo, a solução desse grave problema.
Atingindo essa compreensão, formando as pessoas que nós estamos formando, eu, por exemplo, na semana passada fui a São Paulo participar de uma formação de jovens aprendizes contratados pela Petrobras, ao todo serão 70 mil jovens no Brasil. Eu chego quase a duvidar que um jovem que foi contratado pela Petrobras para ser aprendiz, para trabalhar na indústria de petróleo, indústria naval, indústria de gás, numa perspectiva de trabalhar na Petrobras, eu quase chego a duvidar que esse jovem se desviará do seu caminho, porque ele tem uma perspectiva de futuro extraordinária.
Na mesma semana participei, em Santo André, de um encontro com 2 mil jovens que estavam participando do programa Consórcio da Juventude, organizado pelo Ministério do Trabalho. Eu duvido que, com uma perspectiva de futuro embutida na consciência daqueles jovens, eles se desviem para a droga. Então, eu acho que a chave está em oferecer aos nossos adolescentes e às nossas crianças uma perspectiva de que não precisam procurar subterfúgios para sobreviver, que eles não precisam fugir do problema.
O problema, nós só vamos conseguir resolvê-lo, enfrentando de frente, debatendo, o pai conversando com o filho, a mãe conversando com o filho, discutindo o problema na sua mais pura verdade, e não com meias palavras. E o governo agindo com seriedade, sem querer ser o tutor. O governo tem que ser apenas o indutor, o animador, aquele que pode, pela estrutura do estado, organizar as coisas, mas permitir que a sabedoria da sociedade flua com nitidez, com limpidez, para que a gente possa encontrar uma solução. De um lado para combater o narcotráfico, de outro lado para combater aqueles que realmente já estão viciados, e aí sim precisam de tratamento médico, de tratamento psiquiátrico, mas é uma palavra que, eu acho, é a palavra mais extraordinária para a gente evitar tudo isso, que é uma palavra chamada amor, atenção e carinho que cada pai e cada mãe tem a obrigação de dedicar 24 horas por dia àquele que nós colocamos no mundo.
Em segundo lugar, o educador dentro da sala de aula. Nós não podemos exigir que o educador, se não está preparado, entre na sala de aula para dar lições para combater a droga. Ele precisa ser preparado, porque se não for preparado, ele pode falar bobagem dentro da sala de aula. Então, se a gente preparar os pais, e podemos utilizar a televisão para isso, se a gente preparar os educadores e se a gente preparar um pouco mais a sociedade, eu acho que todos nós iremos colher, num curto espaço de tempo, resultados extraordinários no combate à droga, que não é um problema social. Na Inglaterra tem problema de droga, nos Estados Unidos tem problema de droga, na Holanda tem problema de droga, em todo país tem problema de droga, porque em todo país tem gente desesperada, tem gente procurando um jeito de fugir das suas responsabilidades.
Então, eu queria, Félix, te dar os parabéns, e ao general Uchôa, por este chamamento à sociedade. Por favor, quando tiver que fazer uma crítica à política de solução para a droga neste país, não se preocupem em fazer crítica ao que ainda não fizemos, mas ao criticar, por favor, participem, porque individualmente vocês são tão importantes quanto o Presidente da República, quanto o Vice-Presidente da República e quanto os nossos responsáveis por essa política antidroga.
Muito obrigado a todos vocês. Parabéns a todos vocês e parabéns ao general Félix e ao general Uchôa.
fonte: www.info.planalto.gov.br
