Canto do Buriti/Eliseu Martins-PI, 04 de agosto de 2005
Olhe, eu tenho um problema de tempo. Nós, na verdade, temos pouco tempo, porque nós estamos com um avião em Floriano e temos que levantar vôo com a luz do dia. E aqui, no Nordeste, a luz do dia, ela amanhece mais cedo, mas ela também acaba mais cedo. Então eu tenho que sair meio rápido.
Eu só queria cumprimentar os companheiros da Ecodiesel. O embaixador Osório. Cumprimentar os outros empresários que fazem parte do processo. Os prefeitos Nilmário Valente, prefeito de Canto de Buriti. Raimundo Feitosa Filho, prefeito de Eliseu Martins, em nome dos quais cumprimento todos os prefeitos aqui da região. Senhor Daniel Birmann, fundador da Brasil Ecodiesel - levanta a mão para as pessoas verem.
Meus companheiros ministros, que eu não vou ficar citando aqui, que eu vou ter que conversar com vocês. Primeiro eu quero saber o seguinte: eu quero ver como é que está a situação, aqui, da cidade. Quem é de São Raimundo Nonato? Pouquinha gente. Quem é de Anísio de Abreu? Pouco, mas barulhento. Quem é de Bom Jesus? Santa Luz? Mas não tem ninguém de Santa Luz? Canto do Buriti? São João do Piauí? Colônia do Gurguéia? Palmeira do Piauí? Oh, gente, levanta a mão um, pelo menos, para ajudar aí. Pronto. Socorro do Piauí? O Prefeito. Alvorada do Gurguéia? Paulistana? Bertolínia? Flores do Piauí? Itaueira? Tamboril? João Costa? Eliseu Martins? Curimatá? De modo que, se faltou alguma cidade, eu peço... Rio Grande do Piauí? Manoel Emídio?
Olha, eu só pude falar as que me deram por escrito. Depois vocês pegam o assessor do nosso companheiro Wellington, o nosso Secretário da Fazenda, lá, e dêem um cascudo nele, porque foi ele quem me deu as cidades.
Olha, eu vou ser breve aqui... De Garanhuns? Eu vou ser breve, aqui, para dizer para vocês uma coisa só para vocês compreenderem o seguinte: um dos desejos, sonhos e aspirações que eu tenho é de a gente criar condições para que o Nordeste e o Norte do país possam ter a mesma oportunidade de desenvolvimento, que há 60 anos atrás teve a região Sul e a região Sudeste do país.
Por isso é que nós pensamos no Brasil, não olhando apenas a cidade em que a gente mora ou o estado em que a gente mora. Nós temos que pensar o Brasil na sua dimensão de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, para que a gente perceba a diferença social, a diferença econômica, a diferença da qualidade de vida das pessoas, a diferença cultural, para que a gente possa levar para cada região um tipo de desenvolvimento que seja pertinente àquela região. Por isso é que nós estamos fazendo alguns investimentos no Nordeste, que são de muita valia.
Eu vou dizer para vocês: nós, possivelmente dentro de alguns dias, estaremos anunciando um sonho de vários estados nordestinos, que é a construção da Ferrovia Transnordestina, uma aspiração para ligar vários estados. É um projeto que vai custar mais de 4 bilhões de reais, é um projeto que já tem o dinheiro destinado, uma parte do BNDES, outra parte dos fundos constitucionais e outra parte dos empresários. E nós sabemos que um projeto como esse pode mudar, ajudar a melhorar a cara do Nordeste brasileiro.
Um outro grande projeto do Nordeste, que ainda este nós vamos anunciar, é a construção da rodovia 101, no litoral, saindo de Natal, no Rio Grande do Norte, e indo até a Bahia, pegando, praticamente, seis estados para que as pessoas possam transitar livremente.
Uma outra coisa que vai acontecer logo, logo, e aí no estado de Pernambuco, porque assim quer o presidente Chávez, da Venezuela, que é o parceiro, é construir uma refinaria no estado de Pernambuco, o Chávez quer homenagear o general brasileiro Abreu e Lima que lutou junto com Bolívar na Venezuela.
E um outro projeto extremamente importante também para o Nordeste, que nós começamos este ano, é a questão da revitalização do rio São Francisco, levando dois canais, que vai um para o lado do Ceará, um para o lado de Pernambuco, para o lado do Rio Grande do Norte, da Paraíba, para ver se a gente consegue minorar o sofrimento de 12 milhões de famílias que hoje, às vezes, andam até 16 léguas para pegar um pote d'água para beber. E vocês sabem o que é andar com um pote d'água na cabeça. Se vocês olharem para mim, vocês vão perceber que eu não tenho pescoço. Eu não tenho pescoço de carregar lata d'água de açude lá para casa. É uma coisa muito sofrida. Então, quando a gente chega numa casinha simples, que a gente percebe que é uma casa de gente pobre, mas a gente percebe que tem um banheiro, que tem um chuveiro, que a dona-de-casa pode abrir uma torneira e ter água para beber, para lavar, para tomar banho, é uma coisa extraordinária.
Eu estou dizendo isto para vocês, companheiros, porque eu saí de Garanhuns com sete anos de idade, minha mãe botou oito filhos num pau-de-arara, andamos 13 dias até chegar na cidade de Santos, em São Paulo, e comemos o "pão que o diabo amassou" durante muitos e muitos anos. Eu tinha sete anos, tinha uma irmã de dois anos, tinha uma irmã de nove anos, tinha um irmão de 10, só tinha um ou dois em condições de trabalhar e a minha mãe teve o azar de chegar em São Paulo e encontrar o marido dela já casado com outra mulher. Eu estou dizendo isso para dizer para vocês uma coisa: eu convivi com minha mãe até 1980, quando ela morreu. E eu nunca vi, em nenhuma situação, nenhuma, por pior que fosse, minha mãe perder a esperança, ela não perdia a esperança. Não tinha jeito de você ver minha mãe sentar numa mesa, mesmo quando não tinha o que comer, perder a esperança. Eu estou dizendo isto, porque cada vez que eu venho para o Nordeste, a gente olha a cara do povo e a gente percebe o povo sofrido e, muitas vezes, as pessoas perdem a esperança, muitas vezes as pessoas desanimam, e muitas vezes vão para São Paulo. E chegar em São Paulo, hoje, não tem a mesma sorte que eu tive em 50, naquele tempo era menos violência, naquele tempo a gente tinha mais oportunidades, naquele tempo não era como hoje, quem chega em São Paulo e não tem nem parentes, vai para debaixo de uma ponte, naquele tempo a gente encontrava um parente que dava uma chance para a gente. Então, quando eu chego num lugar como este, numa região historicamente pobre no estado de Sergipe, do Piauí, e eu encontro só essa visão que estou vendo aqui, umas casinhas lá em cima, depois eu olhei umas casas do outro lado, uma escola, um posto de saúde, um centro de atividade cultural. E eu vejo que vocês não são mais... havia até computador para as crianças aprenderem computação. E eu vejo a cara de vocês, não uma cara de desesperançados, mas a cara de pessoas que trabalham e, com o suor de vocês, levam comida para casa e para o sustento da família de vocês.
Eu acho que eu volto para Brasília mais convicto de que o Brasil tem jeito. Muito mais convicto, com muito mais certeza. É lógico que os problemas são muito grandes. Para resolver os problemas herdados durante 500 anos neste país, nós vamos levar tempo para consertar. Mas é preciso fazer as coisas certas na hora certa. E quando nós pensamos no programa do Biodiesel, nós imaginamos, verdadeiramente, ter uma matriz energética hoje, porque a grande matriz nossa, nós temos de um lado a matriz que produz energia elétrica, que é, no Brasil, a energia hídrica, ou seja, produzida pelas hidrelétricas que nós fazemos nos rios, e temos na matriz de transporte brasileiro, nós temos o petróleo. O petróleo, que começou em 1954 e, apenas este ano, nós estamos atingindo a auto-suficiência. O Brasil sempre utilizou mais petróleo do que produziu. Este ano nós estamos produzindo a quantidade que nós precisamos.
Mas o petróleo um dia acaba, porque a gente fica tirando do fundo do mar ou do fundo da terra, um dia ele acaba. Agora, o nosso petróleo, o petróleo verde da mamona, do babaçu, da soja, do girassol, da semente do caroço de algodão, nunca acaba, porque acaba um pé, a gente planta outro, acaba outro, a gente planta outro, e a gente vai ter uma matriz energética renovável. E isso, para o Brasil, é extraordinário, porque significa que nenhum país do mundo tem condições de competir com o Brasil. Tem países que têm uma extensão territorial maior do que a nossa, os Estados Unidos, o Canadá, a China, a Rússia, têm uma extensão maior do que a nossa, mas lá metade do ano tem neve. Lá tem furacão, tem maremoto. Aqui Deus passou e falou: este povo é muito bom, eu vou dar muita terra e não vou dar nada que prejudique o trabalho deles. Lamentavelmente não deu um governo bom durante muito tempo, para ajudar o problema deste povo.
Então gente, nós, quando resolvemos fazer da mamona... Eu só sabia que mamona servia para fazer óleo de rícino e para fazer guerra de peteca, de estilingue. Eu não sabia para que prestava a mamona. Quando eu tomei posse, que um companheiro me procurou e falou: "Presidente, nós poderemos fazer uma revolução com a mamona." Eu falei: é comigo mesmo. Porque eu fico imaginando se, na cabeça de vocês, vamos ser francos, há três anos atrás, se vocês algum dia imaginaram levar para casa o sustento para encher a barriga dos bacuris de vocês por causa da mamona. Nunca. A gente pensava em plantar qualquer coisa, menos mamona. Agora, a gente está percebendo que a mamona pode ser uma das possibilidades para o povo pobre deste país melhorar de vida.
E, para mim, gente, não tem coisa mais orgulhosa do que ver um pai de família trabalhar, no final do mês receber o seu salário e, com o seu salário, pegar a sua mulher e os seus filhos, ir na bodega mais próxima e encher a casa de comida, para as crianças poderem ficar com a barriga cheia, terem saúde e, amanhã, serem trabalhadores.
Então eu vim aqui trazer uma mensagem positiva para vocês, uma mensagem que eu já falei na fábrica, lá em Floriano, mas eu vou ler aqui, porque eu pensei que vocês estavam lá. Se eu soubesse que vocês estavam aqui, e não lá, eu não tinha feito o discurso lá, tinha deixado para fazer aqui. Mas eu vou ler. Prestem bem atenção no que eu vou ler aqui, para vocês. Prestem bem atenção os trabalhadores e os empresários também.
O governo, através de Resolução do Conselho Nacional de Política Energética, irá assegurar a compra do biodiesel produzido pela agricultura familiar. A partir de agora, todo o biodiesel possuidor do selo social fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário terá sua compra garantida, através de chamada pública, por preços que remunerem adequadamente a cadeia produtiva. A Agência Nacional de Petróleo vai definir a obrigatoriedade de compra pelos produtores e importadores de petróleo e pelos comercializadores de biodiesel produzido no Brasil, originário da agricultura familiar.
Com isso, mais um passo está sendo dado, com a garantia da compra, para que a introdução do biodiesel na matriz energética tenha sustentabilidade.
E o governo também estará, através de suas instituições financeiras, em especial o BNDES, apresentando uma política de financiamento dos agentes de toda a cadeia do biodiesel - agricultores, esmagadores e produtores.
Asseguraremos, assim, a introdução do biodiesel em nossa matriz energética, uma verdadeira revolução tecnológica, econômica e, sobretudo, social no país, com os seguintes instrumentos: primeiro, desoneração tributária; segundo, obrigação de preços compatíveis; e, terceiro, financiamento de toda a atividade produtiva.
Eu poderia falar aqui, poderia dizer: Buriti, 4 de agosto de 2005. Está consolidado, definitivamente, a garantia de que a agricultura familiar ligada ao biodiesel terá o seu trabalho garantido pelo governo federal.
Muito obrigado. Boa sorte a todos vocês. Parabéns aos companheiros sindicalistas, parabéns aos companheiros da Fetag, parabéns aos companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais.
Que Deus abençoe toda a família do Piauí, ao nosso governador Wellington e a todos àqueles que, com as suas mãos, trabalham e levam o sustento para a sua família.
Parabéns.
fonte: www.info.planalto.gov.br
