Osasco, 23 de dezembro de 2005
Meus queridos e queridas companheiras de Osasco e da região. Meu querido companheiro prefeito desta cidade, Emídio de Souza. Meu querido companheiro João Paulo Cunha, nosso deputado federal. Meu querido companheiro Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social. Minha querida companheira Matilde Ribeiro, secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social. Meu caro Eduardo Suplicy. Meu caro Arlindo Chinaglia, líder do governo. Meu caro Magrão, deputado federal, presidente da Federação dos Metalúrgicos e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Meu caro Zaratini, nosso eterno deputado federal, que toda vez que passa por lá faz uma grande contribuição. Minha querida companheira Clarisse Copetti, presidente em exercício da Caixa Econômica Federal. Meus companheiros deputados estaduais. Prefeitos de Ribeirão Bonito, Rubinho; de Embu, Geraldo Cruz; de Itapecerica da Serra, Jorge Costa; de Carapicuíba, Fuad Chucre; de Itapeví, Ruth Banholzer; de Barra Bonita, Mário Donizete Floriano. Meu caro Paulinho Bururu. Meu caro Faisal Cury, vice-prefeito de Osasco. Vereador José Barbosa Coelho, presidente da Câmara. Senhora Dulce Helena Cazzuni, secretária do Desenvolvimento eo Inclusão.Secretários municipais de Osasco e das cidades da região. Meus companheiros e companheiras que estão recebendo o Bolsa Família. Meu caro Jorginho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Meu caro companheiro Henos Amorina, vulgo "Saúva", ex-presidente do Sindicato de Osasco, companheiro que batalhou muito para que a gente pudesse fundar o PT, fundar a CUT. Meu caro companheiro José Pedro, companheiro que tem história aqui, na luta dos trabalhadores. Meu caro Roque, que de 1968, revolucionário, hoje continua revolucionário fazendo pesquisa.
Quando estavam falando o Emídio, o João Paulo e o Patrus, talvez por ser... eu esqueci o nome da nossa companheira Marta Suplicy, que não poderia ter esquecido, mas quando estavam falando o João Paulo, o Emídio e o Patrus, pelo menos onde eu estava sentado, eu estava com dificuldade de ouvir. Toda vez que a gente tem um som num ginásio assim, eu tenho a impressão que as pessoas têm dificuldade de ouvir a gente, porque a voz se embaralha aí no meio, é voz saindo para lá, batendo ali, batendo ali. Eu vou tentar falar devagar algumas coisas que eu quero falar, sem fazer um discurso, porque vocês sabem que Osasco é uma cidade que está na minha alma, na minha consciência há muitos e muitos anos.
Com todas as desculpas aos companheiros de outros partidos políticos, foi no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, numa reunião em que tinha dezenas de dirigentes sindicais, que nós decidimos levar a sério a criação do Partido dos Trabalhadores. Foi neste ginásio aqui, em março de 1980, que nós fizemos o Primeiro Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, uma coisa extremamente importante. E a Matilde estava dizendo para mim que foi neste ginásio aqui, 20 anos atrás, que ela viu um show do Gilberto Gil.
Então, este ginásio tem história, Osasco tem história. Em 1986 eu fui candidato a deputado federal, Jorginho, você não era meu eleitor ainda e eu já fui o deputado federal mais votado na cidade de Osasco, em 1986. Já visitei muita porta de fábrica aqui em Osasco, mas nenhuma visita minha a Osasco fazendo porta de fábrica, foi motivo de orgulho como foi voltar à Cobrasma, "Seiscentos", para que a gente visse aquela empresa funcionar. Confesso a vocês que eu tive algumas emoções.
Primeiro, ao encontrar o operário que tinha apertado a campainha para dar início à greve de 1968, na Cobrasma. Foi um ato de muita emoção. Segundo, encontrar trabalhadores que me abraçavam chorando, agradecendo o fato daquela empresa voltar a funcionar e gerar a quantidade de empregos que estava gerando. Terceiro, porque o Brasil nunca mais vai deixar de produzir vagões, porque agora mesmo acabamos de aprovar e se Deus quiser, em janeiro, nós vamos anunciar a construção da Transnordestina, que é uma ferrovia que liga o Porto de Suape, em Pernambuco, ao Porto de Pecém, em Fortaleza, passando por Eliseu Martins, no Piauí, que é uma ferrovia de 1.803 quilômetros, portanto, vai precisar construir muito vagão para que a gente possa gerar empregos aqui em Osasco e para que a gente possa gerar distribuição de renda.
Também estamos fazendo um investimento de 160 milhões de reais na ferrovia Norte-Sul, depois a Companhia Vale do Rio Doce vai terminar. Pode ter certeza, João Paulo, deputados, que ao terminar o nosso mandato, nós seremos o governo que mais investiu na recuperação e na feitura de ferrovias novas neste país. Estamos fazendo isso porque isso significa baratear o custo Brasil e significa perder menos produtos na exportação, significa fazer com que o Brasil possa colocar os seus produtos no mercado internacional a preços ainda mais competitivos do que nós já colocamos.
Então, eu quero dizer a todos vocês, homens e mulheres de Osasco, que é uma alegria imensa estar outra vez na nossa querida cidade de Osasco e ainda, agora, governada por um companheiro da qualidade do Emídio. Eu queria chamar a atenção de vocês para o Emídio agora.
O companheiro Emídio está há menos de um ano na prefeitura de Osasco. Ele vai completar os primeiros 12 meses agora, no dia 1º de janeiro, mas certamente aqui, na cidade de Osasco, pessoas que governaram esta cidade durante 30, 40 anos, já estão cobrando dele que ele tivesse feito coisas que os outros não fizeram em 50 anos, estão jogando nas costas dele a responsabilidade: "por que ele não fez?" Estão cobrando coisas, que precisam de muitos anos para fazer, com apenas 12 meses.
É assim que eles fazem. Quando eles estão no governo e nós criticamos, nós somos comunistas, agitadores, nós somos um monte de coisas. Quando nós estamos no governo, eles começam a jogar nas nossas costas aquilo que eles não conseguiram fazer em 30 anos, para que a gente consiga fazer em três meses, em 12 meses ou em três anos.
É preciso o povo de Osasco ter clareza de que no primeiro ano do companheiro Emídio ele não trabalhou com o orçamento dele, ele pegou o orçamento do prefeito anterior, portanto, as verbas já estavam destinadas. Ele apenas agora concluiu o seu primeiro orçamento, somente agora ele definiu as prioridades do governo dele, que foram votadas pela Câmara, se não foram vão ser votadas e, a partir do ano que vem, é que ele vai poder executar o primeiro orçamento dele.
Ele vai ter dois anos primorosos, vai ter o ano que vem, se as eleições para deputado, governador e presidente não atrapalharem e vai ter 2007 porque é um ano também em que ele vai ter muita mobilidade de trabalho. Depois vêm as eleições, é um ano que poderia ser muito bom mas aí, a guerra santa toma conta de cada cidade e muitas vezes a administração fica um pouco atrapalhada.
Eu estou dizendo isso para pedir a vocês de Osasco, atenção, porque não vão faltar nessa campanha agora, que é no ano que vem, adversários do companheiro Emídio, dizendo: "porque ele não acabou com isso? Por que ele não fez aquilo?" Como se ele pudesse fazer em apenas 12 meses o que os outros não fizeram em 30, 40 ou 50 anos que governaram a cidade de Osasco. E ele vai precisar do apoio de vocês porque muitas vezes nós somos muito ansiosos, o ser humano é ansioso, começa o jogo e a gente já quer que o time da gente marque quatro ou cinco gols. Às vezes demora, às vezes é sofrido, e às vezes a gente marca um gol e precisa jogar na defensiva para garantir aquele gol, como São Paulo fez agora para ser campeão do mundo, senão poderia perder.
Então, Emídio, um conselho de quem já tem três anos de experiência, dois a mais que você: não perca nunca a paciência, não responda nunca ao jogo rasteiro dos seus adversários e não fique angustiado nunca com a pressa do povo. Quando o povo tiver pressa, converse com ele para mostrar que tem um tempo para a gente plantar e um tempo para a gente colher. A gente não pode colher antes de a gente plantar, e você está na época do plantio para colher daqui para a frente.
Mas veja, hoje eu sou um Presidente da República que tenho orgulho de muitas coisas. Tenho orgulho de comparar os meus números aos dos que governaram o Brasil antes de mim, qualquer número, em qualquer área, seja na educação, seja na saúde, seja no transporte, em qualquer área, de medir quem fez o quê quando passou pela Presidência da República deste país.
Qual é a diferença, que muita gente estranha? É que pela primeira vez o pobre entrou no Orçamento da União e eu vou recordar o número que o Patrus disse: quando tomei posse, no dia 1º de janeiro de 2003, a União gastava 7 bilhões de reais com política social. Ao completar 36 meses, estamos gastando 17 bilhões, dez bilhões a mais e para o ano que vem serão 22 bilhões de reais que estão colocados para fazer política social e ajudar os mais pobres deste país.
Isso incomoda, João Paulo, isso incomoda Marta, incomoda, Suplicy, porque neste país a primeira fatia do bolo já era determinada para um setor da sociedade e, se sobrasse alguma coisa, vamos lembrar dos pobres deste país. Nós não estamos fazendo favor e sabemos que o Bolsa Família não é a salvação, é apenas uma coisa emergencial para garantir que a pessoa, numa dificuldade primeira, tenha o que comer, não precise mendigar. Mas o ideal e o que nós buscamos é que daqui a alguns anos a gente não precise mais do Bolsa Família porque todos estarão trabalhando, ganhando salário e vivendo às custas do seu trabalho. Mas isso também não acontece com um passe de mágica.
Meu querido Jorginho, você sabe que aqui em Osasco nós tivemos muito desemprego antes de 2003 e nesses três anos de governo já foram criados com carteira assinada, nesta cidade, 20 mil novos empregos. Seria importante Jorginho, se você pudesse pegar os dados, que eu possa mandar uma parte minha e você preparar a sua aqui, para que a gente começasse a mostrar para a sociedade de Osasco, porque muitas vezes nem sempre lemos aquilo que queremos e quando lemos, compreendemos o que lemos.
É importante então, que cada um de nós trate de informar o que aconteceu neste estado de São Paulo, o maior estado da Federação, que tinha tudo para não ter pobreza. Só o governo federal gasta mais de 2 bilhões de reais com política social e duvido que, desde que o Brasil foi descoberto, que tenha um Presidente da República que tenha colocado tanto no social, no estado de São Paulo, como nós colocamos nestes 36 meses. Vejam qual é a política social nos estados, elas não existem. E nós fazemos isso porque entendemos que o nosso papel é estender a mão primeiro para os mais necessitados, dar a eles primeiro condições de cidadania para que depois, por conta própria, eles possam dar os outros passos.
O Joãzinho sabe, o Magrão sabe, o Roque sabe, o José Pedro sabe, quem milita no movimento social sabe. Quando nós tomamos posse, o salário mínimo permitia comprar 1,03 cesta básica, hoje nós estamos comprando 1,07 cesta básica e vamos chegar a 2 cestas básicas com um salário mínimo ainda no ano que vem, para que a gente dê às pessoas condições de consumir as necessidades fundamentais para a sobrevivência humana.
E nós sabemos que quanto mais nós fazemos isso, mais algumas pessoas no Brasil ficam nervosas. E por que ficam nervosas? Porque elas torciam pelo fracasso. Elas torciam que nada ia dar certo. O "Seiscentos" sabe, eles torciam que o Brasil ia quebrar: "este Brasil não vai dar certo". E hoje, não só estou feliz porque na semana passada tomamos a decisão de... no ano passado tomamos a decisão de dizer ao FMI: não queremos mais acordo com o FMI. Não demos um grito, não fizemos uma bravata. Apenas comunicamos: não queremos mais acordo com o FMI. E na semana passada dissemos: não queremos mais acordo e vamos devolver o dinheiro que o governo passado tomou emprestado porque tinha quebrado o Brasil. Nós vamos devolver ao FMI porque daqui para a frente o dinheiro que nós vamos gastar será o dinheiro resultado do trabalho do povo brasileiro, será o dinheiro resultado das exportações brasileiras, será o dinheiro resultado da geração de empregos e, com muito orgulho, dissemos ao FMI: vamos devolver seus 15 bilhões e agora, João Paulo, meu companheiro Arlindo Chinaglia, Magrão, Marta, Suplicy, Patrus, Matilde e Emídio, nós vamos dizer ao Clube de Paris: vamos devolver o dinheiro de vocês também.
Nós agora fazemos como faz uma dona de casa honesta, uma dona de casa que cuida da sua família: nós não queremos dinheiro emprestado para levar comida para nossa casa, nós temos o nosso próprio dinheiro, nós produzimos riqueza, geramos exportações, geramos divisa, geramos reserva, nós não precisamos e vamos, assim, batendo recorde atrás de recorde.
As exportações, então, são um colosso. Vamos chegar logo, logo a 120 bilhões de dólares, coisa que nem o mais otimista empresário, cientista político ou economista imaginava que nós fossemos chegar. E não estamos exportando apenas minério de ferro ou produtos in natura como grãos, não, estamos exportando produtos manufaturados, as nossas empresas estão competindo, do ponto de vista da tecnologia, e cada vez mais estamos vendendo. Não dependemos apenas dos Estados Unidos como este país estava acostumado: "ah, nós temos que fazer tudo porque senão nós temos que exportar para os Estados Unidos; ah, se a gente não exportar para a União Européia acabou o Brasil".
Obviamente que a União Européia é uma grande parceira comercial, obviamente que os Estados Unidos são um grande parceiro comercial, mas é com muito orgulho que eu posso dizer para vocês: graças à nossa política de integração, hoje o maior mercado para o Brasil chama-se América do Sul, onde as nossas exportações cresceram 87% e onde nós estamos vendendo cada vez mais e também queremos comprar; e ainda estamos crescendo 20% ao ano com os Estados Unidos, 26% com a União Européia. Nós não queremos brigar com ninguém, queremos apenas dizer: olha, nós somos adultos, temos 500 anos de história, conquistamos a nossa independência, proclamamos a nossa República e agora queremos ser donos do nosso nariz no estabelecimento da nossa política econômica, da nossa política social e não queremos ingerência, queremos solidariedade, queremos parceria.
É isso que estamos fazendo para o mundo e isso incomoda, Tião, muita gente, isso incomoda gente demais pelo Brasil afora porque não tem nada que cause mais inveja a um ex-marido do que ele ver a mulher dele mais feliz do que quando estava casada com ele. Não existe nada que cause mais inveja do que um ex-governante ver que o seu sucessor está fazendo mais do que ele, não existe nada que possa causar mais rancor, mais mágoa, do que o sucesso de um adversário político. Eu sei que nós ainda temos muito para fazer, muito, muito. Vai precisar muitos anos, vai precisar muitos governos comprometidos com os trabalhadores para a gente fazer o que tem que ser feito no Brasil.
Mas eu vou dar um dado otimista para o povo de Osasco. A sua cidade, meu caro Emídio, em janeiro deste ano conseguiu 701 vagas no programa do ProUni. O programa do ProUni é uma engenharia. O que nós fizemos? Na medida em que você não tem todo o recurso para fazer universidade federal, nós pegamos alguns impostos que as universidades particulares tinham com a União, reduzimos esses impostos, pegamos o equivalente ao que eles teriam que pagar para nós e transformamos em bolsa de estudos.
No ano passado, no Brasil inteiro, foram 112 mil jovens da periferia que entraram na universidade. Este ano, meu caro Emídio, serão mais 100 mil em janeiro e fevereiro. Em junho, serão mais 50 mil. Nós chegaremos em julho com 262 mil jovens a mais na universidade com bolsa integral ou parcial do governo federal. O que é mais importante é que em São Paulo foram 35 mil vagas, uma nova USP, nós colocamos para fazer universidade neste país. E o que é mais orgulhoso é que de 112 mil que entraram este ano, 38 mil eram afrodescendentes, eram jovens negros e negras que entraram na universidade brasileira, possivelmente o maior número de toda a história de 500 anos deste país. Este ano, dos 100 mil que vão entrar, outros 30 ou 40% serão de jovens negros e negras, para que a gente acabe de uma vez por todas com a desigualdade que existe neste país, com o preconceito racial, com a perseguição àqueles que são diferentes da costumeira elite dirigente do Brasil.
Além disso, os indígenas, sabem os companheiros do movimento negro que estão aqui, nunca, em 500 anos de história, os remanescentes de quilombos foram tratados com o respeito com que estão sendo tratados agora, com o programa Luz para Todos, com o programa Bolsa Família, com o programa Alfabetização, fazendo com que a totalidade da sociedade brasileira tenha acesso aos benefícios dados pelo país e não apenas nós, que achamos que somos maioria porque somos brancos e não nos lembramos que durante 400 anos foram os negros que derramaram suor e sangue para construir esta nação que nós somos hoje, para construir a cor que nós temos, a beleza que nós temos e a alegria estampada no rosto do povo brasileiro.
Agora, vamos mais, estamos esperando que o Congresso Nacional possa votar o Fundeb. O Fundeb será a revolução do ensino fundamental para que a gente possa garantir às crianças, desde a creche até a oitava série e depois o ensino técnico, que as crianças possam aprender com mais qualidade. Eu tenho fé em Deus que agora, quando for votar o Orçamento, o Congresso Nacional aprovará o Fundeb e aí a gente vai poder tornar as regiões Norte e Nordeste do país iguais às melhores escolas que a gente possa ter em qualquer lugar do Sul e do Sudeste. É este país, meus companheiros, que nós estamos fazendo aos poucos.
Ontem, Arlindo, eu tive uma grata surpresa. Primeiro, cumprimos a meta de 115 mil famílias assentadas no campo. Vamos assentar aproximadamente 118 mil e 500 famílias agora, cumprindo o compromisso que nós assumimos. Mas, o mais importante é que o nosso assentamento não é jogar um sem-terra no meio do mato para criar uma favela rural. A nossa política de reforma agrária é levar o trabalhador, mas levar luz, levar educação, levar saúde e levar assistência técnica para ele poder produzir adequadamente. Enquanto entre 1994 e 2002 foram desapropriados neste país, para efeito de reforma agrária 18 milhões de hectares, enquanto em oito anos foram desapropriados 18 milhões de hectares para a reforma agrária, nos nossos 36 meses nós já chegamos a 16 milhões e 400 mil hectares, ou seja, menos da metade do tempo de governo e quase o mesmo número que foi desapropriado nos oito anos anteriores, e isso faz a diferença.
Faz a diferença porque o Brasil hoje é um país mais respeitado, porque o Brasil hoje é um país em que, inclusive, nos empregos que tem gerado, Matilde, a maioria são mulheres. Eduardo, para você fazer discurso no Senado, eu vou te dar um número. Vocês estão lembrados quando houve o apagão? Houve o apagão e a gente teve que cortar a energia da nossa casa. Teve gente que guardou o liquidificador, teve gente que tinha duas geladeiras e desligou uma, teve gente que só acendia a luz em última necessidade. A gente achou que era para economizar. Aí, quando acabou o apagão, descobriram que as empresas tiveram prejuízo. Ao invés de as empresas ficarem com o prejuízo, o que fizeram? Passaram o prejuízo das empresas para as nossas contas e o povo trabalhador é que teve que pagar os prejuízos do apagão porque as empresas tinham contrato e disseram que não ganharam dinheiro.
Eduardo, não haverá mais apagão neste país. Nós já leiloamos este ano a energia de 2010. Nós vamos fazer em cinco anos, com os leilões de linhas de transmissão, 21% do que foi feito em 122 anos em linhas de transmissão neste país. Preste atenção, em cinco anos estaremos fazendo 21% de tudo o que foi feito em 122 anos neste país. Hoje, quando faltar energia aqui em São Paulo e tiver energia no Sul, a gente vai transferir a energia do Sul para cá, quando faltar no Nordeste e aqui tiver, a gente vai transferir porque nós estamos interconectando todo o sistema elétrico.
Vou dar um dado para vocês que nem a imprensa soube. Há poucos dias caiu, praticamente, toda a rede de Itaipu. Em outros tempos, nós teríamos tido algumas horas de apagão aqui em São Paulo. Ninguém, nem jornalista na redação percebeu que caíram as torres porque em 23 segundos foi interligado o sistema e o que aconteceu? Não faltou energia e ninguém percebeu que tinha caído, praticamente, a rede de Itaipu. É com isso que a gente vai fomentar a implantação de novas empresas, é com isso que a gente vai trazer novos investimentos porque se não tiver energia ninguém pode, efetivamente, fazer uma fábrica e produzir.
Mas, uma coisa importante que eu ouvi o Emídio dizer aqui, o Centro de Tratamento de Saúde Bucal. Eu, sei que vocês conhecem, na rua em que vocês moram, meninas de 18 anos, de 20 anos, meninos de 20 anos, de 23 anos que já não têm os dentes da frente na boca e por não poder pagar, porque é caro, cada vez que eles vão ao dentista, eles arrancam mais um. São daqueles que não conseguem mais sorrir porque têm que colocar a mão na boca.
Emídio, estamos fazendo 400 centros no Brasil, 400. Cada centro vai atender uma população de 500 mil pessoas. Aquele aparelho que vocês vêem na boca, chamado de ortodontia, que só a classe média faz, aquele que as crianças colocam aparelho para corrigir; ou a menina, quando está na adolescência, quer corrigir os dentes da boca e pode pagar, coloca e fica com a boca cheia de aço; parece que só rico podia mas, agora, a criança mais pobre da periferia de Osasco vai poder colocar na mesma qualidade, sem precisar pagar um centavo. Da mesma forma, o tratamento de canal. Tratamento de canal é caro, então, quando um trabalhador está desempregado e vai ao dentista, ele fala: "olha, você está com o canal estragado, vai custar tanto". Aí, ele fala: "e para arrancar, quanto custa?" "Bom, para arrancar são dez, para fazer o tratamento são 100" "Então, arranca, doutor". Não, agora não vai arrancar, agora vai tratar, vai fazer tratamento de canal, porque o pobre tem que ser tratado com o mesmo respeito que o ser humano mais rico do planeta Terra. Não pode, pelo fato de ser pobre, ser maltratado.
E, também, a prótese dentária. Quem é do interior, quem é do Nordeste sabe que em época de eleição tem político que anda com uma cesta de dentadura, e vai dando para os pobres. No interior de Minas deve ter, Patrus. Aí, aquilo nem cabe na boca do cara, ele põe e fica... não cabe, mas ele põe. Agora, não, agora ele vai no centro especial de saúde bucal, vai ter um protético, vai ter vários dentistas em cada consultório, vai ter rapazes e moças bonitos para atender com máquinas modernas, equipamento moderno. Vai ter um protético que vai fazer o molde da boca dele, vai voltar, vai experimentar. E não tem que pegar fila, vai ser tudo com horário marcado. Ou seja, não é o pobre virando chique. É o pobre virando cidadão, é o pobre conquistando a sua cidadania neste país.
A prefeita Marta sabe do Samu? Aqui tem Samu, companheiro Emídio? A Marta sabe do Samu, quando nós implantamos o Samu... o Samu não é uma ambulância, o Samu é quase um hospital ambulante, porque tem um Samu que é tão capacitado que pode fazer os primeiros tratamentos lá dentro.
No primeiro teste que nós fizemos em São Paulo, quando a Marta era prefeita, entre o acidente, colocar o cidadão no carro e chegar ao hospital, demorava 42 minutos. Depois do Samu, o mesmo trajeto passou a levar 12 minutos. Significa que nós ganhamos 30 minutos de tempo para salvar a vida de uma pessoa. E, no ano que vem, a totalidade da população brasileira estará coberta pelo Samu. E também não é um em cada cidade, não, é um conjunto de Samu, uma central para atender um conjunto de cidades.
E, aí, meus companheiros, nós vamos fazendo o que nós aprendemos desde o dia em que nascemos: dando um passinho de cada vez, dando um passinho de cada vez, a gente vai deixando o tempo ruim do Brasil para trás.
Eu digo todo dia, meus companheiros, que eu não vejo a hora de chegar o dia 31 de dezembro de 2006, quando termina o meu mandato. E, aí, talvez num ginásio assim, viu, João Paulo, talvez num ginásio assim, talvez com menos calor do que esse, numa época que... dezembro é muito calor... aí, eu quero fazer uma prestação de contas dos quatro anos de governo nosso, com os quatro anos de quem quer que seja, que veio antes de nós. Eu quero saber quem cuidou mais da educação, quem cuidou mais da saúde, quem cuidou mais do emprego, quem cuidou mais do desenvolvimento. Eu quero medir porque os números, você pode não gostar, mas eles não mentem. Você pode discordar ou não, mas os números são os números. Afinal de contas, Marta, matemática é uma ciência exata e não pode mentir. Você pode não acreditar, mas eles são exatos.
E, aí, a gente vai poder dizer ao povo brasileiro: "Valeu a pena a gente acreditar que um igual a nós poderia fazer mais por nós do que os tantos diferentes que nós tivemos governando este país".
Muito obrigado, povo de Osasco. Muito obrigado, companheiro Emídio. Muito obrigado a todas as famílias que receberam o Bolsa Família.
