Discurso do Presidente Lula: Encontro Nacional dos Prefeitos Eleitos do PT

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Hotel Blue Tree Park, Brasília-DF, 29 de novembro de 2004

Companheiros ministros. Companheiro João Paulo, presidente da Câmara. Meu querido companheiro Luis Ayala, secretário-geral da Internacional Socialista. Meu caro Dionisio Marenco, prefeito de Manágua, da Frente Sandinista. Meus amigos e minhas amigas.

Eu, na verdade, poderia, aqui, apenas dar uns conselhos, ou pelo menos alguns (inaudível). Esse é o melhor período dos prefeitos eleitos. Não tem período melhor do que entre a vitória e a posse, porque nesse período vocês têm todo o poder e nenhum problema. Depois da posse vocês terão muitos problemas e pouco poder.

Eu estou dizendo isso, porque o Genoíno tocou nos 13 pontos do Palocci e eu queria dizer para vocês o seguinte: quando a gente ganha, e sempre que eu falo isso é porque me recordo do tempo em que estava trabalhando na Villares, quando a gente fazia um monte de peças boas e apareciam na janela o gerente, diretor de produção, o engenheiro, o chefe da seção. E todos eles eram responsáveis pela peça boa que eu tinha feito. Mas quando a gente estragava uma peça, eu era o único culpado, o único responsável.

Quando a gente ganha, a gente costuma achar que foi só a gente que ganhou. Quando a gente perde, a gente costuma socializar as derrotas. A vitória, nós sempre trazemos para nós. E vocês sabem que eu perdi muitas eleições. Isso é experiência própria. Então, às vezes, um companheiro ganha, e fui eu quem ganhei. Às vezes ele perde, foram os outros que perderam. Mas sempre estamos procurando uma razão para justificar o nosso sucesso e o nosso insucesso que, às vezes, não é nem nosso, às vezes, é porque o povo, na sua maturidade, não nos elegeu, e a gente tem que respeitar esse gesto democrático do povo, tanto como quando a gente é eleito.

Por que eu estou dizendo isso? Porque governar, eu que já tive o privilégio de participar de atos com prefeitos eleitos do PT, quando a gente só tinha um, que era o Gilson Menezes, ou depois, quando a gente tinha só dois, que eram a Maria Luiza Fontenele, em Fortaleza, e o Gilson Menezes, em Diadema. E eu venho acompanhando as coisas boas e as coisas ruins, as coisas que são possíveis a gente fazer, que não são possíveis a gente fazer. E eu penso que nós estamos tendo uma oportunidade histórica no país, sabendo que a gente aprende desde pequeno que as coisas têm que ser bem feitas; determinadas coisas têm que ser mais que bem feitas, porque senão a gente não consegue fazer.

Eu queria pegar aqui um exemplo de um prefeito que, na época, não era do PT. Como foi que nós passamos em Camaçari, naquela zona? O companheiro Caetano está aqui, prefeito de Camaçari. Eu queria mostrar como é que a história e o ser humano, na política, conseguem dar a volta por cima. Então, na caravana com que nós passamos em Camaçari, o Caetano, na época, não era do PT, era do PcdoB. E eu me lembro que a gente estava com as nossas camisas vermelhas, o PCdoB tinha a dele, e nós a nossa, e o povo falava assim para mim na rua: "Lula, se vocês querem ganhar, por favor, nada de vermelho aqui, porque esse prefeito acabou com Camaçari." Terminou o mandato do Caetano, eu nunca mais tinha visto o Caetano e, de repente, o Jaques Wagner fala para mim: "O Caetano vai ser candidato a prefeito de Camaçari". E eu dizia: mas como, o Caetano, aquele que o povo não queria? "É, aquele que o povo não queria." Pois está aí. Com sorte e tudo Camaçari elegeu Caetano, alguns anos depois, prefeito daquela cidade.

Eu estou dizendo isso porque quem ganhou não é melhor do que aquele que perdeu. E quem perdeu não é pior do que aquele que ganhou. Há circunstâncias. Quem viu o jogo Real Madrid e Barcelona? O Ronaldinho Gaúcho abafou o Ronaldão, o "Fenômeno". Mas pode não ser todo dia, pode ser que no outro jogo o Ronaldão possa massacrar o Ronaldinho. Na política é exatamente isso, a gente não perde por causa de uma coisa, a gente não perde por causa daquela campanha, possivelmente, ela já estivesse perdida antes. Tem uma série de fatores que a gente não pode tipificar, nem porque a gente ganhou, nem porque a gente perdeu. É preciso que a gente, neste momento, ao invés de pura euforia, ou de cair no baixo astral, nem um, nem outro; a gente deve pensar no que aconteceu para a gente poder dar a volta por cima.

Eu acompanhei a imprensa, Genoíno, e vou passar um detalhe para vocês. Eu vi uma matéria assim: "O PT perdeu a classe média." E eu fiquei pensando: que classe média "cara pálida?" Vai lá dizer para o Pimentel que nós perdemos a classe média. Vá dizer para o Déda que nós perdemos a classe média. Vá dizer para Luizianne que nós perdemos a classe média. Vá dizer para todos os prefeitos eleitos da capital e do interior que nós perdemos a classe média.

Então, tentam pegar uma circunstância para tentar vender a idéia: "o PT perdeu." O PT nem perdeu, e nem o PT e o PSDB foram protagonistas desse processo eleitoral, porque principalmente a partir da imprensa de São Paulo se vende a idéia que houve um confronto nacional entre PT e PSDB, e que um ganhou e o outro perdeu. Só para vocês terem uma idéia: PT e PSDB tiveram apenas um terço dos votos na disputa eleitoral por municípios; dois terços estão espalhados por tudo quanto é legenda que vocês conhecem neste país. Algumas que vocês nem conhecem, numa demonstração viva e clara da pluralidade do comportamento eleitoral do povo brasileiro. Portanto, essa coisa é muito mais complicada. O Chico teve um tempo que achou que ia ganhar a eleição "no mole", lá em Coronel Fabriciano, e perdeu. Agora, possivelmente ele até tivesse certeza que ganhava. E ganhou. Sabe, essas coisas são assim.

Eu vi aqui o Zezão de Ilicinea. O Zezão, eu não sei nem se ele se candidatou. Mas ele ganhou tantas vezes lá que, se não se candidatou, já valeu. Eu estou dizendo isso para chamar a atenção de vocês para o seguinte: o primeiro ano de mandato é o ano mais difícil de cada um de vocês. Aqui tem prefeitos experientes. O Pedro Wilson está aqui; está aqui a companheira Maria do Carmo; está aqui o companheiro (inaudível), os dois foram prefeitos da mesma região. Aqui está o Companheiro Zezão de Ilicinea; aqui está a companheira Izalene, de Campinas. Está cheio de prefeitos aqui que ganharam, o (inaudível), nosso companheiro que ficou dois mandatos na prefeitura. E tem outros. O Dedé. O Dedé ficou 20 anos em Icapuí. O povo tirou porque não agüentava mais. Depois de 20 anos, até casal se separa, imagina o povo com o prefeito.

Então, eu acho que é importante ter claro que, no primeiro, vocês vão entrar com um orçamento feito pelo prefeito anterior. E, normalmente, o prefeito anterior não tinha as prioridades de vocês. Então, vocês vão ter que gastar dinheiro que já estava comprometido. E vocês vão ter que começar a construir o gasto de vocês. Eu poderia pegar o melhor exemplo de todos nós, aqui, o companheiro Olívio Dutra, quando foi prefeito de Porto Alegre, em 1988, 1989, até 1992. Os dois primeiros anos do Olívio Dutra foram muito difíceis. Eu chegava ao aeroporto de Porto Alegre, Genoíno, e via o mato tomando conta daquelas calçadas e eu tinha vontade de ir comendo para ajudar o nosso Olívio Dutra. E depois de dois anos, ele foi o único prefeito da história de Porto Alegre que, depois de 157 anos, conseguiu fazer o sucessor na prefeitura de Porto Alegre. Perdemos agora, e daí? Perdemos. O povo quer fazer uma outra experiência. Se a gente souber se comportar, voltamos. Não tem nenhum problema.

Mas o importante é que a gente tenha consciência de que é um ano em que a gente tem que plantar, construir as nossas alianças políticas, quem vai ser a nossa base de sustentação, quem vai nos ajudar a votar projetos na Câmara. E aqui eu quero fazer justiça ao nosso companheiro João Paulo, presidente da Câmara dos Deputados; quero fazer justiça ao companheiro Aloizio Mercadante, líder do governo; quero fazer justiça à nossa líder no Senado, ao líder na Câmara, ao líder do PT e também aos deputados, porque não é fácil aprovar o que nós fizemos em 22 meses. Se vocês analisarem o que aconteceu nesse Congresso Nacional em 22 meses, possivelmente, se vocês contarem a alguém, a pessoa vai pensar que não é verdade. Aliás, João Paulo, é importante que, num determinado momento, fizessem uma publicação das coisas importantes que foram votadas na Câmara e no Senado. Porque nós votamos a Reforma da Previdência, que muitos de nós, aqui, eu me incluo no meio, achavam que não era preciso.

Agora, que ganharam as eleições, vocês vão ver que precisam. Vão perceber que precisam, porque vão perceber que a gente sempre arrecada menos do que precisa, e sempre tem mais gastos do que a gente imaginava que podia ter. Fizemos a Reforma Tributária, a nossa parte está pronta, falta agora a parte dos governadores, que todo dia criticam o Palocci, criticam os governo federal. Mas a nossa parte nós fizemos, falta os governadores fazerem a parte deles para unificar o ICMS que fazia parte da proposta inicial.

Depois de doze anos engavetada, votamos a Reforma do Judiciário, o que não é pouca coisa, porque quem é advogado, aqui, em algum momento já fez um discurso pedindo a reforma do Judiciário, e ela foi votada.

Votamos a Lei de Falências, que era uma lei extremamente importante para que a gente pudesse começar a dinamizar um pouco mais e moralizar a atividade empresarial.

Aprovamos a Lei de Desarmamento, que era outra coisa que estava "encruada" dentro do Congresso Nacional, e aprovamos por conta da capacidade de articulação das nossas lideranças e da credibilidade que o companheiro João Paulo tem entre os partidos aliados. Conversar com todo mundo, discutir com todo mundo, essa foi uma coisa excepcional e vocês vão precisar disso na Câmara. Vocês vão perceber que nem todo mundo é tão amigo da gente, e você deve fazer com maestria, porque nós já aprendemos a fazer. Nós já fizemos isto em muitos lugares e deu certo. Então, eu acho que este é um desafio que está colocado para vocês.

Da parte do governo federal, eu posso dizer aos nossos prefeitos que vocês nunca tiveram na vida um Presidente tão municipalista como este que vos fala. Eu sei que o Marcelo ia falar isso aqui, não falou, então deixa eu falar. Neste país, o governo federal não tinha o hábito de receber prefeitos, nenhum prefeito do PT foi recebido em manifestações públicas por algum presidente da República, mesmo os mais velhos. Eu me lembro que uma vez jogaram a polícia e cachorro policial em cima de prefeitos. No nosso governo, não apenas o Presidente da República, mas este plenário aqui, tão lotado quanto está agora, já recebeu a mim e a todos os meus ministros, para fazermos debates com os prefeitos, aqui, e discutirmos as reivindicações dos prefeitos. E no último encontro que houve em março, eu tive o prazer e a alegria de receber, de ouvir o discurso dos presidentes das entidades que representam os prefeitos deste país, e nós, no primeiro ano, atendemos a 90% da pauta de reivindicação entregue a nós. Inclusive com a reforma tributária passando mais recursos para as prefeituras. E isso nós vamos continuar fazendo.

Vejam, nós criamos, o José Dirceu... alguém anunciou o Trevas aqui, ele foi muito aplaudido. É porque nunca teve, neste país, na Casa Civil da Presidência da República, um companheiro para cuidar só dessa questão de prefeito. Nunca teve uma articulação com companheiros, como a do companheiro Aldo. Nunca teve na Caixa Econômica Federal uma sala para atender prefeitos. Por que nós fazemos isso? É porque nós achamos que não é possível um prefeito sair da sua cidadezinha do interior como saiu, há muito tempo, e ficar perambulando de Ministério para Ministério sem ter ninguém para atendê-lo. Ele, agora, vem se quiser, e se vier vai ter bem atendido. Se não quiser pode telefonar para o Aldo, pode telefonar para o Trevas, pode telefonar para a Caixa Econômica, que haverá sempre alguém. Além de uma coisa que nós criamos, uma reivindicação histórica, que foi o Ministério das Cidades, porque antes as cidades estavam perdidas na Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Então, eu penso que se vão ter dificuldades naturais, vocês vão perceber que, do ponto de vista da relação institucional com outro ente federativo, vai mudar muito, porque essa é uma cultura nossa e nós não queremos abrir mão dela. E, ainda, uma coisa mais importante, porque quando o prefeito não consegue fazer uma coisa, ele culpa o governo do estado, o governo do estado culpa o governo federal e nós não temos a quem culpar. Então, nós temos que ser parceiros para não se autoculpar, aqui. Se não dá, não dá. E nós, nesse negócio, somos duros. Eu não posso ser duro com o meu vizinho, se eu não sou duro e honesto dentro de casa.

E aqui os companheiros que são prefeitos sabem que não tem quebra galho. Ou pode fazer ou não pode fazer. Porque uma falha nossa será explorada à quinta potência do que seria explorada num governo de outro partido qualquer. Por isso nós primamos pela seriedade nesse nosso relacionamento. Você, Moema, vai ser tratada com deferência aqui, porque durante tantos anos você foi a musa das nossas campanhas em Salvador, e nós vamos tratá-la com uma certa deferência, aqui, em Brasília, até porque você tem o Jaques Wagner para lhe receber e atender bem

Mas eu quero dizer que vocês serão tratados com carinho, com respeito, não apenas porque são companheiros nossos, mas porque são prefeitos e nós respeitamos as cidades brasileiras. São nelas que estão os grandes problemas de habitação, de educação, de saúde, do transporte. Não é na Presidência da República. Então, ser fiel a vocês, trabalhar em parceria com os prefeitos, é uma obrigação do governo federal e, graças a Deus e a esse conjunto de ministros aqui e companheiros, nós estamos recuperando essa primazia das prefeituras serem levadas em conta na sua relação com o governo federal.

A segunda coisa, eu queria que vocês olhassem para esta mesa aqui e vissem o seguinte: nesta mesa, aqui, tem um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze companheiros saídos do movimento sindical. Eu duvido que em qualquer outro momento da história da humanidade no século XX ou XIX tenha um país com tantos sindicalistas que chegaram a governar um país tão importante como esse.

Eu estou contando na mesa, mas sem contar com um tanto de vocês aí que passaram pelos mais diferentes setores. Alguns advogados como o Greenhalgh, alguns, assessores econômicos, como Aloizio Mercadante. Muita gente trabalhando neste país, ou seja, não é o Lula que tem que dar certo ou dar errado; o Lula que tem que fazer ou não tem que fazer. O que nós temos que provar é se nós temos competência para fazer tudo aquilo que ao longo dos últimos 30 anos nós acalentamos, junto ao nosso povo, que a gente seria capaz de fazer. É isso aí, meu caro Lindberg, porque cada um tem uma tarefa, cada um tem uma coisa para fazer na sua rua, na sua cidade, no seu local de trabalho. Do ponto de vista do governo federal, o José Dirceu já falou, o João Paulo já falou, eu só queria dizer a vocês uma coisa, a quem tem conversado comigo, aqui, ultimamente, eu tenho dito: "olha, eu só tenho motivos para estar tranqüilo." Eu, primeiro, tenho consciência de cada compromisso assumido, tenho consciência das dificuldades de fazer as coisas, mas tenho consciência do tempo em que as coisas têm que acontecer. Eu não quero nem fazer estudos com os últimos quatro anos do governo passado. Eu tomei uma decisão na vida de que eu não ia tomar posse e ficar criticando o governo passado. Eu fui eleito para governar, eu só tinha quatro anos, é muito pouco, eu não queria perder tempo criticando o outro. E se vocês quiserem um conselho, aceitem este: quatro anos passa muito rápido. Quando vocês menos esperarem, já terá alguém na orelha de vocês fazendo oposição ou dizendo que foi melhor que vocês. Então, tem que trabalhar. Graças a Deus, se tem um homem na face da terra que pode dizer que tem orgulho com os seus ministros, sou eu. Eu tenho orgulho de cada um dos meus companheiros, os do PT e os que não são do PT; os aliados e os não-aliados, porque esses meninos trabalham, eu diria, 24 horas por dia, trabalham até mais que 24 horas, trabalham muito. E as meninas também.

Então, eu estou certo que nós vamos fazer tudo que nos comprometemos a fazer. Sabe, a economia vai crescer bem. Ah, vai crescer bem melhor do que em 70. Eu acho que o emprego vai voltar a acontecer, as coisas estão sendo feitas, e as coisas feitas, hoje, não amadurecem para hoje. Você tem que colher amanhã, depois de amanhã, daqui a alguns dias, mas a história deste país, eu duvido que, em algum momento, tenha havido a quantidade de crédito à disposição do povo mais pobre do que tem hoje. Hoje mesmo acabamos de assinar uma Medida Provisória, que o João Paulo Persa não vai reclamar, para ajudar a fortalecer o microcrédito até 5 mil reais.

É importante lembrar que 80% do crédito de consumo neste país é por conta do empréstimo consignado que nós fizemos com desconto em folha. Dos aposentados, já sairam quase 1 bilhão e 900 milhões, de aposentados que antes tinham que ir à Caixa Econômica penhorar o seu relógio e sua aliança. Hoje, ele pode ir num banco e pegar um empréstimo e pagar, no máximo, 30% do seu salário por mês.

Então, eu tenho desafiado as pessoas a abrirem cooperativas de crédito, porque esse negócio de ficar chorando que o juro do banco é alto, o juro do banco é alto porque a gente vai atrás. Eu, de vez em quando, fico olhando uma pessoa de classe média reclamando: "Ah, porque o cartão de crédito está 12%". Por que usou o cartão de crédito? Não tinha consciência. Não usasse o cartão de crédito. Se não usasse, não teria os juros de 12% ou 13%. Então, essas coisas nós estamos fazendo.

Olha a cara do Palocci. Sabem, o cara mais tranqüilo que nós temos, sabendo que nós pensamos, não as mesmas coisas, nós pensamos 99%, mais ou menos, iguais. Somos diferentes na maneira de falar; temos diferenças no bigode, mas no compromisso com este país, nós parecemos uma quinta sinfonia de Beethoven, muito afinados, muito bem certinho. E isso, obviamente, deixa muita gente nervosa, porque, afinal de contas, esses rapazes aí entraram e não era para eles darem certo. Por que estão dando certo? Colocaram uma mulher de ministra das Minas e Energia. Aqui é lugar para homem. Colocar a doçura da Marina no Ministério do Meio Ambiente? Não é possível!

As coisas estão funcionando cada dia melhor e cada dia eu tenho mais motivos de orgulho. De vez em quando vocês sabem que tem problemas, tem divergências. Mas isso, quem não tem? Quem já não teve, dentro de casa uma desavençazinha? Do PT eu não falo, porque tem muitas. Agora, essas desavenças são próprias do nosso experimento democrático, do nosso experimento de exercitar essa coisa, a democracia, que é muito complicada, mas não tem nada melhor. É o que tem de melhor. E aí, toda essa política interna que o José Dirceu falou, que o João Paulo falou, tem muito mais coisa para acontecer. São muito mais coisas que, muitas vezes, vocês nem lêem na imprensa.

Estão lembrados que nós, durante a campanha, fizemos uma disputa da plataforma de petróleo, que nós dizíamos que podia ser feita, aqui, e os adversários diziam que não podia ser feita aqui. Então, está sendo feita 100% nos estaleiros brasileiros. Ninguém discute mais isso. E tem muitas outras coisas que vão acontecer. O que esses companheiros têm trabalhado. Os companheiros das secretarias, da Pesca, da Igualdade Racial, as mulheres, aqui.

Vocês verão o anúncio do programa de mulheres, que vai ser anunciado no dia 5 de dezembro, não sei se é isso. Duvido que em algum momento da história do Brasil, já tenham sido colocadas tantas coisas, e a participação das mulheres como nós vamos fazer. Não é por causa do Presidente da República, não é por causa do Presidente do PT. É porque foram feitas conferências das mulheres nos 27 estados e nas principais cidades. É o resultado. É a colheita de um trabalho muito coletivo.

Pela primeira vez a gente está reconhecendo os quilombos. Não só dando a terra, mas levando as coisas para os quilombos: educação, saúde, eletricidade. Não é Dilma?

Então, as coisas estão, eu diria, no ponto. Nem muito e nem menos. Ainda não chegamos. Vai começar o segundo tempo do jogo. O adversário deve estar discutindo como se comportar no segundo tempo. E nós, por enquanto, estamos preocupados com a nossa tática. O que nós vamos fazer, como vamos fazer, sem nunca perder a ternura, João Paulo. Nós não temos que ficar nervosos por nada. Não temos. As coisas têm que acontecer e vão acontecer. O Brasil está preparado para isso, e para que nós chegássemos a isso, nós consolidamos uma relação internacional como jamais o Brasil conseguiu sedimentar. Uma política internacional baseada no companheirismo. Nós precisamos, primeiro, recuperar a nossa relação com a América do Sul porque, embora estejamos muito próximos, nós disputávamos entre nós. Muitos países da América do Sul vêem no Brasil um país imperialista, por causa da história, porque nós sempre ficamos voltados para a Europa e não para cá, sempre para os Estados Unidos e não para cá. Vamos reconstruir.

É uma relação de confiança. Tinha que pintar uma química entre os presidentes. Eu viajei para todos os países da América do Sul e todos eles vieram aqui. Depois fomos reconstruir com a África, fomos reconstruir com o mundo Árabe. Sabem qual foi a última viagem feita por uma autoridade brasileira para o Líbano? D. Pedro, em 1876. E nós fomos construir isso. Olha para o mapa do mundo que não só tem a América do Norte não, tem ali a América do Sul. Está vendo aquele negócio ali? É o Brasil.

Foi essa relação de confiança que possibilitou a gente chegar onde chegamos hoje. Uma relação, eu diria, de boa para ótima. Uma relação em que a gente pode consolidar. Uma coisa que eu aprendi no movimento sindical. Isso não foi de nenhum curso de sociologia na USP, isso foi o sindicato. Para que a gente tenha força nas negociações com os mais fortes, nós temos que juntar as pessoas mais ou menos iguais a nós. As chamadas economias emergentes.

Então, vamos estabelecer políticas de complementariedade com a África do Sul, com a China, com a Índia. Vamos tentar estabelecer essa relação. No que nós podemos ajudar vocês e no que vocês podem nos ajudar? Lógico que não é simples assim.

Eu diria que, hoje, eu estou satisfeito com o que tem acontecido no governo. Hoje mais do que nunca. Hoje eu estava cantando. O Palocci disse: por que você está feliz? Eu falei: eu estou feliz. Não há razão para a gente estar feliz? Vocês vão perceber amanhã, a economia vai continuar crescendo, o emprego vai continuar crescendo, vocês vão perceber que a nossa dívida vai continuar caindo. Não na pressa com que a gente gostaria, mas no tempo em que a gente pode fazer.

É por isso que quando vocês andarem pelo mundo, vocês vão sentir o orgulho que se tem pelo Brasil. É porque o Brasil (inaudível) relação com os parceiros, porque o grau de companheirismo...

Olha, não faltará, da nossa parte, apoio, não aos prefeitos do PT, às prefeituras brasileiras, naquilo que a gente puder fazer. Estejam certos disso. Estejam certos de que nenhum ministro deixará de receber os prefeitos brasileiros com o carinho que eles precisam. E não tenho dúvida nenhuma de que vocês haverão de ter, a cada dia, mais orgulho de um dia terem acreditado que era possível a gente ganhar a Presidência da República neste país. Podem ter certeza disso.

Muito obrigado e boa sorte a vocês.

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