Discurso do Presidente Lula: teste industrial do H-Bio

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Araucária-PR, 20 de junho de 2006

Excelentíssimo senhor Roberto Requião, governador do estado do Paraná. Excelentíssimo senhor governador Blairo Maggi, governador do estado do Mato Grosso do Sul. Senhores embaixadores acreditados junto ao meu governo. Embaixador de Camarões. Embaixador do Gabão. Embaixador da Venezuela aqui no Brasil. Minha companheira Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil. Meus companheiros ministros Paulo Bernardo, do Planejamento, Orçamento e Gestão; Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário. Meu caro senador Flávio Arns
Deputada federal Selma Schons. Deputados federais Irineu Colombo e Beto Albuquerque. Meu querido companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras. Minha companheira Maria das Graças Foster, presidente da BR Distribuidora. Meu caro Olizandro José Ferreira, prefeito de Araucária. Meu caro Samek, companheiro presidente de Itaipu. Deputados estaduais aqui presentes. Meu caro Hélio Luiz Seidel, presidente da Federação Única dos Petroleiros. Meu caro Jefferson Roberto Gomes, pesquisador do projeto H-Bio. Senhor Emerson de Sousa Teles. Companheiros diretores da Petrobras. Companheiros secretários de estado. Secretários das prefeituras. Vereadores. Companheiros petroleiros. Companheiros do estado do Paraná e companheiras. Companheiros da imprensa brasileira e estrangeira.

Eu, primeiro, não tenho nada para oferecer ao companheiro Jefferson, mas eu queria que você viesse aqui porque eu não vou te dar um prêmio, eu vou te dar um símbolo. Eu, sozinho, tinha essa bandeira, agora é o Jefferson e eu que temos essa bandeira. Meus parabéns, que Deus te abençoe por este feito. Obviamente, como ele é um engenheiro humilde, ele já disse antecipadamente: "isso não é obra minha, isso é obra minha e de toda uma equipe que produziu." Mas eu queria, Jefferson, te contar uma pequena história, para você compreender o que você fez.

Eu estou com um discurso escrito. Eu tenho o hábito de começar a falar e esquecer o meu discurso, mas depois eu vou falar o meu discurso. Eu queria que você compreendesse o seguinte: em 1975, na Universidade Federal do Ceará, um cientista chamado Expedito Parente criou o biodiesel. Eu me lembro que passados muitos anos - eu estou falando de 75, eu só cheguei à Presidência em 2003, então já fazia quase 30 anos essa idéia - havia pequenos experimentos. Eu me lembro que um dia me convidaram para ir à porta do Congresso Nacional ver uma maquininha que estava produzindo biodiesel, depois me convidaram para ir a outros lugares visitar pequenas maquininhas tentando produzir o biodiesel. Um belo dia, nós tomamos uma decisão de transformar o biodiesel num combustível de verdade no país. O que eu vou dizer aqui são fatos muito reais, porque as coisas... a gente vê com muita facilidade quando a gente entra no teatro e a orquestra toca naquela harmonia fabulosa. A gente não leva em conta quantas horas eles tiveram de ensaio, não leva em conta quantas vezes o violino número um errou e o maestro precisou corrigir, até que a orquestra pudesse fazer o seu espetáculo.

Para nós chegarmos ao dia de hoje houve problemas. Houve problemas dentro do governo, houve problemas de falta de compreensão de muitos setores da sociedade, a nossa querida Petrobras não estava habituada a trabalhar com coisas que não fosse petróleo, esse é um dado importante. A Petrobras tinha uma certa distância, não por culpa, individualmente, de nenhum companheiro, mas era uma cultura. A Petrobras, afinal de contas, é uma empresa de prospecção e refino de petróleo, ela não estava habituada a outra coisa. Qualquer outra coisa parecia estranha à Petrobras.

Isso acontece na nossa vida cotidiana também. Nós temos medo do novo, nós não gostamos de fazer alguma coisa que pareça novo, que pareça que não vai dar certo. Eu me lembro que não foram poucos os presidentes que passaram por este país que afirmavam que a Petrobras era uma "caixa preta", praticamente uma coisa indesvendável. E o que nós estamos provando neste momento? Primeiro, que a Petrobrás tem uma equipe de técnicos e funcionários da melhor qualidade que sabem que, antes de qualquer coisa, a Petrobrás é uma empresa de coração e de confiança nacional e, portanto, tem que fazer as coisas pensando no Brasil e não apenas na própria Petrobras.

Segundo, a Petrobras, quando nós decidimos fazer o biodiesel, e decidimos fazê-lo dando prioridade à chamada agricultura familiar, porque ele foi pensado, inclusive, com um selo social para quem compra os produtos agrícolas da agricultura familiar... não que a gente não queira utilizar a agricultura empresarial, porque na medida em que nós começarmos a produzir em escala, na medida em que a gente tiver que atender uma parte do mundo, nós vamos ter que utilizar toda a soja que o Blairo Maggi planta no Mato Grosso, mais a que o Requião diz que não quer, que é transgênica, mais a do Riggotto. Nós vamos utilizar toda a soja disponível, sem perder de vista que nós temos que priorizar o alimento do nosso povo, a ração animal. Mas nós temos muita oleaginosa. Nós temos o dendê, nós temos o caroço do algodão, nós temos o girassol, nós temos o pinhão manso, nós temos a soja, nós temos a mamona e vai por aí afora, procurando coisas com que nós poderemos produzir o biodiesel.

Bem, então nós decidimos fazer. Fizemos um marco regulatório, mandamos para o Congresso Nacional, demorou praticamente um ano para ser aprovado. Foi aprovado. Faz 18 meses que nós estamos vendo essa criança ganhar pernas. Depois, tentamos fazer com que a Petrobras assumisse o compromisso de comprar, porque era um produto novo e tinha que ter o braço do Estado. A Petrobras fica sempre naquela: "não, porque o nosso negócio é petróleo", aquela coisa toda. Bem, a Petrobras então resolveu assumir de corpo e alma, graças ao presidente da Petrobras, graças a companheiras como a Graça mas, sobretudo, uma homenagem a uma companheira de valor incomensurável nesse processo todo, que é essa moça que falou aqui com vocês, a nossa companheira Dilma Rousseff.

Eu sou companheiro do José Sérgio Gabrielli desde 1980. Vocês sabem que é difícil companheiro brigar com companheiro. Então, quando preciso enquadrar o José Sérgio, eu peço para a Dilma enquadrá-lo. Primeiro, porque a mulher leva vantagem, o homem nunca vai ser indelicado, só alguns, mas a maioria é sempre mais delicada no trato... então, eu acho que a Dilma tem muito a ver com o sucesso desse programa, porque ela acreditou. Depois a Petrobras teve um probleminha: "o leilão, eu não vou participar disso, tal". A Petrobras entrou no leilão. Quando a Petrobras entrou no leilão, nos deu a tranqüilidade de dizer o seguinte: agora é para valer. E um belo dia, eu estava conversando com o José Sérgio Gabrielli, a Dilma, o ministro Silas e outros companheiros da Petrobrás que estavam lá e, de repente, o José Sérgio falou assim para mim: "Presidente, o senhor vai ter uma surpresa". Qual é a surpresa? É que esse processo todo de biodiesel que faz a transesterificação - essa palavra eu demorei para aprender a falar, porque eu tenho a língua presa, mas agora sai com a maior facilidade: transesterificação - ele falou: "Presidente, nós vamos agora acabar um pouco com isso porque agora nós fizemos uma pesquisa, fizemos um teste e deu certo, nós misturamos o óleo vegetal diretamente no óleo diesel, refinamos e deu um óleo diesel de melhor qualidade do que o diesel que até então nós produzimos no Brasil, que tem muito enxofre e não é de muita qualidade."

Pois bem, a partir daí eu tive consciência de que nós estávamos fazendo uma revolução. Uma revolução, possivelmente, ainda não compreendida com a dimensão que ela tem que ter porque o mundo já teve muitas guerras por causa de petróleo, muitos países já foram invadidos, muitas mortes já aconteceram na história do Planeta por conta de energia, já teve guerras e mais guerras. Hoje o preço está, eu diria, asfixiante para os países mais pobres, para os mais ricos o preço não é grande problema, mas para os países pobres continua sendo um problema. Eu ouvia dizer há muito tempo: "vai ter carro elétrico, vai ter carro a hidrogênio, vai ter carro..." cada um inventava alguma coisa.

Nós, brasileiros, não precisamos fazer nenhuma guerra, não precisamos ofender ninguém, não criamos um único caso, apenas colocamos a nossa inteligência para trabalhar, foi trabalhando, trabalhando, e hoje eu posso, sem nenhuma (inaudível) afirmar, meu caro Jefferson, que o que vocês fizeram na Petrobras é uma revolução de grandeza incomensurável para o século XXI, na área de combustível.

Esta bandeirinha foi a primeira homenagem humilde minha, porque não tinha nada para te oferecer, a não ser o meu carinho e o meu reconhecimento. Mas, certamente, a Petrobras tratará... você não foi para a lua, você não foi para o espaço, você não virou astronauta, mas você conseguiu fazer pelo menos o Presidente voar um pouco de alegria com esse projeto da transesterificação. Por isso, meus agradecimentos e meus parabéns.

Bem, dito isto, eu queria dizer para vocês que nós estamos vivendo um momento interessante no Brasil. Eu sempre faço comparação da política com o futebol, porque é a coisa que o povo mais entende. Nós, muitas vezes, somos exigentes demais, eu nunca vi um povo mais exigente do que nós. A nossa seleção ganhou de 1x0, ganhou de 2x0, mas nós não nos contentamos, nós queríamos é que ganhasse de seis, sete, nós queríamos que todos os jogadores marcassem três, quatro gols. Imaginem quantos países do mundo estavam torcendo para ganhar de 1x0 magrinho. Nós ganhamos e ainda estamos insatisfeitos porque nós queremos mais. Eu digo sempre que sou daqueles que acham que mesmo que seja de 1x0, o importante é que a gente ganhe todas até chegar à final. Isso é que nem eleger deputado. Tem deputado que tem um milhão de votos, outro tem dois votos, quando chega no Congresso Nacional ninguém se lembra que alguém teve um milhão, o voto dele é um cada um, cada um vale um voto.

Pois bem, o que nós estamos fazendo neste país, neste momento, eu diria que é um momento meio mágico para a cultura brasileira, porque quando nós cobramos muito de nós mesmos, nós nos esquecemos que este país passou praticamente vinte anos estagnado. Muitas vezes nós não nos lembramos que este país teve uma década em que eu fui um dirigente sindical muito importante neste país, modéstia à parte, no tempo em que o Prefeito de Araucária também era dirigente sindical. E eu passei quinze anos da minha vida, quinze anos, indo na porta de fábrica chorar porque os trabalhadores eram mandados embora da fábrica. Fiz as maiores greves deste país e não ganhei 1% de aumento real de salário. Voltava para trabalhar e quando o empresário fazia concessão de negociar o pagamento dos dias, eu ainda achava que era vitória.

Agora, faz 43 meses que o emprego cresce de forma consecutiva neste país, empregos com carteira profissional assinada. Faz três anos que os dirigentes sindicais brasileiros, mesmo aqueles mais pelegos, que não estavam acostumados a lutar, fazem acordo tendo ganho real de salário, com aumento acima da inflação. É por isso que as pessoas começam a perceber que alguma coisa começou a mudar neste país. É como se fosse uma orquestra, primeiro você afina, que é a harmonia, depois as coisas começam a acontecer sem precisar fazer muito barulho.

Essa data de hoje, eu quero dizer para o Requião, que a minha vinda aqui, hoje, é uma homenagem não apenas a você, enquanto governador, mas ao povo do Paraná, porque a refinaria de Belo Horizonte estava pronta para fazer isso, e nós atrasamos 20 dias para fazer aqui. Porque o Paraná é um grande produtor de soja e nós achávamos que era preciso dar esse sinal de que mesmo os produtores de soja vão ter, daqui a algum tempo, o mesmo equilíbrio, Blairo, que tem hoje o produtor de cana.

Na hora em que a gente transformou o álcool em combustível, e não apenas numa commodities, e o álcool passa a ser uma coisa vista pelo mundo como uma alternativa de combustível para tornar a gasolina menos poluente, para tornar a atmosfera menos poluída, o que acontece, na verdade? Você tem, primeiro, o álcool que você pode produzir para combustível, você pode produzir o açúcar, você mantém um certo equilíbrio no mercado. A soja não, a soja nós somos vítimas dela, quando nós produzimos soja em excesso, o preço despenca no mercado internacional, se a gente produz e outros países produtores produzem mais, desgraçou mais ainda.

Agora, com a possibilidade de introduzirmos a soja no H-Bio, você pode ter um mercado regulador. Se o preço não for conveniente, nós metemos para fazer H-Bio, se for conveniente, nós vamos ter quota para poder garantir, porque quando se trata de combustível, é uma coisa extremamente séria, e nós não poderemos brincar. Quando nós avisarmos que vai ter determinado tipo de combustível, ele tem que estar no posto de gasolina, nós não podemos anunciar e depois não ter. Então, eu acredito que nos próximos cinco ou dez anos, o mundo, não a Venezuela, que não precisa porque tem muito petróleo, mas o Brasil.

O Brasil este ano teve uma coisa fantástica, gente. Vejam, primeiro nós inauguramos a P-50 que significou a auto-suficiência do petróleo, depois nós estamos, aqui, anunciando definitivamente o processo do H-Bio. E o biodiesel continua. Nenhum pequeno produtor vai sofrer nenhum problema por causa do H-Bio, porque também no H-Bio vai ser introduzido os 2% de biodiesel que estavam previstos no óleo diesel. Esse programa tem todas as funções de combustível, nós queremos que todo mundo possa participar, mas ele tem uma parte que é a sua função social, é resolver o problema dos lugares mais pobres deste país, sobretudo a região do semi-árido nordestino, o Vale do Jequitinhonha, em Minas gerais, porque nós temos que dar uma mão.

Pois bem, não faz mais que 30 dias eu conversei com o primeiro-ministro Tony Blair, conversei com a primeira-ministra Ângela Merkel, conversei com o presidente Chirac, ontem pela manhã conversei com o presidente Bush, e para todos eles com quem converso, qualquer que seja o assunto, eu introduzo o biodiesel e introduzo o H-Bio. Por quê? Porque o Brasil, nesta área, já somos campeões na produção de etanol, já temos tecnologia e ninguém tem condições de competir conosco. Os Estados Unidos produzem etanol de milho, que fica muito mais caro do que o nosso, o milho poderíamos dar para as nossas galinhas comerem, e a gente produzir da cana e ainda utilizar o bagaço para produzir energia elétrica, ou seja, prestem atenção no que eu estou falando, eu, com 60 anos, possivelmente tenha, geneticamente, mais 15 anos de vida, mais 10, mais 20, sei lá, também se for para ficar carcomido não interessa. Só se eu estiver bem assim. Mas eu quero lembrar, sobretudo à juventude, vocês vão ter que lembrar esse dia de hoje, daqui a 10 ou 15 anos. O Brasil irá se transformar no país mais importante quando se trata de energia renovável. Ninguém vai poder competir com o nosso país. E aí um engenheiro simples, da Petrobras, da mesma forma que um pesquisador como o Expedito Parente, vão ser lembrados no mundo inteiro como os homens que criaram uma coisa extraordinária para o futuro da humanidade.

A gente apresenta um combustível que gera mais emprego, menos poluente, menos fumacento, não vai criar nenhum macrodomo de poluição em cima da cidade de Curitiba. E a gente vai poder ter um combustível que gera emprego, a gente vai poder dizer, o Blairo vai dizer para os trabalhadores dele: "olha, meus companheiros, agora vocês vão plantar petróleo." Aí o cara vai plantar soja. Lá no Nordeste os meus conterrâneos vão dizer: "Ah, vamos plantar um pouquinho de petróleo? Vamos plantar uma mamona." Lá no Amazonas: "vamos plantar um pouquinho de petróleo? Vai plantar um dendê." Minas Gerais: "vamos plantar um girassol." Então, ao invés da gente ficar cavando a três mil metros de profundidade, depois de dois mil metro de lâmina de água, a gente vai cavar uma covinha, vai plantar uma semente e depois de um tempo a gente vai levantar a mão e vai tirar uma parte do combustível que este país precisa. É um momento mágico para a Petrobras, é um momento mágico para o nosso país e nós precisamos aprender a tirar proveito disso.

Eu, em cada lugar que eu vou, quem quiser conversar comigo de outro assunto, pode conversar. Eu me lembro como se fosse hoje do dia 10 de dezembro de 2002, quando eu fui aos Estados Unidos a convite do presidente Bush. Ele estava muito irritado, estava muito angustiado, o 11 de setembro tinha marcado profundamente o povo americano, a luta contra o terrorismo é quase que uma obsessão, e ele falava sem parar, para mim, da guerra do Iraque e do terrorismo e que precisava derrubar o governo. Eu dizia: Presidente, o meu problema não é esse, o meu problema é enfrentar a fome no meu país, enfrentar a miséria no Brasil, essa é a guerra que nós queremos fazer.

Então, vejam, o país é auto-suficiente em petróleo, plataforma que era impossível de construir no Brasil, está sendo construída no Brasil; navios, o que parecia ser impossível, voltaram a ser produzidos aqui. Esta semana, na próxima semana, vamos anunciar 26 novos navios contratados pela Petrobras e, quem sabe, teremos estaleiros com a Argentina, com a Venezuela.

Outra coisa importante, que eu acho que é preciso lembrar aqui: fazia 20 anos que este país não tinha uma nova refinaria. E eu me lembro, não era o José Sérgio Gabrielli ainda, ele era diretor financeiro. Eu me lembro que o meu amigo José Eduardo Dutra dizia assim para mim: "Presidente, nós não precisamos de outra refinaria, nós vamos gastar 1 bilhão e não sei quanto na refinaria do Paraná, nós vamos gastar 900 milhões na refinaria do Rio Grande do Sul, nós vamos gastar não sei quantos milhões na Replan, em Paulínia, em São Paulo, vamos gastar não sei quanto na refinaria em Mauá, vamos gastar não sei quanto na Reduc, no Rio de Janeiro, nós não precisamos de uma nova refinaria. Eu disse ao José Eduardo: é bem possível que pesando do ponto de vista eminentemente empresarial, a Petrobras chegue à conclusão de que não precisa de refinaria, mas vocês não se esqueçam que o governo é acionista majoritário na Petrobras e, portanto, nós precisamos de uma refinaria no Nordeste brasileiro e vamos fazer. E está anunciada a refinaria numa parceria com o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, PDVSA e Petrobras estão namorando, são duas empresas muito importantes, logo, logo chegarão a um acordo e nós teremos mais uma refinaria no nosso Nordeste brasileiro.

Mas não é só isso, de vez em quando a gente vai falando o que a gente quer para o futuro sem lembrar o que estamos fazendo no presente. Eu fui, sexta-feira, anunciar um projeto no Rio de Janeiro, governador Requião, um projeto de um pólo petroquímico de 14 bilhões de reais, que estará inaugurado em 2011. Um pólo petroquímico que vai gerar, no processo de sua construção, mais de 270 mil empregos e, possivelmente, 400 mil empregos quando as empresas de segunda geração estiverem lá.

Eu fui, há 15 dias, anunciar a Transnordestina, uma ferrovia de 1.860 quilômetros e 4 bilhões e meio de reais de investimento, financiada pelo BNDES e por outras instituições financeiras. Nós fomos anunciar o Pólo Siderúrgico no Porto de Pecém, em Fortaleza. E por que estamos tentando descentralizar o desenvolvimento do Brasil? É porque o Brasil precisa ficar mais equânime, o Brasil precisa ficar um pouco mais justo, você não pode ter uma parte do Brasil pobre e a outra parte menos pobre, é preciso que a gente seja mais ou menos desenvolvido em todo o território nacional. O Programa de Biodiesel é pensado para isso, mas eu queria dizer uma outra novidade para vocês.

Agora, estamos numa discussão maluca que eu não sei se todo mundo compreende, que é a TV Digital. Aliás, eu vi um jogo do Brasil na TV Digital. É de qualidade. A TV Digital é o que tem de mais alta definição na transmissão da televisão. Essa televisão analógica, daqui a alguns anos não vai ter mais essa que nós temos hoje, vai ser só digital. Pois bem, então vamos fazer, mas por que fazer só TV Digital? Por que não discutirmos que o Brasil quer um pouco mais? Aí, fomos procurar parceiros. Americanos tinham interesse, europeus tinham interesse, japoneses tinham o modelo. Fomos pesquisar, fomos visitar, mandamos ministros para o Japão, para a Europa, para todo o mundo e tal. Agora, estamos próximos de concluir, não está concluído ainda, mas há uma oferta da construção de um programa, chamado programa Nipo-Brasileiro de TV Digital.

Estamos nos reunindo com empresários esta semana, com ministros japoneses. Se isso der certo, nós não vamos apenas ter a TV Digital no Brasil, nós vamos ter uma fábrica de semicondutores no Brasil, o que significa o Brasil adentrar o mundo da eletrônica; o que significa, ao invés de a gente exportar minério de ferro a um precinho barato e comprar um chip deste tamaninho a um preço deste tamanho, nós vamos começar a produzir essas coisas mais sofisticadas no Brasil. E o Brasil vai dando os passos para entrar definitivamente na era de um país, não em desenvolvimento, porque nós já estamos cansados... Metade da minha vida o Brasil era subdesenvolvido, a outra metade era Terceiro Mundo, agora estamos em vias de desenvolvimento. Está na hora de a gente dar um salto de qualidade e se transformar num país produtivo e num país desenvolvido.

O Brasil está caminhando para isso. Este sinal que a Petrobras dá hoje é uma demonstração de que as coisas estão acontecendo e vão acontecer com muito mais força e quando menos a gente esperar vão se abrir as cortinas e a gente vai perceber que o Brasil mudou de patamar. O Brasil mudou de patamar e só não enxerga quem não quer ver. Eu me lembro que quando eu ganhei as eleições o Brasil era obrigado a vender dólar para poder baratear o preço do dólar. Hoje, nós compramos para poder encarecer um pouco o dólar.

O Brasil vivia com o seu ministro da Fazenda correndo para Washington todo final de ano para poder fechar as contas aqui. Hoje, nós devolvemos ao FMI, não pagamos, nós devolvemos ao FMI 15 bilhões e 600 milhões que estavam aí e que a gente estava pagando juros. Não queremos mais o FMI, não queremos mais o Clube de Paris, nós só queremos dizer ao mundo uma coisa que todo mundo gosta de dizer. Nós só queremos dizer ao mundo: olha, o Brasil é uma nação grande e nós não temos que depender de favor. Nós temos que dizer a todo mundo que queira ouvir: nós só queremos ser respeitados, nós só queremos ser tratados como eles querem ser tratados. Agora, a verdade é que ninguém respeita quem não se respeita, eu tenho que me respeitar em primeiro lugar. E durante muitos anos este país não se respeitou, durante muitos anos este país andou de cabeça baixa. Eu digo sempre o seguinte: respeito é bom, eu gosto de dar e muito mais de receber.

Meus parabéns, Petrobras, pelo respeito que conquistou no mundo do combustível neste momento histórico.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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