Discurso do Presidente Lula: abertura do 33º Congresso Brasileiro de Agências de Viagens e Exposição de Turismo

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Rio de Janeiro-RJ, 27 de outubro de 2005

O problema é que quando nós temos 17 anos, nós ficamos rezando todo dia para que o dia tenha apenas uma hora e não 24 horas, para completar 18 anos logo. Quando a gente tem 60, a gente fica pedindo a Deus que demore 10 anos para a gente não chegar aos 61. De qualquer forma estamos cumprindo o ciclo da vida e, quisera Deus, que todos pudessem chegar aos 60.

Eu quero cumprimentar a nossa querida Rosinha Garotinho, governadora do estado do Rio de Janeiro, a nossa querida governadora Wilma Maria de Faria, governadora do Rio Grande do Norte, O nosso querido ministro Walfrido que, se não existisse, teríamos que criar um ministro do Turismo, Quero, cumprimentando o Walfrido, cumprimentar a todos os ministros de outros países que estão nos visitando neste Congresso.

Quero cumprimentar os embaixadores estrangeiros acreditados junto ao meu governo Quero cumprimentar o deputado federal, Antonio Cambraia, presidente da Comissão de Turismo e de Esportes da Câmara dos Deputados. Quero cumprimentar a deputada federal Elaine Costa, deputado federal Júlio Lopes e Ricarte de Freitas Quero cumprimentar o senhor Otávio Leite, vice-prefeito do Rio de Janeiro Quero cumprimentar a todos os secretários e secretárias estaduais do Turismo Quero cumprimentar o dono da festa, aqui, que é o João Pereira Martins Neto, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, em nome de quem eu quero cumprimentar os demais integrantes da mesa. Quero cumprimentar os deputados estaduais, prefeitos, vereadores que estão presentes

Mas, sobretudo, quero cumprimentar os agentes de viagens e os empresários do turismo que estão participando desse 33º Congresso da Abav.

Na verdade, o que nós estamos, pela fala do nosso presidente da Abav e pela fala do companheiro Walfrido, o que nós estamos é colhendo um pouco daquilo que foi plantado.

A primeira grande coisa que aconteceu no Brasil foi definir o turismo como uma indústria e como prioridade. Nós não poderíamos continuar com o turismo sendo o resultado da bravura de vocês ou de medidas ocasionais do governo, ou da inteligência e da criatividade de alguns empresários brasileiros. Era preciso que nós déssemos a dimensão estrutural para que o turismo fosse definido como prioridade nacional. Não só porque gera emprego, gera renda, mas porque a questão cultural com o turismo, ela faz com que o brasileiro possa ensinar mais e que outros aprendam aqui conosco, mas ela também melhora a cabeça do nosso povo, aprendendo mais um pouco, não só da nossa diversidade cultural interna, mas é muito importante também que viajemos para fora para aprender um pouco com outros povos, com outras civilizações.

O dado é que isso não seria possível se não houvesse uma definição estratégica e uma parceria entre os empresários e o governo, através do ministro do Turismo. Não seria possível se não houvesse a compreensão dos estados brasileiros, dos municípios, onde não se disputa quem é o pai da criança, esse tem que ser um pai coletivo. Essa criança, na verdade não tem pai, ela está num grande orfanato chamado Brasil e nós vamos cuidar dela com carinho, porque dela depende, muito, o futuro do Brasil, o futuro de muitos países da América do Sul, para que um dia possamos chegar a nos vangloriar como os espanhóis, como os franceses, pela quantidade de turistas que recebem todo ano, sem falar dos Estados Unidos.

Essa parceria só foi possível porque houve um entrosamento entre a iniciativa privada, o governo, os estados e os municípios. Então, o que nós estamos colhendo aqui, hoje, é o que vocês plantaram, é o que vocês semearam.

Eu me lembro do encontro internacional que fizemos lá em Brasília, sempre tem gente contra, porque pessimista você encontra em qualquer lugar do mundo. Eu estou ficando velho e estou aprendendo que a gente tem que levantar, todo santo dia, e fazer uma reza profunda para que a gente deixe o pessimismo no banheiro, dê descarga nele logo cedo e saia para a rua pensando coisas boas, porque aí elas acontecem, tem muito mais chance de acontecer.

E aí, qual é o resultado que nós temos? No ano passado, foram 4 milhões, 793 mil e 703 turistas que visitaram o Brasil, o que representou 26,7% a mais do que em 2002. Até agosto de 2005, a entrada oficial de divisas decorrentes do turismo foi de 2 bilhões e 526 milhões de dólares, um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses resultados, por si só, mostram o quanto foi significante o trabalho que vocês construíram até agora.

Crescemos de forma pujante e invertemos a balança turística, historicamente, todo mundo sabe, o Brasil produzia déficit. Você sabe que eu mantenho uma marcação cerrada, uma marcação muito cerrada em cima do Walfrido. Quando ele passa 15 dias sem me ligar para me dar uma boa notícia do turismo, eu ligo e pergunto: o que está acontecendo? Cadê os números? Aí no dia seguinte ele inventa um monte de números que eu nem sei se todos são... mas ele me mostra lá e me convence.

Portanto, não há dúvida de que acertamos ao incluirmos o turismo entre as dez prioridades do nosso governo. E foi importante criar um Ministério, tem muita gente que critica: "por que vai criar mais um Ministério? Por que isso vai inchar a máquina". Bobagem, quem pensa assim é porque queria que o Brasil continuasse não dando certo na área do turismo, quem pensa assim, quem sabe, foi quem determinou que o Ministério do Turismo, na década de 40, fosse ligado ao Ministério da Agricultura, ou seja, o turismo hoje é uma coisa que tem que ser tratada como se fosse a miss Brasil. Tem que ser tratada com carinho excepcional. Não pode ser tratada como uma coisa secundária. Eu vou fazer ver tudo, eu vou pensar numa siderúrgica, vou pensar num pólo petroquímico, eu vou pensar... Quem pensar assim, vai quebrar a cara, porque nós achamos que o turismo tem que ser determinante para o crescimento de alguns países e, dentre eles, o Brasil que tem um potencial extraordinário.

Eu quando falei aqui, João Pereira, no outro encontro em que estava o embaixador americano e eu falei que era preciso pegar os turistas que vão visitar Niágara, e trazer para visitar Foz do Iguaçu, que eles iam perceber que o Niágara era um filete de água, era um corregozinho perto das nossas Cataratas. Mas é verdade, se a gente não mostrar, meu caro, ninguém casa com quem não conhece, ninguém visita uma coisa porque é feia. As pessoas precisam conhecer. E o Brasil precisa fazer o que está fazendo, se mostrar. Não ter vergonha de se mostrar. Não é vaidade, não é arrogância, não é nada. Os defeitos que nós temos, os nossos competidores mostram. As virtudes que nós temos, somos nós que temos que mostrar.

Vocês sabem que nós temos uma meta ambiciosa. Eu prefiro meta ambiciosa a meta frouxa, porque quando você vai falar "quanto é que vai ser o jogo?" - agora que o Corinthians está na moda, Corinthians e Goiás - "quanto é que vai ser o jogo?" Se um jogador falar que vai ser 0X0 ou 1X0, não passa confiança. Ele tem que falar "vamos entrar para arrebentar e vamos ganhar o jogo". Essa meta nossa de receber nove milhões de viajantes estrangeiros e ampliar para cerca de oito bilhões de dólares a geração de divisas é muito importante. A gente pode até nem chegar lá, mas o importante é que a gente trabalhe com muito afinco para chegar, que a gente trabalhe efetivamente porque eu aprendi uma coisa: não existe nada impossível. O impossível é apenas um pouco mais difícil e exige de nós um pouco mais de competência, um pouco mais de trabalho. E por isso é que nós temos que pegar essa meta e dizer: "aqui nós vamos cumprir esta meta". E quem vai ganhar com isso? Todos nós vamos ganhar com isso.

Portanto, é com muita alegria que a gente participa deste encontro. Eu disse que, na outra encarnação, se eu pudesse ser um homem público, eu queria ser ministro do Turismo, porque na política é o seguinte: ser ministro, presidente ou governador, ou prefeito, e ser secretário da Fazenda ou ministro da Fazenda é que é espinhoso no governo. Agora, ser ministro do Turismo, apesar de trabalhar muito... Mas o mesmo ainda vai acontecer com a Rosinha aqui, com o Secretário dela. "Onde está o Secretário? Está em Búzios em um encontro. Onde está o Presidente? Está dentro da Volkswagen, está na Reduc. Onde está o Walfrido Mares Guia? Ah! Ele estava em Cancun, em um encontro". E Deus queira que você continue viajando mais, porque falando o que você fala, porque se você não passar o otimismo que nós precisamos passar, os outros passarão o pessimismo.

E aí eu quero dizer para vocês umas coisas que são resultado do trabalho de vocês. Vocês sabem que o Plano Nacional de Turismo foi elaborado com o objetivo de contemplar a rica diversidade brasileira, as belezas naturais, a cultura da nossa gente e os sítios históricos existentes em várias regiões do país. Já foram identificados 219 pólos com potencialidade para o desenvolvimento do turismo. E eu vou dizer uma coisa para vocês: eu acho que o Walfrido, é verdade, se ele não estivesse, se ele não existisse, nós teríamos que criar, porque ele foi o homem colocado no lugar certo porque, para que as coisas dêem certo, as pessoas têm que gostar. Se as pessoas não fizerem o seu trabalho com paixão, e vocês sabem disso, se você não fizer o trabalho com paixão, a coisa pode não produzir o tanto que a gente quer. E é verdade, eu acho que pouca gente na história do turismo brasileiro teve a felicidade de montar a equipe que o Walfrido montou. Eu sou suspeito para falar dos companheiros, porque são todos meus amigos, alguns históricos, mas eu só tenho recebido elogios por todos os lugares do Brasil em que eu vou, da equipe montada pelo companheiro Walfrido. Portanto, o resultado só poderia ser esse.

Convencer estrangeiros a virem ao Brasil é uma tarefa incomensurável. Você fazer um alemão, um japonês, um francês, um italiano vir para o Brasil é preciso que a gente se dedique com profissionalismo, porque não falta quem fale mal do Brasil. E uma coisa que nós fizemos e que eu acho que é uma coisa excepcional, que ainda não produziu todos os resultados que nós queremos é o trabalho que a Embratur está fazendo no exterior. Nós mais do que dobramos a nossa participação em feiras internacionais. Quem assistiu, este ano, o Ano Brasil lá na França, viu o poder que tem o Brasil quando nós acreditamos em nós mesmos. Possivelmente, a França jamais esperasse que o Ano Brasil fosse o sucesso que foi. O dobro, o triplo, cinco vezes do que o Ano da China. Nunca se viu tanto brasileiro, tantos franceses freqüentando salões de artes brasileiras, lendo coisas do Brasil, tendo acesso às informações brasileiras, nunca se viu tanto. E eu acho que é assim que o Brasil vai ocupar um lugar de destaque.

Apenas em 2005, já captamos 24 novos grandes eventos internacionais de negócios para o nosso país. Com isso, o Brasil subiu no ranking mundial de país realizador de eventos, passando da 21ª para a 14ª posição, significa um avanço extraordinário. Se nós tivéssemos caído uma, quem sabe a imprensa tivesse dado destaque. Como nós crescemos um monte, nós precisamos falar e repetir aqui para as pessoas saberem que nós melhoramos a nossa participação no cenário internacional.

Além dos escritórios que instalamos em Nova Iorque, Lisboa, Londres, Paris, Frankfurt e Milão, criamos, em 2005, o escritório da Espanha, bem como o escritório conjunto de Promoção do Mercosul, no Japão. Eu confesso a vocês que eu fiquei emocionado quando entrei em um vagão, em um trem em Tóquio, para fazer propaganda do Brasil, e lá estava a exposição das coisas mais bonitas que nós temos. Aquilo ficou um tempo naquele metrô, e eu quase me lanço candidato lá em Tóquio porque quando eu saí, não sei se é porque eu era a única pessoa diferente lá, as pessoas me conheciam, tinha pouca gente diferente lá e eu era um deles, mas foi uma coisa muito emocionante, saber o potencial que o Brasil tem para ser vendido lá fora.

E depois, uma coisa fantástica, que é a coisa que eles mais gostam, é o jeito do nosso povo. A pernambucanidade, a baianidade, a maranhidade, eu acho que o jeito do nosso povo, eu não sei se eu vou ser presunçoso aqui, mas eu acho que tem pouca gente no mundo que tem o jeito do brasileiro. Quando você vê, por exemplo, na Bahia, qualquer batuque, é verdade, na Bahia, até o barulho de uma batida de carro, as pessoas pensam que é música e começam a dançar. A riqueza cultural do Rio de Janeiro... se a gente for analisar as matérias negativas que saem na televisão falando do Rio de Janeiro, qualquer coisinha no Rio de Janeiro ganha uma dimensão enorme. Agora, não adianta falar mal do Rio de Janeiro, porque isso aqui... Deus, Jesus Cristo está com os braços abertos ali, tomando conta. Isso aqui é um poder extraordinário. Só o cidadão chegar de avião, e ele ver o cenário, já valeu a viagem. É que nem gol de Ronaldinho no Barcelona. Viu um gol de letra, valeu o ingresso, nós não falamos assim? Volta para casa! Se pegar um dia de sol bonito, aqui no Rio de Janeiro, já valeu. E aí, a beleza do Nordeste, a beleza do Sul do país. Então, nós temos que colocar isso para fora, nós é que temos que colocar. E, ao invés de esperar que eles venham para cá, nós temos que ir lá. Por isso, meu caro Eduardo, meus parabéns pela montagem dos escritórios e, se puder, vamos montar mais escritórios lá fora.

Sempre tem gente que vai dizer que nós estamos gastando. Mas o Brasil é o único país capitalista do mundo em que as pessoas querem ganhar dinheiro sem investir. Então, nós temos que investir. Antes, dizia-se que não adiantava intensificar o marketing turístico, pois nossa infra-estrutura receptiva não comportaria o aumento significativo de visitantes estrangeiros. Nós estamos provando o quê? Eu quero ser a testemunha de vocês: em algum momento da história deste país nós tivemos a quantidade de aeroportos brasileiros, de uma única vez sendo preparados, como estão agora? A Infraero está, de forma responsável, tentando adaptar todos os aeroportos à nova realidade brasileira. Ou seja, não adianta a gente querer que turista venha para ver muquifo, não vem. E o aeroporto é o primeiro sinal que você pode dar de forma positiva para um visitante. Vejam uma coisa, do total de 66% dos aeroportos da Infraero, nós estamos consertando praticamente quase todos. Em 19 destes, incluindo a primeira etapa de Congonhas e os aeroportos de Recife e Maceió, as obras já foram concluídas, já fui inaugurar o de Uberlândia. Quem é de São Paulo, aqui, sabe: aquele aeroporto de Congonhas, o sacrifício que a gente faz para chegar e para sair é um negócio maluco.

Agora, no final do ano, se Deus quiser, vamos resolver o problema do estacionamento, para que o turista que chegar em São Paulo... Em São Paulo tem muito turista de negócios, o cara já vai pensando em ganhar dinheiro ou perder dinheiro, então ele tem que ter um bom tratamento no aeroporto. E, ali, aquele estacionamento, faz 12 anos que eu xingo alguém por causa daquele estacionamento. Eu, um tempo, pensei que havia um acordo entre a polícia e os táxis, porque eles queriam que a gente descesse do carro andando, não dava nem para parar que eles iam multando, as pessoas sofrem. Graças a Deus, nesse final de ano, nós vamos resolver esse problema para que as pessoas se sintam mais leves ao chegar ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O de Santos Dumont, nós vamos torná-lo também mais acessível. Ou seja, as pessoas merecem, no mínimo, respeito, e nós estamos fazendo isso.

Uma coisa importante que eu quero dizer para vocês. Nós estamos, desde março deste ano, tentando começar a Rodovia 101/Nordeste, aquela que vai de Natal até a Bahia. É uma coisa que estava na nossa prioridade, para dar conforto ao turista que, ao descer num estado, poder transitar por todo o Nordeste. O que aconteceu? Primeiro, o Tribunal de Contas encontrou irregularidades, mandaram vários senadores do Nordeste ao Tribunal de Contas conversar, foi suspenso. Depois acertamos tudo, fizemos a licitação. Ganha um grupo de empresas. Um outro grupo de empresas entra na justiça, ganha uma liminar. Pára a obra. Nós, agora, tomamos a decisão de começá-la com um Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro, para que a gente comece a fazer.

Da mesma foram que nós estamos, agora, acreditando que a BR 101/Sul, de Osório a Palhoça, vai dar mais tranqüilidade aos brasileiros que vão para a Argentina e para o Uruguai, e a eles que vêm para cá, porque todo ano tem muito acidente de carro. Com a duplicação, se Deus quiser, eu acho que nós vamos resolver um problema crônico e vai aumentar o trânsito de brasileiros e de gente do Mercosul transitando de um lado para o outro além das cargas. Essas obras são prioritárias, inclusive pensando no turismo do nosso país e, sobretudo, o turismo interno.

Eu quero dizer que estou pulando muitas páginas aqui, não vou citar mais números porque eu quero dizer duas coisas para vocês. O Brasil, isso é importante vocês atentarem, porque de vez em quando a gente perde oportunidades. Nós temos um jeito todo especial de ser, enquanto seres humanos: agora, está calor e a gente passa o dia inteiro: "precisava chover, precisava fazer um pouco de frio"; levantamos e vamos dormir assim, não é? Deitamos, e está calor, "precisa fazer um pouco de frio"; quando começa a fazer frio, faz uma semana e a gente começa: "precisa fazer calor, precisa fazer calor". A vida é assim, na política, na economia.

Nós estamos vivendo um momento no Brasil em que nós não podemos permitir que a impaciência tome conta de nós, porque uma chuva só vai promover os resultados importantes para a agricultura se ela cair de forma razoável, nem pouca nem muita. Pouca, não resolve; muita, mata as coisas. Ela tem que cair no limite.

O que está acontecendo com o país neste instante? Eu tenho brincado muito com os economistas para pegar o governo Juscelino Kubitschek como marco. Há muitos e muitos anos nós não temos no Brasil uma conjunção de fatores dando certo, combinando entre si. Se nós aproveitarmos essa oportunidade nós poderemos ter, definitivamente, um ciclo de crescimento sustentável, de longo prazo.

Prestem atenção numa coisa. O Brasil nunca cresceu com inflação baixa. Toda vez que a economia brasileira cresceu, a inflação chegou a dois dígitos. Segundo, o Brasil nunca conseguiu combinar a exportação com o crescimento do mercado interno, nunca. Toda vez que a gente decidia exportar, matava-se o mercado interno, toda vez que se voltava para o mercado interno, a gente matava as exportações.

O que está acontecendo neste momento? Nós estamos crescendo com a inflação baixa, nós estamos exportando com o mercado interno crescendo, nós estamos tendo superávit de conta corrente, nós estamos tendo crescimento da poupança interna, nós estamos tendo crescimento do crédito, sobretudo, o crédito popular neste país cresceu de forma excepcional com o crédito consignado, nós estamos tendo um crescimento das exportações. Eu sei que é normal reclamar, tem gente que fala: "Presidente, mas o câmbio está baixo, precisava ser um pouquinho mais alto". Aí, sai aquele, esse é o exportador, ele fala: "Presidente, olha, o câmbio precisava ser um pouquinho mais alto". Aí, sai e entra o outro, que é importador e fala: "Presidente, poderia ser um pouquinho mais baixo".

A verdade é que a sociedade brasileira reivindicava o câmbio flutuante, e sabe qual é o problema do câmbio flutuante? Ele flutua. As pessoas agora querem que o câmbio não seja flutuante, que o presidente diga qual é o valor do dólar e nós não vamos fazer isso. No ano que vem tem eleições e, no Brasil, em todo ano eleitoral o político é chegado a fazer loucura, é chegado a inventar, a criar mágica, quem sabe, vender ilusão temporária para a sociedade brasileira.

Eu tenho dito isso em todos os lugares: Não haverá mágica, não passarei para a história com a irresponsabilidade de que inventei mais uma mágica, que acabou quando eu deixei o governo e o povo pagou o pato. Não, este país merece uma chance. A chance deste país se transformar num país grande, desenvolvido, que possa participar do rol dos países ricos, é este país agir com seriedade. Todo sacrifício que nós fizemos está dando resultado agora e vocês estão sentindo dentro dos aviões, vocês estão sentindo nos restaurantes, vocês estão sentindo nos hotéis, vocês estão sentindo no número de empregos criados por este país afora. Então, não vamos jogar isso fora, não vamos permitir que haja banalidade da política brasileira outra vez, porque este país só consegue pensar de quatro em quatro anos e este país tem que pensar para 20 anos.

Um projeto de turismo para este país é de longo prazo, nós não vamos ter o Brasil turístico que nós queremos se a gente não acreditar que as coisas que vocês aprovaram são coisas que têm que perpassar vários governos. Não pode, cada um que entrar, fazer o seu turismo porque é isso que tem feito o Brasil ficar que nem sanfona: parece que vai, mas não vai, parece que vai, mas não vai. Nós temos uma chance agora. Os empresários sabem disso, vocês sabem disso, e nós queremos dizer para vocês: nós, com muita humildade, vamos fazer a nossa parte. Eu tenho certeza de que vocês, há muitos e muitos anos já fazem a parte de vocês, até em momentos adversos, e muito adversos. Não vamos inventar nada. Vamos fazer o que precisa ser feito com seriedade, e a seriedade é a mágica, a seriedade é o sucesso da nossa política.

Portanto, meus queridos, que Deus os abençoe, que tenham um bom Congresso, e muito obrigado.

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