Brasília - DF, 22 de dezembro de 2005
Na outra encarnação eu vou ter a capacidade do nosso Walfrido, de decorar essa quantidade de números que nem o centro de computação do Bradesco é capaz de ter guardado.
Primeiro, quero cumprimentar o meu querido companheiro Carlos Wilson, pelo trabalho feito à frente da Infraero Cumprimentar os nossos queridos deputados Leonardo Monteiro e Ricardo de Freitas Cumprimentar os trabalhadores que ainda estão concluindo esta obra, porque a chuva não deixou que a parte externa da pista fosse concluída. Cumprimentar os empresários que participaram deste processo e cumprimentar sobretudo, o povo de Brasília, porque havia muita gente incomodada com o desgaste de chegar em Brasília e ficar rodando 40 minutos, 50 minutos, 30 minutos em cima do Aeroporto. Por menos medo que tenhamos de avião, a gente se sente mais tranqüilo quando ele bota as três "patas" no chão, a gente se sente confortável e, mais ainda, quando abre as portas e a gente desce.
Falar das obras da Infraero é falar da geração de empregos para uma categoria de trabalhadores que possivelmente seja a mais numerosa no Brasil, e que também sofre, com muita rapidez, uma rotatividade de mão-de-obra muito grande porque termina uma obra, todo mundo vai embora, as outras obras podem ser nos outros estados e as pessoas ficam, às vezes, perambulando pelo Brasil.
Nós tivemos a felicidade, com a compreensão do nosso Carlos Wilson, de levar 20 trabalhadores conosco no avião para fazer o primeiro pouso oficial na pista nova. Eu não sei qual foi o critério da escolha, mas de qualquer forma foram 20, não cabiam 50, só cabiam 20, então, foram 20. E nós percebemos que tinha gente do Brasil inteiro, gente de Pernambuco, gente do Piauí, gente do Maranhão, gente da Bahia, gente da Paraíba, gente do Rio Grande do Norte, gente de Brasília, numa demonstração de que quanto mais nós ativarmos a construção civil no Brasil, mais nós teremos possibilidade de gerar uma quantidade enorme de empregos para um conjunto de brasileiros que constrói, desde uma grande refinaria para a Petrobras, a uma grande hidrelétrica para a Eletrobras, a um grande aeroporto para a Infraero e as grandes estradas ou ferrovias para transitar os produtos e o povo brasileiro.
Nós ouvimos do nosso Presidente da Infraero a construção de uma nova parte do Aeroporto de Brasília. Isso pressupõe que os trabalhadores que estão trabalhando agora não precisam ser mandados embora porque terminaram o Aeroporto, porque nós vamos começar imediatamente outra obra e a gente não pode dispensar as pessoas que já adquiriram experiência, já se acostumaram ao calor, à chuva, à gente de Brasília, e pegar gente nova. Eu acho que é importante que haja compreensão, Carlos Wilson, como a obra parece que vai ser feita meio rápida porque, se está pronto o processo de licitação - vai entrar em licitação em janeiro - e os trabalhadores ainda vão ter que concluir esta obra, é importante que você converse com os empresários para que a gente mantenha esses trabalhadores trabalhando, para que eles não tenham que se deslocar.
Vai ter muito trabalho, quem é do Nordeste vai poder trabalhar a partir do ano que vem na construção da refinaria de Pernambuco; quem é do Nordeste vai poder trabalhar na construção da ferrovia Transnordestina, são 1.800 quilômetros de ferrovia; quem é do Nordeste vai poder trabalhar ainda na transposição do São Francisco que, se Deus quiser, nós começaremos no ano que vem, tem alguns problemas jurídicos mas nós haveremos de vencer.
Quem é do Nordeste pode começar a trabalhar, já no mês que vem, nas obras de construção da BR-101, que vai ligar o Rio Grande do Norte até a Bahia, duplicando aquela rodovia litorânea para fazer com que o turista que pare no Rio Grande do Norte possa descer de carro até a Bahia, ou seja, ele vai percorrer um dos maiores litorais do mundo, tranqüilamente numa pista dupla. No dia 15, agora, foi anunciado o grande pólo siderúrgico do estado do Ceará, em Fortaleza, que é outro lugar que vai gerar muitos empregos, e uma pequena usina de querosene e gasolina no Rio Grande do Norte.
Estamos discutindo um novo aeroporto para o Rio Grande do Norte, ou seja, as coisas estão entrando no rumo que nós achamos que têm que entrar, mas tem uma coisa e eu quero aproveitar esta inauguração e cobrar do Carlos Wilson, do nosso ministro Walfrido e, possivelmente, seja uma tarefa da futura Agência Nacional, a ANAC.
Qual é o problema que nós temos hoje? Hoje, qualquer pessoa de Brasília que quiser viajar para qualquer parte do mundo tem que ir a São Paulo ou ao Rio de Janeiro. Qualquer pessoa do Pará, do Amapá, do Amazonas que quiser viajar para os Estados Unidos e que está um pouco acima da Amazônia, tem que... ao invés de andar quatro horas para a frente, ele tem que sair do estado do Amazonas, ir até São Paulo ou Rio de Janeiro, ou seja, anda quatro horas para trás, para depois voltar quatro horas, passar por cima do Amazonas para chegar aos Estados Unidos. Já encomendei aos nossos companheiros, nós precisamos dividir os vôos brasileiros, é preciso ter vários centros de partida e de chegada para o exterior.
E Brasília? Brasília, pela sua localização geográfica, e foi exatamente por isso que o nosso presidente Juscelino Kubitschek fez de Brasília a capital, ela já é, mas ela pode ser um grande centro distribuidor também para vôos internacionais, pode ser... como Manaus pode ser, como você pode escolher um estado do Nordeste, como você pode escolher um estado do Centro-Oeste, porque a integração que está acontecendo na América do Sul está permitindo uma coisa fantástica. Antes, quando a gente falava em comércio exterior, a gente se lembrava dos Estados Unidos e a gente se lembrava da União Européia, porque eram os dois maiores pólos de comércio com o Brasil. Hoje, sem que o Brasil tenha diminuído a sua relação comercial com os Estados Unidos, porque cresce em média 20% ao ano; sem que tenhamos diminuído a nossa relação comercial com a União Européia, porque as nossas vendas têm crescido 20% ou 28% ao ano, a verdade é que para a América do Sul a nossa balança comercial cresceu 87%. Hoje, a América do Sul é o maior centro de exportação do Brasil. Isso significa que nós precisamos ter convênios com os países da América do Sul e melhorar as condições de ir e vir das pessoas que querem fazer negócios, das pessoas que querem passear. Alguém que mora num país da América do Sul não pode primeiro ir a Miami para depois vir ao Brasil, ou seja, necessariamente é mais barato, mais fácil, mais rápido vir direto para o Brasil para fazer negócio, e isso só pode ser feito se os aeroportos estiverem funcionando.
Eu digo sempre o seguinte: o aeroporto é a primeira cara que um turista vê, do país que vai visitar. Se o aeroporto for feio, se o pessoal que trabalha no aeroporto for mal-encarado, mal-educado e não tratar as pessoas bem, esse turista vai contar até dez antes de regressar ao Brasil.
Nós fizemos uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil, feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, não sei se há uma participação do Turismo, e nós descobrimos o quê? A imagem que os estrangeiros têm do Brasil é a imagem da alegria, nós, para eles, significamos alegria, significamos festa, significamos gente boa e educada. Com base nisso, nós criamos um logotipo para os nossos produtos exportados e vocês podem ver que todos os containeres brasileiros têm um carimbo que parece quase um modelo de sandália, verde, amarelo, azul, branco. A coisa mais importante que eles também percebem no Brasil é a cordialidade do brasileiro. O brasileiro é tão cordial que mesmo quando ele não sabe, ele pensa que sabe e fala que sabe, de tão cordial que ele é.
Você não chega no Brasil e pede uma informação, que um brasileiro diga que não dá. Agora, na viagem, eu encontrei até gente que mora em Nova Iorque, no Maranhão; está ali, Nova Iorque, no Maranhão. Tem outro que mora em Los Angeles, no Maranhão, e vai daí para a frente. Ou seja, a versatilidade da nossa gente é tão grande que nós somos capazes de produzir coisas fantásticas.
Ontem, eu recebi o Clodoaldo. O Clodoaldo é um jovem de 26 anos que tem seqüelas no cérebro. Então, ele está participando das Paraolimpíadas ou seja, as Olimpíadas de pessoas com deficiência física. Esse menino, que se não fosse o esporte tinha tudo para estar em casa jogado nos cantos ou internado, esse menino de 26 anos, este ano ganhou 39 medalhas, das quais 32 de ouro, cinco de prata e duas ou três de bronze. Esta semana, no mesmo momento em que o Ronaldinho estava recebendo o título de melhor jogador do mundo pela segunda vez, o Clodoaldo estava recebendo o título de melhor atleta paraolímpico do mundo, melhor atleta.
Não tem nada que possa divulgar mais o Brasil do que o sucesso da própria gente do Brasil. Então, quando as pessoas chegam ao aeroporto, que encontram o nosso pessoal bem vestido, o nosso pessoal bem-humorado, o nosso pessoal querendo informar, elas falam: é para esse país que eu vou pela segunda vez. Quando ele tiver que discutir com a família dele para onde viajar, ele não vai se aventurar, ele vai voltar para o Brasil.
Por isso, é importante o que a Infraero está fazendo na construção de aeroportos. Não é pouca coisa, eu não sei se em algum momento da nossa história a gente fez a quantidade de obras simultâneas que estamos fazendo nos aeroportos. É Goiânia, é Rio de Janeiro, amanhã vamos inaugurar o estacionamento de São Paulo. Quem freqüenta, quem vai para São Paulo sabe o sofrimento para a gente parar naquele Aeroporto de Congonhas. Finalmente amanhã - eu estou dizendo isso porque quando eu era deputado, em 1987, eu já não agüentava mais aquele aeroporto de São Paulo - finalmente nós agora vamos inaugurar um estacionamento para 2.700 carros. No anterior só cabiam 700 ou 800 carros e agora vai ser para 2.700 carros, para ver se quem embarca em São Paulo tem um pouquinho mais de tranqüilidade, menos sofrimento, menos multa, menos briga com taxistas, menos briga com a Polícia e as pessoas embarquem sem estar estressadas.
Estamos fazendo isso porque o Brasil entrou definitivamente numa rota de crescimento que não pode retroceder. De vez em quando eu leio no jornal algumas críticas, de vez em quando eu vejo as pessoas falarem de câmbio, falam de juros. O dado concreto é que a prática desmonta a teoria, na medida em que todo santo dia os números do crescimento das exportações crescem. Todo santo dia cresce o número de embarque de passageiros internos e externos, todo dia cresce o número de desembarque de passageiros, turistas brasileiros e turistas estrangeiros, numa demonstração de que nós estamos fazendo aquilo que o povo brasileiro espera que o governo faça, criando as condições para que o nosso país não pare de crescer.
Eu não vou citar os números porque o nosso companheiro Walfrido...mas algumas coisas são inexplicáveis. Esta segunda pista estava já há dez anos para ser construída. Acontece que no Brasil, toda vez que você quer fazer uma obra hoje, você tem uma legislação muito competente, uma legislação tão sofisticada quanto a de qualquer outro país do mundo e você tem muitas instituições que cuidam do meio ambiente, você tem o Ministério do Meio Ambiente, você tem o Ibama federal, o Ministério Público Federal, o Ministério Público estadual, o Ibama estadual e, quando dá tudo certo, aparece alguém que entra com uma liminar e bloqueia essa obra por seis, sete,oito, nove,dez anos e muitas vezes as pessoas pensam que é o governo que não quer fazer. Isso não vale só para mim, isso vale para todos que passaram pelo país, sobretudo depois da Constituição. Nós fizemos uma legislação muito forte e eu não me queixo porque era deputado constituinte, você também era deputado constituinte e nós temos responsabilidade pela legislação.
Mas, de vez em quando eu fico imaginando: não é possível! Como é que as pessoas permitem que um cidadão fique voando dentro de um avião 40 minutos ou mais, porque o momento mais perigoso de um avião, segundo os especialistas, é a hora em que ele vai subir e a hora em que ele vai descer. Quando ele atinge aquele padrão de altura de dez mil metros, a gente não tem perigo ali. Quando ele ameaça descer ou ameaça subir é que a gente começa a correr risco. Então, a gente fica sobrevoando, e muita gente não tem sensibilidade de perceber o seguinte: meu Deus do céu, como é possível a capital do Brasil, a cara principal do Brasil, a capital aonde vêm todas as autoridades do mundo visitar, fazer as pessoas ficarem esperando o tempo que ficam esperando, correndo mais risco de vida por conta de um problema de um barulho a mais ou um barulho a menos.
Eu quero dizer, Carlos Wilson, que foi gigante o trabalho para que vocês conseguissem concluir esta obra. Ainda tem coisa para fazer, ainda não estamos utilizando toda a pista, mas nós temos que dizer a todo mundo o seguinte: não pode haver nada que impeça o nosso país de crescer.
Eu vou dizer para vocês uma coisa: tem hidrelétricas no Brasil há 14 anos esperando autorização, e de vez em quando, as pessoas culpam o Ibama, de vez em quando as pessoas culpam o Ministério ... não é nem o Ministério e nem o Ibama não, é a legislação que nós fizemos. Porque nós colocamos tanto obstáculo que hoje um fiscal, para dar uma licença prévia, vai contar não até dez, mas até 1000, porque se alguém fizer uma denúncia, a primeira coisa que a Justiça determina é a disponibilização dos seus bens. Então, o cidadão fala: espera aí, esse governo entrou agora, vai ficar quatro anos, o mandato é de quatro anos, esse deputado só tem quatro anos, eu tenho aqui 31 de serviço, por que eu vou correr risco dando uma licença que alguém vai entrar com recurso contra mim?
Então, nós criamos uma coisa chamada transversalidade, nós não decidimos mais um projeto com o Carlos Wilson e depois chamamos o Walfrido, não. Quando nós vamos discutir um projeto, nós envolvemos todos os ministérios e todas as instituições que participam diretamente daquele problema, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Turismo, Ministério do Transporte... ministério... as empresas, para que a gente tome a decisão conjunta, co-responsabilize todo mundo. O que acontecia antes no Brasil era o seguinte: o Ministério pensava uma obra, o Presidente anunciava, chegavam para licenciar, estava irregular, e passavam três, quatro, cinco anos sem essa obra acontecer, embora estivesse anunciada.
Nos acabamos com isso. Vocês viram que esta semana houve leilão de energia. Nós já estamos contratando energia, meu caro, para 2010. Nós fizemos neste país um sistema de interligação das linhas de transmissão. Faz umas duas semanas, caiu a linha de Itaipu e não faltou um minuto de energia no país. Por quê? Porque com o sistema interconectado que nós fizemos, se cair a energia do Nordeste, você manda do Sudeste para lá, se cair do Sudeste, nós trazemos do Nordeste e, agora, vamos fazer a ligação com o Norte do país, Acre, Rondônia, Amazonas e Pará, para que o Brasil não tenha problemas de energia porque sem energia não tem aeroporto, não tem fábrica, não tem indústria, não tem crescimento econômico.
É este o Brasil que vocês, empresários, que vocês, trabalhadores, estão ajudando a construir. Eu sei da alegria que os meus acompanhantes tiveram nesta viagem, até o homem de Nova Iorque ali, sei da alegria que tiveram, a sensação de pousarem numa pista que vocês fizeram com o suor de vocês, com a mão de vocês. Eu sei da alegria que vocês vão guardar para o resto da vida, sei da sensação de estar voando. Muitos, quem sabe, nunca tinham voado... ver o Lago Paranoá de cima, a beleza que é, e imagino o que o turista vê quando chega a Brasília.
É por conta de vocês, é pelo compromisso dos empresários, é pela disposição de uma empresa como a Infraero e é pela necessidade de o Brasil se transformar rapidamente num país desenvolvido que nós estamos inaugurando este aeroporto hoje, estamos inaugurando esta segunda pista que deixou de ser um martírio para ser uma alegria para o povo brasileiro e para o nosso querido povo de Brasília.
Meus parabéns aos trabalhadores, meus parabéns aos empresários, meus parabéns à Infraero e eu queria... Francisco, vem cá um pouquinho. Toda vez que eu puder, eu vou mostrar o Francisco aqui. Para quem não se lembra do Francisco, eu vou repetir porque ele é exemplo a ser seguido no nosso país. Esta elegância que vocês estão vendo aqui... espero que a Infraero tenha dado um aumento de salário para ele, espero. Esta elegância que vocês estão vendo aqui... porque notícia ruim fica três meses na imprensa, notícia boa desaparece no dia seguinte. Este moço aqui foi aquele famoso moço que achou dez mil dólares no banheiro aqui do aeroporto, e procurou o dono, a Infraero, para devolver. A Infraero achou o dono dos dez mil dólares, era um suíço que recebeu o seu dinheiro de volta e nem falou "obrigado" para ele. O Carlos Wilson levou ele lá no Palácio para conversar comigo e eu perguntei para ele: escuta aqui, Chiquinho - é como ele é conhecido no "pedaço" - escuta aqui, Chiquinho, em nenhum momento você ficou com vontade de ficar com o dinheiro? Ele falou: "não". Eu falei: por quê? "Porque o dinheiro não era meu".
Um país capaz de produzir um ser humano como este é capaz de produzir muito mais coisas e eu espero que a Infraero tenha reconhecido isso. Ele está melhor vestido do que estava na primeira vez que foi conversar comigo. Mas eu acho que este homem aqui, como possivelmente todos os que estão aqui - e sobretudo eu sei do valor do trabalhador brasileiro - é motivo de orgulho e a razão pela qual eu acredito que quem duvidar vai ver que este pais não tem retorno, este país vai melhorar a vida do seu povo, como já está melhorando, e a gente vai poder provar que definitivamente o Brasil saiu do rol dos países eternamente emergentes para ser um país definitivamente desenvolvido.
Meus parabéns, Carlos Wilson, meus parabéns à Infraero, e que tenhamos viagem mais tranqüila daqui para a frente.
