Clube Naval, Brasília-DF, 15 de dezembro de 2004
Excelentíssimo senhor José Alencar, vice-presidente da República e ministro da Defesa. General-de-Exército Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, comandante da Marinha. General-de-Exército Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército. Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica
Senhores oficiais generais. Senhoras e senhores integrantes das Forças Armadas. Meus amigos e minhas amigas
Tenho grande alegria em compartilhar com os senhores este momento de confraternização. Lembro-me de quando, há apenas um ano, reuni-me em almoço semelhante a este e pude expor meu otimismo em relação ao nosso país.
Naquele momento, os indicadores econômicos apontavam para uma nova realidade no Brasil. Hoje, eles confirmam um fato concreto - ingressamos em um novo ciclo de desenvolvimento sustentado, com geração de empregos e distribuição de renda.
Nossa economia está crescendo mais de 5% este ano; nosso saldo comercial ultrapassa os US$ 30 bilhões de dólares; e estamos reduzindo cada vez mais nossa vulnerabilidade externa.
Falo da prosperidade partilhada, da distribuição de renda e da inclusão social. Tudo isto está presente no ciclo que vivemos hoje. Em apenas um ano, geramos mais de dois milhões de empregos formais.
O programa Bolsa Família já beneficia praticamente 6 milhões de famílias em todo o país. Pequenos agricultores estão tendo cada vez mais acesso a crédito para produzir e agora começamos a dar ferramentas, no mesmo sentido, aos microempreendedores urbanos.
Nos próximos dois anos recolheremos os merecidos frutos do trabalho realizado e esses frutos serão em benefício de toda a população.
Meus caros ministros
Comandantes
Senhores oficiais-generais
Meus amigos e minhas amigas
Na qualidade de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, faço questão de expressar-lhes meu orgulho patriótico pelo desempenho de cada oficial, de cada praça.
A existência de unidades militares em todo nosso imenso território sempre foi, e ainda é, decisiva para a unidade e integração nacionais. Ela representa, sobretudo, a presença concreta do Estado brasileiro em todos os rincões do país.
A sociedade brasileira reconhece em suas Forças Armadas as virtudes da lealdade, do patriotismo, do valor profissional com que seus integrantes dedicam a vida à defesa da soberania e da integridade territorial do Brasil.
Reconhece também a presença valiosa dos nossos militares sempre em apoio às populações carentes. Os programas sociais de nossas Armas não se esgotam no apoio médico-odontológico ou no socorro em emergências, como enchentes ou secas.
De modo mais amplo, eles abrangem também a formação cívica, o cultivar dos valores da cidadania, a preparação do jovem para seu primeiro emprego.
Agindo assim, nossas Forças Armadas ajudam a criar uma das condições fundamentais para a defesa nacional: uma sociedade desenvolvida, integrada e bem formada.
Não são poucos os desafios a vencer. A coragem, a determinação e a confiança que nos trouxeram até aqui continuarão sendo decisivas no nosso caminhar, que está tornando o Brasil um país mais justo, uma nação mais desenvolvida, onde a paz e a justiça sejam o cotidiano de seus cidadãos.
A sociedade brasileira sabe que tem em suas Forças Armadas aliados firmes nessa caminhada.
Meus caros amigos
Senhores oficiais-generais
Comandante da Marinha, almirante Guimarães
Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Bueno
Comandante do Exército, general Albuquerque
Meu caro José Alencar
Meu caro general Félix
Eu penso que nós deveríamos fazer uma reflexão profunda sobre o que vivíamos nessa mesma época, do ano passado, e o que estamos vivendo agora.
Naquele tempo, todos nós afirmamos e tínhamos a convicção de que estávamos plantando as nossas árvores frutíferas e que em algum momento nós iríamos colher os frutos que nos levaram a plantar aquelas árvores. Hoje, antes de completar 24 meses de governo, porque ainda faltam alguns dias, eu posso afirmar, de forma muito orgulhosa, que finalmente o Brasil encontrou o seu caminho.
Em primeiro lugar, todos vocês acompanharam de perto o trabalho que nós fizemos para reinserir o Brasil na sua relação com a América do Sul. E faz poucos dias, na cidade de Cuzco, no Peru, nós assinamos um documento criando a Comunidade Sul-Americana de Nações, coisa que parecia impossível se falássemos isso em dezembro do ano passado.
Mais importante do que isso é que, no começo deste ano, começamos a falar na necessidade de criarmos uma nova geografia comercial, política e econômica no mundo. Muita gente achava que era apenas uma frase de retórica, uma frase de efeito e que isso jamais iria acontecer. Eu posso dizer a vocês, hoje, que nós estamos consolidando, de forma auspiciosa, uma mudança na geografia comercial e na geografia política do mundo.
A criação do G-20, em Cancun, consolidada na Reunião de Genebra, coloca o Brasil numa situação extremamente favorável para as próximas negociações que temos que fazer na Organização Mundial do Comércio. Da mesma forma que a insistência do Brasil para que a ONU seja democratizada e o seu Conselho de Segurança seja aumentado e que países de outros continentes possam participar, o que parecia um sonho há alguns meses atrás, hoje já está mais ou menos visível. E o Brasil conta com o apoio da maioria dos países que compõem as Nações Unidas, inclusive aparecendo o nome do Brasil junto com a Alemanha, o Japão, a Índia e a África do Sul, para que a gente possa ocupar um lugar de destaque que foi negado para o Brasil no momento em que as Nações Unidas foi criada.
Ao mesmo tempo, vocês estão acompanhando pela imprensa, a economia brasileira está definitivamente controlada. Toda a determinação da equipe econômica do nosso governo e do governo como um todo é não permitir que a gente tenha um crescimento econômico que dure apenas alguns meses ou que dure apenas alguns anos. Mas nós queremos um desenvolvimento econômico que seja sustentável, que seja um ciclo de crescimento e que a gente possa não repetir erros do passado, tirando proveito desse crescimento, para que a gente possa fazer definitivamente a distribuição de renda e a justiça social que tanto precisamos fazer no nosso país.
E eu estou otimista porque olho para o ano de 2005 e vejo um "mar de almirante" mais tranqüilo do que nós tivemos este ano. Olho para o céu e vejo um "céu de brigadeiro" muito mais tranqüilo do que nós vimos este ano. E para todo lado que eu olho eu sinto que há uma esperança, um otimismo e uma crença que, desta vez, o Brasil não vai jogar fora uma nova oportunidade.
É por isso que na reunião de ministros nós determinamos que as palavras para o ano de 2005 chamam-se desenvolvimento, crescimento econômico, geração de empregos e distribuição de renda. Essas palavras, ditas pela boca de cada membro do governo é que vão passar para a sociedade a certeza de que nós queremos isso definitivamente; de que não vamos permitir, em nenhum momento, que as eleições de 2006 possam ser a prioridade número um do governo, como já aconteceu em outros momentos históricos do Brasil, em que jogamos oportunidades fora por conta de eleições. Nós, desta vez, não vamos jogar, porque achamos que o povo brasileiro não merece outra frustração e achamos que o povo brasileiro precisa, definitivamente, agarrar essa chance que durou tanto para construir, para chegarmos até aqui; agarrar de forma definitiva e fazer com que o Brasil entre no rol dos países desenvolvidos, não apenas do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista dos seus investimentos em ciência e tecnologia, do ponto de vista do preparo das suas Forças Armadas, do ponto de vista da formação educacional das nossas crianças, do ponto de vista da ocupação correta do nosso território, sem desmatamento tresloucado como vemos em algumas regiões do país.
E tudo isso, para dar certo, sabem os senhores que nós precisamos contar com a unidade nacional, do mais humilde dos brasileiros, daquele cidadão que no começo deste ano achou 10 mil dólares no banheiro da Infraero e, ao invés de levar para casa, foi procurar a direção da Infraero para devolver o dinheiro, porque o dinheiro não era dele. Eu perguntei para esse cidadão: "por que que você não levou esses 10 mil dólares embora? Muita gente vai achar que o senhor é tonto, porque devolveu o dinheiro". Ele falou: "Presidente, para mim não importa o que os outros pensem de mim. Para mim, o que importa é encostar a cabeça no travesseiro e dormir um sono tranqüilo, sem nenhum peso na consciência". Desde um homem como esse a uma mulher que recebe o Bolsa Família, a um general, a um comandante do Exército, ao ministro da Defesa, ao mais importante intelectual brasileiro, nós precisamos da união de todos para que a gente não permita que o Brasil jogue essa chance extraordinária fora, como se jogou outras vezes.
E eu tenho certeza que mais uma vez nós contaremos com o trabalho, com a dedicação, com a perseverança e com o patriotismo das nossas Forças Armadas.
Por isso, eu quero desejar a todos vocês, às suas famílias, aos seus filhos, porque quem não conhece a vida de vocês pensa que a vida de um general é fácil, de um coronel ou de um soldado. Não sabe quantas vezes ele muda, quantas escolas seu filho troca por ano ou a quantos lugares ele vai, que não gostaria de ir.
Essa dedicação não é apenas reconhecida por mim, pessoalmente, é reconhecida pelo nosso Ministro da Defesa e, eu não tenho dúvida nenhuma, é reconhecida pelo povo brasileiro.
Feliz Ano Novo. Feliz Natal e boa sorte para o Brasil.
