Nova Iorque-EUA, 14 de setembro de 2005
Senhor Presidente. Senhores Chefes de Estado. Para Josué de Castro, brasileiro e cidadão do mundo, "a fome" é expressão biológica de males sociológicos". Ela é um flagelo fabricado pelos homens, contra os homens. Essas idéias guardam atualidade. Fiz do combate à fome prioridade de meu governo. É luta que expressa desafio maior: promover o desenvolvimento com justiça social e democracia política.
Em 2004 organizei, junto com meus colegas da França, Chile e Espanha, reunião de alto nível para promover Ação Internacional contra a Fome e a Pobreza. Sessenta Chefes de Estado e de Governo e mais de 100 delegações responderam positivamente.
Hoje damos continuidade a um debate iniciado na Cúpula do Milênio. Estamos trabalhando para que as Metas do Milênio sejam alcançadas. O relatório Sachs mostra que esses objetivos são possíveis.
O debate sobre fontes inovadoras de financiamento do desenvolvimento deixou de ser tabu. A ONU trouxe o tema para o centro de sua agenda. O BIRD, o FMI e o G8 sensibilizaram-se para a questão.
Este debate e os eventos paralelos relacionados às Metas do Milênio refletem a força da mobilização.
Para cumprir aqueles objetivos a comunidade internacional necessita engajar-se. Ir mais rápido. Passar da palavra à ação. Aprofundar parcerias entre governos, empresários e sociedade civil.
No ano passado, sugerimos mecanismos para obter recursos adicionais, que permitissem ajuda mais eficiente, em bases estáveis e previsíveis.
Este ano, o grupo técnico, mais Alemanha e Argélia, discutiu iniciativas de curto prazo. Caminhamos para a execução de projetos-piloto em torno de algumas dessas idéias. Apóio a proposta de meu amigo Chirac, de uma contribuição solidária sobre passagens aéreas. Sei que outros países, como o Chile, já adotaram essas idéias.
No Brasil, determinei que meu Governo apresse estudos para que a medida possa ser colocada em prática. Esse mecanismo arrecadará recursos significativos.
Mais importante será seu efeito de demonstração. Com criatividade e solidariedade, seremos capazes de encontrar fórmulas inovadoras para o combate à pobreza extrema.
Iremos propor à Assembléia-Geral a redução dos custos das remessas internacionais dos emigrantes. Queremos que elas cheguem integralmente a seus destinatários. Isso ajudará a gerar renda e emprego para as famílias daqueles que deixaram o lar em busca de oportunidades.
Senhor Presidente
Estou convencido de que a contribuição maior do Brasil à erradicação da fome no mundo é o esforço inédito que estamos fazendo no nosso próprio país. As ações que integram o Fome Zero são parte de uma grande transformação em curso no Brasil.
Contribuem para realizar cinco dos oito objetivos do Milênio. Transferimos não apenas renda, mas o direito à educação e à saúde.
Condicionamos o benefício à freqüência escolar e ao acompanhamento da saúde das gestantes e das crianças.
O Brasil contribui para a superação da pobreza e das desigualdades, quando promove discussões sobre a necessidade de maior equilíbrio e justiça no comércio internacional.
Escandalosos subsídios aos agricultores dos países industrializados representam seis vezes o adicional de 50 bilhões de dólares necessários anualmente para cumprir as Metas do Milênio.
Neste mundo turbulento e inseguro em que vivemos, estou convencido de que a erradicação da fome é condição indispensável para construir uma ordem internacional estável e pacífica.
A hora de agir é agora.
Muito obrigado.
fonte: www.info.planalto.gov.br
