Acra-Gana, 12 de abril de 2005
É uma alegria imensa do meu governo estar, neste momento histórico, representando essa forte ligação com a África Ocidental e com Gana.
Senhor Presidente
Quando tomei posse, no dia 1º de janeiro de 2003, no Brasil, assumimos o compromisso de recuperar a presença do Brasil na África como prioridade do nosso governo. Desde então, já visitamos mais países africanos do que todos os presidentes na história do Brasil.
E visitar Gana é mais do que uma visita política, é mais do que uma visita de chefe de Estado, precisa ser encarada como uma visita de um irmão, de um companheiro que faz parte de um povo que deve parte da sua cultura e parte do que o Brasil é, hoje, ao povo de Gana.
O senhor sabe que o Brasil é a segunda nação negra do mundo, só perdemos para a Nigéria. E se não fosse a presença africana no Brasil e, dentre os africanos, o povo de Gana, certamente o povo brasileiro não teria essa miscigenação que o tornou um povo bonito, alegre, muito feliz. Possivelmente não tivéssemos o samba nas veias de cada mulher e de cada homem do nosso país.
Dentre todas as coisas que nós aprendemos com os africanos e, certamente, com o povo de Gana, uma está presente nas nossas vidas toda quarta-feira e todo sábado, a nossa famosa feijoada.
Portanto, estejam certos que, mesmo tendo o Oceano Atlântico como divisor, vocês deixaram raízes no Brasil, religiosas, políticas, culturais e, possivelmente, muitos ensinamentos na arte, no trabalho que hoje o nosso povo pratica.
A nossa viagem, Presidente, tem como objetivo dizer ao povo de Gana que queremos recuperar o tempo perdido, que a nossa relação com Gana será uma relação verdadeira, que precisamos dinamizar as nossas relações políticas, culturais, comerciais, e em todas as outras atividades que pudermos aperfeiçoar as nossas relações.
Eu estou convencido, Presidente, de que o século XXI pode ser o século da América do Sul e pode ser o século da África, basta que acreditemos em nós mesmos. Com muita determinação e muita ousadia, todos nós, governantes africanos e da América do Sul, digamos a nós mesmos que queremos fortalecer a democracia, que queremos construir a paz em nosso país, que queremos desenvolvimento sustentável em nosso país, que queremos gerar riqueza em nosso país, que queremos fazer justiça social em nosso país.
Se nos levantarmos todos os dias com esta determinação, podem ficar certos de que em menos tempo do que imaginamos, nós iremos consolidar o nosso crescimento econômico e a nossa democracia. E o Brasil quer ser parceiro, fazer parte desse processo. A nossa relação, a nossa aliança no Brasil deve ser uma aliança forte, uma relação de confiança e, sobretudo, uma relação de crença de que o nosso povo merece o melhor.
fonte: www.info.planalto.gov.br
