Palácio do Planalto, 19 de setembro de 2005
Excelentíssimo senhor Heinz Fischer, presidente da República da Áustria. Senhoras e senhores integrantes das delegações da Áustria e do Brasil. Senhoras e senhores.
É com grande satisfação que dou as boas-vindas ao presidente Fischer e sua comitiva ao Brasil.
Esta é a primeira visita oficial de um Chefe de Estado austríaco ao continente sul-americano. Ela testemunha a nova visão que Vossa Excelência vem imprimindo à política externa da Áustria. Atesta também a decisão de seu Governo de privilegiar o diálogo e a cooperação com o Brasil.
Estamos hoje renovando laços que antecedem a própria independência brasileira. O casamento de Maria Leopoldina com o futuro Imperador do Brasil selou uma amizade indissolúvel entre nossos povos. Este é o sentimento que estamos celebrando e que nos comprometemos a reafirmar.
Caro Presidente Fischer
Aprendemos a admirar a atuação internacional da Áustria, que soube combinar neutralidade com coerência de princípios em momentos cruciais da história contemporânea.
Seu país colaborou ativamente para a distensão política durante a Guerra Fria. Manteve diálogo construtivo com o movimento não-alinhado e favoreceu o engajamento Norte-Sul. Com a adesão à União Européia, vem contribuindo para redesenhar o futuro desse continente.
A Áustria abre-se, agora, para novos horizontes de ação. Sua visita ao Brasil representa oportunidade para retomarmos os tradicionais laços de amizade e de entendimento que sempre pautaram nossas relações.
O Brasil aceita com entusiasmo o desafio deste reencontro. Queremos relançar o diálogo político e alcançar níveis de cooperação e comércio condizentes com o potencial de nossos países. Já estamos trabalhando na identificação de interesses comuns e de metas de atuação conjunta.
Precisamos explorar, em benefício de nossas populações, as grandes coincidências de orientação entre nossos Governos. A trajetória política de Vossa Excelência me permite afirmar que estamos, ambos, engajados na consolidação de uma sociedade democrática e plural.
Acreditamos que o desenvolvimento econômico de nada vale se não estiver aliado à justiça social. Vemos na integração regional o caminho para ampliar nossa inserção competitiva na economia global. Estamos comprometidos com o fortalecimento do multilateralismo, a promoção da paz, a defesa dos direitos humanos e a preservação do meio ambiente.
Senhor Presidente
Os acordos que assinamos hoje inauguram um novo capítulo da relação entre Áustria e Brasil. Nossa cooperação técnica será ampliada para campos estratégicos como os de energias renováveis, desenvolvimento rural, meio ambiente e educação. Estaremos também em condições de executar projetos em benefício de países africanos de língua portuguesa.
O memorando de entendimento entre nossas academias diplomáticas estabelece as bases para o intercâmbio entre dois centros de ensino de excelência e tradição. A cooperação científica e cultural que estamos revitalizando é fruto da mesma admiração e interesse mútuos que motivaram a histórica expedição austríaca que comemorou a vinda da Princesa Leopoldina ao Brasil.
Esperamos implementar projetos inovadores em matéria ambiental. Queremos aproveitar as possibilidades oferecidas pelo mecanismo de desenvolvimento limpo do Protocolo de Quioto.
Nossos vínculos precisam de alicerces econômicos e comerciais sólidos. Há um grande potencial a ser explorado, e temos o desafio de ampliar e equilibrar o intercâmbio bilateral.
Sua presença no Foro Econômico em São Paulo - em companhia de expressiva delegação empresarial - realçará as oportunidades de negócio. O memorando de entendimento que nossas Câmaras de Comércio adotarão facilitará ainda mais a formação de novas parcerias.
Vivemos um momento de grandes oportunidades econômicas no Brasil, em particular no campo da infra-estrutura. Sabemos do interesse do empresariado austríaco em conhecer melhor o Programa de Parcerias Público-Privadas. Queremos a Áustria como sócia na modernização da base produtiva do Brasil.
Esse mesmo entusiasmo deve prevalecer nas negociações em curso entre o Mercosul e a União Européia. Contamos com a liderança da Áustria, no exercício da presidência de turno do Conselho Europeu, para concluirmos com sucesso nosso acordo bi-regional.
O espírito construtivo que prevaleceu na reunião ministerial de Bruxelas indica que é possível encontrar soluções justas e equilibradas para ambas as partes.
Temos, portanto, motivo para confiar que poderemos assinar o acordo em Viena, em maio de 2006, por ocasião da Quarta Cimeira América Latina e Caribe - União Européia.
Caro Presidente
Acabamos de regressar de Nova Iorque, onde participamos de uma conferência histórica. Comemoramos os sessenta anos das Nações Unidas e renovamos nosso compromisso de adequá-la aos desafios contemporâneos.
O Brasil conta com a solidariedade da Áustria nas iniciativas que lançamos nessa ocasião para financiar o combate à fome e à pobreza extrema. A democracia e a justiça social pelas quais tanto lutamos em nossos países não prosperarão se não estiverem ao alcance do conjunto da humanidade.
Senhor Presidente
Os brasileiros tiveram a felicidade de acolher, nesta terra, um dos maiores humanistas da Áustria e da Europa do século passado. Stefan Zweig fez do Brasil seu segundo lar e nos legou, em seus livros, uma das mais belas expressões de confiança nas potencialidades deste país e de nossa região.
Se estivesse aqui, estou certo de que concordaria que o Brasil está deixando de ser o "País do Futuro". Estamos realizando, no presente, as enormes possibilidades que ele identificou. Confio que a Áustria seguirá ao nosso lado nessa grande jornada.
Muito obrigado.
fonte: www.info.planalto.gov.br
