Seul-Coréia, 24 de maio de 2005
É uma enorme satisfação participar do encerramento deste seminário, que reuniu importantes lideranças empresariais de nossos países.
Este encontro confirmou o que já sabemos: há um imenso potencial a ser explorado no comércio, nos negócios e nos investimentos entre o Brasil e a Coréia do Sul.
Nossos países, apesar da distância geográfica e das diferenças culturais, têm muito em comum. Somos países de industrialização tardia, mas acelerada, animados por um grande espírito empreendedor. Temos o mesmo desafio de garantir espaço privilegiado na economia globalizada e de forjar um crescimento sustentado em benefício de nossos povos.
Nossos povos venceram o autoritarismo. Construímos instituições democráticas sólidas. Dispomos de economias diversificadas e de um ambiente seguro para os negócios. Temos um significativo patrimônio já conquistado em nossas relações econômicas e comerciais. Estamos trabalhando para ampliá-las e dar nova dimensão à nossa parceria.
Saúdo o entusiasmo dos empresários brasileiros que me acompanham nesta visita. Conto com sua sensibilidade e dinamismo para que mostrem todo o potencial econômico do Brasil. Queremos também ouvir os empresários sul-coreanos. O conhecimento mútuo é a melhor ferramenta para o aproveitamento das oportunidades de negócio e de cooperação.
Senhoras e senhores empresários
A economia brasileira vive um momento especial. Lançamos as bases para um longo ciclo de crescimento. Os indicadores são os melhores dos últimos dez anos. Realizamos profundas reformas nas áreas fiscal e previdenciária. Sedimentamos a estabilidade macroeconômica e ingressamos em um processo de desenvolvimento duradouro, com a inflação sob controle e uma base sólida para os investimentos.
As medidas tomadas ao longo dos dois primeiros anos de meu mandato exigiram sacrifícios de todos os segmentos da população. Agora, estamos colhendo os frutos de nossa força de vontade. No ano passado, a economia brasileira cresceu 5,2%. Estamos trabalhando para manter este ritmo nos próximos anos. Controlamos a dívida interna e reduzimos a dívida externa.
Desde 2003, criamos mais de dois milhões e setecentos mil novos empregos, o maior número em mais de uma década. O comércio exterior brasileiro também apresenta resultados animadores. Nossas exportações, nos últimos dois anos, cresceram 75%, atingindo 105 bilhões de dólares em 12 meses. O grau de abertura da economia brasileira é hoje superior a 30%. A relação dívida externa - exportações é a melhor dos últimos vinte anos. É o resultado de uma ofensiva na ampliação e diversificação da pauta de produtos e na busca de novos mercados. Tudo isso demonstra que é possível alcançar crescimento econômico sustentado sem prejuízo da estabilidade monetária e da responsabilidade fiscal.
Tampouco descuidamos do resgate de nossa enorme dívida social. Ademais da criação de empregos, os projetos e programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Fome Zero, contribuirão para diminuir os índices de pobreza, melhorando a distribuição de renda e a coesão de nossa sociedade. A paz e a harmonia sociais também melhoram o clima para os negócios.
Meus amigos e minhas amigas
A Coréia já é o terceiro maior parceiro do Brasil na Ásia. Em 2004, nosso comércio ultrapassou os 3 bilhões de dólares. Os investimentos coreanos vêm ajudando a fortalecer setores importantes do parque industrial no Brasil, como o automotivo, o eletrônico, a construção, as telecomunicações e o transporte.
Estamos levando essa parceira para novas fronteiras. Empresas brasileiras e coreanas estão desenvolvendo associações estratégicas nos campos da energia e da mineração. O tamanho e o peso da comitiva empresarial presente neste seminário atestam a decisão de dar um sentido renovado a essa parceria. Todos queremos, governos e empresários, identificar novas frentes de cooperação e novas oportunidades para o comércio e os investimentos. Nesse esforço, contamos com o apoio das agências de promoção de exportações, a nossa Apex e a Kotra, da Coréia.
Temos todas as condições para dinamizar e diversificar o comércio bilateral. Sessenta por cento das exportações brasileiras para a Coréia são de produtos semimanufaturados, minérios e soja. Temos uma ampla gama de produtos com maior valor agregado, de aviões ao software, já exportados com sucesso para outros mercados, mas ainda ausentes aqui. É também o caso das carnes de frango e bovina, dos couros e peles, de produtos alimentares, dos cereais, das frutas frescas, das jóias e bijuterias, das pedras preciosas e semipreciosas, dos móveis e insumos de aço.
A Coréia, por sua vez, é uma potência mundial na produção de navios e componentes eletrônicos.
São inúmeras as oportunidades de cooperação no setor automotivo, de combustíveis renováveis e de mineração. Um projeto, em especial, ilustra todo esse potencial de nossas relações. É o caso do etanol como aditivo à gasolina. Juntamente com o biodiesel, o etanol permitirá à Coréia diversificar sua matriz energética e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de gases, no espírito do Protocolo de Quioto.
O Brasil representa, seguramente, uma enorme oportunidade de investimento para os capitais coreanos. Penso, por exemplo, nos setores da mineração e das grandes obras de infra-estrutura, fundamentais para eliminar os gargalos que ainda tem em energia e transporte.
A interação física da América do Sul, na qual meu governo está profundamente engajado, também gera condições propícias a parcerias mutuamente vantajosas. Contamos com o apoio do Banco Coreano de Desenvolvimento para viabilizar o financiamento de alguns desses projetos. As Parcerias Público-Privadas, as PPP´s, representam alternativa inovadora para atrair capital privado nacional e estrangeiro.
Convidamos empreendedores coreanos a realizar investimentos diretos no Brasil, inclusive mediante joint-ventures, e também os empresários brasileiros a investirem na Coréia.
A "Parceria Especial para o Século XXI" que estamos lançando unirá nossos esforços e recursos para pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas como a aeroespacial, a biotecnologia, a eletroeletrônica e as tecnologias limpas.
A cooperação científica e tecnológica pode e deve ser o prelúdio para a cooperação industrial. A criação de empregos e a capacitação de mão-de-obra são indispensáveis à construção de uma sociedade mais justa e solidária que almejamos. Por isso, queremos explorar, juntos, setores como o do turismo, cujo crescimento exponencial tem atraído vultosos investimentos.
Senhores e senhoras empresários
Coréia e Brasil têm as credenciais e a competência para ocupar um espaço cada vez maior de destaque na economia mundial, sobretudo, se souberem somar juntos seus esforços.
Os empresários são peça central dessa empreitada. Estejam certos de que os governos da Coréia e do Brasil serão aliados de primeira hora daqueles que tiverem a ousadia de apostar na construção deste projeto comum.
Obs: Os agradecimentos finais não foram inseridos no discurso por problemas na recepção do áudio.
fonte: www.info.planalto.gov.br
