Santo Amaro da Purificação-BA, 19 de junho de 2006
É importante que a gente ouça a nossa diretora do Cefet. Todo mundo sabe que isso aqui era um prédio que estava um pouco esquecido, um pouco abandonado e, numa parceria entre o governo federal e a prefeitura, nós recuperamos esse prédio.
Agora, a partir do dia 1º de agosto, se Deus quiser, porque falta só colocar os móveis em alguns lugares, que já estão licitados e, portanto, o Fernando Haddad, o nosso ministro da Educação, vai ter que ficar junto com a nossa diretora, porque o que nós queremos é que no dia 1º de agosto comecem a funcionar os cursos aqui, na cidade.
Então, vou passar a palavra para a nossa diretora do Cefet, porque ela, mais do que qualquer um de nós, deve estar emocionada. Depois, se quiser falar o nosso prefeito primeiro, pode falar o nosso prefeito, depois o ministro da Educação dá uma palavrinha. E, aí, nós vamos para outra cidade, inaugurar o programa Luz para Todos.
Os meninos e as meninas em idade de fazer curso técnico precisam se inscrever, não sei se já estão inscritos, porque a dona Canô disse que quer se inscrever para fazer um curso.
Olha, eu vou dizer para vocês o seguinte: eu acho que tanto quanto eu vocês acompanham a situação do nosso país há muito tempo. E nós não temos outra alternativa, se nós quisermos fazer com que o Brasil, daqui a alguns anos, seja um país altamente desenvolvido, que tenha o seu povo com uma qualidade de vida melhor, com emprego e com mais salário, a única alternativa é investir em educação.
Não existe, na história da humanidade, nenhum país que se desenvolveu sem que antes os governantes tivessem feito investimento muito forte em educação. A educação garante que as pessoas tenham acesso ao conhecimento, a uma profissão. Eu digo isso porque foi graças a um curso técnico que fiz, na minha vida, em São Paulo, no Senai, que me permitiu ter um emprego melhor, que me permitiu trabalhar numa empresa grande, que me permitiu ser dirigente sindical e que me permitiu virar presidente da República.
Se a gente não permitir que essas crianças, que esses adolescentes, meninas e meninos, tenham acesso a uma formação profissional, eles nunca serão tratados como cidadãos ou cidadãs de primeira classe. Nunca!
É muito difícil quando saímos para procurar emprego sem profissão. Quando você tem uma carteira profissional, mas você não tem profissão e chega numa empresa para procurar emprego, o empregador pergunta: "o que você sabe fazer?" E você fala: "nada", simplesmente ele diz para você: "Não estamos precisando, vá embora".
Mas se você tem uma profissão, mesmo que a fábrica não esteja necessitando daquela mão-de-obra qualificada naquele instante, certamente o empregador vai fazer uma ficha e vai guardar essa ficha porque ele sabe que na primeira oportunidade que precisar, ele vai ter uma pessoa qualificada que pode mandar buscar na sua casa.
E, sobretudo para as mulheres. A mulher, quando tem uma profissão, não fica subordinada à pressão do marido. Uma mulher com uma profissão, tem independência, tem salário, vai ser muito mais livre para viver a sua vida, para discutir com o seu companheiro, para discutir dentro de casa.
Então, nós sabemos que essas coisas são difíceis, não acontecem do dia para a noite, não acontece com a rapidez que nós gostaríamos que acontecesse, mas nós temos que começar agora, porque se a gente não começar agora, essa juventude que hoje a gente diz que vai ser o futuro do país, meninas com 17 anos, meninos com 17 anos, 16, 15, 18, 20 anos, se a gente tiver medo de fazer investimento em educação agora, daqui a 10 anos, o dinheiro que a gente não gastou numa sala de aula, a gente vai gastar numa cela, na cadeia. O dinheiro com que a gente não teve coragem de contratar um professor e pagar um salário, a gente vai ter que contratar um carcereiro, vai ter que contratar um policial a mais.
Então, eu penso que esse Cefet, aqui, é um exemplo de que não custa caro, é mentira dizer que custa caro, com pouco dinheiro, com um milhão e meio nós reformamos isso aqui, com pouco dinheiro a gente vai manter os professores e vai manter os alunos. E daqui a três, quatro anos, esses jovens formados valerão muito mais do que valem hoje, do ponto de vista profissional. E Santo Amaro crescerá muito mais, porque na hora que aqui tiver mão-de-obra qualificada, empresas vão querer vir para cá, empresas vão querer se instalar, porque quando uma empresa quer fazer um investimento, ela procura mão-de-obra qualificada, ela procura infra-estrutura, energia, estrada para escoar sua produção, e procura mercado para comprar o seu produto. Se a gente oferecer isso, sobretudo a mão-de-obra qualificada, vai ficar muito mais fácil.
Por isso eu queria agradecer ao prefeito o empenho que ele fez, agradecer ao nosso querido Fernando Haddad, ministro da Educação e agradecer, sobretudo, à nossa diretora do Cefet, porque nós achamos que esta cidade, que é uma cidade histórica, que é uma cidade extremamente importante para a cultura deste estado, tem que ter todas as chances que normalmente só eram dadas para as capitais. Todas as universidades ficam nas capitais, todas as escolas técnicas ficam nas capitais, e o povo do interior, às vezes terminava o colégio, terminava o ensino fundamental, e não tinha o que fazer na vida, a cidade não oferece oportunidades, as pessoas vão perambular pelas capitais deste país. E nós achamos que não é a escola, não é o aluno que tem que ficar andando pelo Brasil atrás de uma escola, são os governantes que têm que fazer as escolas onde estão as pessoas que necessitam das escolas.
Por isso, muito obrigado a todos vocês de Santo Amaro, muito obrigado pelo carinho. Eu sei que tem os companheiros para me entregar um abaixo assinado de uma fábrica de papel aí. Onde está o pessoal? Está aqui em cima. Venha cá, meu filho. Essa questão dos anistiados, eu não sei se está no Ministério da Justiça ou se está na Justiça... É um hospital... vamos dar uma olhada... o companheiro estava dizendo que é um hospital aqui, acho que é a Santa Casa que está na iminência... vamos ver. Eu vou parar de falar.
fonte: www.info.planalto.gov.br
