Nova Iorque, 19 de setembro de 2006
Caros Colegas. Senhoras e Senhores.
Há dois anos, nesta sede das Nações Unidas, tivemos a iniciativa de lançar a "Ação contra a Fome e a Pobreza". Reunimos mais de cinqüenta líderes, de todas as partes do mundo, para chamar a atenção para um problema que precisava, urgentemente, ser colocado no topo da agenda mundial. Partíamos de uma constatação elementar: não é possível que tanta gente passe fome em um mundo que produz tanta riqueza.
Não é possível ter paz e prosperidade em um mundo onde milhões de pessoas continuam a viver em situação de pobreza extrema. A guerra que temos que travar é contra a fome, a pobreza e outras formas de exclusão, como a falta de acesso a medicamentos essenciais. Procuramos mobilizar a comunidade internacional para aumentar a quantidade de recursos disponíveis para essa guerra. Mais do que isso, buscamos identificar fontes de financiamento inovadoras, que pudessem gerar fundos estáveis e previsíveis para aqueles países que mais necessitam.
A Central de Medicamentos que lançamos hoje é resultado concreto desse esforço. Terá como objetivo comprar medicamentos em larga escala para combater as três doenças que mais afetam os países pobres: a AIDS, a malária e a tuberculose.
Todos nós sabemos que a saúde é condição indispensável para o desenvolvimento humano. Sem uma boa saúde, não encontramos meios de melhorar de vida. Em muitos casos, a fome e a doença são os dois lados de uma mesma moeda. Dos seis milhões de indivíduos que precisam de tratamento contra a AIDS nos países em desenvolvimento, apenas um milhão tem acesso aos medicamentos.
A malária é uma doença que pode ser evitada, mas continua a matar uma criança a cada trinta segundos na África, e a tuberculose também tira a vida de quase dois milhões de pessoas a cada ano nos países pobres.
A Central de Medicamentos contribuirá para aliviar o sofrimento de milhões de pacientes. É uma iniciativa inovadora que fornece acesso direto a medicamentos essenciais aos países mais pobres, a preços reduzidos.
Não criaremos novas burocracias. Contaremos com o apoio de agências que já existem e que têm prestado enorme apoio à iniciativa. A Central constitui uma cooperação inédita entre países pobres e ricos e sua implementação transmite importante sinal político à comunidade internacional. Mostra que o combate à pobreza é uma questão urgente e que cada um pode fazer a sua parte.
A Central será baseada em fontes inovadoras de financiamento, com recursos disponíveis de modo contínuo, no longo prazo. E não poderia ser de outra forma. Temos que assegurar tratamento pelo período que for necessário. A maior parte dos fundos da Central virá de uma contribuição solidária sobre passagens aéreas.
Até o momento, 18 países já se dispuseram a implementá-la. Trata-se de uma pequena contribuição, que não fará diferença para as pessoas que fazem viagens internacionais, mas fará, sim, uma enorme diferença na vida das pessoas pobres sem acesso a medicamentos.
No Brasil, determinei a transferência de recursos orçamentários em valor equivalente ao que poderemos obter com a contribuição. A Central de Medicamentos é um passo importante no longo caminho que temos a trilhar e a vida de milhões de indivíduos depende de nossas ações.
Muito obrigado.
fonte: www.info.planalto.gov.br
