Contagem-MG, 28 de junho de 2006
Meus queridos companheiros e companheiras de Contagem, Minas Gerais. Meu querido companheiro Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Meu querido companheiro Walfrido dos Mares Guia, ministro do Turismo. Meu querido companheiro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Meu caro ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso. Meus companheiros ex-ministros do meu governo, Nilmário Miranda e Saraiva Felipe. Senhores e senhoras, deputados federais Fernando Diniz, Maria do Carmo Lara, Maria Lúcia Cardoso, Reginaldo Lopes e Virgílio Guimarães. Deputados estaduais aqui presentes. Minha querida companheira Marília Campos, prefeita de Contagem. Meus companheiros prefeitos. Eu queria saudar o nosso querido prefeito, além da Marília, o nosso prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, e em nome dos dois eu quero cumprimentar todos os prefeitos que estão aqui presentes. Quero cumprimentar o presidente da Câmara Municipal de Contagem, Arnaldo Luiz de Oliveira. Quero cumprimentar a nossa querida Luciana da Silva Souza, que fez o discurso aqui. Quero cumprimentar o presidente da FIEMG, nosso amigo Robson Andrade. Quero cumprimentar o Olavo Machado Júnior, presidente do CIEMG. Quero cumprimentar os estudantes do Sesi aqui presentes.
Na verdade, o companheiro Patrus já disse o que eu deveria dizer. Este é o problema da gente falar por último, é que as pessoas que falam primeiro falam aquilo que a gente vai falar, sobretudo quando você tem um discurso por escrito.
Mas eu penso que hoje, mais do que estar aqui comemorando 11 milhões e 100 mil famílias que estão recebendo o Bolsa Família, Patrus, é um dia de agradecimentos. Agradecimentos a você, pessoalmente, e às pessoas que trabalham no Ministério do Desenvolvimento Social, pela dedicação, porque nós estamos completando apenas 42 meses de governo. O Programa começou a ser implantado em 2003 mas, na verdade, só começou a pegar fôlego em 2004. Em pouco mais de dois anos nós conseguimos a proeza de incluir 11 milhões e 100 mil famílias no maior programa de transferência de renda existente hoje em qualquer país do mundo. Então, agradecer às pessoas do teu Ministério, agradecer à Caixa Econômica Federal.
A Caixa Econômica Federal fez mágica, demonstrou competência, dedicação exclusiva dos funcionários, que se dedicaram para que a gente pudesse realizar esse sonho de atender a grande maioria das famílias que estão abaixo da linha da pobreza. E não foi fácil. Agora que está pronto, parece que foi fácil, mas a Caixa Econômica Federal teve que se virar para que a gente pudesse ter uma renovação de cadastro, porque nós tivemos que pegar todas as pessoas do ex-programa Bolsa Escola, do ex-programa Vale Gás e renovar o cadastro. Esse cadastro não estava, muitas vezes, correto. Mais de 2 milhões de pessoas saíram desse cadastro e a gente transferiu para o Bolsa Família, num trabalho extraordinário, merecedor de respeito e dos nossos aplausos, feito pela Caixa Econômica Federal, que é a nossa Caixa, o nosso banco e por que não dizer, motivo de orgulho de todos nós.
Quero agradecer às prefeituras de todos os partidos políticos, do PFL, do PMDB, do PSDB, do PSB, do PT, do PTB, do PDT, do PC do B. Por que eu estou agradecendo às prefeituras? Porque esse Programa, embora seja do governo federal, quem cadastra as pessoas não é o governo federal, são as prefeituras. É uma transferência de responsabilidade para as prefeituras, para demonstrar a isenção do governo nesse projeto. Eu nunca perguntei de que partido é o prefeito. Se naquela cidade tiver gente vivendo com uma quantia mensal abaixo da linha da pobreza, ele pode ser um prefeito do PFL, do PSDB, pode passar o dia inteiro falando mal do presidente da República, mas os pobres na sua cidade serão tratados igual aos da cidade de Belo Horizonte, ou igual aos da cidade de Contagem.
Todos os prefeitos brasileiros e todas as cidades já estão dentro do Programa. Não existe, hoje, um único município que não esteja no Programa. Certamente, meu caro Robson, poderemos ter cometido alguns erros porque, como é cadastrado pela prefeitura, muitas vezes acompanhado pelo Ministério Público Estadual e, ainda, em muitas cidades tem Conselhos Municipais que ajudam a fiscalizar, ainda assim a gente pode estar cometendo erros, pode ser que tenha uma pessoa que não tem direito e está recebendo, e ainda pode ser que tenha uma pessoa que tem direito a receber e não foi cadastrada.
Na semana passada, eu fui a Petrolina, ou melhor, eu fui a Olinda, em Pernambuco, e visitando umas casas numa palafita, eu comentei com o Patrus que as mulheres que estavam morando nas palafitas recebiam o Bolsa Família e uma, que era tão pobre quanto as outras, não estava recebendo. Então, eu falei para o Patrus: é preciso que agora a gente converse com os prefeitos outra vez, converse com o Ministério Público, converse com a sociedade porque, na verdade, agora o governo está precisando da ajuda da sociedade para que possa atender as pessoas pobres que ainda não foram cadastradas, e certamente terá. E, lá de Brasília, é muito difícil o Patrus descobrir, o Ministério descobrir. Se a sociedade brasileira não souber e não comunicar, a gente poderá estar cometendo injustiças, apesar do sucesso do Programa até agora.
Então, é um apelo que eu faço aos prefeitos, é um apelo que eu faço à sociedade, ao Ministério Público, ou seja, se a gente procurar, a gente vai encontrar, ainda, pessoas pobres que não foram cadastradas por "n" motivos, e nós queremos cadastrar essas pessoas porque elas têm direito. Da mesma forma que nós temos feito o apelo, se uma pessoa estava recebendo o benefício e o marido arrumou emprego e, portanto, a renda ultrapassou a renda que o Programa estabelece como limite, nós queríamos pedir que as pessoas devolvessem o cartão para que a gente pudesse dá-lo a uma outra pessoa mais necessitada.
Aqui, meus agradecimentos, e eu quero, Patrus, fazer agradecimentos porque no Brasil, de vez em quando, tem coisa que nos surpreende de forma extraordinária. No ano passado, eu vi na televisão um grupo de mulheres que recebia o Bolsa Família e depois uma dessas mulheres começou a comprar franguinhos novos, galinhas, essas galinhas foram crescendo, com o segundo Bolsa Família comprou mais, daí a pouco ela já tinha uma porção de galinhas que botavam ovos, nasceram pintinhos, e daí a pouco essa mulher estava vendendo na feira os franguinhos dela. E ela procurou o Ministério para devolver o cartão, porque ela já estava vivendo às suas próprias custas. Exemplos como esse são milhares e milhares pelo Brasil afora.
Outra coisa, Patrus, que eu queria dizer a você e ao povo de Contagem, é que seria tão fácil e tão mais fácil, meu caro Newton Cardoso, você que foi governador, a gente governar um país, um estado, uma cidade, se a gente tivesse que cuidar só dos pobres. Os pobres, na verdade, não dão trabalho. Por isso é que durante muito tempo eles ficaram esquecidos, porque os pobres não têm dinheiro para ir protestar em Brasília, os pobres não têm dinheiro para alugar ônibus, os pobres, muitas vezes, não estão nos partidos políticos, muitas vezes não entram na universidade. Muitas vezes os mais pobres não vão sequer até o sindicato, eles vão à igreja rezar e pedir ajuda a Deus e, muitas vezes, os governantes não olham para eles porque eles não estão na rua fazendo passeata e fazendo protesto contra os governos.
Muitas vezes o pobre quer apenas um pão, enquanto muitas vezes o rico, cada vez que encosta perto, quer 1 bilhão. Então, fazer política para pobre é uma coisa prazerosa, porque a gente sente que a comida chega na casa das pessoas. Disse bem a nossa companheira, ela disse muito bem, quem ganha 4, 5, 6, 7, 8 mil reais por mês, gasta 95 reais tomando cerveja no final de semana, e aí acha que 95 reais é proselitismo, é assistencialismo. Isso não vai resolver o problema. Olha, não precisa ser 95 reais. Uma pessoa que passa o ano inteiro sem ver uma nota de 5 reais no bolso, quando tem a chance de receber 50 reais por mês, a vida dessa pessoa já tem uma melhora substancial.
Por isso Patrus, nós vamos continuar fortalecendo esse Programa, nós sabemos que é pouco, e sabemos que mesmo que pudéssemos pagar o dobro, ainda não iríamos pagar a dívida social que se tem com este país. Mas uma escada de 30 degraus, a gente começa a construí-la degrau por degrau e a subi-la degrau por degrau. Então, o que nós estamos fazendo é o primeiro degrau, dando as calorias e as proteínas necessárias às crianças deste país. Elas estão indo à escola, não estão abandonando a escola, 90% das escolas brasileiras estão comunicando ao governo a presença das crianças, o que antes não se fazia. Então, se a criança come e está na escola, já é meio caminho andado para não se desviar na vida.
Ainda tem muita gente no Brasil que acha que não adianta gastar dinheiro com pobre, e ainda utiliza a palavra gasto. Quando a gente empresta 3 bilhões de reais a uma empresa, e é importante emprestar, quando uma prefeitura dá um terreno para uma grande empresa se instalar, muitas vezes é importante dar, quando uma prefeitura consegue fazer isenção de impostos para uma empresa se instalar e, muitas vezes, tem que fazer, as pessoas tratam como investimento. Aí, quando a prefeitura ou o governo federal pega 10 reais para gastar com o pobre, aparecem uns especialistas dizendo: "tá gastando dinheiro".
Sabe por que eles falam isso? Porque para eles, tudo que vai para os pobres é gasto, e para mim, tudo que vai para o pobre é investimento em ser humano, é investimento em gente. E eu vou dizer, meus amigos de Minas Gerais, que se a gente não tiver coragem de fazer o investimento na hora certa para essas crianças comerem e para essas crianças estudarem... tem uma hora para isso. Se a gente não fizer o investimento na hora certa, quando eles estiverem com 18, 19 anos, a gente vai estar fazendo o quê? Aí, sim, gastando dinheiro para contratar policial, gastando dinheiro para fazer cadeia, gastando dinheiro para fazer cela, porque não tivemos coragem de fazer o investimento na hora certa para nossas crianças.
Eu tenho certeza que quando a gente vê um bandido de 20 anos ser preso, de 25 anos, porque a maioria que está presa é dessa idade, na década de 80 essas crianças tinham quantos anos? Quatro anos de idade, eram tão bonitinhas e meigas como essa criança que está aqui. Mas como ela não foi cuidada adequadamente, como ela não foi cuidada no momento certo, como não recebeu a comida necessária, a escola necessária e, muitas vezes, o carinho da própria família e da sociedade na hora certa, depois a gente fica dizendo que a pessoa nasceu ruim, que a pessoa é do mal, que a pessoa não é do bem. Ninguém nasce ruim, ninguém nasce do mal, ninguém tem sangue ruim. Se medirmos o sangue de todo mundo, nós vamos perceber que pode ter uma ou outra diferença. A gente fica mau porque nós aprendemos isso na própria sociedade em que vivemos.
Portanto, eu quero dizer para vocês que nós vamos continuar fazendo isso. Tem duas coisas que não abrimos mão: é cuidar dos pobres deste país e cuidar da educação. A educação deste país é a única condição pela qual o Brasil deixará de ser um país eternamente emergente e em desenvolvimento para se transformar numa nação desenvolvida. E nós vamos fazer isso. Eu sei que isso precisa de investimento, nós estamos com o Fundeb para ser votado no Congresso Nacional. Desde junho do ano passado que o projeto está no Congresso Nacional, já foi votado na Câmara dos Deputados, agora está lá no Senado para ser votado, e pelas informações que eu recebo parece que tem gente que não quer votar, porque se votar são 4 bilhões e 300 milhões a mais para a educação, e isso poderia beneficiar o governo do presidente Lula.
Eu, muitas vezes, não quero acreditar nisso, viu Robson, porque eu não acredito que tenha gente que pensa de forma tão pequena, que seja capaz de prejudicar as crianças brasileiras, pensando que está prejudicando o presidente da República, pensando que está prejudicando o governo federal. O governo tem tempo para entrar, tem tempo para sair. Essas crianças não pediram para nascer e a gente não sabe quanto tempo vão viver. E será muito melhor para o Brasil se nós cuidarmos delas com carinho, amor e dando a educação correta.
Por isso eu quero, Patrus, dizer que hoje é dia de festa, é dia de alegria, porque o que nós estamos fazendo aqui não é dar um simples cartão, o que nós fizemos aqui, hoje, e 22 mil famílias em Contagem recebem, o que nós estamos fazendo é preparar o futuro do Brasil e, sobretudo, preparar o futuro dessas crianças. Certamente, dizia Paulo Freire, não tem criança burra, não tem criança que não seja inteligente, tem criança que come e criança que não come, tem criança que tem oportunidade e criança que não tem oportunidade. Se a criança estiver com a barriguinha cheia e tiver oportunidade de estar numa escola de qualidade, essas crianças todas serão inteligentes e essas crianças todas vencerão na vida.
Muito obrigado, boa sorte Marília, boa sorte ao povo de Contagem e boa sorte a Minas Gerais.
fonte: www.info.planalto.gov.br
