São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2006
Saudações corintianas a todos os companheiros da mesa,
Saudações a todos os conselheiros e conselheiras do Corinthians,
Meu querido presidente Dualib,
Meu caro governador Geraldo Alkmin,
Meu caro prefeito José Serra,
Meus companheiros deputados e senadores,
É não só gratificante mas, sobretudo, emocionante. O prefeito José Serra, o governador Alkmin e, certamente, o meu Ministro do Turismo, devem estar muito felizes porque o Memorial do Corinthians certamente será um centro de atração turística para todos os amantes do futebol do mundo inteiro que passarem por aqui.
Eu acho que tanto o nosso Prefeito quanto o Governador e as empresas, as agências de viagem, as empresas que cuidam de turismo, vão ter que colocar um item a mais no roteiro da propaganda dos pontos turísticos e dizer: "visitem o Esporte Clube Corinthians Paulista e o seu memorial para saber um pouco da história do futebol brasileiro".
Eu virei corintiano com o quarto centenário. Eu nem bem sabia o que era futebol, porque tinha vindo de Pernambuco com 7 anos de idade, em 52; em 54 o Corinthians foi campeão e, por conta de tudo o que aconteceu, eu morava em Itapema, Vicente de Carvalho hoje, lá em Santos, e não virei santista nem virei Jabaquara, virei corintiano, em 54.
Bom, de lá para cá, o Corinthians faz parte das minhas alegrias, dos meus sofrimentos. Você não sabe, Marcelinho, o quanto você me fez sofrer quando você perdeu o pênalti contra o Palmeiras na decisão da Libertadores. Eu estou com 60 anos, foi a única vez que eu pensei que ia ter um enfarte, porque eu não acreditava que aquilo tinha acontecido, mas aconteceu.
Eu acredito que todos os times de futebol, a partir dessa experiência bem-sucedida do Corinthians, que eu ainda não tive tempo de visitar porque a visita foi muito corrida. Eu, certamente, vou tomar um domingo do Dualib, num desses dias, e vou passar aqui um domingo inteiro vendo esse memorial, porque eu tenho 60 anos, comecei a ser corintiano em 54, portanto, eu acredito que parte da minha vida está envolvida com os acertos e com os erros que nós, corintianos, cometemos na vida.
Mas eu queria prestar, além da homenagem ao Corinthians, ao meu querido ministro Agnelo Queiroz, ministro do Esporte. O Dualib deve acompanhar, e os companheiros que cuidam de esporte, que poucas vezes nós tivemos, no Brasil, um homem com um cargo público, não jogador de futebol, embora pense que jogue, que se dedicasse tanto a criar coisas para o esporte como o companheiro Agnelo. Não apenas para o futebol. Criar para os atletas portadores de deficiência, criar para as crianças. Só no Programa Segundo Tempo são 1 milhão de crianças que praticam esporte depois do horário escolar, e normalmente crianças adolescentes pobres. As fábricas de bolas que nós criamos, de redes, são 70 fábricas espalhadas pelo Brasil, envolvendo 13 mil detentos, sobretudo adolescentes, produzindo bolas, redes, camisas, bandeiras.
Mas o mais importante, que era o que eu queria dizer aqui, para vocês, é o projeto de lei que agora o senador Romeu Tuma é o relator e, portanto, na mão dele pesa a responsabilidade de fazer o relatório para melhorar o projeto e não para piorar o projeto. Nós fomos criticados quando apresentamos o projeto chamado Timemania. É um projeto que visa recuperar o futebol brasileiro.
Hoje é muito fácil as pessoas dizerem: "não, o time não funciona bem, não tem dinheiro, que feche, que vá para a segunda divisão, que quebre, não tem problema, vem outro no lugar". Na nossa opinião, alguns times brasileiros fazem parte do patrimônio cultural deste país e, portanto, não podem simplesmente fechar sem que o Estado assuma a responsabilidade de tentar criar condições para que esses times possam pagar as suas dívidas e para que esses times possam, em um futuro muito próximo, competir com os times europeus e manterem, aqui no Brasil, os melhores atletas que nós produzimos.
O Brasil não é, hoje, o país do futebol. A verdade é que o Brasil é o grande país produtor de jogadores de futebol, mas o país do futebol, hoje, são países menores do que o Brasil que não produzem 10% dos atletas que nós produzimos, mas que têm dinheiro para comprar os nossos atletas quando eles têm 15, 16, 17 anos, e é só olhar o retrato da Seleção Brasileira. A lei que está na mão do senador Romeu Tuma é uma lei que pode restabelecer aos times de futebol brasileiro a capacidade de refinanciamento das suas dívidas, impõe condições para criar mecanismos, não que proíbam, mas que permitam que o time ganhe pelo jogador que ele for capaz de formar, porque, também, um time investe em uma criança desde os quatro anos de idade, quando ela aprende a chutar bola, ela vai embora e o time fica absolutamente sem nada. O projeto cuida de tudo isso. A Câmara já votou, o Senado, agora, vai votar e eu quero dizer para vocês... O Prefeito me dizia... Eu dizia para o prefeito Serra que o Alex, do Palmeiras, em homenagem a ele, eu estive com o primeiro ministro, agora, da Turquia, e ele me disse que o Alex é um verdadeiro Deus na Turquia e o Serra me dizia: "é uma pena que a Turquia, um país mais pobre do que o Brasil, tenha dinheiro para manter um jogador como o Alex, e no Brasil os times não têm dinheiro para manter um jogador como o Alex".
Então, eu queria dizer para vocês que podem ter convicção do seguinte: eu ainda quero ver, Dualib, se ainda este ano, no primeiro semestre, o Ministro convoca uma reunião dos presidentes dos principais clubes do Brasil para a gente assumir a responsabilidade - governos estaduais, governos municipais, presidente da República, empresários - porque salvar os times brasileiros não é, apenas, uma responsabilidade da direção do time. Muitas vezes é fácil dizer "não, mas os times são administrados por pessoas que passam a mão no dinheiro do time". Esta é a forma mais fácil de dizer "eu não quero fazer nada". A forma mais importante é a gente dizer "se o nosso time tem problema, nós temos que consertá-lo". Porque eu não posso conceber o Brasil sem o Flamengo, eu não posso conceber o Brasil sem o Botafogo, eu não posso conceber o Brasil sem o Fluminense, sem o Vasco, sem o Grêmio, sem o Internacional, sem o Cruzeiro, sem o Atlético, sem o Corinthians, sem o Palmeiras, sem o São Paulo, sem o Santos, sem a Portuguesa, ou seja, isso faz parte de toda a geração do século XX. E nós precisamos dar a oportunidade para que o século XXI tenha a mesma alegria que nós tivemos no século XX, cada vez melhor, tetra campeão mundial e, se Deus quiser, nós vamos ter o futebol brasileiro mais organizado, mais arranjado, os times financeiramente mais arrumados.
Quero te dizer, presidente Dualib, e aos conselheiros do Corinthians, do Palmeiras, do São Paulo, do Santos - o Agnelo aprovou uma medalha para os jogadores do São Paulo, campeões do mundo, nós vamos marcar uma data para entregar uma condecoração - quero dizer para vocês o seguinte: não por ser presidente da República, mas por entender o que o futebol representa para o povo brasileiro, quero assumir a responsabilidade junto com os clubes de futebol, junto com prefeitos e governadores, para que a gente, junto com os times, assumamos, de uma vez por todas, a responsabilidade de salvar o futebol brasileiro e fazer a ele justiça pelos títulos que nós temos em nível internacional.
Quero parabenizar, este Memorial é, definitivamente e certamente, o melhor já existente no Brasil e eu acho que isso vai servir de exemplo, Dualib, para que todos os outros times façam memoriais como este, para que as crianças conheçam o que foi a história do futebol brasileiro.
Quero dizer que hoje vamos comemorar à noite, o Dia Internacional da Diáspora. Vamos lá na comunidade judaica, mas quero dizer que saio daqui fazendo jus ao hino do nosso querido Corinthians. Saio daqui mais corintiano do que entrei e tenho certeza de que o Corinthians precisa, Dualib, se preparar para a Libertadores da América, nós precisamos arrumar o que precisa arrumar, porque toda vez em que a gente vai disputar um título internacional, a gente confunde um jogo importante com um jogo pequeno, aqui. Vamos priorizar, priorizar e priorizar, porque o Corinthians precisa ocupar o espaço internacional no futebol, que o São Paulo ocupa hoje, que o Brasil ocupa na política, mas que o Corinthians pode ocupar no futebol.
Meus parabéns a todos os conselheiros e conselheiras do Corinthians, e que Deus continue ajudando o nosso Corinthians.
fonte: www.info.planalto.gov.br
