Brasília-DF, 24 de agosto de 2005
Excelentíssimo governador do Distrito Federal, senhor Joaquim Roriz. Meu querido companheiro Saraiva Felipe, ministro da Saúde. Minha esposa Marisa. Meu caro José Geraldo Maciel, secretário de Estado da Saúde do Distrito Federal. Senador Paulo Octávio. Senhoras e senhores deputados distritais aqui presentes. Coronel Sossígenes de Oliveira, comandante-geral do Corpo de Bombeiros. Senhora Irani Ribeiro de Moura, coordenadora-geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde. Senhor Adauri Mendes Nunes, diretor-geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU 192 DF. Senhoras e senhores. Funcionários e funcionárias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da Saúde. Meus amigos e minhas amigas.
Primeiro, quero dizer ao povo de Brasília aqui representado, ao Governador, que a minha vinda tem um simbolismo muito grande para mim. Brasília, que é a capital do nosso país, durante muito tempo, quando se falava de saúde em Brasília - o senador Paulo Octávio deve ter ouvido falar muito isso no Congresso Nacional - durante muito tempo a saúde da família em Brasília foi desacreditada. E a coisa mais comum de se ouvir no Congresso Nacional, quando alguém ficava doente, era: "pega um avião e vai para São Paulo ou vai para outro estado."
O que nós estamos fazendo aqui, com a inauguração do Incor, com a perfeição do Hospital Sarah e com a criação do Samu, é dar ao Brasil e a Brasília - não que Brasília precise ser melhor que o restante do Brasil - a dimensão de que por ser a capital do país, tem que oferecer ao povo que mora em Brasília e ao Brasil, que transita por aqui diariamente, o que a gente pode oferecer de melhor na área da saúde pública deste país. Até porque, certamente, você pode ter um pernambucano que nunca foi ao Piauí, ou um amazonense que nunca foi ao Rio Grande do Sul, ou um gaúcho que nunca foi ao Acre, e assim por diante. Mas eu duvido que tenha algum estado brasileiro de onde já não tenham passado por aqui dezenas e milhares de homens e mulheres, ao longo desses anos todos da fundação de Brasília.
Então, aqui também precisa ser exemplo nessa questão de saúde. E quando eu vejo esses moços e essas moças vestidos com seus uniformes do Samu, e amanhã, me parece que só amanhã, não sei se hoje ainda, vão começar a andar pelas ruas de Brasília, das cidades-satélites, eu penso que a gente vai ter uma garantia a mais. Eu penso que a gente pode nunca querer usar uma ambulância, porque polícia e ambulância a gente só gosta mesmo fora de propósito, se a gente pudesse, nunca utilizava. A gente passa o tempo inteiro tendo bronca de polícia, mas quando a gente está no aperto, dá graças a Deus quando aparece um policial. E ambulância a gente só sabe a necessidade de um serviço desses quando tiver, tarde da noite, fora de hora, um parente doente, um pai, a mãe, um filho, um irmão, ou quando a gente tiver o infortúnio de um acidente numa estrada, em que, muitas vezes, as pessoas morrem porque não tem atendimento médico. Muitas vezes a pessoa fica estirada no chão durante uma hora, duas horas, e não aparece ninguém.
Eu vou contar uma história para vocês, eu perguntava ao ministro da Saúde: quando foi inaugurado o Samu, em São Paulo, a maior alegria que eu tive é que o tempo de atendimento de uma pessoa, entre atender e levar para o hospital, que demorava em média 40 minutos, passou a demorar 12. E a secretária, coordenadora, me disse agora que a média do atendimento é de apenas 10 minutos. Ou seja, imagine você demorar de 40 para 12 minutos, imagine a quantidade de vidas que vocês podem salvar neste país e, sobretudo, fora de hora.
Uma coisa importante que vai acontecer, espero que não haja trote, que as pessoas telefonem com muita seriedade, porque não se pode brincar nem fazer trote na área da saúde. Mas eu tenho certeza que as pessoas estão muito bem treinadas, tenho certeza que as pessoas quando entrarem numa dessas ambulâncias vão se sentir dentro de um hospital, muitas vezes vão sobreviver em função daquele atendimento. Eu acho que os médicos são os mais preparados deste país e, portanto, eu acho que nós estamos oferecendo a Brasília, aquilo que Brasília merece por ser a capital do nosso país, ou seja, o que a gente pode dar de melhor numa área extremamente importante e numa área em que a gente só precisa quando está fragilizado.
Todo mundo que precisa está doente, que vai num hospital ou que sofre um acidente, chega no hospital alquebrado, chega no hospital de cabeça baixa, chega no hospital... sabe, se a gente não for bem atendido, às vezes fica uma hora, duas horas esperando lá. Agora não, com o Samu, quando a pessoa tiver que ir ao hospital, ela já vai chegar sabendo em qual hospital vai ser internado e já vai tudo preparado para a pessoa ser atendida.
Portanto, eu quero, meu caro ministro Saraiva Felipe, dizer a você e sua equipe que é um trabalho extraordinário. Nós já estamos hoje, só para atualizar os dados, nós já estamos hoje, na região Norte do país, com 31 municípios, numa população de 3 milhões 252 mil habitantes; no Nordeste, já estamos em 58 municípios, atendendo 15 milhões 742 mil habitantes; no Centro-Oeste, 51 municípios, atendendo 5 milhões 144 mil habitantes; no Sudeste, estamos em 117 municípios, atendendo 35 milhões e 500 mil pessoas; e no Sul do país estamos em 50 municípios, atendendo 8 milhões.
No total já são 307 municípios e atendemos um total de 67 milhões, 934 mil pessoas. Nós esperamos, até o final do próximo ano, atingir a totalidade dos municípios, porque você sabe como é que funciona. Normalmente é nos municípios maiores que a gente constitui a base e atende uma "penca" de municípios que telefona e, então, o Samu vai. Eu não sei se tem convênio com a Polícia Rodoviária, não sei se tem convênio com a Polícia Rodoviária para helicóptero, ou seja, eu acho que é um tratamento de que o Brasil pode se orgulhar, é um tratamento de Primeiro Mundo, não é um tratamento de um país em desenvolvimento. É verdade que nós somos um país em desenvolvimento, mas é verdade também que, na área da saúde, nós temos competência para competir com qualquer país do mundo.
Quero lembrar a vocês também, vejam que um programa como este só pode ser feito, primeiro se o governo federal tiver a disposição de fazer e, segundo, se encontrar no governo estadual e nos prefeitos a boa vontade para fazer parceria. Nós encontramos isso aqui em Brasília com o governador Roriz, encontramos nas cidades que já inauguramos O primeiro foi inaugurado em 2003, e dos investimentos que o Ministério da Saúde fez aqui no DF, ou seja, 5,4 milhões, 4,2 milhões foram para aquisição de 37 ambulâncias, 30 unidades de suporte básico e sete unidades de suporte avançado; 326 mil em equipamentos para ambulância de suporte avançado, desfibrilador, respirador e oxímetro de pulso; 3 mil e 400 foram para a aquisição de uma incubadora do transporte neonatal, ou seja, quando a mulher estiver para dar à luz, ela vai ter o tratamento como se estivesse no hospital, vai ser tratada com fidalguia e respeito; 150 mil para construção da central de regulação, 720 mil para aquisição de equipamento de comunicação e dados de voz da central de regulação.
É coisa para qualquer estrangeiro vir aqui e falar: vamos aprender com o Brasil e levar este exemplo do Samu para aplicar em qualquer país do mundo. Eu peço a Deus que o povo de Brasília, ao viajar o Brasil inteiro, comece a contar a experiência do que significa isso aqui em Brasília.
E quero dizer para vocês que investimento, competência técnica, capacitação contínua, universalização dos serviços e humanização do atendimento, todos esses elementos têm que fazer parte de uma política pública de saúde realmente preocupada em atender o cidadão da melhor forma possível. E é isso que nós estamos fazendo aqui, hoje, em uma parceria do governo federal e governo do Distrito Federal, lançando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU-DF.
Quero lembrar que foi em setembro de 2003 que lançamos o Samu, principal componente da Política Nacional de Atenção às Urgências.
A união de esforços dos governos federal, estaduais e municipais é a chave do sucesso do Samu, respeitando o consenso de que todas as esferas do poder público devem assumir suas responsabilidades quando se trata do direito à saúde dos brasileiros e brasileiras.
Até o momento, já são 307 municípios. É importante vocês não esquecerem o número 192; 192 é o número-chave. Em caso de necessidade, não precisa ficar procurando lista telefônica, ligando para parente, ligando não sei..., pega 192 e liga, você é atendido. Olha aí o pessoal: que cara alegre, bonita, bem vestido, ou seja, metade da dor vai passar quando vocês ouvirem o "alô" dessas moças aí, já vai resolver metade da angústia daqueles que estiverem necessitando.
O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, já adquiriu mais de 1.100 ambulâncias para o Samu em todo o país. E o nosso companheiro Saraiva Felipe, ministro da Saúde, já deu ênfase aqui, no seu discurso, a esse trabalho.
Com esse Serviço, prestem atenção numa coisa, estaremos reduzindo o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e os problemas decorrentes da falta de socorro precoce. Somente quem precisou fora de hora, ou longe de um hospital, é que sabe. Às vezes, a gente sai para passear com a família, para tentar pescar uma tilápia aí no lago, chega lá e tem um mal-estar, e, às vezes, não tem como sair. Vai ligar 192, se não tiver celular, tem um amigo por perto que tem, pede emprestado, paga depois para o amigo o telefonema, que é muito barato. É gratuito. Então, vai ligar para o Samu e alguém vai lá pegar, deixa a tilápia de lado, vem só aquele que estiver precisando.
E o que é importante é que vai funcionar 24 horas por dia. Prestem atenção no que eu estou falando aqui, porque depois é bom testar. Vai que às duas horas da manhã vocês precisam, telefonam para cá e tem alguém dormindo? Aí, vai ser muito ruim. Então, está aqui o pessoal todo para coordenar isso. Vai ser 24 horas por dia, com essa equipe extraordinária de saúde, vai ter médico, enfermeira, auxiliar de enfermagem e as nossas atendentes. Eu queria dizer para vocês que, além do atendimento, vocês vão receber, por telefone já, uma orientação sobre o melhor procedimento que tem que dar a uma pessoa que está em determinadas situações, porque, muitas vezes, por falta de informação acontece uma coisa qualquer, de forma desajeitada a gente quer pegar, quer colocar num carro e, às vezes, a gente agrava a doença da pessoa. Então, é preciso ligar, vai pegar orientação e com muito jeito vai cuidar da pessoa.
Se for o caso, nossas ambulâncias, verdadeiras UTI móveis, são enviadas rapidamente ao local, quer seja em casa, no trabalho, até no restaurante. Se vocês saírem no domingo, para ir ao restaurante com a família, e lá tiverem um mal-estar, está aqui dizendo que a ambulância vai até lá buscar o cidadão. De vez em quando, acontece incidente em restaurante. Nós temos uma história muito famosa em São Paulo, acho que o Senador conhece, de um dono de restaurante famoso, que foi em outro restaurante e morreu engasgado. Se tivesse o Samu, teriam corrido lá e teriam salvo a vida desse companheiro.
Meus amigos e minhas amigas
Todo mundo sabe que não há momento na vida em que nos sentimos mais vulneráveis do que quando sofremos uma emergência de saúde. É claro que o pronto-atendimento é fundamental para aumentar as possibilidades de sobrevivência e reduzir seqüelas físicas e emocionais. Mas, além disso, é preciso oferecer solidariedade, nesse momento de crise, à pessoa que está sofrendo, a seus familiares e amigos.
As equipes do Samu são treinadas para fazer o atendimento das urgências com todos os cuidados, atenção e respeito. É, portanto, com grande alegria que participo da inauguração deste serviço de urgência no Distrito Federal. E o Samu-DF conta com 37 ambulâncias para atender tudo isso.
Agora, veja, para funcionar isso, além dos 5,4 milhões que o Ministério da Saúde investiu para que fosse implantado, a governabilidade disso é meio a meio. Meio a meio, ministro, governador? Meio a meio. O governo irá disponibilizar recursos mensais para o funcionamento, no valor de 586 mil e 500 reais, que é correspondente a 50% do custo do funcionamento do serviço aqui. Isso, por mês.
Esses recursos contribuíram, inclusive, para a aquisição das ambulâncias e de equipamentos importantes utilizados nas unidades de suporte avançado. É o caso, por exemplo, do desfibrilador, do respirador e da incubadora de transporte neonatal.
As equipes de comunicação de dados e voz da central de regulação também são essenciais, aqui não tem serviço secundário, o médico é importante, a enfermeira, o atendente, todos aqui são nivelados em igualdade de condições, porque se não tiver médico não adianta o atendente atender, mas também se não tiver atendente o médico não vai saber que teve um problema de saúde, então, tem que ter uma cumplicidade.
Por fim, quero destacar que esse serviço tem um forte caráter republicano, e o meu entusiasmo com o Samu deve-se também a isso, voltado para atender qualquer pessoa, rica ou pobre, em situações de extrema urgência, quando sua vida está em perigo, muitas vezes por um triz.
Estejam certos de que a parceria entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, parceria sem a qual não faríamos a concretização do Samu-DF, é mais um grande passo, firme e seguro, em favor da saúde do povo brasileiro e do povo de Brasília.
Portanto, quero parabenizar o governo do DF, o Ministério da Saúde, quero cumprimentar o Secretário de Saúde e o pessoal do Ministério da Saúde, quero cumprimentar as pessoas ligadas à Saúde do governo Federal e do governo do DF, porque separados a gente pode cometer muitos erros, mas juntando o potencial humano que nós temos, certamente a possibilidade de errar é muito menor e nós iremos salvar muito mais vidas.
Que Deus abençoe a todos vocês que vão trabalhar nesta tarefa extraordinária e meus parabéns a todos.
fonte: www.info.planalto.gov.br
