Discurso do presidente Lula nas obras de duplicação da Rodovia BR-101 Nordeste, no estado da Paraíba

 

Mata Redonda-PB, 16 de janeiro de 2006

Na verdade vocês perceberam que, diferentemente de outras atividades que eu tenho feito pelo Brasil, hoje, aqui, não prevíamos palanque e não queríamos palanque. Entretanto, eu não posso deixar de agradecer ao nosso comandante do Exército, o comandante Albuquerque, e a todos os seus comandados pelo que está acontecendo no Brasil hoje.

Vocês, jornalistas da Paraíba e do Brasil, e prefeitos, deputados, nossos senadores Suassuna e José Maranhão, nossos prefeitos e deputados federais sabem que não é de hoje que esta Rodovia 101 Nordeste é prometida. Alguns de vocês já participaram até de eventos em que esta estrada foi anunciada, foi dada a ordem de serviço e vocês estão esperando.

Nós gostaríamos de ter começado esta obra em março do ano passado. Trabalhamos para que tudo fosse concretizado e a obra começasse a ser construída a partir de março do ano passado. Entretanto, nós tivemos problemas, porque ao fazermos a licitação, primeiro o Tribunal de Contas encontrou irregularidades, nós tivemos que consertar, depois fizemos as licitações, muitas empresas participaram. E quando abre-se o envelope e que você vai determinar quem são as empresas ganhadoras, algumas empresas que não participaram do processo ou que foram derrotadas entram com ações na Justiça, conseguem liminar e a obra não andava.

Então, nós tomamos a decisão de não prejudicarmos o povo por conta da briga na Justiça de algumas empresas. Nós resolvemos então convocar o nosso Exército, convocar o nosso Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro, que tem tradição de construir obras em lugares inacessíveis e onde, muitas vezes, a iniciativa privada não gostaria de construir. O nosso Batalhão de Engenharia estava totalmente desestruturado, porque ao longo desses últimos anos não só não se comprou nada novo, como foi permitido que aquilo que tinha fosse se estragando.

Fizemos um acordo com as Forças Armadas, o nosso Exército assumiu e nós resolvemos: enquanto as empresas brigam entre si, nós estamos construindo um trecho na Paraíba, um trecho no Rio Grande do Norte e um trecho em Pernambuco. Este trecho que vocês estão vendo, aqui, na Paraíba, este trecho que vocês estão vendo de 54 quilômetros, este trecho vai se ligar, lá na cidade de Goiana, divisa com Pernambuco, a um trecho que já está sendo construído pelo Exército Brasileiro, também de Pernambuco para cá.

E nós temos outros trechos, porque são em oito trechos as obras. Por enquanto o Exército está trabalhando em três trechos: o cinco, o seis e o um. Nós estamos esperando que as empresas resolvam as suas pendengas. Se não resolverem o meu Ministro está autorizado a fazer outro acordo com o Exército e vamos dar o restante para o Exército fazer, até as empresas compreenderem que o Brasil não pode esperar o tempo que elas acham que podem brigar na Justiça.

Esta obra aqui, ela tem um significado muito importante para o Nordeste brasileiro. Porque, da mesma forma que o rio São Francisco é o rio da integração, esta rodovia é a rodovia de integração, porque ela vai ligar vários estados do Nordeste e vai permitir que o turismo nesta região se transforme ainda mais numa fonte geradora de riquezas, geradora de empregos e, portanto, uma fonte de distribuição de renda, porque agora, com esta rodovia pronta, quando o turista descer em qualquer estado, ou na Paraíba, ou no Rio Grande do Norte, ou em Pernambuco, ou na Bahia, ou em Sergipe, ou Alagoas, ou no Ceará, ele vai poder pegar um carro e transitar não por um quilômetro de praia nordestina, mas ele vai poder transitar por todos os recantos brasileiros que tenham praia de boa qualidade.

E o turista, quando viaja, ele quer qualidade, ele quer boas estradas, ele quer segurança, ele quer bons hotéis, ele quer bom preço, ele quer bom tratamento mas, sobretudo, ele quer segurança. E a segurança será dada com uma estrada duplicada, bem, obviamente, sinalizada, e estrada com balança para não permitir que uma estrada feita para transportar 40 ou 50 mil toneladas transporte 80 ou 90 mil toneladas. Por isso a balança faz parte da nossa responsabilidade de fazer esta estrada ser de qualidade.

Não é apenas isso para o Nordeste. No mês de fevereiro eu virei a outro estado do Nordeste, onde nós vamos anunciar a Transnordestina, uma ferrovia de 1.803 quilômetros, ligando o Porto de Pecém ao Porto de Suape, ligando Eliseu Martins, no Piauí. E, certamente, num futuro próximo, essa Ferrovia terá braços com a Paraíba, terá braços com o Rio Grande do Norte, porque o Nordeste brasileiro não pode mais passar meio século sendo a região pobre do país. O Nordeste tem que se transformar numa região desenvolvida como qualquer outra região do país, por isso nós estamos fazendo as coisas estruturantes: é o pólo siderúrgico no Ceará, é refinaria em Pernambuco e, agora, a Paraíba está com a prosa toda porque já encontraram petróleo em Sousa. Se tem em Sousa, certamente vai ter petróleo em outra região da Paraíba.

Portanto, nós estamos trabalhando com muita tranqüilidade, estamos fazendo isso aqui porque entendemos que o Nordeste precisa disso, o povo precisa disso. Este trecho é um trecho de grande trafegabilidade, de muito trânsito, afinal de contas, paraibanos e pernambucanos se dão muito bem, eles gostam de transitar, ou se encontram no meio ou se encontram em alguma capital. E eu sei que, agora, quando você começa a fazer isso, começam os adversários a dizer que estamos fazendo campanha.

Eu fui eleito para governar o Brasil até o dia 31 de dezembro de 2006. Portanto, até o dia que terminar o meu mandato eu estarei andando pelo Brasil, porque nós plantamos e é justo que quem planta, colha. Então, eu estou andando pelo Brasil para dizer que nós plantamos, vamos colher. Se alguém tivesse feito isso antes, possivelmente eu estaria aqui fazendo outra coisa. Mas como os que passaram aqui prometeram e não fizeram, nós estamos fazendo.

E lembrar que eu nunca prometi fazer a transposição do rio São Francisco, com a revitalização. Nunca prometi. Já fui muito achincalhado em muitos estados do Nordeste, entretanto, como nordestino e como quem sabe o que significa carregar uma lata d'água na cabeça por seis ou sete léguas, como quem sabe o que significa ver a sua cabrinha, a sua cabeça de gado morrer de sede, eu achei que era possível a gente transpor 1% da água do rio São Francisco, para resolver o problema da parte mais pobre deste país. Por isso aqueles que têm água na geladeira com facilidade são contra, mas aqueles que sabem o que é a sede, aqueles que sabem o que é ir num açude repartir uma cuia d'água com animais, com fezes, com caramujos, sabe da importância do que eu estou falando.

Portanto, eu quero pedir ao povo da Paraíba que não meça esforço. Nós já perdemos um ano, já era para ter começado a fazer o ano passado, perdemos um ano. Eu espero que a gente não perca mais um ano, porque tem muita ação na Justiça, porque tem muita gente que é contra. Mas nós achamos que salvar 12 milhões e meio de nordestinos que moram no semi-árido, de morrer de sede, é um enorme benefício ao povo nordestino que mora no semi-árido. Por isso nós viemos aqui, meu querido general Albuquerque.

Eu acho que depois desta obra aqui e de outras que, certamente, vocês vão fazer, a gente vai poder fazer mais justiça ao nosso Batalhão de Engenharia, a gente vai perceber e poder dizer ao povo: enquanto em alguns países do mundo os exércitos estão se preparando para destruir, aqui, no Brasil, as nossas Forças Armadas estão aptas e trabalhando para construir e não para destruir. Construir aquilo que falta, porque graças a Deus o nosso país é um país de paz, o nosso povo é tranqüilo e nós, na verdade, não temos nenhuma pretensão de fazer guerra com ninguém nos próximos 500 anos. Enquanto não queremos fazer guerra, queremos fazer paz, vamos aproveitar e fazer umas estradazinhas para melhorar a situação do nosso país.

Muito obrigado.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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