Discurso do presidente Lula: 10 anos da Unidade Central de Recebimento e Destinação de Embalagens de Agrotóxicos

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Guariba-SP, 29 de abril de 2004

Não se assustem, porque eu não vou ler todo esse papel que está aqui, não.

Quero cumprimentar, mais uma vez, o governador Geraldo Alckmin,

Quero cumprimentar o meu companheiro Roberto Rodrigues,

Quero cumprimentar o Roberto Cestari, presidente da cooperativa,

Quero cumprimentar o João César Rando, presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias,

Quero cumprimentar o senhor Hermínio Laurentz, prefeito de Guariba,

E os demais prefeitos que estão aqui presentes: Botucatu, Jaboticabal, Ribeirão Preto e mais cidades da Grande Guariba que estão presentes neste ato,

Quero cumprimentar os secretários municipais,

Os vereadores,

Os trabalhadores,

Os secretários de Estado que estão presentes aqui,

Quero dizer que somente chegando aqui eu compreendi, meu caro Amaury, porque o Roberto Rodrigues insistia tanto para que nós viéssemos aqui. Ou seja, era uma condição sine qua non, eu teria que vir aqui para, depois, visitar a Feira. Não era para ir à Feira e depois vir aqui. Primeiro, era para eu vir aqui e, depois, ir à Feira. Até porque a Feira muita gente já conhece e, aqui, eu nunca tinha vindo. E fiquei sabendo que sou o primeiro presidente da República a vir a Guariba.

É motivo de grande orgulho poder estar aqui, vendo o orgulho de vocês em produzir esse trabalho, sobretudo os agricultores, fabricantes e comerciantes do setor agrícola que estão fazendo com que as embalagens vazias de agrotóxicos deixem de ser um grave problema para o meio ambiente e para a saúde de quem vive no campo.

Falo isto porque apenas dois anos após a publicação de uma lei que criou responsabilidades para todo o setor produtivo no que se refere à destinação final destas embalagens, já estamos conseguindo - como disse o Roberto Rodrigues - fazer com que 50% dos recipientes de agrotóxicos produzidos no Brasil sejam recolhidos para reciclagem ou incineração.

Alguém que desconheça o significado dessa façanha pode pensar que apenas metade recolhida parece pouco. Mas não é. Vocês são não apenas motivo de orgulho para o Brasil, nessa área específica, mas também vencedores. E vencedores de uma coisa que aconteceu no interior do estado de São Paulo e não poderia acontecer diferente, a não ser numa região rica, como esta região que estamos visitando.

Vejam só os números - eu acho que todos vocês conhecem, mas parte da imprensa pode não conhecer e é importante ficar conhecendo agora: os Estados Unidos recolhem, hoje, apenas 1/4 das suas embalagens, nós recolhemos metade. O Brasil é, portanto, um dos líderes mundiais no índice de recolhimento, ao lado da Alemanha.

Para que esse sucesso esteja sendo possível, foi fundamental a ação da sociedade civil organizada em institutos, associações e cooperativas. Esta unidade de recebimento que estamos visitando hoje foi a pioneira do Brasil e nasceu há dez anos quando, por coincidência, o Roberto Rodrigues era secretário de Agricultura do estado de São Paulo, por iniciativa da COPLANA, e é um exemplo dignificante; e eu não vou utilizar mais elogios dos que já foram utilizados aqui.

Como ela, muitas outras cooperativas criaram centros de recebimento e foram apoiadas pelo InpEV - Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, mantido por fabricantes e distribuidores de agrotóxicos, ao lado de associações ligadas ao agronegócio.

Já disse o Roberto Rodrigues que a nossa legislação ambiental sobre embalagens vazias de agrotóxicos é, possivelmente, a mais completa legislação já produzida no mundo. Mas o grande exemplo mesmo é o que estamos vendo aqui, com a organização de toda uma cadeia produtiva, com o objetivo de cumprir a lei, ajudar o meio ambiente e, sobretudo, ajudar na geração de empregos, na saúde do povo brasileiro e também na saúde do homem do campo.

Eu quero, Roberto, dizer a você, ao prefeito e ao presidente da Cooperativa que são exemplos como este que fazem a gente acreditar no potencial que o Brasil tem pela frente. Muitas vezes - e pouca gente viajou tanto quanto o Roberto Rodrigues pelo mundo afora - muitas vezes, as notícias que chegam lá fora, do Brasil, nem sempre são as melhores. Muitas vezes, as divulgações do Brasil lá fora são feitas com assuntos que não enaltecem o nosso país.

Mas, como o melhor produto do Brasil é o próprio povo brasileiro nós, ontem tivemos uma vitória que mostra que, quando um país quer brigar, ele consegue ganhar. Ontem, nós derrotamos os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio, contra o subsídio do algodão que os Estados Unidos dão ao seu produtor. Logicamente, eles não vão se dar por vencidos, vão brigar, vão recorrer.

Mas o que foi importante é que o outro ministro da Agricultura, o Pratini de Moraes queria brigar; possivelmente houve, dentro do ministério das Relações Exteriores de alguns anos atrás, a disposição de não afrontar, porque, em alguns momentos da História do Brasil, foi importante não fazer nada que pudesse contrariar os interesses do país mais rico, sobretudo nesse caso dos Estados Unidos. E, quando nós entramos, tanto o Roberto quanto o Celso Amorim falaram: "não. Nós vamos ter que brigar. Não podemos ceder nisso." E essa briga fez com que nós saíssemos, ontem, vencedores. E, se essa luta for conquistada definitivamente, vamos dar um salto de qualidade excepcional, sobretudo com os estados que produzem algodão no nosso Brasil.

Então, essa é uma imagem positiva, de um país que brigou pelos seus direitos - e não é pecado, não é defeito brigar pelos seus direitos - e que conseguiu, nessa luta, uma bela vitória.

Eu tenho certeza de que estamos ainda começando essa luta contra a poluição do Planeta, contra tanta coisa ruim que fazem. Nossos filhos, certamente, herdarão o tipo de mundo que nós tivermos competência para deixar para eles.

Então, quando vocês conseguem produzir uma cooperativa extraordinária como esta e conseguem mostrar que a junção da sociedade civil, dos agricultores - em defesa do seu próprio ambiente, em defesa da sua própria saúde, em defesa da sua própria terra - consegue construir uma consciência de reciclagem como essa que vocês construíram, isso precisa ser levado ao mundo, porque se criou uma consciência de que as coisas boas do mundo só acontecem na Europa ou nos Estados Unidos, que nós, aqui, não temos condições de fazer as coisas boas como se deveria fazer. Em várias coisas que tratam de preservação ambiental, o Brasil não deve absolutamente nada a ninguém, no mundo.

E eu acho que este exemplo de vocês aqui, Roberto, pode ser mais divulgado. Em todos os encontros, eu acho que é importante que os nossos representantes do Itamaraty conheçam essas coisas, é importante que os nossos homens de negócios conheçam essas coisas. Porque, de vez em quando, nós temos que dizer, em alto e bom som para eles, que nós somos mais competentes que eles, que nós prezamos mais pela nossa saúde do que eles, até porque são eles que poluem grande parte do Planeta, não somos nós. Nós esperamos ganhar, um dia, um dinheirinho porque ainda temos a maior reserva florestal e eles teriam que pagar para a gente, por conta de sermos tão cuidadosos, apesar de alguns problemas que temos.

Penso que este filme, que você pediu que eu assistisse, César - me parece que você já esteve na SECOM - eu não posso prometer, porque não tenho poder de interferir. Mas eu acho que é plenamente possível que alguns canais de televisão possam veicular um filme desses sem cobrar nada, porque é uma coisa de interesse nacional. Se você puder mandar pelo Roberto Rodrigues ou me entregar amanhã, na Agrishow ou, quem sabe, ir a Brasília, nós vamos conversar com a Secretaria de Comunicação, vamos entrar em contato com alguns donos de televisão, porque eu acho que é um instrumento de educação que pode fazer muito bem a todos nós. E eu acho que não há porque os meios de comunicação não divulgarem isso. Eu posso dizer para você que estou me colocando à disposição para ser o seu aliado na tentativa de garantir que uma publicidade desse tipo seja veiculada em todos os meios de comunicação do nosso Brasil.

Meus parabéns a todos vocês. Meus parabéns aos cooperados. Meus parabéns ao trabalhador que recebeu a medalha, aqui. E eu espero que a gente tenha logo, logo, muitas cooperativas como essa para que tenhamos um mundo melhor, de verdade, num futuro muito próximo.

Obrigado e boa sorte a todos vocês.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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