Discurso do Presidente Lula: no encerramento da reunião de Cúpula do Mercosul

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Ouro Preto-MG, 17 de dezembro de 2004

Obrigado ao Evaristo Teixeira, da Bienal, que foi o último orador das entidades que participam do Mercosul.

Nós temos que aprovar dois comunicados conjuntos, um do Mercosul e um do Mercosul e os Estados associados. Eu penso que todos os nossos chanceleres já leram, já discutiram. Eu penso que deveríamos considerar aprovados os dois documentos. Então, estão aprovados os dois comunicados.

Antes de falar umas palavras de encerramento, eu queria fazer um desafio a nós, presidentes do Mercosul, sobre uma coisa muito prática e que pode ser benéfica ou prejudicial a nós, que é o seguinte: é uma guerra que nós precisamos fazer contra a febre aftosa na região. A nossa região é uma grande exportadora de carne para várias partes do mundo. De vez em quando somos surpreendidos com febre aftosa nas nossas fronteiras ou em alguns países e isso tem colocado, muitas vezes, os nossos países em situações adversas no mercado europeu, no mercado americano, no mercado asiático.

Eu queria propor, já que nós temos o privilégio, temos a benção de sermos uma região livre da doença da "vaca louca" e, portanto, temos uma vantagem comparativa com os demais países, é importante que a gente cuide com muito carinho do nosso rebanho e façamos uma guerra contra a febre aftosa. Nós precisamos assumir o compromisso de erradicar a febre aftosa na nossa região.

Quando eu digo fazer uma verdadeira guerra, é que eu penso que logo no começo do próximo ano os nossos ministros da Agricultura deveriam se reunir e determinar uma ação conjunta para que o país que tem um pouco mais de condições possa ajudar aquele país que tem menos condições, para que a gente possa cuidar do nosso gado como se fosse uma única região, um único país e para que a gente possa, definitivamente, erradicar essa doença do nosso rebanho.

A minha sugestão é que a gente faça, no começo do ano, uma reunião dos ministros da Agricultura, o pessoal ligado às instituições sanitárias de cada país, para resolver esse problema que, de vez em quando, parece crônico no nosso Continente.

Uma outra coisa é que tivemos várias propostas feitas pelo companheiro Chávez, pelo Lagos, pelo companheiro Toledo, pelo companheiro Carlos Mesa e eu estava comentando com o companheiro Celso Amorim que é muito importante que, quando tivermos a próxima reunião, a gente já tenha alguns desses acertos mastigados, discutidos, para que a gente possa ir deliberando esses contenciosos, que muitas vezes vão se arrastando a cada reunião que participamos.

Então, a minha sugestão é que nosso próximo Presidente Pro Tempore possa articular para que a gente chegue mais tranqüilo.

Meus companheiros
Senhores Presidentes

Ao concluir, há pouco mais de um mês, a Reunião de Cúpula do Rio, eu recordava a nossa disposição de trabalhar com entusiasmo pela integração regional, começando pela realização do potencial do Mercosul e prosseguindo pela consumação de um espaço político, cultural, econômico e comercial comum na América Sul. Foi neste sentido que fiz questão de convidar para este encontro semestral do Mercosul todos os presidentes sul-americanos.

Nossos países, tanto tempo voltados para outros continentes, não têm tempo a perder no avanço do conhecimento mútuo e todas as oportunidades devem ser aproveitadas para reforçar o caminho decidido da integração.

Quero assinalar a importância do ingresso da Colômbia, do Equador e da Venezuela como Estados associados ao Mercosul. Somos, agora, dez países no agrupamento. Em breve, com a negociação e assinatura do Acordo de Livre Comércio com a Comunidade do Caribe, esperamos receber a Guiana e o Suriname, completando a presença integral da América do Sul no Mercosul.

Um processo de integração que projete uma inserção solidária no mundo, que reforce os processos democráticos e que se conforme como arcabouço do desenvolvimento com inclusão social.

Antes de declarar encerrada esta sessão, eu quero transmitir a Presidência Pro Tempore do Mercosul ao meu amigo Nicanor Duarte Frutos, do Paraguai, que, estou seguro, conduzirá com energia, no próximo semestre, a implementação do nosso plano de vôo, o programa de trabalho 2004-2006. Eu passo ao Presidente Nicanor o martelo e quero agradecer de coração a presença de todos vocês.

Eu queria insistir numa coisa a mais: que o crescimento e o fortalecimento do Mercosul dependem muito da crença que nós, dirigentes, depositarmos no Mercosul.

Eu sei que, às vezes, muita gente fica preocupada, porque depois dos presidentes fala uma quantidade enorme de entidades. É porque o Mercosul, para se consolidar definitivamente, não pode ser uma coisa apenas dos presidentes, ele precisa envolver os nossos dirigentes sindicais. Os problemas sociais têm que ser discutidos com maior dimensão do que apenas um problema econômico. Nós precisamos envolver os nossos artistas, os nossos intelectuais, nós precisamos envolver, portanto, o que nós tivermos de sociedade organizada, na nossa região, para debater o Mercosul.

Afinal de contas, nós não queremos o Mercosul para nós, presidentes da República, queremos o Mercosul para os milhões e milhões de latino-americanos que residem no nosso Continente.

Eu quero agradecer, de coração, a presença de todos vocês. Quero, agora, ao encerrar esta sessão, convidá-los para o almoço, não sei se todos poderão ir mas, se puderem ir, eu quero dizer que vocês vão ter o privilégio de experimentar o sabor da cozinha mineira, que é uma das cozinhas mais extraordinárias do Brasil. Possivelmente, é o estado que tem uma culinária muito mais forte. E eu espero que o Governador tenha preparado uma boa comida, porque, afinal de contas, todos nós estamos engajados no programa Fome Zero e, para combater a fome dos outros nós temos que, pelo menos, estar de pé.

Muito obrigado, meus companheiros. Portanto, Presidente, conte com a nossa ajuda.

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