Seul-Coréia, 25 de maio de 2005
Primeiro, quero apresentar os meus companheiros, aqui, porque vocês nem conhecem todos. O nosso Embaixador está aqui, que é mais conhecido de vocês; o nosso ministro da agricultura, Roberto Rodrigues; o nosso ministro das Relações Internacionais, o companheiro Celso Amorim; minha querida companheira Marisa; o nosso deputado do Rio Grande do Sul, o companheiro Beto Albuquerque; o nosso companheiro deputado pelo Paraná, o Takayama; o nosso deputado - vem cá, João - nosso deputado do estado de Alagoas, João Caldas; o nosso ministro da Fazenda, Antonio Palocci; a nossa ministra Dilma não está aqui porque está gripada, eu penso que ela está acamada; o ministro Furlan deve estar numa reunião tentando comprar ou vender alguma coisa para os companheiros da Coréia, e um monte de companheiros da nossa delegação.
Primeiro, quero cumprimentar os homens, as mulheres e as crianças que compõem a Associação Coréia-Brasil, dos coreanos amigos do Brasil que têm negócios no Brasil. E cumprimentar a Associação Brasil-Coréia, dos brasileiros que moram aqui, que trabalham aqui e que têm negócios aqui.
É imensa a satisfação de ver duas comunidades vivendo de forma harmoniosa, e eu penso que não poderia ser diferente o exemplo que vocês dão. Enquanto em vários países do mundo nós temos um problema sério em que pessoas de um país não aceitam estrangeiros dentro do seu país, nós temos casos excepcionais, temos casos até com atletas brasileiros importantes, jogadores da Seleção brasileira que, muitas vezes, são provocados nos estádios, são ofendidos nos estádios por serem estrangeiros naquele país. E nós chegamos aqui na Coréia e encontramos a comunidade de brasileiros na Coréia junto com a comunidade de coreanos que têm negócios no Brasil vivendo nessa harmonia. Eu poderia dizer para vocês que só por esse espetáculo já valeu a pena vir visitar a Coréia.
E aqui, mais do que em qualquer outro país do mundo, em que a diferença entre brasileiros e coreanos fica muito visível pela fisionomia, pelos olhos e, mesmo assim, vocês estão dando uma demonstração de harmonia que, quem sabe, sirva de exemplo para outros países do mundo.
Em segundo lugar, quero dizer para vocês que nós estamos vivendo um momento muito importante nas relações Coréia-Brasil. É importante lembrar a vocês que não é nova a relação do Brasil com a Coréia e que depois de recebermos a visita do presidente Moo no ano passado, no Brasil, nós resolvemos fazer essa visita à Coréia, exatamente porque acreditamos no potencial dos dois países. Todo mundo sabe que a Coréia tem algumas similaridades com o Brasil, importantes. A Coréia sai de um regime autoritário, entra em um processo democrático e a Coréia se constitui numa das potências industriais, com indústrias de ponta, indústria de alta tecnologia, competindo em igualdade de condições com outras tradicionais potências. Todo mundo sabe também que o Brasil tomou uma decisão de se transformar numa grande nação.
O Brasil está cansado de ser chamado de um país em desenvolvimento. Nós tomamos a decisão de fazer com que o país se transforme definitivamente num país desenvolvido, nós sabemos que isso não é rápido, nós sabemos que essas coisas não acontecem em um ano, em quatro anos, em cinco anos, mas nós resolvemos apostar nas medidas corretas, num alicerce correto para que o Brasil dê passos progressivamente, que o Brasil não retroceda.
É por isso que nós estabelecemos uma política econômica que fez o Brasil voltar a crescer; é por isso que nós estamos provando que é possível crescer exportando e crescer fortalecendo o mercado interno; é por isso que nós estamos dando passos decisivos para que o Brasil tenha uma política de comércio exterior mais agressiva; é por isso que nós conseguimos reaproximar toda a América do Sul, criando a Comunidade Sul-Americana de Nações; é por isso que nós fizemos uma forte aproximação com os países da África; é por isso que nós fizemos uma forte aproximação e realizamos no Brasil, no dia 10 deste mês, a Cúpula Países Árabes-Países da América do Sul para estreitar esses dois lados do mundo, e é por isso que estamos aqui na Coréia, agora, porque nós acreditamos que os países que têm similaridade com o Brasil, seja no seu potencial de desenvolvimento, seja no seu potencial econômico, precisam se juntar para que juntos a gente possa criar uma força política e econômica capaz de mudar a geografia mundial.
Todo mundo sabe que o Brasil tem uma parceria excepcional com os Estados Unidos, todo mundo sabe que o Brasil tem uma parceria extraordinária com a União Européia, mas nós queremos mais, nós queremos alargar os nossos parceiros no mundo, nós não queremos ficar dependentes apenas de um país ou de um conjunto de países, nós queremos aumentar a nossa relação, democratizá-la, torná-la mais plural e menos dependente para que o Brasil possa, não apenas criar parcerias das empresas brasileiras com empresas de outros países, no caso com a Coréia, mas também criar as condições para que empresários de outros países possam ver no Brasil um potencial recebedor dos seus investimentos para ajudar a desenvolver o nosso país.
Nós temos consciência de como esse povo coreano aprendeu, na dura luta da sobrevivência da guerra, a se constituir na nação forte que é hoje. Nós sabemos que nem todos os problemas estão resolvidos, mas que o único caminho para resolver é o caminho do diálogo, é o caminho da construção da paz, é o caminho do desenvolvimento e a Coréia apostou corretamente, depois de tantos e tantos anos de sofrimento, apostou em investimento na educação como forma de garantir o alto grau de conhecimento que tem a Coréia hoje.
E nós não viemos aqui ensinar os coreanos a fazer nada. Nós viemos aqui, humildemente, dizer que nós queremos melhorar a nossa parceria, que nós temos muito a aprender com aquilo que os coreanos fizeram aqui para esta chegar a ser a nação que é e que esperamos que essas lições possam fazer com que eu e os meus companheiros de governo voltemos ao Brasil com muito mais força de achar que é possível transformar o Brasil numa potência econômica. Eu, particularmente, estou convencido de que esse século XXI é o século do Brasil.
Eu digo todo dia: se o século XIX foi da Europa, se o século XX foi dos Estados Unidos, se o final do século XX e o começo do século XXI foram de alguns países asiáticos como a Coréia, como a China, podem ficar certos que nós não iremos abdicar, não iremos jogar fora a oportunidade de fazer com que o Brasil se transforme numa grande potência no século XXI e nós estamos apenas começando. Talvez nem vejamos o Brasil se transformar nessa potência que nós sonhamos, mas se não fizermos as coisas certas agora, certamente o Brasil poderá ter o mesmo retrocesso que teve em tantos momentos da sua história, em que parecia que as coisas iam bem e, de repente, as coisas desandavam e o Brasil quase voltava para trás.
Todo mundo conhece essa história, o que foi a década de 80, o que foi a década de 60, e nós não queremos repetir erros históricos que já aconteceram no Brasil.
E muito mais esperança nós temos quando chegamos na Coréia e encontramos um conjunto de brasileiros e brasileiras com essa cara alegre com que vocês estão, com essa disposição. Aqui vocês não estão sentindo a diferença de clima, aqui vocês não estão sentindo a diferença de raça, aqui vocês estão apenas dizendo o seguinte: é possível um brasileiro vencer em qualquer lugar do mundo se ele tiver disposição. Nós cunhamos uma palavra no Brasil que ficou famosa, de dizer todo dia o seguinte, levantar e dizer: "Eu sou brasileiro, eu sou brasileira e não desisto nunca." Vamos à luta porque é com a luta que a gente constrói a nossa família, a gente constrói a nossa vizinhança e a gente constrói uma nação.
Eu quero agradecer a todos vocês por esse carinho que demonstraram aqui. Quero dizer para vocês que depois dessa visita, certamente, estaremos construindo uma coisa muito mais sólida entre Coréia e Brasil. Eu estou convencido, e disse hoje aos empresários na hora do almoço, que possivelmente a gente só vai ter dimensão do resultado da visita do presidente Moo ao Brasil e da minha, aqui, daqui a uns dez anos, quando a gente estiver avaliando os resultados daquilo que nós conseguimos produzir como acordos, como protocolos e como intenções, tanto de empresários brasileiros como de empresários coreanos.
Eu estou convencido de que a Coréia encontrou o seu caminho e estou convencido de que o Brasil encontrou o seu caminho. Agora, é olhar para a frente, velejar bem esse barco para que a gente possa se encontrar em alto mar e estourar um dia um champanhe, parabenizando Coréia e Brasil por essa aliança estratégica que estamos montando.
Muito obrigado, e boa sorte a todos vocês.
fonte: www.info.planalto.gov.br
