Palácio do Planalto, 05 de agosto de 2003
Eu digo sempre que pernambucano não poder ver um microfone que quer fazer um discurso.
Primeiro, eu quero agradecer aos companheiros e companheiras prefeitos e prefeitas do Partido dos Trabalhadores
Quero agradecer aos nossos governadores aqui presentes. São poucos, mas são combativos e bons
E dizer para vocês que eu continuo acreditando que nós vamos fazer as reformas que nos propusemos a fazer. Eu estou convencido que vamos votar a Previdência Social entre hoje e amanhã. Não é apenas uma vontade do presidente da República e do seu governo, mas é uma vontade expressa da maioria dos parlamentares do Congresso Nacional.
Eu acredito que, com a mesma rapidez e com a mesma ação democrática, nós vamos votar a reforma tributária, porque essas duas reformas não são reformas de interesse do presidente da República, não são reformas do interesse do Partido dos Trabalhadores. Essas reformas são necessárias para que possamos recuperar a possibilidade do nosso país voltar a crescer e a se desenvolver.
A reforma tributária, sobretudo, é extremamente importante para que possamos consolidar o pacto federativo entre União, estados e municípios. A reforma da Previdência é necessária porque nós precisamos garantir que os nossos filhos e os nossos netos, amanhã, tenham o direito de se aposentar e receber o seu salário. E hoje vocês, que são prefeitos e governadores, sabem que o processo está falido e que alguém tinha que ter coragem de mexer. E quis Deus que caísse nas nossas mãos. E nós, então, não temos por que não fazer.
Acho que o Brasil vai ficar agradecido por ter aparecido, neste país, um governo que tenha se comprometido em fazer as reformas que, durante tantos e tantos anos, falaram que iam fazer e não tiveram coragem de enfrentar os debates, como nós tivemos.
Nenhum companheiro do PT, nenhum prefeito, nenhum governador, nenhum ministro, nenhum dirigente do PT - e, diga-se de passagem, o companheiro José Genoíno teve um papel excepcional no sentido de organizar o Partido, no sentido de promover os debates - nenhum companheiro vacilou um minuto sequer em dizer, a quem quer que fosse, que as reformas eram necessárias ao Brasil e que elas precisavam ser aprovadas.
Agora eu digo sempre que a sorte está lançada. A proposta está no Congresso Nacional, os líderes estão debatendo entre si, e eu não tenho dúvida nenhuma de que o compromisso que todos os deputados brasileiros têm com o país vai garantir a aprovação dessas matérias. E vocês sabem que nós estamos preparando outras grandes discussões para o Brasil, que vamos fazer. Vamos rediscutir a estrutura sindical brasileira, vamos rediscutir a legislação trabalhista neste país. Para isso nós criamos, na semana passada, o Fórum Nacional do Trabalho, com a representação de 21 membros do lado empresarial, 21 membros do lado do movimento sindical, 21 membros do governo, e cada parte escolheu os seus representantes. Não foi o governo que escolheu. E é assim, debatendo com a sociedade, que nós vamos construir o Brasil que motivou a entrada de muitos de vocês na política do nosso país.
Nós sabemos que ainda estamos longe de construir o Brasil dos sonhos de cada um de nós. Mas eu não tenho nenhuma dúvida de que nós estamos no caminho certo. Não faltarão aqueles que irão jogar casca de banana para tentar atrapalhar a nossa chegada ao objetivo comum, que é fazer o Brasil crescer, gerar empregos, distribuir renda, e melhorar a qualidade de vida do nosso povo.
E eu sou até otimista demais. Todo dia, quando chego ao Palácio para governar e encontro o José Dirceu, o Antônio Palocci, o Gilberto Carvalho, o José Genoino, o Olívio Dutra, e todos os ministros, o meu papel é dizer para eles que nós temos que estar cada vez mais tranqüilos e cada vez mais convencidos de que somente nós poderemos fazer o que o Brasil precisa que seja feito.
Tem coisas muito simples. Vejam uma coisa: eu acabo de fazer uma reunião com todos os reitores das universidades federais do Brasil e com os das escolas técnicas. Eu achei que era uma reunião corriqueira e - pasmem - é a primeira vez na história do Brasil que um presidente da República se reúne com todos os reitores de uma só vez. É por isso que o Brasil não podia dar muito certo, porque uma simples reunião com reitores não era feita, com medo de cobranças. Nós não só fizemos a reunião, como convidamos os reitores a serem parceiros na construção do tipo de educação que nós precisamos fazer para o Brasil.
Eu fui à inauguração do Centro Educacional Unificado, na cidade de São Paulo, no domingo, e eu no discurso vi um número tão forte, que não tive coragem de lê-lo. Eu não acreditei no número, eu falei: não posso ler, porque esse número é tão forte, que parece não ser verdadeiro.
Aí, eu viajei para Santos com o Cristovam Buarque e falei: Cristovam, esses números aqui são verdadeiros ou não? O Cristovam falou para mim: Presidente, não só são verdadeiros, como, se a gente for pesquisar mais a fundo, talvez sejam mais graves.
Ou seja, 52% das crianças que estão na quarta série não sabem interpretar um texto que lêem e 59% não sabem fazer as quatro operações. Isso é tão grave, meus companheiros, prefeitos e governadores, quanto a situação econômica do país.
Isso é tão grave, prefeito Pimentel, como a dívida externa, a dívida interna. Durante tantos anos se fez tanta propaganda, e constatamos que, mais uma vez, as nossas crianças não tiveram o cuidado necessário que precisariam ter tido.
Nós também temos consciência de que, para o Brasil crescer e se desenvolver, a educação é peça fundamental, até porque não tem, na história da humanidade, nenhum país que conseguiu crescer e se desenvolver sem antes ter consolidado a sua base, que é a formação intelectual e profissional da sua gente.
Isso nós sabemos porque não é um compromisso de campanha, é um compromisso histórico que vocês trazem da vida de vocês e que ficou consubstanciado em um programa de governo que eu faço questão de, de vez em quando, reler e que na primeira reunião dos ministérios, pedi que cada um utilizasse o programa de governo como se fosse um livro de cabeceira, para que sempre soubéssemos o que prometemos, para que nunca nos esquecêssemos que o nosso objetivo era cumprir aquilo que nós escrevemos no programa.
Esse gesto de solidariedade de vocês em um momento difícil da política nacional - em que nós estamos com duas reformas importantes para serem votadas, em que prefeituras e estados descobrem que estão falidos - é muito importante, porque as prefeituras e os estados não estão falidos por conta do nosso governo, na verdade estão falidos desde quando se refez a Constituição deste país, acabando-se com a política que nós tínhamos elaborado em 1988, que garantia aos municípios e aos estados mais dinheiro e na qual que fortalecíamos o pacto federativo.
Estão falidos, porque nos últimos anos o governo federal preferiu empobrecer municípios e estados, para que prefeitos e governadores não saíssem do gabinete dos ministros, pedindo ajuda para isso e para aquilo. Nós queremos reconstruir o pacto federativo, e por isso mandamos a proposta de reforma da política tributária.
Nós reconhecemos que as cidades brasileiras estão quebradas. Nós reconhecemos que os estados brasileiros estão quebrados. Mas a verdade nua e crua é que muita gente poderia ter gritado há um tempo atrás. A verdade é que muita gente poderia ter contribuído para que isso não acontecesse, e ficaram quietos. E, da minha parte, eu até acho saudável que esses que não gritaram antes gritem agora, porque significa, pelo menos, que eles não têm medo de nós e percebem que nós os tratamos de forma mais democrática do que eles foram tratados anteriormente.
Nós não temos solução para o Brasil como num passe de mágica. Essa construção será feita junto com vocês. Será feita junto com prefeitos, junto com governadores, junto com a sociedade brasileira, até porque os problemas do Brasil são de tal ordem de grandeza que não existe Golias que, sozinho, consiga resolver os problemas. Mas como todos nós temos um pouquinho de Davi dentro de nós, certamente nós iremos derrubar os gigantescos problemas que temos, para dar tranqüilidade ao povo brasileiro.
Vocês, prefeitos e governadores, já são experiências vivas disso. E eu, toda vez que imagino ter uma preocupação qualquer, fico me lembrando: se os nossos prefeitos conseguiram a proeza de consertar as cidades, por que eu não posso consertar o Brasil? Se os nossos governadores, em tão pouco tempo, fizeram tanta coisa boa para os estados, por que nós não poderemos dar coisas boaspara o Brasil?
E é pela experiência bem sucedida de vocês que eu acordo todo santo dia mais confiante do que no dia da posse. Nós vamos resolver os problemas do Brasil, podem ter certeza disso.
E muito obrigado pelo apoio.
fonte: www.info.planalto.gov.br
