Bairro Tiradentes - São Paulo, 20 de agosto de 2005
Meu querido companheiro Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego. Meu querido companheiro Agnelo Queiroz, ministro do Esporte. Minha querida companheira Marisa. Meu caro companheiro Eduardo Suplicy, senador da República. Meus queridos companheiros deputados federais Arlindo Chinaglia, líder do Governo, Luiz Eduardo Greenhalgh, Jamil Murad, Roberto Gouveia. Senhor Gerêncio Nelcyr de Bem, coordenador do Programa Segundo Tempo. Senhor Sílvio José Figueroa de Amorim, presidente da Associação dos Mutuários e Moradores do Conjunto Santa Etelvina e adjacências. Senhora Maria das Graças Ribeiro de Amorim. Senhoras e senhores funcionários da fábrica do Programa Pintando a Cidadania e da Assetel. Senhor Vander Geraldo da Silva, presidente da Confederação Nacional de Associações Moradia e Reforma Urbana. Meu caro José Custódio, coordenador dos Sem Universidade. Senhoras e senhores moradores do conjunto Santa Etelvina e adjacências. Queridos e queridas companheiras da Cidade Tiradentes.
Vamos por etapa aqui porque tem um discurso escrito. Antes eu quero dizer o seguinte: este pessoal de amarelo aqui do lado, este pessoal, estas meninas e estes meninos, são pessoas que estão neste instante sonhando em cursar uma universidade. Ainda não têm, obviamente, mas algumas coisas importantes já aconteceram. Esta camisa amarela tem um forte significado para nós, da implantação do ProUni este ano, quando nós conseguimos, numa parceria com universidades privadas, fazer com que a redução de alguns impostos que nós demos às universidades fossem transformados em bolsas de estudos para que as meninas e os meninos das escolas públicas e, sobretudo, da periferia das grandes regiões metropolitanas, pudessem cursar uma universidade e, com a graça de Deus, nós tivemos este ano 112 mil novas vagas nas universidades. Eu sei que vocês agora têm que se preparar para o Enem, precisam se preparar, fazer um cursinho, porque daqui a pouco vocês vão fazer os testes, vão passar e, se Deus quiser, no ano que vem vocês estarão numa universidade estudando, aprendendo uma profissão.
Além disso é importante dizer para as pessoas da periferia deste país que nós aprovamos, já no Congresso Nacional, três novas universidades federais. Uma do ABC, que é uma universidade tecnológica muito importante, é uma universidade que quando estiver funcionando totalmente vai ter por volta de 20 mil alunos. Nós aprovamos a Universidade Federal da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul, aprovamos a Universidade do Recôncavo Baiano, que é outra importante. Mas o mais importante do que aprovar três novas universidades federais é que nós estamos fazendo extensões das universidades federais existentes.
Só para vocês terem idéia, da Universidade Federal Rural e da Universidade Federal de Pernambuco, nós já levamos três extensões que já estão funcionando. Uma em Garanhuns, uma em Caruaru e outra no Vale do São Francisco. Nós estamos levando para o interior do país, sobretudo para regiões mais pobres do país, onde as pessoas jamais imaginaram ver uma universidade chegar lá. Nós estamos levando porque achamos que ao levarmos uma extensão universitária, colocarmos lá 2.500 alunos, colocarmos professores, colocarmos funcionários, aquilo vai atrair investimento de indústria, porque onde tem universidade tem mão-de-obra qualificada e onde tem mão-de-obra qualificada os empresários querem montar os seus projetos de investimento, porque a mão-de-obra qualificada melhora a qualidade dos produtos e estabelece uma vantagem comparativa para a indústria que vai competir com outras indústrias.
Este é um programa que eu acho extraordinário e, no final de quatro anos, nós teremos 760 mil novas vagas nas universidades brasileiras, entre as públicas e as privadas, via ProUni, fazendo uma verdadeira revolução na educação brasileira. Mas, além disso, nós criamos também, já aprovamos e vamos começar a fazer 32 escolas técnicas em cada região do país, para que a gente permita que o nosso adolescente, ao estar cursando o segundo grau, possa fazer a opção de um curso técnico, um curso profissionalizante, porque aí quando ele terminar o segundo grau, ele já tem uma profissão e pode fazer a universidade com muito mais tranqüilidade.
Eu sei que esse é o sonho de toda mãe. Eu estou vendo aqui a cara das mães, estou vendo lá atrás, não tem coisa mais sagrada para um pai e para uma mãe do que saber que o seu filho vai poder entrar em uma universidade, fazer um curso e aprender mais do que ele. Não tem nada mais orgulhoso para um pai do que a gente saber que o nosso filho é mais inteligente do que a gente, é mais culto do que a gente, aprendeu mais do que a gente. Por quê? Porque nós estamos podendo dar a ele aquilo que nós não conseguimos receber de nossos pais, e que nossos pais não conseguiram receber dos seus pais. Portanto, agora, meninas e meninos, namorem menos, estudem mais, porque o Enem vem aí e eu quero todos vocês na universidade.
Olhem, outra coisa gratificante para mim é saber que um simples espaço como esse, um simples uniforme, que é uma camiseta e um short, e simples professores, pessoas humildes, podem fazer com que as crianças brasileiras, ao invés da droga, ao invés da violência, possam praticar um pouco de esporte e ter uma perspectiva de que vão vencer na vida. Não tem nada que mexa mais com o meu coração, com a minha alma, do que ver essas crianças podendo tomar café de manhã, almoçar, jantar e praticar um pouco de esporte. Não tem nada mais sagrado para quem é pai e para quem é mãe. Não tem nada mais sagrado do que saber que pode levantar, ir trabalhar, e que o seu filho está sendo cuidado, que está tendo um instrutor para orientá-lo, que tem pessoas na comunidade preocupadas com ele. Então eu vi ali essa meninada, quando pode praticar esporte, nadar, jogar bola, fazer ginástica, essa meninada chega em casa, janta, e vai todo mundo para cama cansado. Não tem tempo de pensar em coisa ruim, já está pensando no dia seguinte, em voltar para praticar um pouco de esporte, dando prazer a nós, que somos pais, de saber que nossos filhos estão sendo cuidados com muito amor e com muito carinho. E isso nós devemos à genialidade, ao companheirismo, à garra do nosso querido ministro Agnelo Queiroz que, desde o primeiro dia, me levou para conhecer uma fábrica de bola lá em Feira de Santana, onde se empregava jovens detentos, em uma perspectiva de que um jovem que comete um pequeno delito, a gente pode recuperá-lo se a gente dedicar amor, dedicar carinho e compreensão. Se a gente dedicar chibatada, a gente não consegue educar, nem um ser humano e nem um animal.
É gratificante para mim, vir aqui e ver uma fábrica de bola utilizando companheiros que são portadores de deficiência fazendo as bolas, mulheres ex-detentas fazendo as bolas, mulheres fazendo as camisetas. Por enquanto só tem 320 trabalhadoras, mas o Agnelo avisou aqui, o Presidente da Associação já avisou, isso aqui vai ter que fazer dois turnos, porque está crescendo muito. Vamos começar até a exportar bola para Angola, exportar camiseta, ou seja, daqui a pouco a gente tem dois turnos, três turnos e, ao invés de 270, 320, nós vamos ter 500, 600 mulheres podendo trabalhar aí, ganhando um salário que, para mim, eu fiquei feliz quando a mulher me disse que ganha por produção, e ela tira, em média, 800 reais por mês. Quantas pessoas conseguem ganhar 800 reais por mês no Brasil? Então é gratificante saber que uma idéia simples, que já colocou um milhão de crianças para participar do Segundo Tempo, tenha gerado, no Brasil inteiro, 14 mil empregos, e possa possibilitar a oportunidade de trazer o benefício na periferia, porque eu conheço a Cidade Tiradentes há muitos e muitos anos, e esta região aqui sempre foi uma região esquecida pelos governantes do país. Havia quem se dirigisse à Cidade Tiradentes como se fosse a terra do fim do mundo, porque precisava atravessar todo o mundo. Então, quando a gente trabalha com seriedade, quando a gente trabalha voltado para atender aos interesses das pessoas mais pobres, ou seja, quem precisa mais é quem tem que ser atendido. A lógica tem que ser essa. Uma mãe sabe disso, se uma mãe tem dois filhos, tem um que está debilitado, está mais fraco, está mais doentinho, é aquele que a mãe coloca no colo o tempo inteiro e faz carinho. O outro pode ficar com ciúme, pode chorar, mas a mãe vai cuidar daquele que está mais debilitado, embora ela goste do mesmo jeito daquele que está com saúde.
O governo tem que ser assim. O Brasil tem 186 milhões de brasileiros, tem gente que pode mais, tem gente que pode menos, e a gente precisa governar para quem pode menos, para as pessoas mais pobres do país, para poder elevar o nível de vida dessas pessoas. É assim que este país vai dar certo. É por isso que o ministro do Trabalho está aqui, para dizer a vocês uma coisa que justifica, muitas vezes, tantos ataques. É porque nós, em 32 meses, criamos 3 milhões e 257 mil empregos com carteira profissional assinada neste país, enquanto nos oito anos passados, foram criados pouco mais de 700 mil. Nós estamos criando uma média mensal de 105 mil empregos. Em outro governo, a média mensal era apenas de 8 mil empregos. Portanto, estamos criando 12 vezes mais empregos a cada mês neste país. Quando nós entramos no governo, em junho de 2003, o Plano Safra para a Agricultura Familiar tinha liberado apenas 2 bilhões e 200 milhões de reais. Este ano, em julho, nós terminamos liberando 6 bilhões e 250 milhões de reais, três vezes mais do que foi liberado quando nós entramos neste país. E colocamos 9 bilhões para a Pasta deste ano. O Programa Bolsa Família, que é um programa para atender as pessoas mais pobres da população chegará, em dezembro, com 8 milhões e 700 mil famílias recebendo o Bolsa Família, que é a maior política de transferência de renda existente hoje em qualquer país do mundo.
É pouco, e tem muita gente que fala que é pouco. Alguns falam que é esmola, e é verdade que para alguns pode parecer esmola, para quem levanta de manhã e tem café para tomar, para quem pode almoçar todos os dias, jantar todos os dias, é esmola. Mas quem sabe o que é uma mãe levantar de manhã e não ter um copo de leite para dar para o filho, sabe que 85 reais não é esmola. É uma dádiva de Deus poder levar comida para casa, poder levar o pão para casa, poder levar arroz para casa.
Então, meus companheiros, eu quero dizer que fico feliz de estar aqui na Zona Leste. Fico feliz de estar aqui, na Cidade Tiradentes, e ver esse mundaréu de crianças tendo perspectiva de dar um mergulho em uma piscina, tendo perspectiva de jogar um futebol, tendo perspectiva de ter um reforço escolar, porque muitas vezes quando um pai pode colocar um filho em uma escola particular e a criança vai mal, a própria escola tem professores para dar reforço para aquela criança. Mas quando é um filho de um pobre, que a mãe muitas vezes não sabe ler, ou mal sabe ler, a criança chega em casa, não tem ninguém para ensiná-la. E o Programa Segundo Tempo está dentro das práticas esportivas, ajudando essas crianças a terem um reforço escolar, para que essas crianças amanhã possam competir a uma vaga na universidade brasileira, competindo com o filho de quem quer que seja, independentemente da origem social. E é isso que vai mudar a cara do nosso querido Brasil, é isso que vai mudar a história deste país, é isso que vai mudar a qualidade de vida do nosso povo.
Por isso, eu quero dizer para vocês que saio daqui com a consciência tranqüila de que estamos cumprindo com o nosso dever. Eu sei da quantidade de leviandades, eu sei do jogo rasteiro que está sendo feito neste país. Mas eu aprendi com uma analfabeta que morreu aos 64 anos. Não perca nunca a esperança, persevere sempre e ande de cabeça erguida porque a verdade vencerá, e a verdade vencerá neste país.
Eu não sei quantos brasileiros e brasileiras, não sei quantos, podem encostar a cabeça no travesseiro à noite e dormir o sono dos justos. Eu posso dizer por mim. Eu durmo o sono de um homem que sabe o que quer, que sabe o que este país precisa, que sabe o que o nosso povo deseja, e podem ficar certos, nós vamos cumprir aquilo que nós nos comprometemos a cumprir entre o governo e o povo brasileiro e, desse povo brasileiro, o povo pobre que é quem mais precisa do governo neste momento histórico do nosso país.
Por isso eu quero me despedir de vocês dando um conselho às mulheres e aos homens que estão aqui. Eu quero que vocês prestem atenção numa coisa: eu tenho dito sempre que no Brasil, além de todos os problemas nós temos um problema de desagregação da estrutura familiar brasileira. Às vezes, é pai brigando com mãe, às vezes é pai e mãe brigando com os filhos, os filhos brigando com pai e mãe. Quero chamar a atenção de vocês que tem uma palavra mágica na nossa relação humana, uma palavra mágica que é compreensão, que é o carinho, que é o amor que a gente precisa dedicar uns aos outros para a gente poder viver em harmonia. Se a família não estiver bem dentro de casa, tudo piora para a gente, tudo, então vamos tratar. De vez em quando a gente vê o nosso menino fazer uma arte, a gente já culpa um vizinho. Muitas vezes o problema está dentro de casa, muitas vezes o problema é nosso e nós temos que resolver este problema conversando com eles.
Eu poderia perguntar, quem conversou com o seu filho hoje de manhã? Quem se preocupou em saber qual é o problema que tem uma menina ou um menino? Muitas vezes nós achamos que eles não têm problemas porque são crianças. Eles têm problemas, e se nós não cuidarmos, o problema pode se agravar, portanto, vamos cuidar da nossa família com mais carinho, com mais amor, com mais compreensão, porque se todo mundo fizer isso, certamente o Brasil poderá se tornar um exemplo de uma sociedade justa, de uma sociedade harmoniosa e de uma sociedade em que o povo, finalmente, aprendeu a viver em comunhão.
Graças a Deus
Muito obrigado a todos vocês e até outro dia, se Deus permitir.
fonte: www.info.planalto.gov.br
