Discurso do Presidente Lula: Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária

Your rating: None

Brasília-DF, 29 de setembro de 2005

Pavilhão ExpoBrasília do Parque da Cidade

Primeiro, companheiros ministros Patrus, companheiro Rossetto, Fritsch, o Jacques Wagner está aqui atrás, está cansado de articular, Companheiras e companheiros deputados, Nossa senadora, Minha mulher,Meus companheiros e companheiras

Eu acredito que esta Feira, se a nossa querida imprensa nos ajudar e vocês montarem um esquema de divulgação da Feira, normalmente em Brasília, na televisão de sexta-feira, tem as atividades culturais da semana, poderiam colocar esta Feira como atividade cultural, acho que podem vir mais de 100 mil pessoas, porque na hora em que o povo de Brasília souber que tem uma Feira, organizada pela agricultura familiar, que tem produtos orgânicos da melhor qualidade, que as pessoas que plantaram, que cavaram a terra, colocaram a mão, a semente, ou fizeram a caixa para colher o mel, estão aqui, elas próprias vendendo seus produtos, eu penso que muita gente terá interesse de vir aqui para conhecer.

Eu até brinquei com a imprensa, amanhã eles não têm muito trabalho, sábado também não, podem pegar as esposas, as mães, os pais e vir aqui nesta Feira.

A segunda coisa é dizer para vocês o seguinte: eu estou, hoje, mais convencido do que estava ontem e mais convencido do que estava quando fui candidato a Presidente da República, de que de vez em quando nós inventamos sarna para nos coçar, quando a gente quer defender a agricultura familiar, a gente ataca o agronegócio, e quando a gente quer defender o agronegócio, ataca a agricultura familiar.

Primeiro, o Brasil é tão extraordinário que precisa das duas, precisa da agricultura empresarial e precisa da agricultura familiar, por razões, algumas iguais, e por coisas totalmente diferenciadas. A primeira é que a agricultura familiar, ela permite, sobretudo, a manutenção da pessoa na terra, o que é uma coisa extraordinária. Ela pode não gerar o emprego de carteira assinada, mas gera o posto de trabalho para a pessoa da família que trabalha.

Segundo, a gente pode tratar os produtos com muito mais carinho, a gente pode ter menos pesticida, a gente pode jogar menos droga nas coisas que se planta, portanto, a gente pode oferecer um produto de maior qualidade na casa das pessoas.

Terceiro, o campo, no Brasil, que ainda tem uma quantidade de pessoas razoável vai ter muito mais a partir de agora. Primeiro porque o crédito, que era uma coisa inatingível, aqui eu estou falando para o Brasil inteiro, mas eu sei que tem muito gaúcho, muita gente de Santa Catarina, muita gente do Paraná, vocês se lembram que quando se anunciava o Pronaf, até outro dia, 80% dos recursos do Pronaf saíam para os estados do Sul do país, que era onde tinha maior organização, era onde tinha mais cooperativa, era onde tinha mais experiência. E o restante do Brasil ou não pegava quase nada, porque não tinha a cultura de pegar, ou porque o gerente do Banco do Brasil não sabia mais emprestar, ou porque as pessoas não estavam preparadas, é que as pessoas ficavam relegadas ao segundo plano.

Desde 2003 até agora - e eu vou dar o número só para vocês lembrarem: em 2003 foram liberados, do dinheiro que estava disponibilizado, 2 bilhões e 400 milhões. Este ano, agora, já liberou, terminou o Plano Safra em julho, 6 bilhões, 200 milhões de reais, ou seja, três vezes mais. E nós disponibilizamos 2 bilhões a mais para a safra que começa agora e termina em julho do ano que vem.

E eu disse ao Rossetto, disse aos companheiros da Contag, porque nós fomos lançar o Plano Safra no Nordeste, dessa vez, pelo menos eu, o Rossetto está lançando todo dia, pelo Brasil afora, nós dissemos, lá em Pernambuco, que nós temos 9 bilhões disponibilizados. Mas, se chegar no mês de março, no mês de fevereiro ou janeiro do ano que vem, e tiver faltando dinheiro, eu disse aos trabalhadores que podem ficar tranqüilos que a gente vai arrumar mais dinheiro, porque os gerentes do Banco do Brasil já estão mais preparados para emprestar.

Nós estamos tomando as medidas para facilitar que as cooperativas de crédito possam ter um trabalho mais importante do que já têm hoje. Nós estamos tomando medidas para que as pessoas possam pegar um pouco mais de dinheiro. E fazemos isso porque acreditamos que a Agricultura Familiar é um dos pilares que podem ajudar o Brasil a se transformar num país altamente desenvolvido. Basta que as pessoas, com a simpatia que vocês me trataram hoje, tratem os visitantes a partir de agora.

Aquele sorriso do Manezinho de Santa Catarina, uma boa cuia de chimarrão para os visitantes, uma boa carne de bode, Mané, não buchada, aqui está muito calor. Mas uma boa carne de bode, ou seja, quem sabe aí alguém oferecer uma cachacinha das Minas Gerais, ou seja, se vocês fizerem...

Esta Feira foi feita no ano passado, está sendo feita agora, esta Feira, certamente, vai entrar no programa cultural de Brasília daqui para frente. Na hora em que as pessoas comecem a gostar, ela não deixará de existir mais. Imagine, por exemplo, aquele cidadão levantando aquela foto, daquela senhora bonita com aquela enxada, mostrando que ela mesma que cava a terra, que planta e que colhe, isso realmente vai ajudar muito. É a companheira, dona Celina, a nossa prefeita que foi assassinada.

Mas olhe, eu queria dizer para vocês que estou feliz, estou orgulhoso do trabalho de vocês, conheço profundamente o trabalho de vocês, porque há pelo menos 20 anos eu ando escarafunchando o que faz a Agricultura Familiar neste país. E quero dizer para vocês que desejo toda a sorte do mundo para vocês. Vocês estão, hoje, dando um passo extremamente importante.

Eu acho, Rossetto, que essa experiência de Brasília, quem sabe possa ser levada para outras capitais brasileiras, até a gente transformar isso num hábito do povo da capital, de que em tal época vai ter uma feira importante, sobretudo nos principais capitais do país. Portanto, Rossetto, meus parabéns, meus parabéns às pessoas que trabalharam para organizar isto, porque a gente chega aqui, está tudo pronto, arrumado, a gente não tem dimensão do sacrifício que vocês fizeram para fazer esta Feira, aqui.

Normalmente as pessoas que carregam um piano não são lembradas, normalmente não são. A gente só lembra de quem está tocando, como vocês agora estão me vendo, aqui, tocar piano, mas quem carregou o piano, quem afinou o piano, foram vocês. Então, meus parabéns, eu desejo sucesso. Eu quero declarar aberta esta 2ª Feira da Agricultura Familiar.

Boa sorte e meus parabéns!

Leia antes de comentar

Atenção: Este NÂO é o site oficial deste politico.

O objetivo deste site é reunir opiniões independentes sobre nossos representantes eleitos.

Não há censura de opinião nos comentários, mas o vc é o responsável pelo que escrever. Ou seja, aqui vale o Yoyow (You Own Your Own Words).

Lembre-se: Opinião é diferente de informação.

Informações sem fonte ou que não puderem ser checadas facilmente podem ser deletadas.

Serão apagadas tb mensagens publicitárias fora de contexto, spam usado para melhorar a posição de sites e outras iniciativas de marqueteiros pouco éticos.

Grosserias desacompanhadas de conteúdo, coisas off-topic e exagero nas gírias ou leet que dificultem o entendimento de não-iniciados tb não serão toleradas aqui.

Vou apagar sumariamente tb todos os comentários escritos inteiramente CAIXA ALTA e mensagens repetidas.

Além de prejudicar, a leitura é falta de educação.

Não publique tb números de telefone, pois não tenho como checá-los.

Obviamente, qq conteúdo ilegal tb será deletado sem dó.

Todas os comentários são considerados lançados sobre a licença da Creative Commons.

Se você não quer que seu texto esteja sob estes termos, então não os envie.