Anhembi - SP, 08 de julho de 2003
Excelentíssimo governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Excelentíssima prefeita da cidade de São Paulo, Marta Suplicy. Deputado estadual Sidney Beraldo, presidente da Assembléia Legislativa. Meu companheiro prefeito da cidade de Franca, Gilmar Dominici. Senhor presidente em exercício da Federação das Indústrias do estado de São Paulo, Carlos Roberto Liboni. Senhor presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Renan Proença. Senhor presidente da Abicalçados, Élcio Jacometti. Senhor presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala. Senhores parlamentares, expositores, empresários. Meus senhores e minhas senhoras.
Desnecessário seria fazer qualquer apologia ao setor de calçados do nosso país. Inegavelmente, este é um setor de que todo e qualquer um dos 170 milhões de brasileiros deve se orgulhar, porque não só somos competitivos com qualquer outro país do mundo, como temos qualidade para dar e para vender a quem quiser comprar.
Eu, se pudesse, entraria na cabeça de cada um de vocês e fico imaginando o que a maioria está pensando. Certamente, meu caro Governador, meu caro Abdala, as pessoas estão pensando: "Puxa vida, seria necessário que o dólar não caísse tanto para que a gente pudesse exportar mais."
Eu quero ter uma conversa bastante sincera com os empresários brasileiros do setor de calçados. Vocês sabem que, em dezembro, nós tínhamos uma perspectiva sombria para o nosso país. Vocês sabem que a perspectiva era trabalhar com uma inflação de 40% para os doze meses seguintes. Hoje, eu e qualquer membro do nosso governo podemos vir a uma feira, a uma exposição como esta e dizer para vocês que o "bicho-papão" da inflação está controlado e nós iremos trabalhar com uma taxa de inflação de 7% e até, quem sabe, um pouco menor, a depender da nossa capacidade de manter as contas do governo mais ou menos controladas.
Mas isso é muito pouco, não basta controlar a inflação. É preciso ter em conta que o nosso país precisa crescer, precisa gerar riquezas, precisa gerar empregos e não podemos abrir mão e nem jogar fora nenhuma oportunidade. Foi por isso que, quando escolhi o Luiz Furlan para ser ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, eu disse a ele: "Eu quero que você seja o grande mascate brasileiro", até porque era idéia minha, durante a campanha, criar uma Secretaria de Comércio Exterior, ligada à Presidência da República. Mas, depois que o encontrei e o Furlan topou ser ministro, não precisávamos mais de uma Secretaria, porque o próprio Ministério poderia fazer esse papel.
Acho que poucas vezes, na história do Brasil, um ministro da Indústria e Comércio Exterior tem viajado o tanto que tem viajado o nosso Furlan. E tem viajado porque temos consciência de que é preciso abrir novos mercados para o Brasil. É muito importante o mercado europeu. É muito importante o mercado americano. Mas, além de continuarmos competindo nesses mercados, tentando cada vez mais colocar os nossos produtos, nós precisamos procurar outros espaços geográficos e econômicos em que a nossa qualidade possa ser demonstrada.
Foi por isso que tomamos como iniciativa recuperar as relações entre o Brasil e os países da América do Sul. Nós temos um mercado potencial que faz fronteira com o Brasil e, muitas vezes, deixamos esse mercado de lado à procura de mercados mais longínquos e, às vezes, até mais difíceis do ponto de vista da competitividade.
Eu acredito que o setor de calçados será um setor que irá se beneficiar dessa nova relação que estamos tendo com a América do Sul.
E por que América do Sul? É porque durante anos e anos se falou na integração da América do Sul e, depois, nós descobrimos que integração pode ser apenas uma palavra mágica ou um discurso vazio se não tivermos ponte, se não tivermos estradas ou ferrovias ou se não tivermos, pelo menos, vôo direto dos países da América do Sul para o Brasil porque, senão, nem os homens de negócios do Brasil poderão viajar com tranqüilidade para lá e muito menos eles poderão viajar para cá.
Se alguém da América do Sul tiver que ir a Miami para vir ao Brasil, ele já fará negócio em Miami. Então, nós precisamos tratar de transformar essa integração em uma coisa muito concreta e objetiva. É por isso que, no dia 8, estará havendo no Rio de Janeiro uma reunião coordenada pelo BNDES e pela CAF?, que é a instituição financeira da Comunidade Andina, para estabelecer os principais projetos de integração dos países da América do Sul.
O clima é o mais favorável possível. A Argentina, depois da eleição, pode ajudar enormemente o Brasil a recuperar o Mercosul e fazer o Mercosul ter o significado para o qual ele foi criado. E vocês, produtores brasileiros, sabem o quanto é importante o mercado argentino para o calçado brasileiro. É por isso que nós torcemos para que a Argentina se recupere economicamente, tanto quanto torcemos para o nosso país e para outros países do Mercosul. Mas não vamos parar na América do Sul.
Quando li o nome aqui do Abdala, eu me lembrei que, em dezembro, nós teremos uma grande viagem para os países árabes. Nós vamos ocupar os espaços que o Brasil não pode deixar de ocupar, vamos fazer uma visita a cinco ou seis países árabes com o objetivo não apenas de fazer relações políticas, mas de fazer negócio, de vender os produtos brasileiros ao mundo árabe.
Da mesma forma que estaremos fazendo uma viagem agora para a África, para tentar estabelecer uma maior relação com os países africanos, sobretudo, países como a África do Sul, que pode aumentar, e muito, a sua relação com o Brasil.
Para o próximo ano, nós queremos fazer algumas viagens para três países muito importantes para o Brasil: a China, a Índia e a Rússia. São mercados altamente promissores, mercados em que o Brasil pode ocupar um espaço excepcional. E nós nos convencemos, hoje, que por mais que sejamos bons, ninguém virá aqui nos procurar se nós não formos lá mostrar que temos competência de fazer e vender os nossos produtos no exterior.
Até porque, imaginem vocês, o Brasil, no ano passado, exportou 17 milhões de peças de couro. Imaginem se essas peças de couro, ao invés de serem exportadas in natura, fossem transformadas em sapatos, quantos sapatos nós não poderíamos produzir e quanto não teríamos vendido no exterior.
Quero dizer para vocês que, da parte do governo federal, nós estaremos fazendo todo o esforço, seja através do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, seja através do BNDES, seja através do Banco do Brasil, para garantir que o Brasil continue sendo um grande exportador de calçados e que a gente possa não apenas ser o terceiro produtor ou terceiro exportador, mas que a gente possa ser o primeiro, porque temos tecnologia, temos mão-de-obra qualificada e temos, como disse o Governador, o maior rebanho de gado do mundo. Portanto, temos todas as condições.
Eu acho que o mundo está precisando de comida, mas também está precisando de sapatos. Eu brincava com o Alckmin: agora, em cada viagem que eu fizer, vou tentar mandar o fotógrafo tirar uma fotografia dos meus pés junto com os dos outros presidentes que estou visitando, para ver quem está melhor calçado. Certamente, o meu sapato será mais bonito do que os de muitos presidentes que eu já visitei por este mundo afora.
Quero dizer aos empresários e às empresárias que estão aqui e às entidades de classe: eu, a cada dia, me levanto mais otimista do que quando fui dormir. E me levanto otimista porque acredito no Brasil, me levanto otimista porque acredito nos empresários brasileiros, porque acredito nos trabalhadores brasileiros, porque acredito na nova política de comércio exterior que estamos realizando e porque acredito que o Brasil não deve nada a ninguém em muitas áreas econômicas. O que precisamos é apenas mostrar o que somos, o que temos, o que produzimos e colocar os nossos produtos lá fora.
Da parte do governo haverá toda a facilidade. Nós trabalhamos - eu já disse isso - para que o dólar encontre a sua estabilidade e que possa garantir que os nossos produtos sejam mais competitivos no mercado exterior. Essa é uma intenção, essa é uma vontade, essa é uma disposição.
Quero que vocês saibam que o que tenho falado para a agricultura, o que tenho falado para toda a indústria nacional é que quero que vocês tenham no governo federal um parceiro. Não haverá momento ruim, não haverá momento delicado em que a gente não possa se sentar em torno de uma mesa e encontrar as soluções para os graves problemas brasileiros. Primeiro, porque precisamos produzir. Segundo, porque precisamos gerar riqueza. Terceiro, porque precisamos gerar empregos. E, quarto, porque o nosso país precisa recuperar o seu crescimento econômico com uma certa urgência.
Nós tomamos várias medidas para facilitar o crédito e anunciamos isso na semana passada. Pretendemos continuar anunciando coisas que possam significar a geração de empregos, sem esquecer que o nosso compromisso primordial é tentar resolver os graves problemas sociais do nosso país.
Por isso, eu quero agradecer a presença e a figura do nosso companheiro Oded Grajew, que é o meu assessor especial e está engajado em tentar fazer com que todos os empresários brasileiros se transformem em parceiros, para que a gente possa acabar, de uma vez por todas, com um mal que não deveria existir no nosso país: a fome que maltrata 44 milhões de pessoas que vivem no Brasil.
Quero concluir dizendo aos meus companheiros empresários que podem ficar certos de uma coisa: se depender do governo federal, como já disseram aqui o nosso Governador e a nossa Prefeita, o nosso setor de calçados voltará a exportar muito mais do que já exportou em qualquer outro momento da sua história. Essa tem que ser uma meta, tem que ser uma obsessão, tem que ser um desejo. E temos que trabalhar para tornar esse desejo realidade.
Meus parabéns! Espero que vocês tenham toda a sorte do mundo, que possam vender todos os pares de sapatos que vocês projetaram ontem à noite, a partir de hoje. E aquilo que vocês não conseguirem vender eu vou tentar ajudá-los nas minhas viagens, falando bem e fazendo propaganda do calçado brasileiro.
Muito obrigado e boa sorte!
fonte: www.info.planalto.gov.br
