Olinda-PE, 16 de junho de 2006
Meus queridos e queridas companheiras do estado de Pernambuco. Minhas queridas e meus queridos companheiros de Olinda, de Recife, Joboatão Paulista e das demais cidades em que nós assinamos aqui os convênios. Meu querido companheiro Márcio Fortes, ministro das Cidades. Meu querido companheiro Nelson Machado, ministro da Previdência Social. Meu querido companheiro Sérgio Machado Rezende, pernambucano, ministro da Ciência e Tecnologia. Meus queridos companheiros Armando Monteiro, Eduardo Campos, Fernando Ferro, Renildo Calheiros, Humberto Costa, Maurício Rands. Meu querido companheiro, pai do Armando Monteiro, Armando Monteiro Filho. Deputado Inácio Arruda, do Ceará. Deputado Inocêncio Oliveira. Minha querida companheira pernambucana de Olinda, presidente da Caixa Econômica Federal. Meus caros companheiros e companheiras, prefeitos, Luciana Santos, de Olinda; João Paulo, de Recife, João Ribeiro Lemos, de Camaragibe; Nilton Carneiro, de Jaboatão do Guararapes e Yves Ribeiro de Albuquerque, de Paulista. Meus companheiros e companheiras líderes da comunidade da região. Meus amigos e minhas amigas.
Hoje nós viemos fazer duas coisas importantes aqui em Pernambuco. A primeira delas é que nós fomos inaugurar o embrião de um centro de atendimento nacional da Previdência Social, para ver se a gente consegue acabar com as filas do INSS. Aqui, em Pernambuco, vai ter um centro que começou a funcionar, não na totalidade, mas nós pretendemos chegar a 1.300 meninas e meninos para marcar perícia médica e outros benefícios de todo o território nacional.
Se algum metalúrgico de São Bernardo quiser uma informação, ele vai discar o número 135 e vai receber a informação com uma pernambucana ou um pernambucano dando a informação para ele, do Brasil inteiro. Esse número, 135, será o número pelo qual as pessoas deixarão de ir para a fila, é grátis a ligação, portanto, a pessoa não tem que pegar três, quatro ônibus, não tem que chegar quatro horas da manhã, cinco horas da manhã ou, às vezes, meia-noite, para pegar uma simples informação. Ela vai discar 135, vai ter uma voz bonita, de uma menina ou de um menino, com a maior educação do mundo, dizendo aquilo que se tem direito e como é que se deve proceder para que não se sofra nas filas ou nos pontos de ônibus.
Então, eu vim aqui com o Ministro da Previdência inaugurar esse embrião. E, também, vim em Olinda porque eu devia esta visita à Luciana, porque desde que eu virei presidente da República, eu não tinha vindo a Olinda ainda. Então, é minha primeira visita depois de eleito presidente da República.
E o que eu vim fazer aqui? Vejam, o movimento popular conseguiu, depois da Constituição de 88, dar entrada no primeiro projeto de lei de iniciativa popular. Foram milhões e milhões de assinaturas que o movimento colheu na rua e apresentou o Projeto de Lei no Congresso Nacional, criando o Fundo Nacional de Habitação. Esse Fundo Nacional é para cuidar das pessoas mais pobres. Pois bem, demorou 13 anos. No ano passado, finalmente, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei que garante o Fundo de Habitação Social. Pois bem, nós, então, determinamos 1 bilhão de reais para começar esse Fundo. Esse dinheiro está no Orçamento da União. Bem, como é que nós vamos gastar esse dinheiro? Eu acho que de todas as condições de moradias que nós temos no mundo e no Brasil, a pior qualidade de moradia é aquela das pessoas que moram em palafitas, aquelas que moram em condições quase que subumanas, quase competindo com as valetas podres, com a água podre, competindo com tudo que é coisa que não presta.
Aí, meu querido João Paulo, eu me lembrei de Brasília Teimosa, eu me lembrei que, no dia 10 de janeiro de 2003, quando eu tomei posse, vim visitar Brasília Teimosa, e lá nós fomos visitar pessoas que moravam num quarto 3x3. Ali tinha cama, tinha o banheiro, tinha o fogão para cozinhar, ali nascia criança. Eu falei: não é possível. E começamos um projeto para arrumar Brasília Teimosa, ainda falta muito, mas que Brasília Teimosa ficou bonita, ficou. Agora o povo joga bola à noite, lá naquela praia e tal.
Aí eu venho agora visitar o V-8 e o V-9. Eu fiz questão porque também se a gente não toma cuidado, a assessoria da gente pega a gente no avião e coloca no palanque. E eu quis fazer questão de ir lá ver como é que morava o pessoal no V-8 e no V-9. Fui lá e fui conversar com as mulheres, fui ver como é que elas dormem, fui ver a cama, fui ver o chão batido e fui ver a podridão desse canal que a Luciana, se Deus quiser, vai mudar de nome porque não pode ser mais Canal da Malária. Tem que ter um nome mais bonito.
Uma fedentina muito grande, uma podridão, com crianças morando ali, brincando ali, e quando dá enchente, como a da semana passada, a água entra nas casas das pessoas. Eu quero dizer para vocês que eu sei o que é isso, porque não foram poucas as noites em que eu levantei com água batendo na cama, e ter que tirar a minha mãe de cima da cama, ter que levantar o colchão, naquele tempo nem geladeira tinha, era levantar com água batendo nas canelas, depois a água saía pela janela. A maior enchente que eu peguei foi de um metro e meio de água dentro da minha casa, na Vila São José, em São Caetano. Um metro e meio de água. Era vendo barata passar, rato, fezes, na frente da gente. Somente quem sabe o que é isso é que pode cuidar dessas coisas com um pouco mais de carinho.
Pois bem, eu quero dizer para vocês, então, que nós tomamos a decisão de gastar o dinheiro do Fundo Social de Habitação para enfrentar as palafitas neste país. Essas pessoas que moram nas palafitas têm o direito de deitar e acordar sem medo da enchente, sem medo do rato, sem o mau cheiro de um rio podre ou das fezes passando na porta da casa. As crianças, brincando em esgoto a céu aberto, não é possível! Durante muitos e muitos anos não se investiu em saneamento neste país, porque político, neste país, muitas vezes não gosta de gastar dinheiro em tubo que vai embaixo da terra porque não dá para colocar o nome da mãe, o nome do tio, o nome de um parente para homenagear, e prefere construir ponte e viaduto. E nós achamos que é preciso cuidar da saúde do nosso povo. Cada real que a gente colocar para cuidar de água e saneamento básico, a gente economiza quatro reais na saúde. Aqui tem médico que sabe, tem sanitarista que sabe que a gente gasta muito menos com a saúde se a gente cuidar da água potável, se a gente cuidar do saneamento básico, da coleta de esgoto e do tratamento de água.
Nas casas que eu visitei, eu disse para as mulheres: eu vou voltar aqui sendo presidente ou não sendo presidente, mas eu vou voltar aqui, porque eu quero sentir a alegria dessas pessoas quando não estiverem mais indo dormir com medo de acordar com a água batendo no pé da cama.
Agora, eu queria pedir aos prefeitos, sobretudo você Luciana, João Paulo e os prefeitos, eu queria pedir a assessoria de vocês ao ministro Márcio, à Caixa Econômica. Muitas vezes a gente libera um dinheiro e a gente pensa que a obra já começou. E às vezes a gente passa três meses e a obra não começa. É uma tal de burocracia para cá, burocracia para lá, projeto para lá.
Deixa eu contar uma coisa para vocês, Prefeitos. Quando nós disponibilizamos 884 milhões de reais, eu pedi para o Márcio: Márcio, eu quero que você convoque todos os prefeitos que têm projeto, tem que ter projeto pronto, projeto para ser executado um mês depois. A grande maioria das prefeituras não tem projeto pronto. Então, às vezes, a gente libera o dinheiro, aí vai fazer o projeto, demora quatro meses, aí vai fazer licitação, demora mais quatro meses e passa um ano, o dinheiro desaparece e a obra não acontece.
Então, eu queria, gente, que nós prestássemos atenção, a gente olhasse na cara dessas mulheres e desses homens que estão aqui, são pessoas pobres, são pessoas que tinham o direito de estar protestando contra nós e são pessoas que estão, aqui, aplaudindo, porque têm esperança de que as coisas vão melhorar. E a gente não pode abusar da boa fé e da crença desse povo a vida inteira. Por isso, eu queria pedir aos meus amigos prefeitos, eu aqui não perguntei se o prefeito era do PMDB, do PT, do PL, do PCdoB, para mim não importa a cara do prefeito, importa a cara do povo daquela cidade porque é aí que a gente vai cuidar com muito carinho.
Então, Márcio, eu queria que você acompanhasse como se fosse a casa da tua mãe que estivesse sendo feita, como se fosse a casa da tua filha. Acompanhasse para a gente ver essas coisas funcionarem, porque se essas coisas funcionarem, a gente vai perceber que o dinheiro vai render mais, a gente vai perceber que o povo vai ter mais saúde, vai ter mais condições de vida e a gente vai, então, saber que vale a pena governar.
Por isso é que eu vim a Pernambuco hoje. Diferentemente daqui, hoje é feriado em todo o Brasil, porque ontem foi feriado, vocês trocaram pelo São João, mas no Brasil inteiro a gente comemorou ontem o feriado. Então, eu fiz questão de vir aqui, nesta sexta-feira, larguei minha família em casa e disse: eu vou lá, porque acabar com as palafitas é um sonho, é um desejo, e nós vamos concretizá-lo. São 884 milhões para a gente fazer isso.
E agora, João Paulo, nós apanhamos em Brasília Teimosa, demorou muito e eu sei que as coisas são assim, mas nós precisamos não deixar demorar mais. A gente agora tem que tentar derrubar os obstáculos, as burocracias, porque é uma desgraça.
Eu quero terminar dizendo a vocês que nós estamos vivendo um momento especial no Brasil. Esta semana, João Paulo, as manchetes dos jornais eram de que a distribuição de renda para os pobres era maior do que o PIB chinês, porque pela primeira vez esse povo está comendo, os pobres estão tomando café, almoçando e jantando.
Pela primeira vez o povo está percebendo que as coisas nos supermercados estão mais baratas, as pessoas estão percebendo que até material de construção está mais barato, as pessoas estão começando a perceber que o Brasil está chegando a eles, o Brasil não é apenas para quem vive em Brasília, para quem vive no centro de Recife ou no centro do Rio de Janeiro ou no centro de São Paulo, o Brasil tem que ser para as mulheres pobres e para os homens pobres deste país, as crianças, sobretudo os filhos dos pobres, que têm direito à escola e vocês estão percebendo que, por conta disso, tem gente nervosa.
Todo dia aparece alguém para me agredir. Possivelmente porque essas pessoas estão perguntando assim: "puxa vida, nós estamos governando o país desde que Cabral pôs os pés aqui e nós não conseguimos fazer, porque esse metalúrgico está fazendo?" Esse metalúrgico está fazendo porque tem uma coisa que eles não têm, esse metalúrgico tem caráter, esse metalúrgico só é o que é, não é pela quantidade de diplomas que tem ou pelo apoio da elite política brasileira, é pelo sentimento e pela alma do povo deste país. A eles, que vivem transmitindo ódio todo dia, a eles que vivem transmitindo inveja e preconceito todo dia, eu não quero dedicar um minuto, mas certamente quero dedicar a vida inteira para ajudar o povo pobre deste país a viver com dignidade e a viver com decência.
As respostas que nós temos que dar para esses que transmitem ódio todo dia é transmitir mais carinho, é trabalhar mais, é a gente mostrar mais amor com o povo deste país, é a gente mostrar mais alegria, porque, na verdade, o que eles estão torcendo é que a gente fique nervoso e faça o jogo rasteiro que estão fazendo. E eu não vou fazer porque o povo não merece isso, o povo merece respeito, o povo merece ser tratado com dignidade, e é por isso que eu estou aqui hoje.Onde eles estão? Eu estou aqui no meio de vocês.
Muito obrigado, que Deus abençoe cada um de vocês.
fonte: www.info.planalto.gov.br
