Discurso do Presidente Lula: inauguração do Açude Arneiroz II

 

Arneiroz-CE, 25 de novembro de 2005

Boa tarde. Eu, na verdade... Acho que todo mundo, aqui, gostaria que antes de terminar esse ato, aqui, chovesse para encher logo o Açude, para a gente saber se a obra do Ciro está realmente forte, aí, e vai agüentar a água que nós precisamos.

Eu quero cumprimentar o governador Lúcio Alcântara. Quero cumprimentar o meu companheiro Ciro Gomes, ministro da Integração Quero cumprimentar a senadora Patrícia Sabóia, Quero cumprimentar os deputados federais Eunício Oliveira, Inácio Arruda e José Pimentel,
Quero cumprimentar o deputado estadual Marcos Cals, presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, Quero cumprimentar o Ednardo Rodrigues, secretário de estado dos Recursos Hídricos, Quero cumprimentar o senhor John Briscoe, representante do Banco Mundial, Quero cumprimentar as deputadas e os deputados estaduais Domingos Filho, Idemar Cito, Sávio Pontes, Sineval Roque e Zemaria Pimenta, o deputado Guimarães, Quero cumprimentar os prefeitos, aqui, prefeitos e prefeitas - eu estou com duas folhas de prefeitos, aqui, vou ver se eu falo o nome de todo mundo, para que ninguém saia daqui dizendo: "o Presidente esqueceu de mim".

Antônio Almeida Neto, de Acopiara, Francisco Carlos Macedo Tavares, de Aurora, Francisco Valdecy Soares Coelho, de Novo Oriente, Francisco Vieira Costa, de Quiterianópolis, Gabriel de Mesquita Facundo, de Jucás, Genecias Mateus Noronha, de Parambu, José Ilário Gonçalves Marques, de Quixadá, Jefferson Paes de Andrade Rodrigues, de Catarina.

Só você que não trouxe gente aqui - cadê o Ilário? José Almir Claudino Sales, de Crateús, José Jeová Souto Mota, de Tamboril, José Ney Leal Petrola, de Arneiroz, José Valdi Coutinho, de Independência, Patrícia Gomes de Aguiar, de Tauá, Pedro Leandro Neto, de Cariús e Ramilson Araújo Moraes, de Aiuaba, Senhor Cid Gomes, ex-prefeito de Sobral, presidente do PSB, Senhor Leonardo Alves de Araújo, presidente da Câmara Municipal de Arneiroz, Senhor Francisco de Assis Diniz, presidente da Central Única dos Trabalhadores - e quero aproveitar, aqui, porque morreu, no dia 24 de abril, o ex-prefeito Antônio de Tonico, sogro do nosso presidente da CUT

Quero cumprimentar o Dario de Queiroz Galvão Filho, que é o homem responsável pela engenharia dessa obra. Quero cumprimentar os vereadores. Quero cumprimentar as mulheres e os homens do Nordeste brasileiro

Bem, vocês não tiveram tempo de ver televisão, não sei se viram, hoje de manhã, alguma entrevista do Ciro, porque ele veio ontem para cumprir essa tarefa. Mas eu acho que, hoje, o Ceará está dando um passo extremamente importante para garantir ao povo do Ceará mais justiça social, mais desenvolvimento, mais emprego e melhoria das condições de vida do povo deste estado.

Hoje, lá na sede do BNB, nós fizemos os acordos e os protocolos para, finalmente, construir a Ferrovia Transnordestina que vai ligar o Porto de Pecém ao Porto de Suape, que vai até o estado do Piauí e, quem sabe, logo, logo, com ramais para a Paraíba e outros estados, para que a gente possa desenvolver o Nordeste brasileiro, dando condições de desenvolvimento.

Também foi assinado o Protocolo entre o governo do estado e a Petrobras e empresários de empresas multinacionais, para que a gente possa construir, finalmente, o Pólo Siderúrgico do estado do Ceará, que vai gerar muito desenvolvimento para o estado. E, também, em janeiro, a Petrobras vai começar a construir o Gasene, que liga do Espírito Santo a todo o Nordeste brasileiro, para que o gás produza a energia que precisa para que a Siderúrgica possa funcionar corretamente.

E, agora, estamos aqui, na beira de um açude, ainda não tão cheio. E nós achamos que Deus quis que ele primeiro ficasse pronto para que chovesse uma chuva torrencial, para que encha logo.

Estamos aqui, olhando na cara de cada homem, de cada mulher e imaginando como poderá ser a vida de vocês a partir de agora, porque esse açude, ele vai, daqui para a frente, tornar o Rio Jaguaribe perene até Tauá. Significa que a gente vai ter... (falha no áudio) ...problema com água. Significa que a gente, agora, tem a certeza de que, embora o Ciro Gomes tenha saído daqui para ir trabalhar em Brasília, ele não esqueceu a sua gente, não esqueceu o seu estado e muito menos esqueceu o Nordeste brasileiro.

Eu, que sou nordestino, que fui para São Paulo muito cedo, eu sei quantas vezes nós somos vítimas de preconceito por este Brasil afora. Eu sei, muitas vezes, como as pessoas não reconhecem aquilo que nós sabemos fazer, aquilo que nós temos competência. E por isso nós tomamos a decisão, também, de fazer com que a água do rio São Francisco possa contribuir para perenizar o rio Jaguaribe, para perenizar os açudes, e para resolver, definitivamente, o problema de água no semi-árido nordestino.

Vocês estão sabendo que o ministro Ciro Gomes tem sido às vezes atacado na defesa do projeto da Transposição do rio São Francisco, e é importante que o povo do Ceará, onde estiver, diga claramente que nós estamos apenas tirando 1% da água do rio São Francisco para atender 12 milhões de nordestinos que têm o direito de sobreviver dignamente. E estamos fazendo isso, porque sabemos o sacrifício da seca, porque sabemos o sacrifício das pessoas que têm que andar léguas e léguas com um pote d'água na cabeça; sabemos o sacrifício de pessoas que têm que, às vezes, tomar água barrenta, com caramujo e com tudo, pegando doenças e mais doenças, crianças morrendo antes de se tornarem adolescentes porque a fome, a doença e a falta de trato não permitem, e eu acho que nós temos que olhar para essa parte do Brasil.

Tem uma parte do Brasil que sabe se cuidar sozinha. O Ciro conhece bem. O povo da avenida Copacabana sabe se cuidar, o povo da avenida Paulista sabe se cuidar, o povo da rua da Praia, em Fortaleza, sabe se cuidar, no Rio Grande do Sul... Está cheio de lugares em que o povo não precisa mais do governo. Agora, onde o povo precisa do governo é que, muitas vezes, o governo não aparece, porque é longe. Se todo governante brasileiro, antes de tomar posse - porque na campanha não vale, viu Lúcio? Na campanha um candidato não vê nada porque ele desce no aeroporto, entra no carro, vai para o palanque, sai do palanque, volta para o aeroporto, ele não vê nada - mas, se todo governante, antes de tomar posse, desse uma andada pelo Brasil, tivesse contato com a realidade brasileira e viesse, sobretudo, ao Nordeste e ao semi-árido...

Porque tem muita gente que é contra a transposição do São Francisco porque tem água encanada na sua casa, porque tem água na geladeira, porque não tem sacrifício para nada. É muito cômodo ser contra. Agora, se essa gente viesse aqui para saber como é que vive o povo do semi-árido, certamente essa gente deixaria de ser contra.

Eu estou convencido de que o Nordeste brasileiro entrou em um ciclo de desenvolvimento que não vai ter mais parada. Eu estou muito otimista com o Programa do Biodiesel, que vai produzir biodiesel para misturar no óleo diesel, e será produzido da mamona, sobretudo para ajudar a parte mais pobre do país. E eu não tenho dúvida de que nós vamos gerar milhares e milhares de empregos para ajudar as pessoas mais necessitadas. Estou sabendo, inclusive, que a Petrobras, depois do leilão agora, vai fazer uma usina de biodiesel na cidade de Quixadá, e nós queremos fazer - em Tauá também vai ter uma - e nós queremos fazer em muitas cidades, porque para cada trabalhador de uma usina, Patrícia, para cada trabalhador da usina vai precisar de homens no campo, plantando mamona.

Então, vai possibilitar a geração de empregos. Nós, na Lei, obrigamos que o empresário que contratar o trabalho do agricultor familiar vai ter um desconto, um subsídio nos impostos que ele tem que pagar, para que a gente possa fazer do Programa, não apenas um programa para encher o tanque de um carro de biodiesel, mas para encher a casa do povo brasileiro de comida, para encher a casa do povo brasileiro daquilo que ele mais necessita.

Por isso o dia de hoje é especial para mim. Especial por voltar ao meu Nordeste, voltar a uma região em um momento de seca, porque esta paisagem eu conheço muito bem, e acho que todo mundo deveria passar por aqui, porque normalmente as pessoas querem viajar, vão para Miami, vão para Paris, vão para Londres... Eu acho que tudo bem, mas poderiam passar um pouquinho aqui para ver como é que as pessoas vivem nesta região.

Então eu acho que, se a gente tivesse que ficar escolhendo heróis no Brasil, eu acho que a gente deveria escolher o povo do semi-árido nordestino como herói, porque uma mulher e um homem que resolvem... nascem, crescem, casam, constroem família aqui, uma parte do tempo choram por causa da seca, outra parte choram quando chove demais.

Mas uma coisa é importante: no nosso governo, nós sabemos que aquelas famosas frentes de trabalho em que o trabalhador fingia que colocava uma coisa no lugar, depois tinha que tirar, acabou, porque nós estamos comprando os produtos dos pequenos produtores, porque estamos comprando leite, porque temos o Bolsa Família, porque temos o Pronaf que, finalmente, chegou ao Nordeste.

Noventa por cento do Pronaf era para o Sul do país, para Rio Grande do Sul, não chegava nem ao Paraná, Ciro. Era Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ficavam com 90% do dinheiro do Pronaf. Este ano o dinheiro do Pronaf saiu de 2 bilhões e 400, em 2003, para 6 bilhões e 200, em 2005, e para 9 bilhões no próximo ano.

Então, nós estamos fazendo com que o dinheiro chegue ao pequeno produtor, que ele possa ser tratado com decência, produzir e, no Programa, a gente incluiu também a mulher, porque a mulher pode, agora, fazer o seu empréstimo, fazer a sua lavoura, independentemente do seu marido.

Vocês sabem que, no programa Bolsa Família, uma coisa importante, Lúcio, é garantir que a mulher receba o cartão. Porque a mulher - eu sou casado há 31 anos - por mais responsável que nós sejamos, a mulher sempre é um pouquinho mais responsável do que nós. Às vezes o cidadão pega o dinheirinho, ele tem vontade de tomar uma cerveja, mas a mulher, eu duvido que deixe de levar comida para os seus filhos, eu duvido que ela deixe de levar as coisas para casa.

Este Brasil, nós vamos construí-lo como nós estamos aqui, em parcerias: governo federal, governo estadual, prefeitos, tendo o apoio de deputados, independentemente do partido que sejam. Tem hora em que a gente briga, tem hora em que a gente disputa eleição, tem hora em que a gente xinga um ao outro, mas tem hora em que o Brasil e o povo merecem o nosso respeito e têm que estar acima de qualquer divergência que a gente possa ter.

Então, prestem atenção, a transposição das águas do rio São Francisco, a Siderúrgica do estado do Ceará, a Transnordestina, o Programa Biodiesel, este açude agora, e o açude Várzea da Raposa, que foi recuperado, parece que teve problemas também, parece que o Incra recuperou, essas são obras que vão mudando a cara da cidade em que vocês moram, mudando a cara do estado e mudando a cara do Brasil.

Eu tenho fé em Deus que, antes de morrer, eu ainda quero ver o Nordeste brasileiro tão desenvolvido quanto qualquer outra região do nosso país. Ainda quero ver, porque não é possível que o Nordeste não tenha a sua vez. E eu acho que nós estamos construindo isso. Vocês, porque acreditam, porque batalham, porque reivindicam.

Os prefeitos sabem que aumentou a transferência de renda do governo federal para os prefeitos, temos tratado todo mundo em igualdade de condições. A mim não interessa saber qual é o partido de que o prefeito é, que o deputado é, não interessa. O Lúcio é do PSDB e sabe da relação honesta que nós temos, da relação leal, e é assim que a gente constrói o Brasil. Hora da disputa é a hora da eleição. Isso é que nem jogo de futebol, vale empurrar, vale falta, vale tudo. Acabou o jogo, a gente volta a ser amigo e vamos pensar no país. Este momento é o momento de pensar no Brasil.

Hoje, na hora que eu, o Ciro e outros companheiros sairmos daqui, pegarmos esse helicóptero, pegarmos o avião em Juazeiro e formos para Brasília, a gente sai daqui com uma convicção: daqui a alguns anos nós voltaremos e terá mudado muito, e muito, a cara do nosso Nordeste brasileiro.

Quero, por fim, dizer a vocês que eu sou agradecido ao estado do Ceará por ter me dado um ministro da qualidade do Ciro Gomes, que tem ajudado, de forma extraordinária. Nos momentos mais difíceis, nos momentos mais complicados, o Ciro tem sido um companheiro de primeira hora, que não mede sacrifício, não enjeita debate, não enjeita nenhuma tarefa que seja dada para ele. E ele sabe que uma das obrigações dele, como ministro do nosso governo, é utilizar tudo o que a gente puder utilizar, enquanto governo federal, para que a gente possa melhorar, cada vez mais, o Nordeste brasileiro.

Muito obrigado, gente. Que Deus abençoe todos vocês. E eu espero que este açude encha logo, e espero que vocês possam tirar proveito. Porque, Prefeito, certamente a gente vai ter que, um dia, utilizar essa água para plantar coisas para o povo pobre aí, na região. Viu?

O Ciro está dizendo que já tem água para um ano. Mas nós não queremos só para um ano, nós queremos para uns 10 anos, pelo menos, aqui, para não ter problema de água.

Gente, muito obrigado. E, se Deus quiser, podem ter certeza de que o Nordeste brasileiro deixou de ser esquecido pelo governo federal. Pela primeira vez, a gente consegue ter um Presidente da República, não apenas pelo fato de ser nordestino, é porque é um Presidente da República que conhece na carne o que passa a parte mais pobre do Nordeste brasileiro. E eu não acho isso justo, portanto, nós vamos mudar.

Eu quero que os prefeitos saibam, quem tiver as suas reivindicações, não tenham vergonha de colocar no papel e entregar para o governador, entregar para o deputado, entregar para o Ciro que, na medida do possível, nós vamos atendendo, porque nós queremos ser parceiros nesta empreitada.

Adeus.

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