Campo Florido, MG, 19 de fevereiro de 2004
Meu querido companheiro José Alencar, vice-presidente da República,
Meu querido companheiro Aécio Neves, governador do estado de Minas Gerais,
Meu querido companheiro Anderson Adauto, ministro de Estado dos Transportes,
Meu companheiro Patrus, companheiro ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Meu companheiro Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário, que vai junto comigo visitar o acampamento em Campo Florido,
Meu companheiro Clésio Andrade, vice-governador de Minas Gerais,
Meu caro Ronaldo Cássio Bernardes, prefeito de Campo Florido,
Demais prefeitos aqui presentes. Estou vendo aqui meu companheiro Zaire, prefeito de Uberlândia,
Deputados federais, deputados estaduais, vereadores,
Meus companheiros e minhas companheiras,
Eu não vou falar muito, mas eu quero dizer para vocês da minha alegria de voltar a essa região. Eu, há dez anos atrás, estive aqui visitando um acampamento dos sem-terra, em Campo Florido. Disse a eles que um dia voltaria como presidente da República. E estou voltando como presidente da República.
Eu penso que, dificilmente, um presidente da República, lá de Brasília, tenha dimensão da importância de um trecho de estrada. São 36 quilômetros, que custam apenas 8 milhões e meio de reais, numa parceria entre Governo Federal e Governo Estadual. E porque é que, dificilmente, um presidente da República veria isso? É porque muitas vezes, os projetos que se apresenta na mão do presidente da República são os de infra-estrutura, grandes, do país. Não são as pequenas coisas que, muitas vezes, tem uma importância excepcional mas que, normalmente, as pessoas que reivindicam não têm acesso a quem deveriam ter, para que essa obra tenha prioridade.
Eu confesso a vocês que eu jamais imaginei que uma obra, aqui no Triângulo Mineiro, de apenas 36 quilômetros, no valor de 8 milhões e meio de reais, pudesse ter a importância que eu percebi ter, no discurso de todos os companheiros que me antecederam, e no discurso e nas conversas que eu tive com as pessoas aqui, atrás dos bastidores.
Isso demonstra claramente que um dos grandes e graves problemas do nosso país é procurarmos apenas coisas difíceis para fazer. Muitas vezes as soluções de um problema para uma região extraordinariamente produtiva como essa está em fazer a complementaridade rodoviária com um trecho de apenas 36 quilômetros. Segundo o meu ministro dos Transportes, só ele, em 16 anos como deputado, vem brigando desde o primeiro dia de sua posse por isso, até quando virou ministro, e somente agora pôde concretizar um sonho do povo de Campo Florido e do povo dessa região.
Eu tenho, ao longo desses 14 meses, descoberto uma coisa interessante. Quando nós somos guindados a um posto de presidente da República, que é o posto mais importante que um ser humano pode exercer num país, ou quando nós somos guindados a um cargo de governador de estado, que é o cargo mais importante dentro do estado. Nós não temos mais o direito de ficar olhando as cores das bandeiras dos partidos a que pertencemos e tampouco temos o direito de tratar algumas pessoas melhores que as outras.
Eu fico sempre comparando o exercício do cargo de Presidente com as coisas mais simples que um povo entende; muitas vezes - no Brasil era assim há um tempo atrás - toda vez que um casal casava e ia ter um filho, normalmente o desejo do marido era que o filho fosse homem, e tinha gente que ficava zangado, se não fosse homem; a mulher, mais contida, muitas vezes queria uma filha mulher, mas não falava tal era o desejo do marido de querer um filho homem.
Pois bem, quando a gente tem os nossos filhos, a gente não quer saber se é homem ou se é mulher, se ele tem os olhos verdes ou azuis, se ele tem um metro e noventa ou um metro e cinqüenta, se ele é gordo ou é magro, se ele é um aluno bom na escola ou não é. Nós os tratamos de forma igual, porque são os nossos filhos e temos obrigações com eles.
O cargo de Presidente da República obriga o presidente da República a agir como se fosse uma espécie de pai que não tem direito de gostar mais de um do que de outros; que não tem direito de fazer mais para um do que para outros. Nós temos que fazer aquilo que é possível na medida do possível, em função das necessidades e das prioridades de cada região do nosso país.
O companheiro Anderson, quando foi convidado para ser ministro do Transportes, se deparou com uma espécie de catástrofe no Ministério. Eu não preciso dizer o que era, porque a imprensa falava fartamente.
Pois bem, para que nós pudéssemos amenizar o sofrimento daqueles que precisam das estradas - não só para os que transportam as riquezas produzidas pelo Brasil, mas também para os que não transportam, mas que consomem - ao invés de usarmos o dinheiro para gastar em coisas novas, nós dedicamos grande parte dos recursos que tínhamos para recuperarmos, em 13 meses, praticamente 38 mil km de estradas neste país, de 58 mil km que estavam totalmente deterioradas.
E fazer a recuperação não era fazer uma estrada nova; muitas vezes, era tapar um buraco para que o caminhoneiro não quebrasse a ponta de eixo do seu caminhão ou não estourasse o pneu. Era fazer aquilo que qualquer um deveria saber que precisava ser feito, porque o grande problema do Brasil é que nós temos uma malha viária onde se gastou, ao longo dos anos, mais de 150 bilhões de dólares, e essa malha não teve a manutenção correta. Vocês sabem que se não se faz manutenção, a casa se deteriora, um aparelho de som se deteriora, o carro se deteriora. As estradas também se deterioram.
Então, é preciso que haja o cuidado de, antes de se gastar dinheiro em coisas novas, colocar o que já existe para funcionar, e tem muita coisa que precisa funcionar, no nosso país.
É por isso que eu estou aqui. Não é habitual um Presidente da República participar da inauguração de uma rodovia de apenas 36 km, que gastou apenas 8 milhões e meio. Não é habitual.
No Brasil, de acordo com a cultura brasileira, presidente da República só participa de coisas importantes; mas, importantes para quem? Essa rodovia, embora seja de apenas 36 km, estava sendo reivindicada por vocês há 20 anos - há 20 anos eu nem estava pensando, ainda, em ser presidente da República, eu não tinha nem noção; o Aécio nem pensava em ser deputado federal; o José Alencar nem pensava deixar a Coteminas; o Anderson nem pensava em ser ministro - e vocês já brigavam por esta estrada.
Então, esta estrada não é uma obra do Anderson, ou do presidente da República, ou do governador do Estado; esta obra é o resultado da perseverança de vocês que, durante todos esses anos, não esqueceram de transformar esses 36 km num pedaço de chão importante para dar vazão à riqueza, e há muita riqueza que vocês produzem nessa parte abençoada por Deus, que é uma das regiões mais ricas do nosso país.
Portanto meu caro, eu quero dizer ao companheiro Anderson que não vou fazer o meu discurso por escrito com todos os números de estradas e rodovias que estamos fazendo por este país.
Nós viemos a Minas Gerais inaugurar a ponte de Porto Alencastro, que começou a ser feita no governo Fernando Henrique Cardoso. Faltavam apenas 5% para acabar e eu não sei porque ficou tantos anos paralisada, se faltavam apenas 5%.
Possivelmente, o ministro dos Transportes, na época, não queria que o presidente Fernando Henrique Cardoso viesse inaugurar, porque ninguém pode deixar uma obra com apenas 5% sem acabar. Se faltassem 50%, vá lá, mas 5%! Isso significa que tinha sido feito tudo, e não se inaugurou a obra. Nós anunciamos, hoje, uma ordem de serviço no montante de 40 milhões de reais para retomar a duplicação, para construções, obras na rodovia BR-050, que é a estrada mais importante que passa por Uberaba, cortando o Triângulo Mineiro.
Uma das obras já está em andamento. Trata-se do moderno trevo, verdadeiro complexo viário, no entroncamento entre a BR-050 e a BR-262, na entrada do Jardim Maracanã, em Uberaba. As outras incluem pontes e viadutos, bem como obras de terraplanagem para duplicação de um trecho de 137 quilômetros, da BR 150, entre a divisa de Minas Gerais e São Paulo. Cerca de 60% do percurso já foi duplicado.
Bem, a BR 050, integra uma das rotas de desenvolvimento mais importantes do país, ao ligar o Triângulo Mineiro à capital paulista, passando por Ribeirão Preto e Campinas, locais onde grande parte da produção transportada, café, pecuária de corte, leite, fruticultura e grãos, é consumida ou segue para ser exportada.
Essa rota também é importante para o deslocamento de passageiros por terra, interligando a capital e o interior de São Paulo aos estados da região Centro-Oeste, Minas Gerais e Distrito Federal.
Quero só terminar dizendo a vocês o seguinte: o nosso companheiro Anderson Adauto, quando foi convidado por mim, ele me disse: "Presidente, essa é uma área extremamente complicada, porque é uma área que tem muitas denúncias." Eu falei para o companheiro Anderson: é exatamente por isso que eu estou convidando Vossa Excelência para ser ministro dos Transportes.
Primeiro, porque é preciso moralizar essa área, que é uma área muito vulnerável e que utiliza muito dinheiro.
Segundo, é preciso instituir, no Brasil, as parcerias que o Aécio Neves falou aqui, que o Anderson falou, porque aquilo que o estado não pode fazer, o estado precisa fazer em parceria com quem pode fazer, para que a gente possa concluir determinadas obras que, historicamente, são reivindicadas pelo povo brasileiro. Mas entra governo, sai governo, e essas obras não acontecem nunca. Por quê? Porque cada governo define a sua prioridade, cada governo quer deixar a sua placa, quer deixar a sua marca. E eu penso que, como nós somos numa nova geração de governo, meu caro governador, a única placa que nós queremos deixar é a placa de que "o país ganhou", com a nossa passagem pelo Brasil e pelo estado de Minas Gerais.
Muito obrigado. Boa sorte a vocês e meus parabéns, companheiro Anderson Adauto.
fonte: www.info.planalto.gov.br
