Santo André-SP, 02 de dezembro de 2005
Meus queridos e queridas companheiros e companheiras do ABC. Meu querido companheiro Fernando Haddad, ministro da Educação. Meu querido Marinho, ministro do Trabalho. Meu querido companheiro Hélio Costa, ministro das Comunicações. Senador Aloizio Mercadante, que foi o relator deste projeto no Senado Federal. Nosso querido companheiro - e, eu digo, sempre companheiro - Jamil Murad. Nosso querido companheiro professor Luizinho
Nosso querido companheiro Vicentinho Nossos queridos companheiros e companheiras deputados estaduais Nossa queria Ana do Carmo aqui presente Companheiro Mário Reale Companheiro Donizete. Meu querido companheiro João Avamileno, prefeito de Santo André. Minha querida companheira Cleuza Repulho, secretária de Educação e Formação Profissional de Santo André. Meu caro Luiz Zacarias, presidente da Câmara dos Vereadores de Santo André. Prefeito Elói - eu não sabia que você se chamava Alfredo - Elói Pietá, de Guarulhos. Meu caro José de Filippi, prefeito de Diadema. Eu já falei do Jamil Murad, foi o primeiro.
Eu vou, aqui, chamar a atenção do seguinte, olhe: não é fácil a gente fazer um reitor, alguém chegar a ser reitor, reitor é uma coisa importante. Eu vi aqui, todo mundo tratando, porque o companheiro Hermano, o reitor, daqui para a frente, a gente tem que chamá-lo "magnífico reitor", este é o tratamento que a gente dá a um reitor, é Magnífico Reitor Hermano de Medeiros Ferreira Tavares, reitor pró-tempore da Universidade Federal do ABC
Meu caro José Custódio, coordenador nacional do MSU
Companheiros da União da Juventude Socialista, que estão aqui com as suas faixas
Eu penso que o que menos necessitamos aqui, neste momento, é de discurso, e quero dizer algumas coisas que eu penso sobre o que estamos fazendo aqui, hoje.
O nosso Ministro da Educação já disse que nós temos um plano muito forte para recuperar o tempo perdido das universidades brasileiras, sobretudo nas públicas. Muito forte. Eu penso que... Companheiro Gilson, tudo bem? Chicotão, tudo bem? Chicotinho, tudo bem? Meneguelli, tudo bem?
Eu penso que os nossos deputados, os nossos companheiros, ligados à área da educação, ao longo do tempo vão explicar para a sociedade brasileira - Ô, Zé Ferreira - vão explicar para a sociedade brasileira o que está acontecendo no Brasil quando tratamos de universidade.
Vocês sabem que nós estamos, como já foi dito aqui, fazendo quatro universidades federais novas: esta do ABC, a de Dourados, no Mato Grosso do Sul, a do Recôncavo Baiano, na Bahia, e a dos Pampas, no Rio Grande do Sul. Além disso, nós estamos fazendo 32 extensões universitárias, agora 33 com Guarulhos, que nos cedeu um prédio para a gente fazer uma extensão lá.
Estamos fazendo 32 extensões. O que é isso? É pegar uma universidade federal, como a de São Carlos, por exemplo, pegar alguns cursos daquela universidade, e levá-los para cidades que não têm universidade. E, normalmente, levar para as cidades pobres do Brasil. Agora mesmo eu fui a Teófilo Otoni, que é uma região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais, uma região muito pobre, eu fui lá anunciar, junto com Fernando Haddad, a extensão da Universidade Federal de Diamantina para Teófilo Otoni. E vamos a todos os estados brasileiros fazer isso.
Então, vejam, são quatro novas, 32 extensões, dessas 32... não, 33, porque entrou Guarulhos - dessas 33, cinco já são faculdades que nós iremos transformar em universidades. Se a gente juntar tudo isso que estamos falando, mais o ProUni, que foi uma criatividade extraordinária do nosso Ministério da Educação, Fernando Haddad, e o ministro era o Tarso Genro, nós, a troco de alguns impostos que deixamos de cobrar, criamos as condições para que 112 mil jovens entrassem na universidade brasileira.
Qual é o fato importante disso? É que, desses 112 mil jovens, a preferência foi por estudantes saídos da escola pública da periferia deste país. E o que é mais importante é que nós tivemos 38 mil jovens de origem negra, afrodescendentes, entrando na universidade por conta do ProUni. Eu queria até pedir aos professores, aos reitores... se, em algum momento na história do Brasil, se em algum momento, nós tivemos, de uma única vez, 38 mil jovens, mulheres e homens negros entrando na universidade brasileira.
Além disso, 1.200 indígenas também entraram na universidade. E nós não conseguiríamos fazer isso se não fosse a participação da sociedade, a participação da UNE, que foi muito forte, para ajudar a gente a construir. Vejam, enquanto nós não construirmos todas as universidades públicas que precisamos, nós temos que ter criatividade, ir criando oportunidades para que mais jovens possam estudar. Por isso, ainda este ano, o nosso Ministro da Educação já recebeu a determinação, já tem, na próxima semana, um encontro de vários ministros para produzir uma nova proposta para que a gente possa anunciar ao Brasil mais vagas para alunos na universidade deste país, pública ou privada. Se for pública, é de graça, se for privada, nós temos que dar bolsa para que os alunos possam estudar neste país.
O que é importante salientar para vocês é que não estamos pensando apenas nas universidades. Estamos pensando na escola técnica, porque o Brasil não pode ter um cidadão que não tem profissão e um engenheiro. É preciso ter o intermediário nesse meio de campo. Isso é que nem um jogador de meio campo, se não tiver a ligação entre o lateral direito e o ponta esquerda, não funciona. Então, é preciso escola técnica. E por isso, também, tomamos a determinação, já anunciada pelo nosso Ministro, de que estamos começando 32 escolas técnicas novas no Brasil, de preferência distribuída pelas regiões do Brasil, para não concentrar tudo em apenas um lugar.
O que isso vai permitir que aconteça no Brasil? Isso vai permitir que, em quatro anos, a gente possa ter criado 760 mil novas vagas para jovens estudarem neste país. Isso, possivelmente, seja mais do que tudo que foi criado nos últimos 30 anos.
Mas o mais importante é que eu quero chamar a atenção dos estudantes para uma coisa importante, já falei com o Ministro. Eu desconfio que nós não estamos preenchendo todas as vagas nas universidades federais já existentes. Eu me lembro que o ano passado, ou melhor, eu me lembro que em 2003 houve um movimento muito forte no Paraná, porque um sindicalista, preocupado porque o filho dele não conseguia estudar, fez um movimento e descobriu que tinha muitas vagas disponíveis e que havia uma decisão, naquela universidade, de que: "não se pode colocar mais alunos, porque vai cansar o professor, porque não sei das contas", e ficava lá as cadeiras vazias, horários disponíveis sem que os alunos pudessem estudar.
Eu acho que a situação da educação no Brasil é tão importante que, Fernando Haddad, nós precisamos fazer uma operação pente fino, fazer uma espécie de blitz, para a gente não deixar um único horário disponível e uma única cadeira sem um aluno estudando na universidade. Para isso, o Fernando Haddad disse: "na próxima quarta-feira nós vamos decidir abrir concurso para mais 4 mil professores para preencher as vagas que nós estamos criando". E, além disso, por trás dos professores vêm mais funcionários administrativos, e as cidades que receberem as universidades vão receber desenvolvimento porque, quando tem uma faculdade na cidade, vai empresa para lá, tem mão-de-obra qualificada, vai hotel, vai professor, vai pesquisador, e nós, então, queremos dar ao Brasil o status, não de um país exportador de soja ou exportador de minério de ferro, nós queremos dar ao Brasil, daqui a alguns anos, o status de um país que exporta tudo, mas o maior valor agregado que nós vamos exportar é a inteligência do povo brasileiro para poder produzir, lá fora, aquilo que nós sabemos produzir.
Por isso, meus companheiros, eu não vou falar de dinheiro aqui, porque tem muita coisa para falar, tem muitas folhas, eu vou deixar para lá e vou dizer o seguinte: eu acho que nós precisamos fazer uma combinação entre os investimentos entre o ensino médio e o ensino universitário com o ensino fundamental. Eu tenho demonstrado essa preocupação ao nosso Ministro, acho que o povo brasileiro inteiro, se perguntar para cada um de vocês, se perguntar para cada jornalista, se perguntar para cada empresário, todo mundo vai dizer o seguinte: o que nós queremos é uma educação de qualidade no Brasil. Para a gente ter educação de qualidade é preciso, na verdade, que os professores tenham uma remuneração justa, é preciso que haja uma remuneração adequada para os professores brasileiros. Ao mesmo tempo, é preciso que essa política de adequação salarial que a gente não pode fazer num único mandato, ou em dois mandatos, ou em três mandatos, que quem vier, o que não foi feito em 20 anos, tem que estar combinada com a melhoria da qualidade da educação no ensino fundamental. Porque no Brasil, nós temos uma deficiência que eu queria relatar para vocês, aqui. No Brasil houve um tempo em que os professores reclamavam das condições de trabalho. Ao invés de melhorar as condições de trabalho, reduziu-se o tempo de aposentadoria dos professores que, certamente, prefeririam ter uma melhoria no serviço que eles prestam.
Houve um tempo no Brasil em que se começou a detectar que tinha muita criança que repetia, repetia um ano, dois anos, três anos, quatro anos. Daí, sabe o que se inventou? Não precisa mais fazer prova, agora vai ser o chamado ensino continuado, é isso, Fernando? Hein? Progressão automática. Então, o meu filho vai para a escola, senta em uma carteira, o professor fala, termina a aula, ele vai embora, o mesmo todo dia, um ano inteiro. Não tem um momento em que a gente pare para avaliar se o nosso aluno está aprendendo. É preciso saber que o orgulho de um professor não pode ser o de dizer "cumpri minha tarefa e dei as minhas aulas". Isso não é orgulho, isso é obrigação. Orgulho é dizer "cumpri minha tarefa e estou orgulhoso porque os alunos aprenderam cada palavra que eu falei na sala de aula. Os alunos aprenderam o que eu ensinei". Quando nós chegarmos a esse nível, nós estaremos dando a educação de qualidade que nós precisamos.
É por isso, Grana, que você não aprendeu muito. É por isso. Eu acho que essa combinação tem que existir, porque um aluno hoje tem que ser exigido, porque o mundo do trabalho está mais exigente, o mundo inteiro, globalizado, está mais exigente. Hoje, para a gente arrumar um emprego, tem muito mais exigência. Todo mundo sabe disso. Então, a escola também tem que ser mais exigente. Eu não quero que a gente volte ao tempo da palmatória. No meu tempo de estudante, quando a gente entrava na sala de aula, naquele tempo era tinteiro com caneta de pena, e a gente ficava brincando de jogar tinta no da frente, a professora pegava uma régua de um metro e metia de quina na cabeça da gente, que a gente passava o resto do dia coçando. Eu não quero isso, de jeito nenhum. Quero paz e amor com as crianças nas escolas, mas eu quero que a gente seja rígido para disciplinar e fazer com que, na sua infância e na sua adolescência, o jovem brasileiro perceba que estudar não é castigo, é a garantia de que ele vai ter um futuro decente, de que ele vai ter uma profissão, de que ele vai ter um emprego. É esse o Brasil que nós queremos criar.
E queria agradecer aqui aos nossos companheiros do MSU, porque esses dias eu vi, na televisão, uma entrevista com vocês, falando na televisão e prestando um vestibular. Fernando Haddad, eles estão precisando de apostilas. Alguém vai ter que ajudá-los porque eles estão fazendo cursinho popular, eles não podem pagar um cursinho em uma dessas escolas chiques, eles têm que fazer no fundo da igreja, na casa de alguém, então nós precisamos criar condições de fazer as apostilas.
Mas eu quero dizer para vocês uma coisa importante. Criou-se, no Brasil, a idéia de que a escola pública é pior do que a escola privada. Quero chamar a atenção dos educadores aqui para isso. Entretanto, o Fernando Haddad sabe, depois do ProUni, depois que os meninos da periferia entraram na escola, eu tenho recebido informações de dezenas de universidades, dizendo que os melhores alunos, os mais estudiosos, são aqueles companheiros da periferia que conseguiram uma oportunidade para estudar.
Da mesma forma que hoje nós temos programas para a juventude em vários Ministérios. Ao todo são 980 mil alunos, jovens que passam pelo Soldado Cidadão, meninos que são recrutados para servir as Forças Armadas e lá vão aprender uma profissão. Até o Ministério do Trabalho, o Ministério da Educação, a Secretaria da Presidência da República, têm vários programas.
Mas nós criamos o programa ProJovem que é o maior de todos eles, individualmente, e esse ProJovem está tentando resgatar jovens das grandes cidades, por isso começamos pelas capitais, meninas e meninos de 17 a 24 anos que não terminaram a oitava série ou o segundo grau. Nós estamos chamando esses meninos e essas meninas, estamos inscrevendo, na capital de São Paulo foram 35 mil jovens que se inscreveram, estamos pagando uma ajuda de custo para eles, de aproximadamente 150 reais. Esse jovem estuda e presta trabalho comunitário, articulado com a prefeitura.
Isso está possibilitando... Este ano chegaremos a 200 mil jovens, mas nós queremos que este programa tenha uma expansão, a começar das cidades maiores para as menores, para que a gente possa estender a mão e dizer a essa menina, de 17 ou 18 anos, que já tinha perdido a esperança, dizer a esse menino, que tem 18 ou 19 anos, que já tinha perdido a esperança, dizer para eles: "nós, enquanto governo brasileiro, enquanto Estado brasileiro, enquanto prefeituras, nós não podemos aceitar isso como um fato do destino. Isso é um fato causado pela, eu diria, despreocupação que ao longo dos anos o poder público teve com a nossa juventude".
Eu sei que não é fácil, eu sei que uma grande caminhada começa com o primeiro passo. E nós estamos dando um grande passo para dizer para a juventude brasileira que, se é verdade o que a gente diz em todos os discursos, que a juventude é o futuro da Nação, quando a gente abrir a boca para dizer isso, nós temos que dizer: "o futuro da Nação depende da qualidade da educação que nós estamos dando para vocês".
Muito obrigado a todos vocês. Muito obrigado, e eu espero poder visitar essa universidade, quando estiver pronta.
