São Bernardo do Campo-SP, 24 de novembro de 2006
Eu prometo a vocês ser bastante breve.
Eu quero, primeiro, cumprimentar o nosso querido companheiro, conhecido e amigo de vocês, ministro do Trabalho, o nosso companheiro Luiz Marinho Quero cumprimentar o nosso homem de comércio exterior, que tem viajado o mundo para vender os produtos brasileiros, o nosso ministro Luiz Fernando Furlan. Quero cumprimentar o nosso querido companheiro Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Quero cumprimentar o doutor Dieter Zetsche, presidente mundial do grupo DaimlerChrysler. Quero cumprimentar o doutor Gero Herrmann, presidente da DaimlerChrysler do Brasil, por meio de quem saúdo os demais dirigentes da empresa aqui. Quero cumprimentar cada um de vocês, companheiros e companheiras da Mercedes-Benz. A Mercedes pode mudar o nome para DaimlerChrysler, mas enquanto tiver aquela estrela nós vamos chamá-la de Mercedes-Benz, porque já virou o nome popular aqui no Brasil, embora o carro ainda não tenha tido acesso a nós porque nem sempre é tão popular o preço da estrela. Quero cumprimentar a imprensa aqui presente, e dizer para vocês que para mim é muito significativo participar desta festa onde se comemora 50 anos dessa fábrica da Mercedes-Benz no Brasil
E quero fazer uma homenagem a dois ex-presidentes da República, que tiveram muita responsabilidade para que isso acontecesse. Possivelmente, foi o sonho realizado dos dois maiores estadistas que o Brasil já teve: o primeiro, Getúlio Vargas, que introduziu no Brasil a indústria do aço e a Petrobras, e o segundo, Juscelino Kubitschek, que em junho de 1956 criou o GEA, que era um grupo de trabalho para pensar a introdução da indústria automobilística no nosso País.
De lá para cá, nós temos que homenagear mais duas coisas. Primeiro, homenagear os dirigentes alemães que, naquela época, resolveram acreditar no Brasil. E homenagear o trabalhador brasileiro que, nesses 50 anos, eu não tenho dúvida de que os trabalhadores da Mercedes-Benz do Brasil, da DaimlerChrysler do Brasil, significam motivo de orgulho para a direção mundial da Mercedes e para a direção brasileira. Eu não tenho dúvida nenhuma de que a criatividade, a inteligência, o jeito de ser do brasileiro, resultado dessa mistura extraordinária de europeus, índios e negros, permitiu que criássemos esse povo fantasticamente alegre, até em momentos de desgaste. O povo brasileiro é mais alegre do que qualquer povo, possivelmente pelo clima que nós temos.
Mas eu, que venho à porta desta fábrica desde a década de 70, eu que já vivi momentos de glória na porta desta fábrica, já vivi momentos de tristeza na porta desta fábrica, já vi filas de trabalhadores sendo contratados, já vi filas de trabalhadores sendo demitidos, eu quero dizer para vocês que é motivo de orgulho voltar aqui, como presidente da República, para agradecer, mais uma vez, a confiança que o trabalhador brasileiro me deu, ao me permitir ter um segundo mandato para presidente da República.
Certamente eu sei que para o trabalhador brasileiro e para a trabalhadora, a coisa mais dignificante na vida de todos nós é o direito ao trabalho. Não tem nada mais gratificante do que um trabalhador ter um emprego, levantar todo dia e, no final do mês, conseguir levar para a sua família o que comer, o que vestir, e garantir o direito dela morar.
Possivelmente, nós introduzimos na campanha uma frase, que é uma frase que todos vocês sabem que pertence à alma do povo brasileiro, que dizia: "deixa o homem trabalhar". Isso, na verdade, "deixa o homem trabalhar", vale para cada um de vocês, vale para cada homem, vale para cada mulher. Porque nós, agora, acabamos de introduzir o Procaminhoneiro, que é uma política de incentivo para que o proprietário de caminhão autônomo possa comprar um caminhão novo, vendendo o seu caminhão velho, uma política de crédito do BNDES, uma política de incentivo. Porque nós achamos que a renovação da frota de caminhões e de ônibus e também a renovação da frota de carros vai permitir que a indústria automobilística tenha um dinamismo ainda maior no Brasil e possa, não apenas garantir o emprego de vocês que estão trabalhando hoje, mas permitir a criação de dezenas ou centenas de milhares de novas vagas para que o trabalhador brasileiro tenha o direito de trabalhar.
No primeiro mandato, nós conseguimos fazer a mais forte política social já feita no nosso País, a maior política de transferência de renda que o País já conheceu. Conseguimos solidificar a credibilidade externa e a credibilidade interna do Brasil. Conseguimos, na macroeconomia, dar a sustentabilidade e a confiança que o povo brasileiro precisava para que a gente pudesse dar o passo seguinte. Agora eu tenho um segundo mandato, que começa no primeiro dia do próximo ano. E, durante toda a campanha, eu dizia para vocês que era preciso que a gente cunhasse outras esperanças e outras expectativas na cabeça do povo brasileiro: desenvolvimento, distribuição de renda e educação de qualidade. É com essas três teses que nós vamos começar o governo no dia 1º de janeiro. E, por isso, estamos trabalhando desde já. Faz exatamente 15 dias que eu faço reuniões sistemáticas, quase todo santo dia, com todos os Ministérios, para ver se a gente consegue destravar o País, para ver se a gente consegue desobstruir as amarras legais, muitas vezes legais, as amarras da economia, as amarras do meio ambiente, as amarras de tantas outras instituições que parece que foram criadas para evitar que o Brasil dê um salto de qualidade que ele precisa dar.
Desde 1980 que este País extraordinário cresce a índices muito pequenos, quando muito chegou a 5%, como em 2004, mas já caiu, em 2005, para 3%. Nós achamos que tem uma trava, que tem uma série de penduricalhos impedindo que o Brasil possa dar um salto de qualidade. E nós estamos fazendo reuniões com todos os Ministérios, com todas as instituições que possam dar a sua contribuição, para que a gente possa enviar ao Congresso Nacional uma mudança na legislação que possa destravar o País, para que a gente possa investir mais do que investimos hoje, os estados possam investir mais do que investem hoje, as empresas possam vender mais do que vendem hoje, e os trabalhadores brasileiros possam ganhar mais do que ganham hoje, porque é isso que permite claramente que a gente tenha um crescimento no País.
Quero dizer à direção da DaimlerCrysler, nossa querida Mercedes-Benz, quero dizer a todos os diretores, aos companheiros do governo, aos companheiros representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, às comissões de fábricas, eu quero dizer para vocês que, no que depender da disposição do governo federal de criar possibilidades tanto de políticas de desoneração fiscal quanto de política para facilitar a venda dos produtos aqui produzidos, nós vamos fazer, porque nós sabemos que quanto mais a empresa vender, de mais trabalhador ela vai precisar, e quanto mais trabalhador ela precisar, mais famílias vão viver com mais respeito e com mais dignidade.
Por isso, eu quero dizer para vocês que este dia de hoje - e eu comentava com o Marinho, ali - é um dia que, na minha cabeça, remonta aos anos 70, das memoráveis assembléias que fizemos aqui, na porta desta fábrica. Vocês sabem que não foram poucas, os mais novos não se lembram, mas os mais velhos sabem que nós tivemos momentos de angústia, momentos de alegria, momentos de tristeza, momentos de enfrentamento, que é normal nas divergências entre os pontos de vista do capital e trabalho.
Depois que nós conseguimos construir, aqui, nesta fábrica, a Comissão de Fábrica, a gente percebeu que a relação foi se aprimorando e, hoje ainda, além das brigas que nós temos que ter, porque é normal no mundo democrático, eu não tenho dúvida de que a gente vive dias muito melhores do que a gente viveu na década de 60 ou na década de 70.
Portanto, estar aqui, hoje, é voltar há 30 anos, há 20 anos e dizer para vocês: valeu a pena um dia eu ter sido metalúrgico. Valeu muito mais a pena um dia eu ter sido o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, porque esse Sindicato conseguiu fazer um presidente da República, conseguiu fazer um ministro do Trabalho, conseguiu fazer um presidente do Sesi, conseguiu fazer um presidente do Sebrae, e conseguiu fazer um deputado federal, que está aqui no meio de vocês, o companheiro Vicentinho, que foi presidente, também, deste Sindicato aqui.
No mais, eu espero que a direção mundial da nossa querida Mercedes continue a acreditar no Brasil, a confiar no governo brasileiro, a confiar nos trabalhadores brasileiros, a confiar no mercado brasileiro, na qualidade de produção desses trabalhadores, e invista aqui, porque investir no Brasil, eu tenho certeza, é retorno garantido de lucro para vocês, o mesmo eu não tenho certeza, de investimento em outros países. Portanto, façam do Brasil a preferência mundial da nossa querida Mercedes-Benz.
Um abraço, boa sorte a todos vocês!
fonte: www.info.planalto.gov.br
