Belo Horizonte-MG, 03 de fevereiro de 2006
Quero cumprimentar o nosso ministro da Educação, que acaba de falar aqui, o Fernando Haddad,
Quero cumprimentar o Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Quero cumprimentar o ministro Saraiva Felipe, ministro da Saúde,
Quero cumprimentar o nosso ministro das Comunicações, Hélio Costa,
Quero cumprimentar o ministro do Turismo, o mais entusiasta de todos os brasileiros que eu conheço, Walfrido Mares Guia, ministro do Turismo,
Quero cumprimentar o companheiro Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral,
Quero cumprimentar a minha queria companheira Marisa,
O nosso querido prefeito, Fernando Pimentel,
Nosso companheiro Nilmário Miranda, ex-secretário de Direitos Humanos,
Cumprimentar os deputados federais aqui presentes, Carlos Mota, Isaías Silvestre, Leonardo Monteiro, Maria do Carmo Lara, Paulo Delgado, Virgílio Guimarães, Jaime Martins e Carlos Willian,
Quero cumprimentar a nossa querida magnífica reitora, Ana Lúcia Gazzola,
Quero cumprimentar o também magnífico reitor eleito para substituir a Gazzola, o Ronaldo Pena,
Quero cumprimentar o nosso companheiro Bilac Pinto, secretário de Ciência e Tecnologia do estado de Minas Gerais,
Quero cumprimentar os deputados estaduais Rogério Correia, Jô Moraes - nossa companheira do PCdoB -, Weliton Prado, Elisa Costa e Carlos Gomes,
Quero cumprimentar a senhora Marília Campos, nossa querida - não sabia que era Campos - a nossa prefeita de Contagem,
Quero cumprimentar o prefeito de Nova Lima, o Carlinhos Rodrigues,
E cumprimentar os nossos professores, funcionários, e alunos que estão aqui presentes,
Bom, neste ato de visita à Universidade Federal de Minas Gerais, todos os oradores falaram muito bem de Minas Gerais e dos mineiros que estão no governo, eu não posso esquecer que tem mais um mineiro no governo, que é o vice-presidente da República, o nosso companheiro José Alencar, que tem sido um parceiro de extraordinária lealdade e que foi, durante a campanha, uma figura, eu diria, quase decisiva para a nossa vitória.
Também não posso citar nomes porque... mas aqui, nesta Universidade, tem gente mineira, não as pessoas, pessoalmente, mas Minas Gerais está pleiteando mais coisas e, como tudo passa por Minas Gerais, quem sabe...
Queria fazer justiça, também, porque o Fernando Pimentel, ao falar do ProJovem, eu acho que o ProJovem é o resultado, eu acredito, da mais importante pesquisa feita sobre a juventude brasileira, feita pelo Instituto Cidadania, o Instituto que eu presidia antes de ser Presidente da República, este Instituto fez uma pesquisa muito profunda sobre a juventude brasileira, apresentaram relatório ao governo e determinaram uma série de políticas públicas para a juventude, coordenada pelo companheiro Dulci até a implantação, e o ProJovem é resultado disso. O Dulci se empenhou, trabalhou, arquitetou junto com os movimentos, criamos a Secretaria da Juventude, ou seja, fizemos tudo que era necessário fazer até chegarmos ao ProJovem. Eu tive o prazer de participar do lançamento de um ProJovem em Recife. E eu saí de lá com a sensação de que os jovens estavam, parte deles, no fio da navalha, caindo para um lado ou para o outro. E o que nós fizemos, enquanto Estado brasileiro, oferecer a mão para ele não cair do lado da desesperança, da criminalidade, e vir para o lado da esperança, vir para o lado da possibilidade de conquistar uma vida melhor.
Mas não é apenas este programa voltado para a juventude. Hoje nós temos uma quantidade de programas para jovens, que começa desde a Escola de Fábrica, que é uma parceria entre o MEC e algumas empresas que cedem espaço para a gente formar profissionalmente os nossos jovens, até vários cursos no Ministério do Trabalho, no Ministério da Educação, Consórcio da Juventude. E agora, recentemente, nós estamos repetindo uma experiência rica, que é a experiência do Soldado Cidadão. Estamos colocando 350 milhões de reais no Orçamento da União, para que a gente possa incluir 100 mil jovens a mais nas Forças Armadas Brasileiras, para aprenderem não apenas regras de disciplina, de hierarquia, como todos nós temos que aprender, mas, sobretudo, aprenderem uma profissão para poder adentrar ao mercado de trabalho com muito mais facilidade, eu diria até com mais vantagens. São inúmeros programas.
E eu penso que o tempo perdido com a juventude neste país foi tanto, que nós vamos precisar de alguns anos fazendo muito para que a gente possa recuperar a dívida que se tem com a juventude brasileira, com a esperança da juventude brasileira. E por isso, eu sei que o Fernando Haddad fica meio cismado, e falou: "Presidente, o senhor não pode falar do ProUni numa universidade federal". Posso. Posso falar e vou falar, porque de todas as idéias na educação esta é uma idéia que eu acho genial.
Quando eu comecei a minha militância sindical as pessoas diziam: "não, o sindicato não pode fazer nada, porque é preciso mudar a estrutura sindical. Se não mudar a estrutura sindical você não vai fazer nada". Eu entrei no sindicato, não mudou a estrutura sindical e nós fizemos tudo. Mudamos a história do sindicalismo brasileiro, a partir de 75, sem mudar a estrutura sindical.
Depois, quando eu pensei em entrar na vida política, diziam: "não, você não pode entrar, isso não vai dar certo, porque primeiro é preciso construir o Socialismo, depois é que vêm as outras coisas e tal, não está certo esse negócio de criar partido, esse negócio de trabalhador". Criamos um partido e em 20 anos chegamos à Presidência da República deste país.
Também na questão da educação é um pouco isso. Nós não temos que esperar a gente poder construir universidade federal para todo mundo, ter todos os prédios no Brasil inteiro, para falar: "o pobre tem que entrar na universidade". Não precisamos. Seria muito cômodo a gente ficar com o discurso que eu cansei de fazer, e não faço isso criticando ninguém, faço me criticando, cansei de fazer. Wagner Benevides está aqui, que fez comigo, Carlinhos Calazans está aqui, Paulo Funghi está aqui, estava Arnaldo Godoy, que está lá em cima, cansamos de fazer discursos: "universidade pública e gratuita para todo mundo". E a gente fazia esse discurso na porta das universidades públicas e não tinha coragem de ir à porta das universidades particulares fazer isso para os estudantes que estavam pagando. Então, era um contra-senso do discurso. Você ficava dizendo a mesmice para quem já tinha pública e gratuita e não tinha coragem de ir na universidade particular dizer: "nós queremos garantir a escola pública para você".
O que nós fizemos? E essa foi a idéia engenhosa. A idéia engenhosa foi a de utilizar uma parte daquilo que as universidades tinham que pagar - ou algumas não pagavam - ao governo, e transformar aquilo em bolsa de estudos para que os pobres da periferia pudessem ter chance de estudar. O sucesso é extraordinário, e só o estado de Minas Gerais, entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano, já tem praticamente 21 mil jovens a mais na universidade por conta dessas bolsas. Vinte um mil jovens a mais. Ao todo, vão ser 203 mil até junho.
Obviamente que nós queremos, um dia, ter todas as universidades públicas que precisarmos ter, mas enquanto a gente não tem, nós vamos ter que ser criativos, inclusive tão criativos, meu caro Fernando Haddad e meu companheiro futuro Reitor, que nós vamos ter que ocupar todas as carteiras das universidades públicas, para que não fique carteira vazia e estudante fora da universidade, porque nós tivemos problemas sérios, tivemos universidades em que alguns educadores não queriam colocar mais alunos na sala de aula porque dava trabalho. Já estava lá o quadro-negro, já estava lá o computador, já estava lá a cadeira, estava lá a mesa do professor, estava o professor: "Ah, não, tem 30 só, não vamos colocar mais 10, não, que é demais". Num país em que estamos atrasados em relação ao restante do mundo, para competir nesse mundo globalizado, em que o conhecimento passa a fazer vantagem comparativa que nós precisamos ter para competir com o chamado mundo desenvolvido.
E, mais importante: nunca, em nenhum momento da nossa República, tantos jovens negros, mulheres e homens, entraram na universidade brasileira. Nunca! E nunca tantos índios fizeram universidade neste país. Ainda falta muito, mas nós também só estamos governando há 36 meses, o país tem 500 anos, ou seja, nós temos menos que 0,1% do tempo do Brasil.
Mas o dado concreto é que nós estamos fazendo, por conta de vocês, por conta da nossa relação com a sociedade, por conta da nossa origem, nós estamos tentando resgatar as dívidas históricas que foram se construindo neste país e que as pessoas sempre diziam que o econômico não permitia que se pagasse o social. Não é verdade.
Nós estamos fazendo uma política econômica, a necessária de ser feita, porque eu aprendi com a dona Marisa Letícia que a gente não pode gastar mais do que o que a gente ganha, e a gente só pode fazer dívida do tamanho que a gente pode pagar, porque senão a gente quebra (inaudível) com políticas sociais muito fortes.
Nós saímos de 7 bilhões de reais, em 2003, para 22 bilhões de reais em programas sociais, em 2006. Tudo isso... Se quiser mais pompa eu falo: saímos de 3 bilhões de dólares para 8 bilhões de dólares em políticas públicas.
Só o estado de Minas Gerais, do Ministério do companheiro Patrus recebe, por ano, 1 bilhão, 760 milhões de reais em programas sociais. O estado mais rico da Federação, São Paulo, recebe, só de programas sociais, 2 bilhões de reais por ano. E eu acho que é pouco. A nossa dívida é tão grande que nós precisamos dar mais. Até porque não há hábito, neste país, de ter programas sociais na maioria dos estados. Muitas vezes são programas com nomes grandes com uma quantidade pequena de gente. O nosso programa é um nome pequeno e já temos 8 milhões e 700 mil famílias participando, ou seja, um nome pequeno, o programa grande, diferentemente do que muitas vezes aconteceu neste país.
Então, eu penso que vir aqui hoje, querida Reitora, e ver aqueles banner ali, com aquelas coisas prontas, dá um duplo prazer. Aliás, esta semana foi muito boa. Esta foi uma semana em que o Fundeb foi aprovado, foi aprovada a Lei das Florestas, logo, logo vocês vão aprovar o Orçamento. Hoje foi um dia excepcional porque nós assinamos o contrato dos leilões do biodiesel com a Petrobras, o que é uma revolução, que talvez os nossos jovens, daqui a 15 anos, vão poder comemorar com o mesmo significado que nós estamos comemorando a independência, a auto-suficiência do petróleo agora, se Deus quiser, em março. Então, as coisas estão acontecendo. E eu fico sempre fazendo as minhas imagens, as metáforas, que muitas vezes a imprensa não gosta, porque ela preferia que eu citasse grandes personalidades do mundo intelectual, e eu prefiro citar jogador de futebol, pé de laranja, "pé de coisa", é o que eu acho que o povo brasileiro entende melhor. Mas o Brasil é assim. Quando a gente vê uma coisa dessas, eu fico com a impressão que é uma semente que a gente planta. E o pessimista passa perto: "ah, não vai dar nada, não estou vendo nada, não está acontecendo nada". E você está lá, todo dia, pondo um pouquinho de água, regando aquilo, tirando as ervas daninhas que ficam ali perto, como azarão, não deixando dar certo. E aí nasce o primeiro, brota, vem um galhinho: "ah, mas ele não vai dar nada, ele é muito fraquinho, não sei das quantas, está tudo errado e tal". Até que a gente possa tirar um fruto e colher o resultado daquilo que foi plantado.
O que nós estamos fazendo hoje é colhendo o fruto, é como se fosse um pequi das Minas Gerais. Nós estamos colhendo hoje para dizer em alto e bom som: é proibido no meu governo que qualquer centavo colocado em educação ou em política social... Porque habitualmente, no Brasil, você investia um bilhão numa indústria qualquer, às vezes ela fechava como aquele cemitério de fábricas que tem em Montes Claros, e você falava em investimento. Um real que você dá para o pobre, se fala em gasto. Não. Educação e pobres são investimentos que têm retorno mais do que muitas outras coisas que a gente possa fazer no país. Por isso nós estamos colhendo. Nós estamos colhendo aqui, em Minas Gerais, numa parceria entre a universidade e o governo federal, uma junção, ou seja, tentando colocar toda a inteligência da universidade federal num único espaço, para que se acumulem muitos fluidos positivos e saia uma força não dispersa como antes, para poder melhor abrilhantar a nossa querida Minas Gerais.
E este é um ano em que nós vamos colher grande parte das coisas que nós plantamos. Daqui a pouco, nossa querida Reitora, vamos a Juiz de Fora inaugurar o Hospital Universitário que está uma beleza e digno de Juiz de Fora, viu, meu caro Paulo Delgado, digno da cidade. E outras coisas que estão acontecendo.
Mas eu vim aqui hoje, porque eu sei que você está deixando de ser reitora. Lamentavelmente, no Brasil, os presidentes da República, não tinham sequer o hábito de receber reitores. Eu fui o primeiro Presidente da República, veja que absurdo, eu fui o primeiro Presidente da República a receber todos os reitores juntos. Nunca ninguém tinha recebido. E gente do mesmo meio. Gente que tinha sido reitor não recebia reitor. Precisou um estranho, que nunca tinha sido reitor, para dizer: "Venham", como faz a Caixa Econômica Federal, e estabelecer uma relação de parceria. Porque o que a gente fizer não fica nem para o reitor, nem para o Presidente da República, fica para o povo brasileiro e fica para a sociedade brasileira.
Já fizemos duas reuniões - três - e nunca foi pedido a nenhum reitor que não falasse alguma coisa, eles falam o que quiserem, reivindicam o que querem. E eu quero dizer para vocês: esta senhora que falou aqui, esta Magnífica Reitora, ela tem o hábito diferente de muitos de nós. Muitos de nós somos insaciáveis. Nós desaprendemos a agradecer as pessoas, muitas vezes desaprendemos a falar obrigado. As pessoas aparecem com uma pauta de reivindicação para um prefeito, para um deputado, para um governador, para um presidente da República, com 100 itens, você atende 99, mas eles saem fazendo crítica do um que você não atendeu. Os 99 ele já dá de barato, que era obrigação.
E esta mulher introduziu, na relação com as pessoas, a arte, que não é pequena, de agradecer. Agradecer a uma emenda parlamentar, agradecer a uma atitude do governador do estado, uma atitude do presidente da República, uma atitude de um ministro, dando uma demonstração que nós deixaremos como legado para as futuras gerações, não uma obra, porque ela pode ser desmontada e feita outra. Nós deixaremos é a mudança do padrão de relacionamento entre o Estado e a sociedade, a sociedade e o Estado. Parar de nos vermos como inimigos, parar de nos vermos... Por que os reitores, por que os presidentes não visitam universidades, os governadores não visitam? De medo, porque acham que vão ser vaiados. É verdade.
É verdade porque nós, quando viramos políticos, nós achamos que a democracia só tem um lado, que é o lado do aplauso. E a gente não se toca que a vaia é tão importante como o aplauso. O aplauso pode ser para afirmar, mas também pode ser puxa-saquismo. A vaia pode ser um protesto, mas também pode ser um alerta.
Então, quando Deus nos fez com dois ouvidos é para a gente ouvir aplausos em um e a vaia em outro, e a gente tirar dali as conclusões e nos transformar no caminho do meio, ou seja, escolher entre nem um e nem outro.
Por isso, minha querida, permita-me chamá-la não mais de magnífica, mas de companheira, é gratificante que o Brasil tenha uma universidade que tenha uma reitora da tua qualidade. E, neste momento em que nem sempre as lideranças estão à altura dos seus liderados - e o que eu estou falando vocês conhecem, pelo Brasil afora - em que muitas entidades têm dirigentes muito aquém das necessidades das entidades, em que muitas vezes o debate ideológico toma lugar à representação da própria corporação, eu queria dizer que o meu orgulho, da convivência contigo, é que você nunca foi governo, nunca se colocou como governo, apesar de, muitas vezes, ser acusada: "Essa é muito governista". Mas, também, nunca foi contra o governo.
O teu comportamento na Andifes, aqui nesta Universidade, era o comportamento que eu tinha quando era presidente do Sindicato: você nunca foi governo, mas nunca foi contra. Você foi tudo. Representante daqueles que te elegeram para cumprir o teu mandato.
fonte: www.info.planalto.gov.br
