Discurso do Presidente Lula: obra de conversão da Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência FPSO P-47

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Rio de Janeiro, 09 de junho de 2005

Excelentíssima governadora do estado do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho. Minha querida companheira Dilma Roussef, ministra de Minas e Energia. Meu companheiro Eduardo Campos, ministro de Ciência e Tecnologia. Meu companheiro Jaques Wagner, secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Meu caro senador Roberto Saturnino. Meus queridos companheiros deputados federais, Alexandre Cardoso, Almir Moura, André Costa, Jorge Bittar, Luiz Sérgio e Reinaldo Betão. Meu caro Wagner Victer, secretário de energia da Indústria Naval e do Petróleo do Rio de Janeiro. Senhora Maria Aparecida Panisset, prefeita de São Gonçalo. Nosso querido companheiro José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras. Nosso querido companheiro Godofredo Pinto, prefeito da cidade de Niterói. Senhora Evely Forjado Loureiro, madrinha da P-47. Senhor Antônio Carlos Soares Lima, presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro. Senhor Ricardo Pessoa, diretor-superintendente da Ultratec. Senhor Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval. Senhor Antônio Carrara, presidente da Federação Única dos Petroleitos. Senhor Luiz Chaves, coordenador do Fórum Intersindical do Trabalhador da Indústria Naval. Meus amigos, minhas amigas. Companheiros e companheiras. Meus companheiros petroleiros. Meus companheiros metalúrgicos, empresários, jornalistas.

Eu creio que mais do que a inauguração de uma plataforma, nós estamos aqui inaugurando uma outra coisa. Nós estamos aqui inaugurando a certeza de que este país tomou, definitivamente, a decisão de se transformar num país competitivo, de se transformar num país capaz de produzir as coisas de que ele necessita, desde o conhecimento à produção de plataformas como esta, para que o Brasil deixe de ser um mero importador e passe a ser um exportador.

Quando decidimos fazer a plataforma no Brasil, nós não queremos que sejam finitas as decisões da Petrobras de construir plataforma e muito menos a quantidade de petróleo que nós temos no nosso subsolo, em águas profundas, até porque não foi nem pesquisado ainda o petróleo em Pernambuco. No dia em que for, vão achar, e eu espero que a Petrobras vá até Caetés tentar ver se tem petróleo lá.

Mas eu acho que nós estamos dando um sinal ao mundo de que o Brasil, embora pretenda e vai fazer, de manter uma relação internacional cada vez mais ousada, cada vez mais produtiva e construtiva. O Brasil está dizendo ao mundo que o Brasil não é um país inferior, nem do ponto de vista do conhecimento científico e tecnológico, nem do ponto de vista da sua capacidade produtiva, nem do ponto de vista da qualificação dos seus trabalhadores, da qualificação dos seus engenheiros, da qualificação dos profissionais brasileiros.

Nós estamos aqui inaugurando, eu diria, um novo tempo no Brasil. Houve um tempo, e não faz muito tempo, que a nossa Marinha Mercante foi destruída em nome da modernidade. Houve um tempo em que a nossa indústria naval foi destruída em nome da modernidade, houve um tempo em que a indústria ferroviária brasileira, aquela que produzia locomotivas e vagões, foi destruída em nome da modernidade brasileira.

Aliás, houve tempo de um pensamento único no Brasil em que a gente não podia nem discordar, porque tudo que era feito já estava escrito e, se tinha dado certo na Inglaterra, porque a primeira-ministra Margareth Thatcher tinha colocado em funcionamento lá, tinha que dar certo no Brasil. Se tinha dado certo nos Estados Unidos nos anos 80, tinha que dar certo no Brasil. Em nome desse avanço, em nome dessa modernidade, se desmontou o Estado brasileiro, se desmontou parte do parque industrial brasileiro e eu estou aqui, hoje, participando da inauguração de uma plataforma, como fui outro dia a Osasco participar da recuperação de uma ex-indústria metalúrgica chamada Cobrasma, que voltou a produzir vagões e está produzindo como nunca, e algumas com encomendas de produção de 10 mil vagões, já contratadas.

Isso demonstra que o Brasil resolveu competir com o mundo, não como uma nação inferior, não como uma nação pedinte, como uma nação inferiorizada que só tem o que comprar dos países teoricamente com mais conhecimento do que nós. Eu me lembro, governadora, que quando tomamos a decisão de fazermos a plataforma, aqui, no Brasil, eu fui a Belo Horizonte participar do encontro e me encontrei com o primeiro-ministro da Noruega e ele então, preocupado porque a ex-direção da Petrobras havia insinuado que as plataformas seriam produzidas na Noruega. Ele, então, me disse se o Brasil estava rompendo as disposições até então estabelecidas de fazer as plataformas na Noruega. Eu disse não, não estamos rompendo, nós estamos apenas querendo que os seus estaleiros venham montar-se no Brasil e produzir as plataformas, gerando emprego no nosso país.

Queremos apenas isso, não temos nada contra o investimento norueguês ou o investimento da Coréia, não temos nada contra o investimento, pelo contrário, nós queremos, cada vez mais, queremos que os nossos empresários façam parcerias com esses empresários. Mas o Brasil tem tecnologia para ser um centro de produção, não apenas de plataforma, mas um centro de indústria naval que pode atender, em parceria, os seus parceiros da América do Sul, os seus parceiros de outros países mais pobres e até com menos conhecimento do que o Brasil, como alguns países africanos. E não queremos apenas ser a indústria nacional, nós queremos que a Argentina monte parcerias conosco, queremos que a Venezuela monte parcerias conosco, queremos que outros países se associem às nossas empresas para produzirem aqui, porque é assim que a gente vai permitir que a América do Sul se consolide enquanto um continente, não apenas eternamente em vias de desenvolvimento, mas com a América do Sul desenvolvida, competindo com os outros blocos econômicos disseminados no mundo.

Eu me lembro também das conversas que tive aqui com empresários da indústria naval. Eu sou muito agradecido, José Eduardo Dutra, ao pessoal da engenharia da Petrobras, porque no desafio que nós enfrentamos com a ex-direção da Petrobras, teve muitos técnicos da Petrobras que se colocaram à disposição para nos dar subsídio para enfrentar o debate político.

Lembro dos empresários da indústria naval que também não faltaram, em nenhum momento, em colocar, possivelmente, não a mim,mas, quem sabe, a muitos outros candidatos que defendiam, como eu, a indústria naval, as informações necessárias para que a gente pudesse provar que era capaz de construir aqui.

Eu me lembro que o jornal Gazeta Mercantil, me parece, tinha publicado uma matéria paga ou um artigo dizendo que era loucura querer construir aqui, porque o Brasil não tinha conhecimento. E hoje nós, aqui, estamos vendo o quê? Estamos vendo o resultado de uma indústria que, se não tivesse sido abandonada no começo da década de 80, certamente seria uma das melhores do mundo, porque já era antes dela ser rifada, leiloada e desmontada como foi.

A Petrobras é uma espécie de orgulho para todos nós. Se a Petrobras fosse uma mulher, seria a mulher com que toda mãe queria que o seu filho casasse. Se ela fosse um homem, ela seria o homem que toda sogra gostaria de ter como genro. Mas como ela não é nem homem, nem mulher, é uma indústria, ela então pode ser amada por todos nós, porque a Petrobras é, definitivamente, o grande motivo de orgulho para todos nós, brasileiros, que viajamos em qualquer lugar do mundo.

Mas é importante lembrar que ela sofreu muito para ser motivo de orgulho, porque quando se começou a pensar em construir a Petrobras, os defensores do pensamento único da época achavam que era loucura, achavam que era megalomania, achavam que o Brasil não tinha conhecimento, não tinha engenharia, não tinha técnicos, o Brasil não poderia. Nós estávamos predestinados a ser importadores de petróleo ou ter os nossos carros tocados a carvão. Era esse o destino que uma parte da elite da época falava contra a Petrobras. E hoje, possivelmente, aqueles que eram contra estão reconhecendo o papel da Petrobras, por isso ela virou unanimidade, por isso que ela é tão importante hoje no cenário brasileiro e internacional.

E eu digo mais, José Eduardo, ainda falta um pouco de ousadia para a Petrobras. A Petrobras, de vez em quando, não tem dimensão da grandeza dela, e ela não é mais ousada. Porque tem mais espaço para a Petrobras em muitos países do mundo. Tem muito mais buraco para a gente fazer no mar ou fora do mar, e tem muito mais petróleo e gás para a gente tirar.

E eu tenho certeza, em todos os lugares que eu tenho ido, do mundo, que a Petrobras é vista como uma empresa que, em qualquer momento que chegar, ela é aceita. Como tem outras empresas brasileiras, como está acontecendo com a Companhia Vale do Rio Doce, que tem se transformado numa empresa multinacional, ganhando concorrências em vários países do mundo.

E é assim que o Brasil vai se consolidar enquanto país industrial, enquanto país independente economicamente. É um país que tem grandes empresas, inclusive grandes empresas multinacionais, fazendo o que estamos fazendo com a Petrobras, com a Companhia Vale do Rio Doce, com a nossa indústria de engenharia em todos os países da América do Sul. É só visitar a América do Sul para ver quantas obras estão sendo financiadas pelo Brasil ou pela Petrobras, ou pelo BNDES, para financiar a nossa engenharia, para construir pontes, para construir hidrelétricas, para construir coisas que são extraordinariamente importantes para o Brasil, porque é exportação de serviços e de conhecimentos do Brasil. E nesse item, a Petrobras é definitivamente o carro-chefe, é a namorada que todo mundo quer casar com ela. A Arábia Saudita quer casar com a Petrobras e a Petrobras tem medo da Arábia Saudita ser um pouco maior.

O Chavez já arrumou até o lugar do casamento, quer que eu e ele sejamos padrinhos da fusão da Pdvesa com a Petrobras. Já estamos discutindo a idéia de criar o embrião da Petroamérica, ou seja, o que não falta, na verdade, é oportunidades para a Petrobras. Se juntarmos todos nós que estamos aqui, individualmente, somando todas as oportunidades que se apresentaram para nós até hoje, ainda assim a gente não tem o potencial de oportunidade que tem a Petrobras.

Eu acho, meu querido Sérgio Gabrieli, Sérgio Machado, toda a diretoria da Petrobras, de vez em quando a gente precisa sair um pouco para o ataque e ir mais veloz para a frente, porque nós não podemos fazer o que o Brasil fez ontem contra a Argentina, não podemos. Eu confesso a vocês que quase que eu não venho aqui, de sofrimento. Foram os 45 minutos. Olha, eu estou com 60 anos de idade, vou fazer em outubro, gosto de futebol desde os sete anos, quando cheguei a São Paulo. Eu nunca sofri tanto na vida como os 45 minutos de ontem.

Então, acho que a Petrobras tem esse papel extraordinário. Na verdade não é o Brasil que puxa a Petrobras, a Petrobras em muitos momentos pode ajudar a puxar o Brasil e tem coisas fantásticas para serem feitas no mundo.

Quero dizer aos trabalhadores, sobretudo aos metalúrgicos da indústria naval, que eu, desde os anos 70, tenho uma relação com os trabalhadores da indústria naval. O meu primeiro grande companheiro no sindicato do Rio de Janeiro foi um companheiro da indústria naval, um companheiro de Niterói, o nosso saudoso Abdias, hoje aposentado, quando a indústria naval era uma coisa muito forte. Eu acho que nós vamos voltar a ser, porque não são apenas os 40 navios, 22 navios da Petrobras não. Na hora que a gente tiver preparado, estruturado, outros países virão encomendar navios aqui, outras parcerias nós poderemos fazer e aí a gente vai poder consolidar a nossa indústria naval, para que a gente se transforme em exportador de coisas produzidas por nós, aqui no país.

Muito mais feliz ainda a gente fica quando a gente sabe que a indústria naval brasileira está se recuperando muito rapidamente, ou seja, eu acho que não geramos ainda a quantidade de empregos que ela tinha há alguns anos, mas eu acho que está hoje, definitivamente consolidado que a indústria naval vai voltar a crescer. E vai se consolidar enquanto uma das indústrias de ponta do nosso país, para que a gente seja referência. Quando alguém for comprar um navio feito em Singapura ou na Noruega ou na Coréia, ele vai lembrar: espera aí, tem o Brasil agora que também tem estaleiros modernos, que tem engenharia competente, que tem indústrias competentes, que tem trabalhadores competentes e que, portanto, nós vamos ver o preço no Brasil. Aí eles vão perceber que os nossos preços vão ser melhores, que os nossos trabalhadores são melhores, que os nossos estaleiros são melhores e aí, aquilo que parecia impossível, irá acontecer: as pessoas irão contratar da indústria naval brasileira os navios que hoje se contratam em outros países do mundo.

Quero, portanto, dizer, como últimas palavras, que essa é uma coisa definitiva, a Petrobras está tendo uma colaboração excepcional no programa de Biodiesel, que é uma outra revolução que o povo brasileiro só vai ver o resultado mesmo daqui a cinco, sete ou dez anos, que vai ser a construção de uma matriz energética de combustível alternativa, geradora de empregos, geradora de riquezas. E eu fico sempre sonhando com o Nordeste brasileiro, uma parte dele se transformando mais ou menos numa região desenvolvida, como se transformou a região de Ribeirão Preto por causa de etanol.

Eu acabo de voltar de uma viagem ao Japão. Voltei extremamente otimista do Japão. O Japão estava afastado do Brasil há muito tempo. Nós fomos lá para dizer aos japoneses que, muito mais do que a distância que nos separa, a nossa relação histórica nos une, porque são 1 milhão e 400 mil japoneses ou descendentes que moram no Brasil, e já somos 285 mil brasileiros no Japão. Portanto, não é possível que a gente tenha uma relação tão estranha com o Japão.

E voltei feliz, porque eu acho que há perspectiva da nossa indústria evoluir, há perspectiva do etanol se transformar num produto definitivamente exportável para o Japão, que precisa utilizar 3% de etanol na gasolina para cumprir o Protocolo de Quioto, e nós fomos lá para fazer propaganda e dizer que três é muito pouco, que no Brasil já usamos 25% e os nossos carros talvez sejam mais velozes que os deles, ou seja, não tem porque não utilizar um pouco mais.

Nós começamos a construir o biodiesel, José Eduardo, e começamos com a história do B-2, ou seja, colocar 2% no diesel. Outro dia eu fui na Volkswagen, já tem ônibus a 5... e me disseram que no Rio de Janeiro tem ônibus andando a 20% já de biodiesel. E que até 20 e poucos não tem nenhum problema no motor, não tem que fazer nenhuma transformação. Daqui a pouco Dilma, aquilo que a gente estava prevendo para 12 anos, pode acontecer em quatro ou cinco anos, porque eu acho que a velocidade de crescimento será extraordinariamente importante para o Brasil.

De forma que eu quero agradecer a vocês. Agradecer a gentileza da Governadora, de estar aqui, presente; agradecer aos trabalhadores que vieram; agradecer aos empresários que vieram; agradecer à Diretoria da Petrobras, aos dirigentes sindicais; agradecer à nossa madrinha e dizer que, mais uma vez, se Getúlio Vargas estivesse vivo hoje, ele diria: "Valeu a pena acreditar na Petrobras". E eu diria: Valeu a pena acreditar que o Brasil é capaz de produzir o que alguns achavam impossível.

Meus parabéns a todos vocês, parabéns à Petrobras, parabéns à indústria naval e parabéns aos trabalhadores brasileiros.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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