Vitória-ES, 24 de fevereiro de 2005
Meu querido companheiro governador do estado do Espírito Santo, Paulo Hartung. Meu caro amigo Lelo Coimbra, vice-governador do estado do Espírito Santo. Meu caro e querido companheiro - você quer que eu fale "cosér, côser ou cóser"? - qualquer um dos três foi entendido pelo povo. E, quando o João Carlos ganhou as eleições... esta aqui é uma cidade que, independentemente da história dos partidos políticos a que pertenceram os últimos prefeitos desta cidade, esta cidade foi bem administrada durante os últimos 15 anos ou um pouco mais. Não vou dizer aqui do Vítor Buaiz, que foi o primeiro de uma série nova, o companheiro Paulo Hartung, o Luiz Paulo e, agora, o João Carlos Coser vai administrar uma cidade que é bonita por natureza, uma cidade onde as pessoas que aqui vêm se sentem bem. Eu dizia para o nosso querido João Carlos: "olhe, João, só não pode perder a tranqüilidade. Logo, logo, vai ter greve contra você. Essas coisas são da vida. Vai ter companheiro que vai achar que você pode dar todo o aumento que ele gostaria de receber, e você vai ter que dizer que não dá para dar". E essas coisas a gente tem que fazer com muita honestidade. Eu digo sempre que a gente tem que tratar essa relação como trata a família da gente. Eu tenho coragem de dizer para um filho meu: "Eu não posso fazer tal coisa para você, que é a pessoa que eu mais gosto no mundo". Portanto, eu tenho que ter coragem de dizer para um servidor que eu não posso fazer tal coisa, porque a prefeitura não tem dinheiro para fazer aquilo, o dinheiro não é só para atender tal reivindicação. E, assim, para outros setores.
E essa, João, é uma experiência de vida fantástica, rica, e você vai perceber que quando você estiver no meio do teu mandato, você, que sempre foi um cara tranqüilo, estará muito mais maduro, muito mais sabido, muito mais competente e muito mais entendedor das causas nobres que motivam alguém a governar o município. E você, diferentemente de outros companheiros prefeitos de cidades menores, ou até maiores, tem o privilégio de governar uma cidade que tem um padrão de experiência que tem sido de sucesso nesses últimos anos. Eu espero que você consiga fazer mais e melhor do que os companheiros que você está sucedendo, porque o povo de Vitória precisa disso.
Quero cumprimentar o nosso querido senador Gerson Camata. Quero cumprimentar o senador Francisco Pereira. Quero cumprimentar a deputada Rose de Freitas, a deputada Iriny Lopes, o deputado Feu Rosa, o deputado Jair de Oliveira, o deputado Manato, o deputado Marcelino Fraga, o deputado Neucimar Fraga - tem uma família toda, aqui -, o deputado Renato Casagrande. O meu querido companheiro Carlos Wilson, ex-governador de Pernambuco, ex-senador e, agora, presidente da Infraero. Quero cumprimentar o senhor César Colnago, presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Quero cumprimentar os prefeitos do interior que estão aqui. Quero cumprimentar os vereadores, secretários de Estado do município e do estado. Quero cumprimentar os empresários que estão aqui. Quero cumprimentar a nossa sempre deputada Rita Camata. Quero cumprimentar, aqui, os jornalistas. Quero cumprimentar os homens e as mulheres deste estado que eu aprendi a conhecer quando as pessoas me diziam: "Moqueca é a capixaba, o resto é peixada".
Eu quero dizer para vocês que me sinto prejudicado outra vez, porque os números do aeroporto que eu tinha para dizer no meu discurso, ele já disse. Então, eu quero dizer para vocês que o que este companheiro, o Carlos Wilson, está fazendo à frente da Infraero, nos aeroportos brasileiros, seja, possivelmente, algo que não tenha sido feito nesses últimos 10 ou 15 anos. Se não tem um aeroporto numa grande cidade, neste país, nós não queremos saber de que partido é o governador, nós não queremos saber de que partido é o prefeito, nós queremos saber se a cidade precisa de um novo aeroporto, porque um aeroporto é a primeira impressão que um visitante tem da cidade que ele visita. Da mesma forma que um filho fica com a primeira impressão que vê da mãe, um visitante tem a primeira impressão da cidade do aeroporto. E vamos ser francos, já faz muito tempo que o estado do Espírito Santo e a cidade de Vitória merecem um aeroporto com a pujança e com a grandeza desta cidade e deste povo.
Eu poderia dizer porque não foi feito este aeroporto antes. Não foi feito este aeroporto e não foram feitas muitas outras coisas no Brasil. E eu acho que nós precisamos ter em conta uma coisa: em apenas dois anos nós já investimos neste Estado mais do que os últimos 20 anos, que tiveram três presidentes da República.
E, obviamente, fica muito mais fácil fazer um investimento quando a gente sabe que o estado tem um governador do caráter, do comportamento ético de um Paulo Hartung. Não é todo dia que o ser humano produz uma pessoa tão qualificada, não apenas do ponto de vista profissional, mas do ponto de vista ético, do ponto de vista da relação humana, do ponto de vista da defesa dos interesses da sua gente. Nunca vi este homem levantar a voz, nunca vi este homem cobrar alguma coisa como se estivesse cobrando. São duas pessoas que eu conheço assim: ele e o Palocci. Não levantam a voz; pedem sem pedir, negam sem negar, e a gente ainda fica feliz mesmo na negativa. Então, obviamente que é mais fácil trabalhar com uma pessoa que tem um comportamento digno como nosso querido Paulo Hartung.
Mas eu quero aproveitar este pouco tempo que tenho, aqui, para dizer para vocês que eu sou um homem que tem razões de sobra para levantar todo santo dia feliz, alegre e otimista. Primeiro, porque eu acredito nas coisas que faço e acredito que o Brasil não pode prescindir de acreditar nessa oportunidade quase que divina que nós estamos tendo neste momento. Eu queria chamar a atenção, companheiro Paulo Hartung, para uma coisa da nossa geopolítica no continente. Há dois anos muita gente neste país tinha muitas dúvidas: o que vai acontecer com o Brasil se esse tal de Lula ganhar as eleições? Uns inventaram que nós íamos quebrar o Brasil e o Brasil ia ficar isolado do mundo porque o mundo não combinava bem com um Presidente da República que não falava inglês e que, portanto, era um problema para o Brasil.
O que aconteceu, em dois anos? Em dois anos, o que aconteceu é que em nenhum momento da nossa história o Brasil gozou do prestígio internacional que nós temos hoje. Em nenhum momento. Em nenhum momento da nossa história nós estivemos tão integrados como estamos com a América do Sul. A integração na América do Sul era uma peça de retórica para discurso, sobretudo em língua espanhola. Era uma peça maravilhosa de retórica.
E quando nós tomamos posse, Paulo Hartung, nós resolvemos transformar essa integração num fato real. E, por isso, eu visitei todos os países da América do Sul. Por isso eu recebi, aqui, a visita de todos os presidentes da América do Sul, alguns mais de uma vez, para quebrar a desconfiança, para estabelecer uma relação companheira, para tentar mostrar que não havia saída, individualmente, para algum país e, se houvesse, seria para o Brasil e não para os países menores.
No final do ano passado, nós fomos a Cuzco e assinamos o primeiro documento da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações, o que era praticamente impossível imaginar há dois anos atrás. O Mercosul se recuperou, e a nossa relação comercial com a América do Sul cresceu 80% nesses últimos dois anos.
E por que isso está acontecendo? Porque o mundo, tal como está distribuído economicamente e comercialmente, hoje, oferece menos oportunidades nas relações entre os países emergentes e os países ricos. Os Estados Unidos, porque estão envolvidos com as suas guerras, têm pouco tempo para se preocupar com os países pobres. A União Européia, porque sai de 10 países para 25 países e, portanto, não se preocupa tanto com a América Latina, se preocupa em dar as condições para os novos membros da União Européia se desenvolverem, para que haja um equilíbrio no continente. Até porque eles fizeram isso com a Espanha e com Portugal e deu certo; fizeram com a Alemanha Oriental e deu certo, e eles não querem ficar cercados de vizinhos pertencentes à mesma comunidade e pobres.
Bem, se os americanos estão mais preocupados com as guerras, se a Europa está mais preocupada com os seus próprios parceiros, nós tínhamos que procurar outros parceiros. E eu aprendi uma coisa, na vida sindical. Eu, quando comecei a minha vida sindical, queria fazer os trabalhadores compreenderem a necessidade da unidade, e nós fizemos uma revista, que era uma história em quadrinhos, em que a gente contava aquela história do "feixe de vara": se um cidadão pega um gravetinho sozinho, ele quebra; mas se ele pegar um monte de gravetinhos juntos, ele não vai conseguir quebrar.
Foi dessa idéia que nós começamos a pensar na necessidade de unificar os países com certas similaridades, com a mesma igualdade econômica, com o mesmo conhecimento científico e tecnológico. E começamos, então, a nos aproximar mais da África do Sul, mais da Índia, mais da China, mais da Rússia, e tentar criar um pólo que pudesse evitar que nós fôssemos a fatia de mortadela no meio das duas grandes economias do mundo. Era preciso criar um pólo e nós criamos o G-20, em Cancún.
Vocês estão lembrados que parte da imprensa brasileira, sobretudo os editoriais, fizeram críticas profundas, dizendo que nós tínhamos jogado fora uma oportunidade e que em Cancún o Brasil tinha saído enfraquecido, porque tinha brigado com os Estados Unidos e com a União Européia. O que aconteceu? O G-20 não apenas se fortaleceu, como o G-20, hoje, é uma referência nas negociações da Organização Mundial do Comércio. E por quê? Porque nós temos países que não são pouca coisa, nem do ponto de vista econômico, nem do ponto de vista político, nem do ponto de vista populacional, porque, afinal de contas, Brasil, Índia, China, Rússia, África do Sul, significam quase metade da população do Planeta e significa uma saudável economia num momento excepcional de crescimento, neste instante histórico, e passamos a ser levados em conta.
E quando diziam que nós não deveríamos brigar na Organização Mundial do Comércio, nós acabamos de ter três vitórias na Organização Mundial do Comércio. Ganhamos a briga do açúcar contra a União Européia, que diziam que era impossível. Ganhamos a briga contra o algodão nos Estados Unidos e, agora, acabamos de ganhar a terceira briga na OMC, que foi contra o frango salgado, que a União Européia não considerava carne. E, agora, estamos numa briga para fazer um acordo entre a União Européia e o Mercosul para que a gente possa diminuir os subsídios agrícolas dos países ricos para favorecer os países mais pobres. Ora, nós não vamos conseguir isso com facilidade, mas se a gente não tiver uma postura soberana, se a gente não tiver uma auto-determinação e se a gente não colocar na cabeça que respeito é bom, a gente dá e a gente gosta de receber, eles vão sempre tratar a gente como um país secundário, como um país sem importância, como um país que não é levado a sério.
E eu acho que nós estamos vivendo este momento, que eu diria extraordinário, na nossa política internacional. E é importante ter claro que ali ninguém passa a bola para ninguém. Ali ou a gente disputa, bota uma boa caneleira e vai à luta ou a gente perde. E nós achamos que da mesma forma que o século XIX e a metade do século XX foram da União Européia, que também o século XX foi dos Estados Unidos, o século XXI tem que ser do Brasil e da América do Sul e nós não podemos abrir mão dessa perspectiva.
E quando eu estou participando da inauguração do começo de uma obra, de um aeroporto significativo, de uma cidade como esta, eu tenho que estar otimista. Eu tenho que estar otimista porque parecia impossível a concretização desta obra, aliás, parecia impossível o começo desta obra, porque tem muitos problemas, que eu pensei que meus companheiros iam falar. Mas, de repente, inventaram que este aeroporto tinha que ser em Guarapari e não aqui, em Vitória. De repente uma pessoa qualquer faz uma denúncia no Ministério Público e esta obra é embargada durante nove meses, um ano, como o aeroporto de Brasília foi embargado sete anos. As pessoas precisam ter em conta os prejuízos que este país tem com cada obra que fica paralisada seis, sete, oito, nove, dez anos. Se nós precisamos enfrentar os gargalos deste país, meu querido Paulo Hartung, o problema é que tem muito gargalo.
Eu fico me perguntando, de vez em quando, o que fizeram alguns governantes que não fizeram funcionar corretamente os 11 principais portos do nosso país. Quando tomei posse, descobrimos que todos eles precisavam de reforma e vamos fazer, meu querido. Vamos fazer dragagem. Fizemos mudança na legislação tributária para permitir que os empresários possam comprar equipamentos sem pagar impostos.
E eu disse ao Paulo Hartung, na frente do meu Ministro dos Transportes, na mesa do meu ministro José Dirceu: nós já estamos com dois anos de governo, se tiver algum porto, nosso, que tenha um dirigente que seja incompetente, ele pode ser do partido que for, ele tem que sair e dar lugar a alguém que vai trabalhar para que esse porto funcione corretamente, porque o Brasil precisa de portos, aeroportos, de ferrovias, de hidrovias, se a gente quiser, definitivamente, não jogar fora essa oportunidade.
Foi por isso, meus senadores, que nós prezamos tanto a aprovação das PPPs, porque na medida em que o Estado brasileiro está enfraquecido, do ponto de vista dos seus investimentos, é preciso que se estabeleça uma relação entre governo e iniciativa privada e que a gente possa construir as obras que precisam ser construídas no Brasil.
Para os empresários estrangeiros investirem num país, eles precisam de três coisas básicas: primeiro, garantia de que os contratos e as regras são sólidos e serão cumpridos; segundo, se esse país tem infra-estrutura; terceiro, se esse país tem mão-de-obra qualificada e, quarto, se esse país tem mercado para consumir os produtos fabricados. Ninguém investe aqui pelos olhos do Presidente, pela barba do Presidente, pela cara do Governador. As pessoas investem pela solidez das estruturas, das instituições da sociedade brasileira, pela seriedade dos contratos e pela qualificação que a gente pode oferecer para eles.
E é isso que nós estamos fazendo quando oferecemos um aeroporto importante, porque esse é um cartão de visitas para alguém que quiser investir aqui, no estado. Não é mostrar apenas pobreza, mostrar favela, mostrar a criança de rua. Isso não incentiva ninguém a fazer investimento, a não ser nós, políticos, que fazemos o investimento de acreditar que nós vamos mudar isso. Os investidores não querem pensar assim.
Então, nós temos que oferecer as coisas que levam os investidores a investirem. E o aeroporto é o primeiro portal de visita, que pode garantir às pessoas saírem daqui e dizerem: "Este estado não tem volta. Este estado vai, definitivamente, ocupar um lugar de destaque no Brasil, não apenas pelas suas belezas naturais, mas pela capacidade que ele oferece a todos aqueles que aqui querem investir, gerar empregos e distribuir renda".
Eu quero terminar isso aqui, meu companheiro Paulo Hartung, dizendo para você que nós tivemos sorte, você e eu, de pegar o Carlos Wilson sem mandato e colocá-lo na Infraero. Tivemos sorte, porque se ele fosse senador possivelmente ele diria: "Não, não vou largar o Senado, aqui é melhor", ou, quem sabe, estivesse em um Ministério que fosse menos importante do que a Infraero, porque a Infraero é uma empresa que tem alguns bilhões para investimento que alguns Ministérios não têm.
Obviamente que de vez em quando o Carlos Wilson vai lá se queixar que estão cortando o dinheiro dele daqui e de lá. Mas, também, se o Palocci olhar direito, ele gasta demais. Então, tem que ter o equilíbrio entre aquele que quer gastar e aquele que quer manter o equilíbrio das contas, até porque o equilíbrio das contas é que demonstra a seriedade de um governo. É da mesma forma que a gente demonstra o equilíbrio da conta da gente. Se, numa família comum, o marido trabalhar e, depois, gastar mais do que ele ganha, ele sabe que um dia vai quebrar. Quando ele é responsável, ele só gasta aquilo que pode, e é o que nós estamos fazendo.
E por que eu comecei dizendo que sou otimista? É porque eu acho que Deus foi muito generoso comigo. Deus está sendo muito generoso, porque um cidadão que sai de Pernambuco com cinco anos de idade e que não morre de fome até completar cinco anos naquela terra, sobrevive e chega a Presidente da República, Deus não só foi generoso como me benzeu umas quinhentas vezes para eu chegar onde eu cheguei.
Segundo, pegar um país num momento excepcional, em que nós construímos a auto-estima, vocês empresários, vocês militantes do movimento social, vocês dirigentes sindicais, vocês deputados, vereadores, prefeitos, vocês, homens e mulheres, sabem que ninguém consegue fazer nada se a energia negativa for maior do que a energia positiva. Ninguém.
Se você levantar de manhã mal-humorado, desacreditado nas suas possibilidades, esperando encontrar alguém na rua que vai bater no seu ombro e vai resolver o seu problema, não se meta então a governar, não se meta a assumir responsabilidades, porque o nosso papel é o de acreditar que é possível fazer as coisas; o nosso papel é o de acreditar que é possível convencer as pessoas a fazerem as coisas. Quem é, no meio de vocês aqui, que acreditava que a Febraban, a grande poderosa Federação dos Bancos Brasileiros, fosse fazer parceria para construir cisternas no Nordeste brasileiro? Quem é que acreditava? E foram. Já fizeram 10 mil e vão fazer 20 mil. E amanhã vão fazer mais 30, depois mais 40, porque o nosso papel de governo é de ser o indutor, é de convencer, é de passar para as pessoas a idéia de que é possível. Se um presidente senta na sua cadeira e fica dizendo: "ah, não dá? O FMI me mata? A dívida interna me mata? O superávit me mata?" Ora, se ele sabe disso, nem concorra às eleições. Nós temos consciência das dificuldades, mas temos consciência das possibilidades. E o que está acontecendo, aqui, hoje, é uma coisa inusitada, porque é a demonstração de que vale a pena acreditar.
E vou lembrar que eu vim a primeira vez em 2003 para a gente lançar o pacto de segurança pública. E hoje a gente pode, aqui, olhar na cara de vocês e falar: o grande bandido, Vereza, foi condenado a 15 anos de cadeia, no primeiro processo. Sabe por quê? Porque nós acreditamos. E muita gente que está aqui lutou para isso, muita gente. A Irene sabe. Você sabe, João Carlos, muita gente acreditou.
E a economia não tem diferença. Olhe, logo, logo, vocês vão me ver na televisão, num ato com alguns companheiros, comemorando quando a gente chegar a 100 bilhões de dólares de exportação. E vamos chegar. Tem pessoas que reclamam: "ah, mas o dólar está baixo". Mas o cara que deve lá fora quer que o dólar baixe; o cara que compra quer que o dólar baixe; quem vende, quer que o dólar suba. O governo não pode ficar como peteca. O governo tem que permitir apenas que a solidez da macroeconomia permita que o próprio mercado trate de estabilizar o valor do dólar. Não é o governo que vai ser meter a tabelar moeda neste país, até porque essas coisas já foram feitas e os resultados foram um desastre para este país, em pouco tempo.
Eu me lembro de um tempo em que nós levantamos um dia, o real valia mais que um dólar. Quem não lembra desse tempo? E parecia que tudo era maravilhoso. E por conta dessa política irresponsável, de super valorização do real, um belo dia, milhares de brasileiros foram devendo um e acordaram devendo quatro. Os empresários sabem disso. Muitas vezes os empresários não reclamam porque têm muita relação com o governo, então não querem reclamar. Mas muita gente sabe que quase quebrou por causa dessa irresponsabilidade de uma política cambial que não era a realidade brasileira. Então, nós não vamos fazer isso.
Podem ficar certos que eu demorei muito para chegar à Presidência. Perdi três eleições, e eu cheguei. E nós não vamos permitir que, por atitudes impensadas e irresponsáveis, a gente jogue a esperança deste povo no limbo para começar tudo outra vez e, quem sabe, nem começar jamais.
Nós vamos fazer as coisas como têm que ser feitas, do jeito que precisam ser feitas, com a responsabilidade que nós precisamos fazer.
Eu aprendi com um companheiro meu que diz o seguinte: "oh, Lula, o homem tem que ser do tamanho do seu sonho. Se você sonha pequeno, você faz coisas pequenas; se você sonha grande, você faz coisa grande". Eu sou pequeno, mas sonho grande e espero concretizar os sonhos que não são meus, são do povo brasileiro.
Muito obrigado, gente. Boa sorte e vamos, se Deus quiser, voltar aqui para inaugurar este aeroporto.
