Discurso do Presidente Lula: lançamento da ONG Apoio Fome Zero

 

Hotel Unique/São Paulo - SP, 08 de julho de 2003

A Mônica Valdwogel disse que eu farei uma saudação. É que vocês não sabem o que é um pernambucano com um microfone na frente dele.

Meus queridos companheiros e companheiras. Meu caro Antoninho Trevisan. Minha querida companheira Marisa. Minha querida prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Minha querida companheira Maria Lúcia, primeira-dama do estado de São Paulo. Meu companheiro Oded Grajew. Meu companheiro José Graziano. Meu caro José Carlos Bumlai. Meu querido companheiro Marinho. Meus amigos empresários. Empresárias. Prefeitos e prefeitas aqui presentes.

O tema é muito conhecido de todos nós, porque não é de hoje que se fala da fome no Brasil. Em 1946, Josué de Castro escreveu um best-seller chamado "Geografia da Fome". E, se nós analisarmos o que aconteceu de 1946 até agora, passados quase 60 anos, a gente percebe que a questão da fome continua com a mesma dimensão ou, quem sabe, até um pouco mais grave do que em 1946.

É importante lembrar que em 1952 eu saí de Garanhuns para vir para São Paulo exatamente por causa do fenômeno causado pela seca. E eu digo sempre que no Brasil nós utilizamos, de vez em quando, terminologias equivocadas para discutir determinados temas. E o que a gente mais ouve, neste país, são as pessoas dizerem: "É preciso acabar com a seca. É preciso combater a seca."

Ninguém, aqui, nunca ouviu o pronunciamento de um primeiro-ministro canadense dizendo que vai acabar com a neve ou que precisa combater a neve. Eles estabelecem políticas públicas de convivência com o fenômeno causado pela natureza. A seca é um fenômeno da natureza. A fome causada por conta da seca já é irresponsabilidade dos homens que, ao longo de tantos e tantos anos, dirigiram o nosso país.

Vejam, o projeto de irrigação do Nordeste, ou melhor, o projeto da famosa transposição das águas do rio São Francisco, que tanto se discute, data de 1847. Portanto, há 150 anos já se discutia a necessidade de levar água para resolver um dos problemas de uma das regiões do Brasil que é afetada pelo fenômeno da seca. E até hoje não foi feito. O doutor Armando Monteiro, que está aqui, o nosso querido conterrâneo de Pernambuco, conhece bem esse assunto e esse tema.

E, vira-e-mexe, a gente vê um político ir para o Ceará e se manifestar favorável à transposição das águas, porque os políticos cearenses são favoráveis à transposição das águas. Esse mesmo político, que fez um discurso favorável no Ceará, quando chega a Sergipe tem medo de fazer o discurso, porque o povo de Sergipe é contra a transposição das águas. Aí, ele corre para o Rio Grande do Norte e faz um discurso favorável à transposição. Chega à Bahia, "treme nas bases" e se esconde, quando, na verdade, a gente não deveria estar discutindo se a água será do São Francisco, do rio Nilo ou de qualquer outro rio. O que é importante é que a gente leve água a uma região empobrecida que, sem água, não terá chance e nem vez neste país.

Eu acabei de assinar um decreto nomeando o querido pai do Josué, que está aqui, o meu vice, José Alencar, para coordenar um grupo de trabalho para fazer, definitivamente, doutor Antônio Ermírio de Morais, a transposição das águas para o Nordeste brasileiro. Ou seja, ela sairá do papel.

Não vamos discutir se ela vai ser do rio São Francisco, porque nós precisamos revitalizar o rio São Francisco, recuperar os danos causados pelo ser humano na sua volúpia de destruir aquilo que encontra pela frente sem medir as conseqüências. A verdade é que o desmatamento do cerrado nas margens do rio São Francisco tornou uma parte dele totalmente assoreado e, portanto, a gente não pode imaginar que o rio São Francisco tenha o poder milagroso que alguns pensam que tem para resolver todos os problemas do Nordeste. Nós precisamos recuperar o Velho Chico para ele continuar fazendo o que já está fazendo e vamos tentar ver onde tem água para a gente levar.

O Oded falou aqui das cisternas. Essa palavra pode soar até meio pesada, porque nós estamos falando de combater a fome, estamos falando de tantas coisas importantes e, de repente, a gente fala de cisterna, que é uma forma quase medieval de se resolver o problema da água, pelo menos para a família beber ou pelo menos para dar aos pequenos animais.

Agora, quem não vive isso, quem apenas teoriza ou quem apenas lê um bom livro sobre o assunto, não tem a exata dimensão do sofrimento, do que significa a falta d´água. Não tem dimensão.

Eu me lembro, eu tinha seis anos de idade. E quando chovia a gente corria para o quintal para fazer uma espécie de mureta de areia. Fazíamos uma mureta, porque o quintal era uma espécie de descida, e juntávamos a água num pote; íamos pegando numa caneca e colocando num pote. Depois, tínhamos que deixar aquela água assentar. Ela ficava horas assentando e depois é que íamos beber, porque a gente não tinha a cultura de ferver a água, não tinha filtro, não tinha nada. Era in natura mesmo, era bem bruta a água.

Quando não era isso, a gente ia ao açude, quando estava lá o cabrito, o cavalo, a vaca, o boi. A gente pegava água para beber, sem saber se o caramujo era maior do que a caneca que tínhamos na mão para encher o pote. E eu só me dei conta disso quando cheguei a São Paulo. Eu tinha as canelinhas bem finas e a barriga bem grande. Eu achava que era saúde, possivelmente não fosse, como não é a de muitos companheiros que ainda hoje vivem na situação em que vive o povo que está subordinado ao fenômeno da seca no Nordeste.

Quando se fala em cisterna, é preciso criar condições objetivas para que as pessoas possam aproveitar a água da chuva para beber. Não estamos reivindicando nada mais do que isto, ou seja, é quase uma campanha de solidariedade. Eu acho que se o mundo que pode resolvesse ajudar o mundo que não pode, certamente a gente resolveria este problema da cisterna, Oded, com muita, mas com muita facilidade. Porque não custa caro, a gente geraria empregos e garantiria que as pessoas tivessem pelo menos um pouco para resolver o problema da falta d´água.

Quando a gente fala de cisterna, possivelmente algumas pessoas pensem assim: "Ah, mas o problema não é este. O problema é que tem que haver reformas estruturais, é preciso voltar a ter desenvolvimento, é preciso investir em infra-estrutura, é isso que vai resolver." Essa discussão é a mesma que vivi durante muito tempo: as coisas só vão melhorar quando chegar o socialismo. E até não chegar, o que a gente faz? Fica sentado, esperando ele passar, ou a gente vai fazer alguma coisa? Eu acho que isso que nós estamos discutindo, a fome, não acabará por si só, nós é que temos que ter a atitude de estender a mão para ajudar aqueles que não tiveram a mesma oportunidade que nós.

Eu fiquei feliz, Gabriel, quando vi que a Febraban resolveu contribuir com as cisternas. Um gesto, eu diria, que mostra que a solidariedade não tem fronteiras quando a proposta política toca o coração das pessoas. Eu acho que é isso que nós temos que fazer: tocar profundamente o coração das pessoas. Porque cada um de nós pode fazer infinitamente mais do que já fez. É aquele esforço que cada um de nós tem que fazer para ajudar a resolver, coletivamente, os problemas que habitualmente a gente acha que são do Governo. Habitualmente a gente acha que é responsabilidade do governo combater a corrupção, gerar empregos, como se o governo fosse um ser onipotente que pudesse fazer tudo. É como o cidadão que transita aqui, numa rua de São Paulo, na cidadezinha do Trevisan, Ribeirão Bonito, e acha que o prefeito é quem tem que cuidar da rua. Ótimo! Mas seria muito mais fácil o prefeito cuidar se ele não jogasse um papel na rua, se ele não jogasse o palito de sorvete na rua. Ele contribuiria enormemente. É como aquele cidadão que sai com o seu cachorrinho para passear, chega na porta dos outros, faz suas necessidades e vai embora, e alguém tem que limpar aquilo; quem mora naquele portão ou a prefeitura tem que limpar.

Então, na medida em que criarmos uma consciência de responsabilidade coletiva, a gente vai perceber que os problemas que todos nós vivemos podem ser muito mais facilmente resolvidos. E esse é o caso da fome.

Eu já fiz greve de fome. Quando fui preso, em 1980, Alzugaray, eu fiquei seis dias em greve de fome. Mas, ali, era uma greve de fome por decisão política, ideológica. Eu estava preso, não podia me manifestar: "Vou protestar". E, aí, um engraçadinho, que eu não estou vendo aqui, agora, da Fiesp, falou assim: "Nós só vamos negociar se ele agüentar até o ano que vem fazendo greve de fome".

Mas essa greve de fome que fiz, por uma decisão ideológica, está muito longe da greve de fome que envolve milhões de mulheres e crianças inocentes por este país afora, que não querem fazer greve de fome, que não querem protestar, que querem apenas comer e não conseguem ter acesso a isso.

Eu confesso a vocês que não imaginava que a tese de combater a fome tivesse a repercussão que teve. Eu tinha a dimensão do problema. Eu sempre achei que era preciso transformar a fome numa questão política. E, quando digo "uma questão política" não é criar um "partido da fome". Quando a gente fala em política, todo mundo já pensa: "Bom, vai criar um partido, o Partido do Combate à Fome". Não.

Quando eu falo "transformar numa questão política" é quando as pessoas, dentro de casa, começarem a discutir o assunto; quando um filho falar para o pai, à noite, quando ele chegar do trabalho, cansado, e tirar o sapato para descansar: "Pai, e a questão da fome?" Quando a gente conseguir isso, teremos transformado a fome num problema político. Ou, quando a mulher falar para o filho: "meu filho, não deixe comida no prato, porque tem gente passando fome." Aí, transformamos isso num problema político. Aí, tudo fica mais fácil para ser resolvido.

Vejam que engraçado: no dia 10 de dezembro fui conversar com o presidente Bush. Depois que conversei com o Bush, eu estive em Davos, em janeiro, e o presidente Clinton me avisou: "Olhe, o presidente Bush não tem muita sensibilidade para essa questão de políticas sociais, de fome. O negócio dele é outro." Estava no auge da guerra do Iraque e eu senti que, lá, a guerra tinha um peso que não tinha aqui, para nós.

Mas, vejam, passados apenas quatro meses, eu voltei aos Estados Unidos e qual não foi minha surpresa ao saber que o presidente Bush não queria conversar mais sobre guerra, não queria conversar mais sobre o Iraque. Ele queria conversar sobre o combate à miséria no mundo.

Ora, é um passo fantástico. Parece pouco. Mas é um passo extraordinário. Um homem que era visto, por muitos de vocês e por muitos outros políticos do mundo inteiro como insensível ao problema da fome, cinco meses depois a fome foi o teor de parte da nossa conversa, além do desenvolvimento e das negociações entre o Brasil e os Estados Unidos.

Eu estou indo, agora, à Inglaterra, vou à Espanha, vou a Portugal e estou indo exatamente porque quero, a cada possibilidade que eu tiver de falar, tentar chamar a atenção dessa gente para o problema de combate à miséria no mundo.

Porque não é possível continuar do jeito que está, sem que nós tenhamos capacidade de enxergar que estamos gastando muito em armas, sobretudo em armas químicas - que se gasta muito, no mundo - quando isso poderia estar produzindo feijão, arroz e outras coisas que significariam paz. Isso é uma coisa extremamente fácil. Mas essas coisas fáceis são difíceis de enxergar.

Eu tenho certeza de que muitos empresários, aqui, sabem perfeitamente bem quantas vezes vocês procuraram presidentes da República, quantas vezes procuraram ministros com soluções colocadas no papel. "Olhem, é possível fazer tal coisa, é possível fazer isso, fazer aquilo", e passaram-se anos, décadas, e aquilo nunca foi levado em conta. Porque no Brasil a classe política, embora pareça normal, a gente vê que os políticos têm dois ouvidos, mas não escutam direito. E parece que têm três bocas, porque gostam de falar sem parar, como eu estou falando aqui, agora. Mas é assim, e nós precisamos, então, reverter essa situação. O projeto Fome Zero é um projeto teoricamente simples: o povo precisa, no mínimo, fazer três refeições ao dia. A Organização Mundial da Saúde diz que as pessoas precisam de, no mínimo, 2.250 calorias diárias para sobreviver. Isto para quem trabalha numa britadeira ou no cabo da enxada. Quem trabalha no escritório não precisa de 2 mil, pode ser 1.500, 1.600, porque senão fica obeso e faz mal, vai gastar mais com saúde depois do que se ajudasse alguém a não passar fome.

É uma coisa simples o que nós poderíamos fazer. Bom, se é simples, por que não foi feito? Não foi porque essa parte da população que passa fome ainda não adquiriu capacidade de pressão na sociedade. E político é muito sensível à pressão. E, normalmente, quem faz pressão é quem tem possibilidade de chegar perto do poder. Aqueles que estão no Vale do Jequitinhonha, na periferia de São Paulo, aqueles que estão desempregados, não têm chance de fazer pressão. Como a nossa cabeça reage de acordo com o chão onde nossos pés pisam, a gente não sente a pressão desses que deveriam pressionar. Então, o projeto Fome Zero tentou chamar a atenção para isso.

Este povo brasileiro tem um coração fantasticamente grande, e não é por causa de doença de Chagas, não - o coração é grande de amor, de vontade de fazer as coisas. Eu me lembro quando se criou a história do "Ouro para o bem do Brasil". Eu me lembro da minha mãe, a gente não tinha o que comer, mas ela deu a aliança dela com prazer, porque acreditava que a gente estava construindo uma outra coisa. E quantos milhões deram. Agora, o que a gente está querendo é outra coisa. É tentar criar uma idéia de solidariedade entre os seres humanos para ver se a gente consegue encontrar, coletivamente, soluções para problemas que vêm se arrastando ao longo dos anos.

Eu vou dar um pequeno exemplo para vocês. Nós começamos o projeto em Guaribas e Acauã. Isso logo foi vítima de estardalhaço, porque tinha segmento da imprensa que achava que, ao anunciar o Fome Zero, a fome acabava no dia seguinte. "Tem que começar a cobrar a solução da fome no Brasil", como se fosse possível você acabar, num dia, com um problema que vem se arrastando por séculos. Pois bem, nós estamos há pouco tempo lá, fazendo esse trabalho. Vejam que absurdo: em Guaribas, 250 crianças eram internadas por mês com diarréia; hoje, são menos de 20. A mortalidade infantil, depois que as crianças começaram a comer, praticamente foi reduzida a zero. E a produção de feijão na cidade bateu recorde. Sabem por quê? Porque nós estamos dizendo que vamos comprar o feijão que eles produzirem para o próprio programa Fome Zero. É um pequeno exemplo, mas vamos quantificar este exemplo sobre o que nós fizemos no semi-árido nordestino. Nós assumimos a responsabilidade de comprar os produtos agrícolas dos pequenos proprietários que trabalham no semi-árido nordestino. Não sabemos quanto, mas vamos comprar. Vamos comprar para quê? Para mantê-los e incentivá-los a continuar produzindo. E se houver seca e eles não conseguirem produzir, nós temos que dar, no mínimo, uma quantia em dinheiro para que possam sobreviver e não tenham que ir para outro estado, para outra cidade, largando a sua família, largando a sua cultura. E se o mercado oferecer um preço razoável, eles vão vender para o mercado. Mas se o mercado oferecer um preço menor, nós temos que garantir a eles um preço compatível com aquilo que eles gastaram, para que possamos incentivá-los a continuar produzindo.

Esse exemplo de Guaribas pode ser levado para todo o território nacional. E, aí, entra a política da solidariedade, que eu tenho visto tantas pessoas fazerem. Tenho visto o nosso amigo Abílio Diniz, tenho visto empresários da Nestlé e tantos outros empresários fazerem política de solidariedade, o que não vai resolver definitivamente, é quase um alento. É um alento porque vocês não sabem o que é uma pessoa não ter o que comer e receber um prato de comida. Não sabem o significado que isso tem na cabeça da pessoa.

Essa política não vai resolver, porque ninguém tem condições de dar comida a vida inteira. E esse não é o ideal do programa Fome Zero. O ideal do Programa é criar as condições estruturais para que cada ser humano, neste país, viva às custas do seu trabalho. Porque é isso que dá dignidade ao ser humano: é viver do seu trabalho. Mas, enquanto isso não vem, nós temos que fazer alguma coisa.

Por isso, meu querido Antoninho Trevisan, eu quero lhe agradecer. Acho que, nessas conversas suas com o Oded, com o Camargo, com o José Carlos Bumlai e com tantos outros companheiros, vocês criaram uma ONG.

Se eu soubesse que o programa Fome Zero juntaria, numa noite, o PIB que está reunido aqui, eu teria sido candidato a presidente da ONG e não candidato a presidente do Brasil. Porque essa ONG nasce com uma força extraordinária. Eu acho que, daqui a pouco, você estará emprestando dinheiro para a gente fazer os investimentos e as reformas que o Brasil precisa que sejam feitas. Vamos fazer o Fome Zero e, depois, vamos para outras coisas mais.

Mas, eu quero lhe dar os parabéns, Antoninho. O que você fez, nesta noite de hoje, é uma demonstração de força excepcional e uma demonstração de solidariedade.

Outro dia eu disse: "Não existe um ser humano totalmente mau, nem todo mundo é 100% bom, nem todo mundo é 100% mau." O grande problema é que a gente não sabe aproveitar as coisas boas que as pessoas têm. E eu acho que, aqui, o que nós estamos percebendo é o seguinte: em determinadas coisas, em se tratando de Brasil, em se tratando de combater a miséria, o que a gente percebe é que não existe a linha divisória ideológica em nosso meio.

Todos nós somos brasileiros. Nós não dormiremos direito enquanto deitarmos a cabeça no travesseiro e soubermos que tem gente passando fome perto de nós. E para quem mora no Morumbi é mais triste ainda, porque do 27º andar está vendo uma favela, embaixo da sua janela, de pessoas que vão dormir sem ter o que comer. Ninguém se sente feliz com isso. Ninguém sente prazer. Sabe por quê? Quem é empresário e precisa vender os seus produtos vai tendo que definir qual é o tipo de consumidor que ele quer, se é aquele consumidor acostumado, Afif, a só comprar a cesta básica e produtos de terceira qualidade, ou se a gente vai dar para as pessoas o direito de escolher produtos de primeira qualidade para comprar.

É esse o Brasil que vocês sonham, e é esse o Brasil que eu sonho. Até porque fica muito mais barato dar um prato de comida para um ser humano em liberdade do que ter que sustentá-lo com um prato de comida numa cadeia, depois que ele cometer barbaridades, como se comete aqui, no país, a vida inteira.

Eu quero, também, agradecer, de coração, o trabalho do Oded, Alzugaray, Graziano, Marinho - que é o presidente do Consea, e tantos empresários que eu sei que estão contribuindo. Eu até pensei em fazer uma lista de nomes, mas não seria prudente, porque alguém poderia ficar de fora e ficar magoado.

Mas, eu quero agradecer a vocês. Eu quero dizer que esse gesto que vocês estão fazendo, na noite de hoje, pode marcar um novo momento na história política deste país. Pode marcar um novo momento no tipo de comportamento que políticos, empresários e a sociedade brasileira vão ter, daqui para a frente.

Afinal de contas, resolver o problema do Brasil não é só tarefa do governo e não é tarefa de uma geração. É, na verdade, tarefa de toda a nação. Todos nós temos deveres e temos direitos. Todos nós, portanto, temos que fazer aquilo que nos é pertinente mas, também, temos que acatar aquilo que a sociedade cobra. O governo pode fazer uma parte, e vai fazer. Mas eu tenho certeza de que esse gesto que vocês fizeram, hoje, é de certa forma muito mais significativo e mais forte do que qualquer governo.

Quero terminar, Antoninho Trevisan, dizendo a você, como companheiro inspirador dessa ONG, que a cada dia que passa, estou mais otimista com o nosso país, e eu digo, sempre: "O presidente de um país que tem o povo excepcional que tem o Brasil, não tem por que reclamar da vida ou porque ficar chorando."

Eu acho que não há, neste momento, espaço para pessimismo, para ficar chorando aquilo que não está acontecendo. O momento é de fazermos acontecer, porque o Brasil precisa de mim, mas precisa muito mais de vocês, que podem muito mais do que o governo. É só querer que a gente muda este país.

Muito obrigado e parabéns a todos vocês.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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