Palácio do Planalto, 22 de dezembro de 2004
Bom, na verdade, eu vou dizer meia dúzia de palavras, sobretudo para agradecer ao empresário Marco Ghisolfi que, quando esteve comigo, demonstrou todo o interesse do seu grupo em fazer investimentos no Brasil.
E, para mim, não por ser pernambucano, mas por ser brasileiro, é extremamente importante este gesto, esta decisão da empresa e, sobretudo, a decisão da Petrobrás de estudar com carinho a possibilidade de um acordo para aumentar a capacidade produtiva de um produto que o Brasil precisa, não apenas para o seu consumo interno, mas para exportar também, e eu fico feliz.
Eu fico feliz porque a Petrobras, Marco, para você, que é quase irmão de sangue porque é italiano, a Petrobras é aquela empresa que todo país gostaria de ter; é a empresa que tem a rentabilidade que todo país gostaria que as suas empresas tivessem; é a empresa que tem o conhecimento tecnológico que toda empresa gostaria de ter; é a empresa que trabalha com um produto que muitas outras empresas gostariam de trabalhar; e é uma empresa que tem um quadro de funcionários especializados que muitas empresas do mundo gostariam de ter. E, sobretudo, a Petrobras é uma empresa que tem dimensão da sua importância para o desenvolvimento do Pólo Petroquímico no nosso país. Ela sabe, tem consciência de que é a grande parceira.
E um Pólo de Poliéster é uma coisa extraordinária para nós, porque o Brasil, embora ainda não tenha explorado toda a sua densidade, tem vocação para competir com qualquer país do mundo na produção não apenas de poliéster, mas na confecção das coisas que utilizam o poliéster. Então, eu acho que é uma parceria, eu não tenho dúvida nenhuma de que vai sair uma parceria.
A segunda coisa é que quando o Humberto Costa me procurou, a primeira pergunta que eu fiz para ele foi a seguinte: "Por que você e não o Furlan? Por que foi o Humberto que me trouxe o Marco e não o Furlan?"
Depois, eu falei: "Bom, não quero saber porque foi o Humberto. O que eu quero saber é que tem um empresário disposto a investir no Brasil e cabe a mim tentar convencê-lo de que o Brasil é uma boa alternativa para os investimentos de um grupo que quer, sobretudo, trabalhar essa questão do Nordeste".
E por que o Nordeste? Porque eu acho que chegou o momento da gente tirar o Nordeste do atraso a que ele foi submetido durante décadas e até séculos. O Nordeste brasileiro precisa de uma chance, como precisam tantos outros setores da sociedade. Mas a região Nordeste precisa de ter uma chance de provar que tem condições de fazer o que qualquer outra região do país faz.
E, na Presidência da República - Armando, Marco, Humberto, Dilma, Paulo Roberto, da Petrobrás - a gente não escolhe estado, a gente não escolhe região. Muitas vezes, se perguntado, a gente dá um palpite. Por exemplo, quando a Petrobras foi fazer um contrato das plataformas e dos navios, havia uma disputa se tudo ia ser feito no Rio ou se a gente iria dar um pedaço para os outros estados. E nós conseguimos, embora deixando a maior parte no Rio, demos um pouco para o Espírito Santo, um pouco para São Paulo, um pouco para o Paraná, um pouco para o Rio Grande do Sul e um pouco para a Bahia, para distribuir um pouco a geração de emprego e de riqueza no país.
Quando os companheiros da Camargo Correia me procuraram, aqui, a respeito do estaleiro, e vieram com uma discussão se tinha possibilidade de ser em Pernambuco ou no Espírito Santo, eu liguei para o nosso companheiro Governador do Espírito Santo e falei: "Olha, eu acho que o Espírito Santo tem algumas vantagens comparativas que Pernambuco ainda não tem. Vocês já têm o petróleo. Então, deixem, pelo menos, o estaleiro ser feito em Pernambuco, porque tem um porto que precisa ser explorado, é um porto importante.
É a mesma coisa com relação à produção de poliéster no Nordeste. Por que Pernambuco e não outra região? Porque eu acho que Pernambuco tem todas as condições. E nós precisamos também ser justos e agradecer o comportamento do governador Jarbas Vasconcelos, que é parceiro nosso nesse convencimento do Grupo Mossi & Ghisolfi de se instalar em Pernambuco, porque está oferecendo oportunidade de infra-estrutura para que o grupo vá para lá.
E também porque nós queremos fazer com que a capacidade produtiva do país se espalhe um pouco pelo território nacional, não fique apenas numa região ou num estado, mas que se espalhe um pouco, porque assim nós iremos fazer muito mais justiça social e ter um desenvolvimento mais equilibrado, mais eqüitativo.
A questão das universidades, Humberto, nós fizemos, em Pernambuco, mas nós fizemos também em Dourados, no Mato Grosso do Sul; no Paraná, no Vale do Mucuri, e em Teófilo Otoni, Minas Gerais. E a minha idéia é que, a cada ano, a gente possa espraiar um pouco as universidades, não nas capitais ou nas grandes cidades, mas espraiar campi das universidades por várias regiões empobrecidas do país, como fizemos com o Centro de Tecnologia do Semi-Árido, que instalamos em Campina Grande.
E eu acho que da mesma forma nós pensamos, meu caro Armando, no Projeto Biodiesel. O Projeto Biodiesel prevê, um dia, quem sabe, mudar a matriz de energia do Brasil fazendo com que a Petrobras possa exportar todo o ouro negro que ela consegue extrair e que a gente possa ter uma economia tocada, internamente, a biodiesel, nossos carros, nossos caminhões, nossos tratores. Esse é um desejo. Agora, esse projeto que, a médio prazo, é portentoso, em curto prazo tem uma finalidade social extremamente importante, que é começar pelas regiões mais empobrecidas do país. Outra vez o Nordeste brasileiro, o Vale do Jequitinhonha, o Norte do país, porque é obrigação do governo criar essas oportunidades de começar o desenvolvimento, combinando isso com justiça social.
Vai acabar essa reunião aqui e, logo, logo, eu vou entrar numa outra reunião, onde nós vamos discutir a questão da Transnordestina. Eu ouço falar naquela ferrovia há muitos e muitos anos, e é preciso preparar, até porque vai ser preciso transportar os produtos que você vai fabricar lá.
Eu acho extremamente importante. E no que depender da nossa vontade, nós vamos fazer com que ninguém, nunca mais, tenha medo de fazer qualquer investimento no Brasil.
Eu penso que o terrorismo, feito durante 2001 e 2002, desapareceu do cenário. Os números da economia com que nós vamos terminar o ano são os melhores, alguns dos melhores dos últimos dez anos. E nós estamos convencidos de que o Brasil só vai alcançar um patamar de país desenvolvido, definitivamente, na hora em que nós, brasileiros, acreditarmos em nós, e na hora em que nós fizermos as coisas certas, na hora em que nós dermos os passos do tamanho das nossas pernas, sem fazer nenhuma aventura descabida. Ou seja, fazer as coisas que precisam ser feitas, olhar uma combinação de política de desenvolvimento e de crescimento, com uma forte política social.
Foi para isso que nós fomos eleitos e vamos fazer isso. Se você, Marco, conhecer outros grupos de origem italiana que queiram fazer investimentos no Brasil, nós aqui estaremos de braços abertos para, não apenas lhe dar a oportunidade, mas lhe dar o prazer de trazer novos investimentos para o Brasil.
Muito obrigado. Muito obrigado aos ministros que trabalharam essa possibilidade. Obrigado aos representantes do governo de Pernambuco, que trabalharam para que isso acontecesse. Obrigado à Petrobras. E, sobretudo, aos deputados, que tiveram um ano exitoso e eu espero que ainda estejam aqui para completar a obra, votando o Orçamento até o dia 30.
Mas eu estou muito feliz porque ontem o Senado votou o Projeto de PPP, a Câmara vota ainda por esses dias. E eu acho que todos nós poderemos passar o Natal e o Ano Novo com a consciência tranqüila do dever cumprido. Aí, todos nós começaremos 2005 com muito mais otimismo, com muito mais crença, e acreditando que nós temos condições de fazer o Brasil ocupar um espaço muito maior e muito mais sólido na economia nacional.
Por isso eu quero desejar Feliz Natal a todos vocês. Um Feliz 2005 e, podem ter certeza, vai ser melhor que 2004. Podem ter certeza, eu vou continuar vendendo mais otimismo do que vendi em 2004, porque eu acho que as coisas só dão certo se a gente acreditar que vão dar certo.
Então, Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todo mundo. E, Marco, Feliz Natal para você também.
