Santo André-SP, 02 de dezembro de 2005
Meu companheiro Hélio Costa, ministro das Comunicações, Meu companheiro Marinho, ministro do Trabalho, Senador Aloizio Mercadante, Deputado federal Jamil Murad, Deputado federal professor Luizinho, E deputado federal Vicentinho, Meu querido companheiro João Avamileno, prefeito de Santo André. Meus amigos deputados estaduais. Meu caro João Carlos Meirelles, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Prefeitos e prefeitas da região presentes a este evento Senhor Carlo Buora, diretor-executivo do Grupo Telecom Itália Pirelli. Senhor Giorgio della Seta, presidente da Pirelli do Brasil e da Telecom Itália América Latina Vereadores aqui presentes. Senhor Mário César Pereira de Araújo, presidente da Tim do Brasil. Meus amigos, minhas amigas. Meu caro, querido companheiro Mino Carta, que homenageia a colônia italiana. Caro Roberto Daza. Embaixador Azambuja. Meus amigos e minhas amigas
Não estava prevista a fala do Presidente, mas quando fazemos uma visita numa cidade como Santo André, que faz parte da minha vida, mesmo tendo nascido em Garanhuns, quando visitamos um pólo tecnológico da magnitude desse que a Tim está montando aqui, onde antes foi uma grande fábrica da Pirelli, e quando presenciamos jovens, meninas e meninos, com idades de 18 a 23, 22, 21 anos de idade trabalhando com a cara extraordinariamente feliz, como nós vimos nesse call center da Tim, eu não poderia deixar de dizer algumas palavras.
Sem repetir o que aqui já foi dito, mas para dizer a vocês que o Brasil está vivendo um momento em que grandes definições precisam ser tomadas, pensando no Brasil que nós queremos para os próximos 15, 20 ou 30 anos. E para esse Brasil do futuro que precisamos construir, nós precisamos ter em mente que não existe outra coisa mais importante a fazer a não ser acreditar na formação intelectual e profissional da nossa gente.
Ao sair daqui, nós vamos dar o pontapé inicial na Universidade Tecnológica do ABC. Essa semana, demos o pontapé inicial na Universidade Tecnológica do Paraná. Depois vamos dar um pontapé inicial numa nova Universidade Federal no Recôncavo Baiano e, depois, vamos dar o pontapé inicial numa outra universidade federal, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. E, depois, vamos transformar cinco faculdades existentes hoje em cinco universidades federais. E, depois, vamos fazer 27 extensões de universidades federais, que normalmente estão nas capitais, para o interior do país. E, depois, vamos dar o pontapé inicial em 32 escolas técnicas.
Tudo isso, junto com a extraordinária criatividade do nosso Ministério da Educação, através do ministro Fernando Haddad e do Tarso Genro, quando era ministro, de criarem um programa educacional como o ProUni, que transformou algumas isenções de impostos em bolsas de estudos, e conseguimos, em janeiro deste ano, introduzir 112 mil jovens a mais nas universidades particulares, com uma coisa muito interessante, Vicentinho, 38 mil jovens afrodescendentes. Eu penso que um número nunca visto na história do nosso país.
E este ano já foi feito o Enem, e este ano, possivelmente, tenhamos mais 100 mil vagas ou 112 mil vagas, para que a gente possa, em pouco tempo, entre as escolas públicas e os convênios com as escolas particulares, nos próximos quatro anos, quem sabe, atingir 760 mil novos estudantes universitários fora aqueles tradicionais das escolas já existentes.
E ainda este mês nós deveremos tomar medidas importantes para garantir mais possibilidade de mais jovens poderem entrar na universidade, porque ou fazemos isso - e fazemos, companheiros deputados, os deputados aprovarem o Fundeb com uma certa urgência, para que ele comece a funcionar já no próximo ano - ou nós iremos fazer com que a população brasileira perca mais um ano de oportunidade para melhorarmos a qualidade do ensino fundamental e, sobretudo, darmos aos jovens dos estados mais pobres as oportunidades que as crianças e adolescentes dos estados mais importantes do Brasil, do ponto de vista financeiro, já tiveram.
E estamos fazendo isso porque acreditamos que esse é o caminho que pode levar o Brasil a sair do eterno clube dos países em vias de desenvolvimento e passar a ser um país definitivamente desenvolvido. Fazer com que o Brasil, que há pouco tempo atrás era um país exportador de produtos in natura, de matéria-prima, e que hoje é um país que exporta não apenas a soja ou o minério de ferro, mas que exporta celular. Este ano serão dois bilhões de dólares de exportação de celulares. Exportamos aviões, e exportamos aviões para os Estados Unidos, exportamos aviões para o Canadá, que concorre conosco na produção de aviões. Mas exportamos, também, outros produtos manufaturados que representam, hoje, praticamente 50% das nossas exportações, que saíram de 60 bilhões para 117 bilhões e, se Deus quiser, no ano que vem chegaremos a 150 bilhões de dólares de exportação.
Isso numa demonstração de que o Brasil entrou em um momento virtuoso da sua história. Eu digo sempre que nós não podemos perder a oportunidade de permitir que o Brasil dê um salto de qualidade. Um salto de qualidade, quando a gente visita um call center como este e vê essa quantidade imensa de jovens trabalhando, meninas e meninos que, se não tivessem esta oportunidade, estariam possivelmente em casa ou sentados no sofá vendo televisão ou, quem sabe, estivessem fazendo alguma coisa que, certamente, não seria tão útil quanto estar trabalhando no call center. Jovens esses, todos ainda precisando, quem sabe, entrar na universidade ou terminar a universidade.
Este é o desafio que está colocado para nós. Este é o desafio que está colocado para o estado de São Paulo, para os estados brasileiros e para o Brasil. O Brasil precisa ter em mente que ele só será definitivamente grande quando se transformar em um país que exporta igualmente produtos, máquinas, produtos agrícolas, mas também exporta conhecimento. Aí, sim, nós estaremos dando um salto de qualidade na nossa história.
E a visita a um centro como este é marcante porque, quem tem filhos, sabe perfeitamente bem o que significa a oportunidade de trabalho, a história do primeiro emprego, porque o jovem, embaixador Azambuja, muitas vezes é vítima de incompreensões. Ele sai de casa para procurar o emprego, tem até uma certa formação, mas quando ele chega no local, pedem três anos de experiência. Se ele nunca trabalhou, como é que ele vai ter experiência? Alguém tem que dar uma oportunidade para esse jovem chegar a ter o seu primeiro emprego.
E o call center está dando esta oportunidade. Na visita, eu perguntei para todos com quem eu conversei, meninas e meninos: "é teu primeiro emprego?, é teu primeiro emprego?" Para a maioria absoluta é o primeiro emprego. Da mesma forma que a maioria absoluta tem como desejo, agora que já tem o seu emprego, voltar a estudar e fazer uma universidade.
Pois bem, vocês da Tim, meu caro Della Seta, deram a oportunidade para esses jovens terem o primeiro emprego. Nós, agora, enquanto Estado brasileiro, precisamos complementar, dando a oportunidade de eles poderem realizar o outro sonho, que é estudar. Esta combinação entre o trabalho e o estudo é o que pode significar a gente fazer com que a nossa juventude, os nossos adolescentes voltem a ter esperança no nosso país e voltem a acreditar que ele será a razão do futuro deste país.
Esses dias, Della Seta, eu fui a Recife inaugurar um programa chamado ProJovem, um programa que teve como objetivo pegar jovens de 17 a 24 anos, que não tinham terminado o ensino fundamental ou que, às vezes, tinham terminado o ensino fundamental e não tinham feito o segundo grau. Nós fizemos um convênio com as 27 capitais, demos a esses jovens uma ajuda, me parece, Emília, de 100, 120 reais... 150 reais a esses jovens para que eles voltassem a estudar e, na parte em que eles não estiverem estudando, eles prestem um trabalho comunitário, arrumado em parceria com a prefeitura.
Aqui em São Paulo se inscreveram 35 mil jovens da periferia, 18 já estão cadastrados; no Rio de Janeiro se inscrevem 29 mil jovens; e eu fui a Pernambuco, na inauguração, na aula inaugural (estão sempre esquecendo água aqui). Um dia eu vou andar com uma garrafa d´água, aqui do meu lado, para não esquecer nunca.
Eu fui a Recife participar da primeira aula do Programa PróJovem - acho que 9 mil jovens se inscreveram. E essa semana eu recebi a seguinte notícia: primeiro, a emoção que toma conta dos professores quando entram na sala para dar aulas para esses jovens, porque eram jovens que estavam no fio da navalha para cair na marginalidade, porque não tinham estudado, não tinham emprego e estavam sem expectativa. Pois bem, esses jovens que fazem os professores chorarem dentro da sala de aula, me deram uma supressa extraordinária, o melhor aluno de todos os inscritos em Recife, na capital de Pernambuco, é um presidiário, é um jovem que está preso e que sai da cadeia para ir estudar e depois volta para a cadeia. É o aluno mais estudioso do curso.
Por que eu contei essa história para vocês? Porque ela se repete no Consórcio da Juventude, do Ministério do Trabalho, porque ela se repete na Escola de Fábrica, do Ministério da Educação, e porque ela se repete em todos os lugares em que alguém estenda a mão a alguém que não teve oportunidade. Na medida que as prefeituras, os governos estaduais, o governo federal, as empresas, estendem a mão e dizem a um jovem que está desanimado, que não quer mais nada: "vem, que eu vou te dar uma oportunidade", o sucesso, meu caro Della Seta, o sucesso, meus caros diretores da Pirelli e da Tim, é a fisionomia bonita e alegre desses jovens que nós vimos, ali, trabalhando. Jovens com esperança, jovens com crença. É este país que pode dar certo. Não é um país em que a gente acorda um dia com uma notícia ruim, no jornal, e acha que acabou o país. No outro dia, acorda com uma boa, pensa que salvamos o país. No outro dia, acorda com uma ruim e, outra vez, o país acabou. Não.
Um país é como um ser humano. Certamente o Roberto D'Ávila faz check-up todo ano, está ali com uma cara saudável. Não é porque ele teve um mal-estar agora que alguém pode sair dizendo que o Roberto D'Ávila está doente. Pelo contrário, com essa cara saudável vai viver 100 anos. Eu estou dizendo isso para dizer o seguinte: não é porque saiu uma matéria de que o PIB brasileiro, no segundo trimestre, caiu, que o Brasil está doente. O Brasil nunca esteve tão saudável e com tanta perspectiva de consolidar um tempo virtuoso de crescimento. Esses jovens a quem você está dando emprego, Della Seta, fazem parte dos 3 milhões e 800 mil empregos com carteira assinada que foram criados nesses últimos 35 meses. E, certamente, quando você tiver, aqui, 2 mil e quinhentos jovens trabalhando, eles farão parte do 5 milhões de jovens com carteira profissional assinada que nós pretendemos criar, porque o ano que vem a economia vai crescer, vamos gerar mais empregos, gerar mais salários, mais distribuição de renda. E aqueles que defendem a teoria do quanto pior melhor, irão continuar defendendo essa teoria, mas ficarão para trás e o povo brasileiro seguirá a sua trajetória vitoriosa.
Muito obrigado e meus parabéns!
