Cruzeiro do Sul-AC, 06 de abril de 2004
Se os meus companheiros prefeitos, deputados, senadores, ministros, secretários de Estado e o prefeito da cidade me permitirem, eu gostaria de homenageá-los citando apenas o nome do governador Jorge Viana, para que a gente pudesse ganhar um pouco de tempo. Porque aqui, no Acre, vocês estão no horário de 6h20 da tarde, e nós já estamos no horário de 8h20 da noite. Nós vamos chegar em Brasília às 2h20 da manhã, se sairmos daqui no horário que estamos prevendo sair e, amanhã, já temos reunião às 9 horas.
Eu não posso falar muito, porque a dona Marisa, quando me vê falar muito, fecha a cara e eu tenho que parar de falar logo, para cumprir os horários.
Mas eu quero dizer para vocês da alegria de estar aqui, depois de 14 anos, porque a última vez que eu vim na cidade de Cruzeiro do Sul foi em 1990. E tive a oportunidade de conviver com o povo acreano desde 1979.
A minha relação com o Acre é de muito carinho e respeito, porque quando eu chego num estado em que o povo sabe cantar o seu hino, é porque esse povo tem uma coisinha a mais do que aqueles que não sabem.
E o povo acreano aprendeu, porque este estado nasceu de uma luta muito forte dos acreanos, para que nós pudéssemos transformar isso aqui, primeiro em território brasileiro, depois em estado. E, depois, num estado que tenha um desenvolvimento sustentável, que possa melhorar a qualidade de vida do nosso povo.
E o que nós viemos fazer aqui, hoje, foi exatamente isso. Antes, eu quero lembrar - e o companheiro Jorge falou do campo de futebol, a meninada ficou alegre aí - mas eu quero saber o seguinte: eu quero saber quantos jogadores o estado do Acre vai produzir para jogar no Corinthians, que está mal das pernas, lá no meu querido estado de São Paulo.
Eu queria dizer algumas coisas para vocês. Vocês sabem que nós estamos há 500 dias, aproximadamente, no Governo. É muito pouco, porque os outros governaram 500 anos, e nós só temos 500 dias.
Entretanto, nós temos consciência, porque convivemos com vocês já há muitos anos, e quando um companheiro como o Jorge Viana ou como os nossos senadores, deputados, ou prefeitos que a gente encontra numa reunião em Brasília, contam para a gente que, às vezes, para um acreano se deslocar de uma cidade para outra leva cinco dias num barquinho; ou, quando o Jorge Viana conta para a gente que aqui, no Porto, o povo tinha que descarregar as cargas subindo num barranco, em condições totalmente desumanas, para ganhar 5 reais a cada tonelada que descarregasse; ou, quando o companheiro Jorge Viana conta para a gente que no estado do Acre não tem pedra e não tem areia da qualidade que necessita, e muitas vezes, tem que importar pedra do estado de Minas Gerais, ou de Manaus, ou de Rondônia, e que, às vezes, essa pedra e essa areia trafegam nesse rio por 40, 30 ou 20 dias até chegar aqui. Muita gente pensa que está ouvindo uma coisa do outro mundo, que isso não é verdadeiro.
Agora, nós temos um ministro dos Transportes que conhece esta área, porque foi prefeito de Manaus durante oito anos - ou melhor, não completou oito anos porque saiu, agora, a meu pedido, para ser ministro dos Transportes - foi superintendente da Suframa e, portanto, conhece bem a região.
Eu acho que nós temos todas as condições de recuperar o tempo perdido nesta região Norte do nosso querido Brasil, que foi tão esquecida pelas autoridades, normalmente, autoridades que só conheciam o Sul do nosso país ou, no máximo, Brasília.
E vocês sabem que a gente não pode fazer tudo de uma vez. Vocês sabem que o Brasil é muito grande, tem muitos problemas. São quase 6 mil municípios, e a gente vai ter que ir dando um pedacinho para cada um, para que possamos chegar ao final de quatro anos e todos possam estar satisfeitos, porque comeram do bolo que é a riqueza produzida pelo povo brasileiro.
Mas, ao mesmo tempo, temos consciência de que, se todos têm direito, aqueles que estão mais necessitados têm mais direitos e, portanto, têm que ter prioridade.
Hoje, veio comigo o Ministro da Reforma Agrária, para que assinássemos um documento assumindo um compromisso de desapropriar, praticamente, 70 mil hectares, lá em Manuel Urbano, para fazer um assentamento onde as pessoas possam, de forma muito correta, fazer a derrubada da árvore, fazendo um manejo correto, para que outra árvore nasça e para que, daqui a alguns anos, se possa cortar essa outra árvore, sustentar sua família e, assim, conseqüentemente, as gerações futuras sobreviverem às custas de um trabalho responsável.
Da mesma forma, trouxemos aqui o nosso Ministro da Saúde, que veio comigo visitar o Hospital de Hansenianos em Cruzeiro do Sul, para assumir um compromisso de que, até o final do ano que vem, vamos acabar com a hanseníase no país, para que o Brasil saia do rol dos países que ainda mantêm essa doença.
E trouxe comigo também o nosso Almirante Comandante da Marinha. Aliás, eu quero dizer que não poderia ter espetáculo mais bonito do que um barco daquele tamanho para prestar atendimento ao povo do Acre e de Cruzeiro do Sul, pelo menos por três meses por ano. Eu quero agradecer aos oficiais da Marinha, que estão lá, e aos marinheiros pelos bons serviços prestados ao povo do estado do Acre.
E quero dizer para vocês que é muito difícil a gente fazer promessa e, depois, não cumprir. Eu disse ao companheiro Jorge: uma vez, fui a Santarém, no estado do Pará, e os meus companheiros do PT, do PC do B, que estou vendo aí - quero até prestar uma homenagem a todo mundo, mas, em especial, a esses que estão com as bandeirinhas molhadas e enroladas aí, porque são militantes que, eu diria, desfraldam as suas bandeiras - mas, uma vez, me pegaram, em Santarém. Em Santarém tem o Marco Zero. No Marco Zero, quiseram que eu assumisse o compromisso de construir a famosa estrada Santarém-Cuiabá. Ou seja, havia uma pressão e eu dizia - isso na época de 1989 - "não vou prometer, gente. Esse negócio de a gente ficar prometendo uma coisa ali, outra coisa acolá, depois, a gente ganha e não pode fazer, aí, vão dizer que a gente é mentiroso".
Eu prefiro ganhar e fazer depois, do que prometer. Não prometi. Perdi a eleição em Santarém não por causa disso. O Collor ganhou as eleições. Já passou o Collor, já passaram dois anos de Itamar, já passaram oito anos de Fernando Henrique Cardoso e eu, que não prometi, sou eu quem vai fazer a BR-163, ligando Santarém ao estado do Mato Grosso.
Da mesma forma, a BR-364. Eu sei da paixão, não paixão por vaidade, mas a paixão pela importância que essa estrada pode ter para o desenvolvimento de todas as cidades por onde ela passa, para o desenvolvimento do estado do Acre, para o desenvolvimento da cidade de Cruzeiro do Sul. Mas seria leviano da minha parte dizer aqui "eu vou fazer, vou acabar e vou inaugurar", porque vocês sabem que durante oito anos as estradas brasileiras foram abandonadas e, hoje, temos que recuperar, segundo nosso Ministro dos Transportes, praticamente, 52 mil quilômetros de estradas, em que não foi feita sequer a manutenção.
Qual é o compromisso que quero assumir com vocês? Eu não sei se a gente vai conseguir terminar, mas o que quero dizer para vocês é que, pela primeira vez, vocês têm um presidente da República que conhece a situação dessa estrada; que conhece a situação de Cruzeiro do Sul e das cidades vizinhas; e que não mediremos nenhum esforço, ou melhor, não mediremos nenhum sacrifício para que a gente possa fazer o máximo que um presidente da República já fez para que, em quatro anos, a gente meça o quanto a gente foi capaz de fazer junto com o nosso governador do estado do Acre.
Por último, eu quero dizer para vocês que este terminal do aeroporto é uma coisa que nós estamos fazendo no Brasil inteiro. Hoje, dificilmente tem um lugar no Brasil que não tenha um aeroporto em reforma, porque nós acreditamos no transporte e, ao mesmo tempo, no turismo. E achamos que, quando uma cidade tem um bom aeroporto, e neste aeroporto uma boa sala para as pessoas serem tratadas confortavelmente e armazéns para que a carga seja guardada, essa cidade ganha muito mais importância e muito mais chance de desenvolver-se. Daqui a alguns meses o nosso querido presidente da Infraero, o Carlos Wilson, melhor, daqui a alguns dias, tem que vir aqui, no máximo até o final deste mês, para assinar com o governo do estado e com o prefeito o compromisso de que a Infraero vai fazer, no menor espaço possível, este terminal no aeroporto, para que Cruzeiro do Sul tenha o aeroporto que o seu povo merece.
E eu quero agora, terminar, dando meus parabéns aos estivadores, aqui, deste Porto. É uma coisa humilde, a gente está vendo; eu dizia para o prefeito: "não se incomode com a humildade", e o Jorge Viana tentava dizer: "não, Presidente, mas é um portinho pequeno"! E eu dizia para o Jorge: "o Porto de Amsterdã e o Porto de Santos também começaram pequenos. Mas um dia começaram. E somente depois que começaram é que eles ficaram grandes". E nós estamos começando. Começando com uma vantagem, sobretudo, a vantagem de respeito aos estivadores que vão ter uma sala, um escritório, para poder cuidar com carinho do trabalho que eles fazem aqui. E neste Porto, agora, vai poder chegar mais carga, e quem sabe os estivadores vão poder cobrar um pouco mais por tonelada, porque cinco reais está muito barato, realmente, por tonelada. Eu confesso que eu não sei se conseguiria carregar uma tonelada por cinco reais. Talvez eu não conseguisse nem carregar uma tonelada por mais. Mas, de qualquer forma, eu sei que o trabalho de estivador não é trabalho para qualquer um, é trabalho para "cabra mais do que muito macho", porque quando chega no fim da noite, o companheiro está com a "cacunda" doendo, de tanto peso que carregou; e ele ainda tem outras tarefas para cumprir e eu espero que as cumpra perfeitamente bem, sobretudo de cuidar das suas crianças para ajudar a companheira, a mulher que fica trabalhando o dia inteiro em casa.
Então, eu quero dizer para vocês, que este dia 6 de abril, é um dia, eu diria, que vai marcar a minha história. Porque eu vim durante 20 anos ao estado do Acre fazer reivindicação. E eu volto, 500 dias depois de assumir a Presidência, não para fazer reivindicações, mas para poder entregar obras prontas, que eram o desejo de todo o povo do estado do Acre.
Meus parabéns ao Prefeito, meus parabéns ao Jorge Viana e meus parabéns ao povo de Cruzeiro do Sul. Que Deus permita que a gente tenha saúde para fazer muito mais do que fizemos até agora.
fonte: www.info.planalto.gov.br
