Palácio do Planalto, 12 de dezembro de 2005
Meu caro Sérgio Machado, ministro da Ciência e Tecnologia - eu, na verdade, só te chamava de Sérgio Rezende, colocaram um "Machado" aqui, eu nem sabia que você tinha Machado no nome Meu querido Hélio Costa, ministro das Comunicações. Ivan Ramalho, interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Altemir Gregolin, interino da Aqüicultura e Pesca. Deputado Ricarte de Freitas. Senhor Erney Plessmann de Camargo, presidente do CNPq. Meu caro José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho. Meu caro Jorge Gerdau - a gente nunca pode falar o nome do Gerdau completo, porque... - Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau. Senhor João Ruy Castelo Branco de Castro, diretor de Projetos Especiais da Eletrobrás. Meus caros agraciados com o Prêmio Jovem Cientista 2005. Meus amigos e minhas amigas.
Os prêmios que entregamos hoje representam um incentivo e reconhecimento aos jovens que vêem na ciência e na pesquisa o caminho para melhorar a vida de seus semelhantes e a sua própria, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do Brasil.
Talvez muitos não saibam, mas quase todos os vencedores do Prêmio Jovem Cientista, cerca de 90% deles, segundo o Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, o CNPq, acabam permanecendo na carreira científica, gerando conhecimentos e inovações fundamentais para toda a sociedade.
Tenho certeza de que essa parceria virtuosa entre o Estado, representado pelo CNPq e a Eletrobrás, e a iniciativa privada, por meio da Fundação Roberto Marinho e do Grupo Gerdau, tem um enorme significado para o futuro do nosso país. Ela está dando condições para que jovens de diferentes classes sociais, tenham cursado o ensino público ou particular, possam manifestar sua criatividade e sua inteligência, colocando-as a serviço do bem comum.
É o caso, por exemplo, de Natália Evelin Martins, a primeira colocada da categoria "estudante de ensino médio". Aluna do 2º ano de uma escola pública de Belo Horizonte, com 16 anos de idade, ela já está ajudando no combate ao mal que causa a morte de 33 mil pessoas a cada ano no nosso país: a Doença de Chagas. Em seus estudos realizados no Centro de Pesquisas René Rachou, ela propôs o uso de um novo método para diagnosticar, em exame de sangue, com muito mais eficiência, os parasitas que causam a doença.
Com base no trabalho de Natália e, também, no resultado de pesquisas premiadas aqui, relacionadas ao estudo do sangue humano, nossa comunidade científica poderá desenvolver tecnologias que um dia estarão sendo usadas em hospitais, laboratórios e indústrias farmacêuticas. Tudo isso graças às pesquisas iniciadas por vocês, jovens pesquisadores. Quero, portanto, não apenas lhes dar os meus mais sinceros parabéns, mas dizer que vocês são um exemplo extraordinário do que os jovens estão fazendo e podem fazer ainda mais pelo Brasil.
Aprendi, durante minha vida, que quando jovens encontram oportunidades para desenvolver o que há de melhor em si, suas virtudes se transformam em catalisadores para as mudanças positivas de sua vida, de sua comunidade e de seu país.
Minhas amigas e meus amigos
O Prêmio Jovem Cientista deste ano contou com a participação de quase 1.200 projetos de pesquisa científica, apenas no ensino médio, um número recorde desde a sua criação, em 1981. Pela qualidade e importância das pesquisas que têm tido nesse prêmio sua motivação inicial, pela ampla divulgação e intensa participação de jovens cientistas de escolas e universidades de todo o Brasil, esse Prêmio já se transformou num dos mais importantes da América Latina.
Há um profundo sentido pedagógico numa premiação como esta, incentivando o amor à ciência e à pesquisa. São centenas, milhares de pessoas que, motivadas por este prêmio, passam a dedicar grande parte de suas vidas, muitas vezes restringindo o tempo de lazer e de convívio com a própria família, a produzir conhecimentos que vão beneficiar a sociedade.
Eu queria dar os parabéns a todos os premiados. Dar os parabéns ao Ministério da Ciência e Tecnologia, dar os parabéns ao CNPq, dar os parabéns à Eletrobrás, dar os parabéns ao José Roberto Marinho e ao Jorge Gerdau e, sobretudo, dar parabéns a todos vocês que se inscreveram, que participaram e concorreram, e que agora, estão sendo premiados pelo esforço, pela dedicação e pela competência de cada um.
Eu digo isso porque ou nós acreditamos que a juventude deste país precisa voltar a encontrar esperança, precisa voltar a encontrar algo em que possa se apegar e acreditar que, a partir dali, é possível construir o mundo dos seus sonhos, ou nós vamos ver mais jovens, mais adolescentes sendo encaminhados para o cumprimento de penas, para prisões, para albergues que, nem sempre, nos interessam.
Eu, ontem, assisti - vou fazer merchandising, aqui, da Globo - o Fantástico, e o Fantástico mostrava o tratamento que jovens estão tendo na Febem e como é a vida das pessoas. E eu fico imaginando se seria possível esses jovens estarem onde estão agora se, em algum momento de suas vidas, eles tivessem tido a chance de ter um pouco mais de cuidado por parte do Estado, tivessem um pouco mais de cuidado por parte da própria família, e se tivessem tido a oportunidade de estudar como vocês estão tendo.
Eu acho que não é possível resolvermos todos os problemas desses jovens brasileiros apenas com a educação. A educação é uma parte fundamental e necessária, mas eu fico imaginando se nós não teríamos que ter uma política para descobrir concretamente o que leva esse jovem a abandonar a família, a abandonar o seu lar, pai, mãe, irmãos, e se tornar um pequeno delinqüente. Possivelmente nós estejamos tentando puni-lo por um crime que ele cometeu ou por um pequeno delito sem antes descobrir qual foi o delito que se cometeu contra esse jovem na idade em que ele mais precisava de alguma coisa e, quem sabe, precisava da família, quem sabe precisava da orientação correta, quem sabe precisava de uma escola de qualidade, quem sabe precisava das oportunidades que, nem sempre, estão à disposição de todo mundo.
Preocupados com isso, nós criamos, no ano passado, a Secretaria da Juventude para que pudéssemos fazer com que a juventude brasileira tivesse um espaço para criar, elaborar e concretizar as políticas para a juventude. Preocupados com isso, nós fizemos as Olimpíadas da Matemática, que foram um sucesso tão extraordinário que agora vamos ter que criar Olimpíadas do Português, quem sabe amanhã, de Geografia, quem sabe amanhã, vamos criar Olimpíadas para todas as matérias, porque a quantidade de crianças que se inscreveram demonstra que... Dê uma oportunidade, as pessoas estão tão necessitadas que pegarão com as duas mãos.
Pensando nisso, vocês estão acompanhando o que está acontecendo na universidade brasileira. No final do ano passado, preocupado com a necessidade de preencher vagas nas universidades, e porque não tinha todas as universidades que as pessoas queriam, nós fizemos um convênio com universidades particulares, abrimos mão de alguns impostos que elas tinham que pagar para o governo, transformamos essa quantia devida como impostos em bolsas de estudo e, em fevereiro deste ano, nós tínhamos 112 mil novos alunos nas universidades públicas. Este ano, possivelmente, tenhamos outra vez mais 100, 112 mil alunos, concretizando praticamente 240 mil jovens, que não teriam nenhuma oportunidade de entrar na escola, porque não teriam o dinheiro para pagar, e vão poder estudar.
Além disso, eu faço questão de repetir sempre, nós, ainda este ano, já anunciamos publicamente, já lançamos a pedra fundamental em vários lugares, nós estamos criando quatro universidades federais novas, estamos transformando cinco universidades, cinco faculdades existentes em cinco novas universidades, e estamos criando 27 campi para que a gente possa fazer extensão das universidades federais, que estão nas capitais, para o interior do nosso país.
Além disso, já decidimos a construção de mais 32 escolas técnicas para que a gente possa melhor formar o nosso jovem. E, além disso, nós temos o projeto mais importante no Congresso Nacional, já está lá há alguns meses, e estou torcendo, pedindo para vocês - se conhecerem deputados - telefonarem e pedirem o apoio, porque nós precisamos aprovar o Fundeb, porque o Fundeb é a possibilidade de nós garantirmos, definitivamente, a melhoria da educação para o ensino fundamental brasileiro. Esta é uma condição básica porque serão colocados 4 bilhões e 300 milhões a mais na educação. Se for aprovado este ano, o relator do orçamento já tem que colocar no orçamento do ano que vem mais 1 bilhão e 300 milhões. E se não for aprovado, não vai ter no orçamento, portanto, não começa o Fundeb.
Com isso, nós estamos apenas querendo afirmar para o povo brasileiro e, aqui, afirmar para vocês: não haverá muitas possibilidades para o Brasil dar o salto de qualidade que precisa dar na sua relação internacional, na melhoria da qualidade de vida das pessoas, na melhoria profissional de cada um dos 180 milhões de brasileiros, se nós não fizermos uma revolução na educação brasileira, garantindo a todos um ensino de qualidade, um ensino que permita que os alunos de qualquer escola do Brasil possam competir com alunos de qualquer escola do mundo. Nós temos inteligência, nós temos criatividade, nós temos educadores, portanto, nós estamos dando, definitivamente, o pontapé. Queremos que essas coisas sejam aprovadas porque, a partir daí, nós não vamos poder dizer que falta mais dinheiro, nós não vamos poder dizer que não tem o programa, e vai depender muito da nossa capacidade de executar aquilo que nós queremos fazer.
Se eu entrei aqui neste salão para entregar o Prêmio, com dúvidas de que nós poderíamos não dar conta de todas as necessidades para a educação, depois da entrega do Prêmio, eu sou obrigado a dizer que um país que tem jovens cientistas da qualidade dessas meninas que receberam o Prêmio, e da qualidade desses jovens, não há por que a gente não acreditar que, definitivamente, o século XXI será o século do nosso país.
Muito obrigado e boa sorte.
