Abuja-Nigéria, 11 de abril de 2005
Quero cumprimentar os ministros brasileiros, as ministras e toda a minha delegação. Quero dizer ao presidente Obasanjo que a alegria de estarmos aqui é muito grande.
Eu disse ao presidente Obasanjo que nós temos que definir uma escolha, nesse momento que estamos começando o novo século. Temos que olhar para o Brasil, para a América do Sul, para a Nigéria e para a África e ver o que aconteceu conosco no século XX, tirar os ensinamentos de todas as coisas boas que nos aconteceram e aperfeiçoá-las. E não permitir que as coisas ruins que aconteceram voltem a acontecer.
Durante muito tempo o Brasil e outros países da América do Sul tiveram seus olhos voltados para a União Européia e para os Estados Unidos. Na África, durante muito tempo, os países africanos tiveram seus olhos voltados também para o continente europeu e, também, para os Estados Unidos.
Eu penso que chegou o momento de nos olharmos um pouco e percebermos que nós temos muita coisa a fazer juntos, que ainda não fizemos. A nossa relação comercial pode ser infinitamente maior, a nossa relação cultural pode ser infinitamente maior e a nossa relação política pode ser infinitamente maior. Para isso, nós estamos fazendo esta reunião e, quem sabe, precise de muitas outras reuniões para que Nigéria e a África saibam o que o Brasil e a América do Sul podem lhes oferecer de parceria. E, ao mesmo tempo, nós sabermos o que a África pode nos oferecer de parceria.
O século XX termina com um bilhão de seres humanos vivendo abaixo da linha da pobreza, numa demonstração de que nem a evolução da biotecnologia garantiu a distribuição de alimentos para toda a humanidade. E, possivelmente, o problema da fome não seja falta de alimento, seja falta de renda, ou seja, a riqueza do mundo não foi distribuída de forma mais equânime. Os que eram ricos continuam ricos e os que eram pobres continuam pobres.
Eu, agora, junto com o presidente Obasanjo e, certamente, outras dezenas de líderes dos países em desenvolvimento, temos que tomar uma decisão: queremos continuar sendo pobres ou queremos dar um passo adiante?
Se o século XIX foi da Europa, se o século XX foi dos Estados Unidos, por que o século XXI não pode ser nosso? Depende apenas de nós acreditarmos nisso e descobrirmos, nas nossas relações, aqueles setores em que podemos nos ajudar mutuamente e fazer do Oceano Atlântico não um obstáculo, mas um caminho para facilitar essa nossa relação.
Eu convidei o presidente Obasanjo para ir ao Brasil. Se tudo der certo, ele será nosso convidado especial para o dia da nossa Independência. E, se tudo der certo, depois dessa visita do Presidente ao Brasil, nós teremos muito mais acordos para assinar e tornar mais práticos os nossos discursos de integração da América do Sul e da África.
Por isso, presidente Obasanjo, eu quero agradecer, nesta reunião junto ao seu governo, o carinho com que temos sido tratados na Nigéria.
Muito obrigado.
Palavras do presidente Lula sobre o falecimento do Papa João Paulo II
fonte: www.info.planalto.gov.br
