Guarulhos-SP, 02 de fevereiro de 2005
Eu quero cumprimentar os meus companheiros ministros que estão aqui. O companheiro Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O companheiro Olívio Dutra, que acabou de falar com vocês. A minha querida companheira Marisa, que está aqui do meu lado. O nosso querido senador e líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante. O nosso querido prefeito de Guarulhos, o companheiro Elói Pietá. O nosso querido prefeito de Osasco, recém-eleito, tomou posse agora, o companheiro Emídio. O nosso companheiro Fantasini, que no primeiro comício que eu fiz aqui, em 2000, no Bairro dos Pimentas, eu o chamei de Tomasini, e até agora muita gente pensa que ele é Tomasini, e não Fantasini. Meu querido companheiro Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal. Meu companheiro Guiba, que eu vi por aqui, é o delegado regional de São Paulo. Meu companheiro Almeida, deputado estadual. Vereadores aqui presentes. Trabalhadores. Moradores. Empresários da construção civil. Jornalistas. Meus companheiros e companheiras
Se eu achasse meus óculos seria tão bom...
Primeiro, eu quero dizer uma coisa para a juventude de Guarulhos e para aqueles companheiros que estão lá, com uma bandeira amarela escrita chapa 2. Tem muita gente jovem aqui. A minha relação com Guarulhos é uma relação muito antiga.
Eu estava comentando com o Elói Pietá que na primeira vez que eu vim a Guarulhos eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, e vim aqui apoiar uma chapa em que a companheira Jane era a candidata a presidente ou membro da chapa, ou era a articuladora da chapa. E, naquele tempo, a eleição sindical era uma verdadeira guerra, aqui, na cidade de Guarulhos. Depois, eu participei de muitas outras atividades, ainda no movimento sindical, nas greves de 1979, de 1980. Depois eu comecei, já a partir de 1982, a voltar a Guarulhos já por conta das eleições.
E foi com muito orgulho que, em 2000, o companheiro Elói era candidato a prefeito, eu vim aqui, ao Bairro dos Pimentas, na Vila Marcos Freire, sei que era no Bairro dos Pimentas, não sei se era Marcos Freire, Paulo Freire, eu sei que era no Bairro dos Pimentas. E naquele comício estava o Fantasini e outros companheiros do PT e dos partidos coligados. E o Elói me falava muito da situação do Bairro dos Pimentas. Ele falava que era um bairro que tinha quase 500 mil habitantes e que tinha problema habitacional, tinha problema de saúde, tinha problema de cultura, as pessoas tinham difícil acesso às coisas, porque era muito distante do centro de Guarulhos. E, naquele comício, o Elói assumiu o compromisso de fazer um hospital aqui.
Foi por isso que eu fiz questão de passar no hospital, porque embora o Elói tenha sido eleito prefeito em 2000, a verdade é que o hospital só começou a ser feito quando eu fui eleito presidente da República, e viemos fazer parceria, aqui, e construir esse hospital, que quando estiver pronto, vai ter até 200 leitos. É um hospital que vai atender ao conjunto da população desta região e é um hospital padrão, de Primeiro Mundo, pela qualidade da obra que tem lá.
Nós conversamos com os empresários agora, conversei com o Ministro da Saúde, estava previsto entregar o hospital em maio. Acontece que maio é muito tarde, eu nem sei se vou estar vivo em maio. Então, eu mandei que a gente antecipasse a construção do hospital para ver se, pelo menos em dezembro deste ano, o hospital esteja pronto e o pessoal do Pimentas possa viver melhor.
A segunda coisa que nós viemos fazer em Guarulhos, hoje, foi participar de um evento com as pessoas que receberam o cartão Bolsa Família, ou seja, Guarulhos completou hoje 23 mil pessoas - que ganham abaixo da linha da pobreza e que têm muito pouco recurso - que estão recebendo o Bolsa Família, e Guarulhos chega a 23 mil pessoas, 80% das pessoas que, pelas estatísticas, estão abaixo da linha da pobreza.
Mas eu fiquei muito mais feliz também, porque na quinta-feira passada, no centro de São Paulo, eu fui lançar o programa ProUni, um Programa que conseguiu um verdadeiro milagre, uma engenharia muito criativa do pessoal da Educação e dos diretores das escolas privadas do Brasil, quando nós conseguimos em apenas um ano, 112 mil bolsas de estudos para as pessoas que estudam em escolas públicas deste país.
E fiquei sabendo, Elói, que só de Guarulhos, 500 jovens conseguiram a bolsa no ProUni para estudar de graça este ano. E nós pretendemos, Elói, o projeto do ProUni que, em quatro anos, a gente possa atender 450 mil jovens da escola pública com bolsa de estudo total ou parcial, mas a maioria com bolsa total, incluindo aí uma cota especial para as comunidades indígenas e também para a comunidade negra brasileira, que esteve marginalizada tanto e tanto tempo.
Mas fico mais feliz ainda, Elói, de perceber o quanto você trabalhou em quatro anos. Eu tenho algumas cidades que marcam a minha vida: Guarulhos é uma, Diadema é outra, porque foram cidades que eu conheci em processo muito incipiente de desenvolvimento, cidades que cresceram economicamente, mas que tinham uma periferia muito empobrecida. E eu percebo que Guarulhos está tendo uma evolução extraordinária e, aí, eu fico lembrando: é por isso que o povo te elegeu no primeiro turno, outra vez, nessas eleições de 2004, porque é o reconhecimento pelo trabalho que você fez.
Mas, companheiro Olívio Dutra, para vocês entenderem um pouco deste conjunto habitacional, chamado Jurema I, que é onde nós estamos, estes 200 apartamentos, mais 200 do lado de lá que já estão praticamente prontos, eu espero que sejam entregues logo, porque também fazer e ficar sem entregar é prejuízo para todo mundo.
Mas, Olívio Dutra, eu pensei que você ia falar no seu discurso e, para economizar palavras, você não falou. Mas veja, nós temos em Guarulhos outros conjuntos habitacionais. Temos Araucárias e Jurema II com 200 casas, cada um; Topázio, com 118 moradias; Ametistas, com 138 moradias e Maria Dirce I e III, com 140 e 180 unidades habitacionais, respectivamente. Ao todo, o governo destinou, neste primeiro momento, 32 milhões. Além desses, outros dois conjuntos estão em andamento no município: Turmalina I, com 200 casas e Venâncio Aires C, com 140 unidades, que somados aos 32 milhões, totalizam os 47 milhões que o companheiro Jorge Mattoso falou.
E nós assinamos aqui - em uma solenidade essa coisa não fica bem clara porque o locutor fala muito grosso, parece que comeu um pavão esta noite, fala muito grosso, nem eu escutei o número que ele falou. Eu vou corrigir o Elias, agora, e vou dizer o seguinte: o protocolo que foi assinado, aqui, entre o Presidente da Caixa Econômica Federal e o Prefeito vai permitir a construção de mais nove conjuntos habitacionais do PAR, com moradias para 1.464 famílias e um investimento de 42 milhões.
Agora, uma coisa importante que o Olívio Dutra, por humildade, não falou, que é importante o povo de Guarulhos, a imprensa e o prefeito saberem é que, nos dois primeiros anos do nosso governo, o Ministério das Cidades destinou 150 milhões para obras e serviços de habitação em Guarulhos. Esses recursos estão sendo aplicados em benefício de 8.360 famílias na compra, reforma e ampliação de casas, na urbanização de assentamentos precários e na reabilitação de imóveis com a finalidade de virarem moradias.
Isso aqui é apenas uma demonstração de que nós terminamos o nosso segundo ano de governo cumprindo as coisas que nós dizíamos que iríamos cumprir. E os números que vocês viram, aqui, de aplicação de recursos do dinheiro do Fundo de Garantia, ora para habitação, ora para saneamento básico, além dos recursos do Orçamento da União, não só porque o povo precisa de habitação e de saneamento básico, mas também porque a construção civil é uma das atividades econômicas que mais geram empregos neste país. E os empresários ligados à construção civil sabem perfeitamente bem que nos últimos dez anos a construção civil veio perdendo, em média, 7% de emprego neste país, porque não havia financiamento e, não tendo financiamento, não havia investimento.
No ano passado nós conseguimos, através do trabalho extraordinário do Congresso Nacional e, volto a repetir aqui, da Câmara dos Deputados, onde está o companheiro Fantasini, e do Senado, onde o companheiro Aloízio Mercadante é um gigante em defesa dos projetos que o governo manda, nós conseguimos aprovar a Lei de Afetação - não sei se os empresários estão preparados para tanto - que coloca no mercado, este ano, praticamente 13 bilhões de reais para financiamento da construção civil, através do sistema financeiro privado, coisa que não existia até o ano passado.
E nós fizemos isso porque acreditamos que o emprego continua sendo uma obsessão do Presidente da República, uma obsessão dos meus ministros e, sobretudo, uma obsessão de quem está desempregado, porque precisa do emprego para sustentar a sua família com dignidade.
É como se fosse um jogo de futebol, meus companheiros, terminou meio tempo, nós fomos para o vestiário, "que é o Natal", e agora começa o segundo tempo, muito mais promissor do que o primeiro. Nós sofremos muito em 2003, vocês acompanharam o sofrimento, porque pegamos a casa depois de um vendaval como aquele que deu na Ásia e tivemos que consertar; 2004 já foi um ano em que a economia cresceu 5%, já geramos 2 milhões de empregos com carteira profissional assinada; fizemos o maior programa de agricultura familiar já feito neste país; dobramos o dinheiro do Pronaf.
E uma coisa muito interessante, fizemos não só a bancarização de milhões de brasileiros que nunca tinham entrado num banco, como criamos uma coisa chamada empréstimo com desconto em folha, e isso já colocou no mercado, praticamente, 12 bilhões de reais no ano passado. E no ano passado, também, já tinha sido feito o acordo entre os trabalhadores e os bancos privados, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil; este ano, entram os aposentados, porque a lei também já foi aprovada, que garante aos aposentados irem num banco e fazer um empréstimo para pagar em 24, 36,12 meses, mas não podem fazer uma prestação maior do que 30% do seu salário, porque, antigamente, o servidor público podia tomar dinheiro emprestado para descontar na folha de pagamento. Acontece que tinha servidor público que contraía uma dívida superior ao seu pagamento. E nós encontramos casos em que a pessoa não recebia pagamento no final do mês porque estava todo comprometido com a prestação. Então, nós mudamos a lei, estendemos para todos os trabalhadores e não permitimos que o trabalhador comprometa, com uma prestação, mais de 30% do seu salário. O aposentado que tomar dinheiro emprestado vai ter o desconto na folha quando receber o seu benefício da Previdência Social.
Isso está colocando muito dinheiro no mercado, está colocando um potencial de consumo na sociedade e todo mundo sabe o que significa isso. Quando o povo pode comprar, a loja pode vender, a indústria pode produzir e os empregos vão sendo disseminados em toda a sociedade brasileira. É por isso que nós começamos este ano já sabendo que o desemprego está apenas em um dígito, pela primeira vez em muitos anos. Este é um dado muito importante e eu estou muito otimista para 2005.
Eu me levanto todo dia, podem acreditar, com a certeza absoluta de que 2005 será um ano extraordinário para o desenvolvimento deste país, para o crescimento econômico, para a geração de riqueza, para a geração de empregos e distribuição de renda. De vez em quando aparece um ou outro pessimista, porque sempre tem pessimista. Tem gente que vai no campo, o time está ganhando de 5 a 1 e ele ainda fica com medo: "será que vai ganhar? Será que não vai deixar empatar?" Eu digo sempre o seguinte: não há por que a gente não fazer mais e melhor do que já foi feito neste país, nós temos o que existe de melhor neste país, temos toda disposição política, temos viajado o mundo para vender os produtos brasileiros.
Acabou aquele tempo em que o Brasil se comportava como se fosse um país de Terceiro Mundo, pobrezinho, dependendo dos Estados Unidos ou da União Européia. Nós levantamos a cabeça, somos um grande país, temos capacidade de produzir em igualdade de condições com eles. E é por isso que nós batemos recordes de exportação, chegamos a 96 bilhões de dólares; é por isso que nós batemos recordes de superávit comercial, 33,6 bilhões de dólares; e é por isso que a gente fez até um bom superávit de conta corrente. Ou seja, entre aquilo que a gente deve e aquilo que a gente tem, nós, hoje, temos um superávit de conta corrente de 14 bilhões de dólares. A situação do Brasil está tranqüila, a credibilidade do Brasil está muito boa lá fora. E eu digo sempre: respeito é bom, eu gosto de dar e adoro receber. É por isso que nós viajamos o mundo para dizer: o Brasil quer competir em igualdade de condições em todos os fóruns internacionais.
É por isso, companheiro Elói, que estou muito otimista com a perspectiva deste ano e do ano que vem. E estamos fazendo isso com muita alegria, estamos fazendo isso com muita tranqüilidade. Nós sabemos que cuidar de um país com 180 milhões de filhos é como cuidar de uma família muito grande. Nós sabemos que tem problemas, sabemos que nunca vamos contentar todo mundo, sabemos que vai ter sempre alguém em um canto, resmungando, mas o que a gente tem que fazer é o seguinte: primeiro, nós temos que determinar qual o público-alvo e nós temos uma dívida social.
Vocês estão lembrados de que na minha campanha eu fiz uma Carta ao Povo Brasileiro e assumi o compromisso de honrar os contratos que o Brasil tinha, e estamos honrando, porque honrar contratos significa poder andar de cabeça erguida neste país.
Mas tem uma outra dívida que o Brasil tem, um outro contrato, que nós temos uma obrigação ainda maior de resolver, que é acabar com a miséria e com a fome neste país. Este é um compromisso muito mais sério e, certamente, nós vamos acabar, estamos trabalhando para isso. Eu, particularmente, durmo todo os dias com a consciência tranqüila de que se não fiz tudo o que queria, já fiz o que era possível fazer e tem muito mais para fazer ainda, Guarulhos é um exemplo disso. O que este companheiro Elói Pietá... vocês que moram aqui há muito tempo, que conheceram outros prefeitos, sabem qual é a diferença deste companheiro para os outros prefeitos. E logo, logo, vocês também vão ter consciência do que é a diferença de quatro anos nossos.
O Olívio Dutra não falou, mas só em saneamento básico, em dois anos de governo, nós já investimos 14 vezes mais do que o governo anterior. Quatorze vezes mais. Não foi uma, nem duas, foram 14 vezes mais em saneamento básico. E vamos continuar investindo muito mais porque nós temos consciência de que cada centavo que a gente colocar para tratar água, para coletar e tratar esgoto é dinheiro que a gente não precisa gastar na saúde. Dizem que para cada real aplicado no saneamento básico a gente economiza quatro reais na saúde e isso é uma coisa maravilhosa, porque nós precisamos fazer a tal da saúde preventiva, tentar evitar que as pessoas fiquem doentes.
Por isso, Elói querido, eu estou feliz, estou pagando uma dívida com você, de vir ao Bairro dos Pimentas e, certamente, virei no começo do ano que vem inaugurar o hospital do Bairro dos Pimentas.
Muito obrigado, meus companheiros, boa sorte. E eu espero que a Caixa e o Prefeito entreguem logo a casa para vocês.
