Hotel Blue Tree Park - Brasília-DF, 23 de março de 2005
Eu quero cumprimentar, primeiramente, os companheiros da mesa. Quero cumprimentar os presentes, os empresários do Brasil inteiro que vieram aqui, representando as pequenas e microempresas brasileiras. Quero parabenizar os premiados e as premiadas aqui, hoje.
E quero dizer para vocês que não cabe fazer, aqui, o discurso que eu trouxe, porque uma das coisas que vocês me ensinaram hoje é que com um microdiscurso a gente pode dizer muito mais do que com um grande discurso.
Primeiro, eu senti na fisionomia das pessoas que receberam o prêmio a emoção de ver os seus sacrifícios serem reconhecidos; a emoção, possivelmente, de pela primeira vez terem vindo a Brasília. Alguns, possivelmente, a primeira vez viajando de avião. E ter a empresa de vocês premiada e reconhecida por gente tão importante no estado de vocês e, também, no âmbito nacional.
Isso é a demonstração de que o ser humano precisa, em primeiríssima mão, acreditar nas suas próprias qualidades, acreditar na sua força política de promover as coisas que acredita, e acreditar que é possível, a partir daí, colocar a emoção de que o Furlan falou, nas coisas que nós fazemos.
Eu acho que não existe nada no mundo que a gente não consiga fazer, se tivermos a disposição de fazer. Não existe nada que seja impossível para um ser composto com a inteligência do ser humano. Muitas vezes, nos falta oportunidade. E essa oportunidade é que grupos como Gerdau, governo, instituições como Sebrae podem dar. Muitas vezes, nos falta a vontade de acreditar em nós mesmos.
Eu aprendi uma lição quando o Furlan, pela primeira vez, me convidou para ir a Davos fazer um debate. Eu tinha apenas 25 dias na Presidência da República. E nós fomos ao Encontro Ibero-Americano, em que estavam vários presidentes de países da América do Sul, num jantar oferecido, e teve alguns oradores.
E eu percebi que cada orador que falava lamentava profundamente a pobreza do seu país, lamentava profundamente a miséria do seu povo, lamentava profundamente o descaso que os ricos tinham para com ele. E, antes de falar, eu pensei: "bem, ninguém vai para a frente com tanta energia negativa, assim. Não é possível que um presidente de um país, ao falar para gente de outros lugares do mundo, não consiga passar nada de positivo que acontece no seu país".
E por que foi uma lição para mim? Porque quando eu tinha chamado o Furlan para ser ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, eu tinha dito para ele: "eu preciso de um mascate. Eu não quero um burocrata que conhece tudo na teoria..." Quem é alagoano e quem gosta do Djavan sabe que ele tem uma música em que ele faz a diferença entre a teoria e a prática. O teórico só vê o dia com 24 horas, não consegue distinguir os tempos do dia: a tarde, a noite, a madrugada, a manhã. E o prático consegue dividir o dia em todos os seus tempos, por isso consegue aproveitar melhor esse dia.
E eu dizia: "é preciso alguém prático, é preciso dar praticidade à nossa política de comércio exterior". Não é possível que este país não consiga participar desse mundo globalizado com a força que o Brasil tem, a força de um país que já tem a imagem positiva por ser um grande exportador de produtos in natura, maior exportador de suco de laranja, maior exportador de carne, maior exportador de ferro, maior exportador de café, e por aí vai.
Agora, não é possível que a gente venda uma tonelada de ferro para um país a um preço "desse tamanhinho", depois compre um chip "desse tamanhinho" por um preço "desse tamanho". Ou seja, é preciso, então, criar as condições para que a gente consiga dar esse salto de qualidade, colocando não apenas a emoção, mas o nosso conhecimento, inteligência e criatividade nos produtos que fabricamos, para que a gente possa competir. E eu sou daqueles que acreditam que o Brasil pode competir com qualquer país do mundo na maioria dos produtos que podem ser comercializados.
O nosso querido ministro Eduardo Campos sabe do apreço e do carinho que a gente tem pela questão da Ciência e da Tecnologia nessa história de tornar o Brasil competitivo. Eu não conheço, na face da Terra, nenhum país que conseguiu atingir níveis de desenvolvimento com o seu povo malformado, com o seu povo profissionalmente despreparado, não conheço.
É por isso que nós tomamos algumas decisões importantes: primeiro, fazer com que a micro... e eu espero, daqui a dois anos, participar de um evento em que vocês já não sejam mais micro, já sejam grandes, porque esse é o objetivo. Quando alguém cria uma empresa, quando alguém começa a produzir um produto, esse alguém não quer ser eternamente micro, ele não tem orgulho de dizer o tempo inteiro: "eu sou micro, nasci micro e vou morrer micro". Depois de um certo tempo, isso cheira a incompetência. Isso é como o ser humano: nós nascemos pequenos, mas queremos crescer, virar adultos e, no caso da empresa, nunca morrer, mas perdurar. Nós temos exemplos. O Gerdau e o Furlan são testemunhas de que, nas minhas viagens pelo mundo e em debates internos aqui no Brasil eu tenho desafiado os empresários brasileiros a terem coragem de fazer uma competitividade mais competente, de serem empresas multinacionais, de não acharem que nós somos sempre pequenos, sempre Terceiro Mundo, sempre um país em via de desenvolvimento. Nós temos que levantar a cabeça e dizer, acreditar que nós podemos. E se nós acreditarmos nisso, nós faremos. E o mundo está aberto para nós.
O Gerdau e o Furlan sabem, o Eduardo Campos sabe e muitos de vocês que viajam sabem que poucas vezes na história do Brasil nós gozamos da credibilidade de que estamos gozando hoje, a credibilidade, a simpatia, o apreço pelo Brasil. Nós, agora, temos que aproveitar e transformar isso em possibilidade de fazer com que a nossa capacidade de produzir os melhores produtos chegue a esses mercados, para que a gente possa fazer as nossas empresas crescerem.
Da parte do governo, sabem os nossos companheiros, vocês têm no Furlan, no Eduardo Campos e em outros ministros, companheiros de primeira hora. Nós mandamos para o Congresso, em setembro, a lei da microempresa. Ainda na semana passada eu falei com o Presidente da Câmara que é preciso colocar como prioridade, porque senão fica lá muito tempo e não se vota. E nós queremos criar todas as condições, seja via BNDES, seja via Banco do Brasil, para que as pessoas possam ter a chance de acesso às coisas que precisam para produzir aquilo que vocês sabem produzir, aquilo que vocês sabem fazer.
Eu só quero que vocês saibam o seguinte: se todo dirigente político tivesse consciência de que ninguém nasce presidente, ninguém nasce ministro... nós estamos de passagem aqui, todos nós sabemos que estamos de passagem. Eu não sou Presidente, eu estou Presidente da República. E se todos nós pensarmos isso, nós seremos muito mais abertos, nós seremos muito mais produtivos na nossa ação. E nós seremos muito mais democráticos ao permitir que essas coisas sejam debatidas com vocês, para que a gente possa errar menos ao fazer as leis, ao mandar um projeto. Ou seja, esse jogo tem que ser mais ou menos combinado.
Eu quero dizer para vocês que eu ganhei o dia, hoje, por três coisas: primeiro, porque fiz uma boa reunião com meus ministros e decidimos algumas coisas importantes. Segundo, porque resolvemos a engenharia do sistema ferroviário brasileiro, que estava emperrado há muitos anos. Terceiro, porque eu senti a emoção de vocês, emoção que faz parte da minha vida.
Eu aprendi, desde muito pequeno, que não é possível fazer as coisas se a gente não sente emoção. Se a gente não sentir no coração aquilo que a gente está fazendo, a gente age como robô, e tanto faz a cor preta como a vermelha, como a branca, ou seja, a gente não consegue fazer distinção.
E eu saio daqui certo de que hoje recebeu prêmio, aqui, um grupo de brasileiros e brasileiras que, certamente, num futuro bem próximo, deixará de entrar no rol dos microempresários e, quem sabe, estará sentado daquele lado, ali, como o Gerdau, ajudando a financiar outros microempresários que virão depois de vocês a ganharem os prêmios e a motivação que vocês ganharam hoje.
Que Deus abençoe cada um de vocês. Continuem acreditando, porque acreditando a gente fará o Brasil se transformar na grande potência que eu acredito que seremos no século XXI.
Um abraço.
fonte: www.info.planalto.gov.br
