Discurso do Presidente Lula: relançamento do Projeto Rondon

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Tabatinga/AM, 19 de janeiro de 2005

Com esta foto, aqui, daqui a uns 30 anos - porque eu vou viver pelo menos mais uns 30 anos - quando alguém perguntar: "escuta aqui, você era do Projeto Rondon?". Eu falo: eu era do Projeto Rondon.

Excelentíssimo companheiro José Alencar, vice-presidente da República e ministro da Defesa
Minha querida companheira Marisa. Meu caro companheiro Eduardo Braga, governador do estado do Amazonas. Meu caro companheiro Tarso Genro, ministro da Educação. Meu caro companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Meu querido companheiro Aldo Rebelo, ministro-chefe de Coordenação Política e Assuntos Institucionais. Meu caro Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães, comandante da Marinha. Meu caro General-de-Exército, Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército. Meu caro Tenente-Brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica. Meu caro senador Mário Calixto. Deputados Átila Lins, Carlos Zarattini, Hamilton Casara e Lupércio Ramos. Meu querido embaixador Samuel Pinheiro, secretário-geral das Relações Exteriores. Meu caro Márcio Fortes, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. General-de-Brigada Gilberto Arantes, coordenador do Projeto Rondon. Meu caro senhor Joel Santos de Lima, prefeito de Tabatinga
Meu caro senhor Estanislau Monteiro de Oliveira, da Associação Nacional dos Rondonistas. Meu caro Petta, presidente da União Nacional dos Estudantes. Minha querida Geize, que falou, aqui, em nome dos rondonistas

Meus amigos, minhas amigas, membros das Forças Armadas

Meus companheiros e minhas companheiras

Para muitos de vocês, jovens integrantes da primeira turma do novo Projeto Rondon, esta é uma viagem de iniciação. Iniciação a um Brasil do qual vocês talvez tenham notícia e conhecimento mas, por falta de oportunidade e até mesmo de estímulos, possivelmente não avaliem a dimensão exata dos nossos desafios e a chance histórica de superá-los nesta geração.

Sair do lugar da gente às vezes incomoda e machuca, mas também educa. Ter nascido no sertão pernambucano e migrado para São Paulo, ainda criança, mudou a minha vida e a minha visão de mundo. Passei a enxergar um Brasil maior, mais rico e desafiador. Foi como subir no alto de uma montanha e descortinar o imenso horizonte em volta, limitado pela forte desigualdade social.

A escola pode provocar efeito semelhante nos corações e mentes da juventude, contribuindo assim para dar a todos referenciais e pontos de partida semelhantes.

Por entender esse papel republicano da educação, o governo criou um programa massivo de bolsas de estudo para a juventude pobre do Brasil. Neste primeiro semestre, mais de 100 mil bolsistas entrarão na universidade brasileira.

O programa Universidade para Todos reflete nosso compromisso com um personagem sempre lembrado nas análises da exclusão, mas pouco contemplado no orçamento da nação.

As cotas que instituímos são trilhas republicanas de igualdade. A ação republicana para desiguais, se busca justiça, não pode ser neutra.

A pobreza é uma forma de devastação que grita por socorro nas periferias pobres do Brasil. E a juventude é um dos seus porta-vozes.

Além do ProUni, temos nos empenhado realizando um forte esforço de alfabetização; fazendo investimentos maciços no ensino médio e profissionalizante; avançando nos debates em torno da necessária reforma universitária.

Temos garantido, igualmente, formação profissional para mais 30 mil recrutas no projeto Soldado Cidadão e difundido amplamente o microcrédito na sociedade, beneficiando também os jovens mais pobres. Não são respostas avulsas.

Já elaboramos uma política nacional para incorporar a juventude brasileira à retomada do desenvolvimento, em profundo diálogo e com intensa participação de entidades da sociedade civil e da Comissão de Juventude da Câmara dos Deputados. E, brevemente, vamos começar a sua implantação, criando inclusive uma Secretaria Nacional da Juventude, na qual o projeto Rondon terá também espaço e voz.

Meus queridos amigos e amigas

Escola e juventude são as fontes renovadoras do futuro. Mas para que uma geração dê o passo seguinte na história de um povo, talvez seja necessário algo mais.

Falo de uma dimensão adicional do conhecimento, aquela que não pode ser substituída por nenhuma outra, porque só se desenvolve em contato direto com a realidade que a propicia e desencadeia. Falo da consciência social, a segunda certidão de nascimento de um ser humano.

A democracia coloca ao alcance de nossas mãos uma tarefa pacífica, cobrada pelo país e agendada pela história que estamos realizando. Trata-se de continuar avançando no desenvolvimento sustentado brasileiro tendo por guia um profundo e eficaz projeto social. Um projeto que responde aos apelos da vida, que muda os caminhos do nosso tempo e inaugura um novo tempo para o nosso povo.

Meus amigos e minhas amigas

No passado recente, o Brasil trilhou o caminho inverso. O Estado passou a olhar o país como se usasse um binóculo invertido. Distanciou-se do que deveria se aproximar. Perdeu o foco do principal. Renunciou a um projeto de desenvolvimento

O individualismo triunfante corroeu a auto-estima nacional numa espiral de desigualdade. Palavras como solidariedade, justiça, responsabilidade pública, caráter e bem-comum foram relegadas ao dicionário do esquecimento.

Ter vinte anos no século XXI, portanto, significa, entre outras coisas, engajar-se na revisão desse contrato anti-social, ajudando a construir o presente e o futuro.

Por entender esse recado da história, apoiamos a proposta da UNE e das associações de ex-rondonistas e recriamos um Projeto Rondon com a cara do Brasil de hoje.

No passado, a utopia geográfica via o país como uma imensa frente pioneira, a puxar um mercado em expansão. A estrada terminava na boca da mata. Aos olhos de alguns, parecia suficiente levar a picada mais adiante; o progresso faria o resto.

Hoje, sabemos que não é assim. O país, no essencial, está integrado. É preciso vencer a grande fronteira da desigualdade, desbravar um futuro mais humano, abrir estradas de oportunidades. Recriar, enfim, a idéia de nação com base no interesse coletivo.

Meus jovens, minhas jovens rondonistas

É para isso que vocês estão aqui. O novo Rondon é parte de um esforço gigantesco para interligar o Brasil pela ponte da solidariedade.

A justiça social representa, hoje, aquilo que o telégrafo simbolizou no passado, quando o marechal Cândido Rondon percorreu o país à frente da Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas.

Foi para desbravar essa nova fronteira que o Projeto ganhou um novo rosto, como proposta de engajamento da juventude e da universidade na superação das nossas distâncias sociais.

Ele significa uma iniciativa conjunta de governo, com a participação integrada das Forças Armadas e de vários Ministérios. O seu método é participativo, incluindo entidades como a UNE no seu Conselho.

Vocês farão diagnósticos. As universidades criarão projetos. Novas turmas serão credenciadas a implementar ações de longo curso, articuladas com políticas públicas e, quando for cabível, apoiadas pela iniciativa privada.

Estamos começando, meu caro Governador, mais um grande projeto pela Amazônia. Vamos chegar ao Nordeste e desembarcar, num futuro bem próximo, nas periferias metropolitanas do nosso querido país.

Unir brasileiros de todas as origens e de todas as regiões. Repactuar o país consigo mesmo e devolver à juventude a guarda de uma palavra transformadora que, mais do que ninguém, cabe a ela fortalecer e personificar. Falo da esperança, que tem os pés no chão, o coração no Brasil e a cabeça nos destinos do nosso povo.

Muito obrigado e boa sorte para todos vocês.

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