Discurso do Presidente Lula: Projeto Nova Transnordestina, recursos para o Metrô de Fortaleza e Programa Crediamigo do Banco do

Your rating: None

Fortaleza - CE, 25 de novembro de 2005

Se vocês tiverem um pouco de paciência, não vou falar tanto quanto o ministro Ciro Gomes mas, toda vez que eu vejo gente tão alegre, com a cara boa como vocês, eu fico pensando por que eu tenho que ler um discurso. E eu quero contar algumas coisas que, eu penso, vocês precisam saber.

Em 1993 e 1994, eu fiz, 92 e 94, praticamente, 91 mil quilômetros de caravana por este país, andando de barco. Fiz uma caravana no São Francisco, saí de Minas Gerais e fui chegar a Juazeiro e Petrolina. Fiz uma caravana pela Amazônia. Fiz mais duas caravanas pelo Nordeste brasileiro e depois eu me dei conta de que o Nordeste brasileiro e, sobretudo, a parte mais pobre do Nordeste brasileiro não comportava mais soluções paliativas, que era preciso pensar de forma estruturante, pensar o Nordeste para os próximos 20 anos, para os próximos 30 anos porque, em Brasília, e não é culpa de nenhum governo, toda vez que vai se pensar no Nordeste, aparece um especialista para dizer que não tem viabilidade econômica, porque há uma cultura de se fazer investimento em regiões que já estão prontas, em que as pessoas colocam o dinheiro e têm um retorno imediato. Essa visão, pode ser extraordinária para os investimentos privados. É normal que o empresário, ao querer colocar o seu dinheiro em algum empreendimento, discuta antes o retorno do capital investido.

Mas esse não é o papel do Estado. O papel do Estado é pensar nacionalmente, globalmente, o seu território, regionalmente e, também, as microrregiões. Em algumas áreas, o Estado tem que se dispor a fazer financiamentos ou investimentos do Orçamento Geral da União, mesmo que saiba que o retorno pode ser de longo prazo porque, para alguns estados, você precisa fazer uma estrada porque já estão se desenvolvendo; para outros estados, se não tiver estrada, não vem o desenvolvimento.

E eu decidi, fazendo as caravanas, que era preciso fazer alguma coisa para o Nordeste, não apenas porque eu sou nordestino, mas porque o Brasil tem um território muito grande. Ao longo da história do Brasil, algumas regiões foram mais privilegiadas do que outras. O poder político, às vezes, determina os investimentos para determinadas regiões e não se pensa nos estados menores, nos estados mais pobres.

Quando eu assumi a Presidência, logo no começo, nós fizemos a prorrogação do tempo da Zona Franca de Manaus, que vencia em 2003, para 2023. Os empresários do Sul do país ficaram nervosos, os políticos ficaram nervosos e eu digo sempre: só é contra a Zona Franca de Manaus quem não conhece a Zona Franca de Manaus e só é contra quem não sabe, definitivamente, a importância estratégica de desenvolver um estado como aquele que, se não tiver a oportunidade de desenvolvimento, adeus floresta amazônica.

Eu resolvi então, lendo a biografia do presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, que era preciso fazer no Nordeste brasileiro o que ele fez no Vale do Tennessee, nos Estados Unidos, que era uma das regiões mais pobres dos Estados Unidos, muito semelhante à pobreza do Nordeste e ele, enquanto Presidente da República, tomou a decisão de que era preciso priorizar o desenvolvimento daquela região, que hoje é uma das regiões mais ricas dos Estados Unidos.

E por que não dar essa mesma oportunidade ao Nordeste brasileiro? Por que ficar assistindo na televisão, a cada ano que tem uma seca, a criação da frente de trabalho, onde os trabalhadores, num ano, pegam uma pedra na margem direita e colocam na margem esquerda; no ano seguinte, pegam da margem esquerda e devolvem para a margem direita? Ou seja, é a produção do nada para o nada, a troco de 30 reais ou 40 reais por mês.

Por que não permitir que os estados mais ricos da Federação andem mais pelas suas próprias pernas e os estados mais pobres recebam mais ajuda da União, mais financiamentos e mais incentivos a novos empreendimentos?

Parte dessas coisas não acontecem no Brasil, e quero pedir desculpas se alguém se sentiu ofendido, pela mediocridade política do Brasil, pela mediocridade de uma classe política onde uma boa parte não consegue pensar o país nem um minuto depois do seu mandato, só pensa nos seus quatro anos, pensando numa reeleição. Nenhuma Nação, lugar nenhum do mundo consegue se projetar enquanto Nação, se cada um que foi eleito só pensar no seu mandato, e não pensar estrategicamente no desenvolvimento do seu país.

Quando a gente planta uma árvore, necessariamente nós não temos que chupar o fruto daquela árvore, outros que virão depois de nós poderão ser os beneficiários. Mas nós tivemos a coragem de plantar, mesmo sabendo que não íamos chupar o fruto daquela árvore. O Brasil tem que ser pensado assim.

Quem assume a presidência de um país importante como o Brasil não pode ser pequeno e pensar na próxima eleição, não pode ser pequeno e apenas estabelecer a política do imediatismo: aquela obra que eu tenho que ver acontecer, aquela obra que tem que ter o meu nome. Por isso, o Brasil não conseguiu, ao longo do tempo, se desenvolver como deveria, e olhe que o Brasil já teve muitas e muitas chances.

Durante 30 anos, este foi o país que mais cresceu no mundo, a ponto de o crescimento chegar a taxas de 10% ao ano e nós não resolvemos o problema da desigualdade social e da miséria neste país. Nós pensamos algumas obras importantes e, aqui no Ceará, é importante dizer o seguinte: quando eu tomei posse, tinha nove estados do Nordeste, cada um querendo uma refinaria, mais o estado do Espírito Santo e mais o estado do Rio de Janeiro. Cada governador que ia conversar comigo dizia: "a refinaria tem que ser no meu estado". Chegou um momento em que eu disse o seguinte: a refinaria vai para o estado que arrumar o parceiro para construir a refinaria.

Cheguei a jantar com o senador Tasso Jereissati, com o Príncipe da Arábia Saudita, para tentar convencê-lo a fazer a refinaria no Ceará. Tentei conversar com empresários japoneses, com governadores, com o governador do estado do Espírito Santo, para saber se ia ter investimento, senão a refinaria seria no estado do Espírito Santo, até que o presidente Chávez ganha as eleições na Venezuela e ele, como admirador de um general brasileiro, que foi parceiro do general Simon Bolívar, na Venezuela, o presidente Chávez disse: "eu quero construir uma refinaria no estado de Pernambuco para dar a ela o nome do general que foi herói junto com Simon Bolívar". Um personagem que no Brasil é desconhecido, mas que na Venezuela lutou muito tempo junto a Simon Bolívar, que é o general Abreu e Lima.

Então vejam, nós estamos para ir a Pernambuco fazer uma festa para anunciar a refinaria num projeto de alguns bilhões de reais. Aqui, foi anunciado, no dia 15 me parece que vai ter a pedra fundamental da Siderúrgica do Ceará. Aqui foi feito o protocolo e eu quero, nos próximos dias, visitar o trecho, porque esse negócio de assinar só protocolo e não começar a colocar trilho e dormente lá, não vai dar muito certo, tem que acontecer logo, uma ferrovia ligando estados importantes do Nordeste brasileiro e que, certamente, os frutos não darão na semana que vem, nem no ano que vem, darão do ponto de vista da geração de empregos, vai valorizar a terra, vai ter mais incremento de investimentos. Mas isso leva alguns anos.

Depois, foi uma guerra, e a ministra Dilma Rousseff sabe, porque na época era ministra de Minas e Energia, depois o Silas pegou o pessoal da Petrobras já cansado, portanto, mais fácil de ceder para a gente assumir o compromisso de construir o Gasene que vai poder dar sustentabilidade à produção de energia para a Siderúrgica e outros empreendimentos no Nordeste. É um investimento também de 750 milhões de dólares que, certamente, gerará muito emprego. Será licitado a partir de janeiro e eu penso que três ou quatro meses depois já estaremos com o Gasene se dirigindo para fazer a ligação com os gasodutos existentes no Nordeste.

E depois a obra do São Francisco. Eu acho importante dizer aqui, da obra do São Francisco, e repetir sempre, que eu nunca prometi a obra do São Francisco. Duvido que alguém tenha ouvido, em três campanhas que eu fui derrotado, eu prometer água do rio São Francisco. Eu nunca prometi, governador Jarbas. Nunca, porque eu dizia: é preciso estudar muito para a gente saber se vai fazer ou não. E eu, depois, aqui no estado do Ceará, há uns dez anos atrás, acho que na campanha de 94 ou 98, teve deputado que assinou um manifesto de repúdio à minha pessoa, não sei nem se o Eunício era deputado ou o Pimentel, aqui. Eu sei que assinaram repúdio ao Lula, porque o Lula era contra. Porque tinha candidato que vinha aqui, no Ceará, todo faceiro, porque vocês são favoráveis à transposição e ele dizia: "vamos fazer a transposição". Mas chegava na Bahia, a Bahia era contra, ele dizia: "não vou fazer". Chegava na Paraíba dizia: "eu vou fazer". Chegava em Alagoas: "não vou fazer". Eu nunca afirmei que ia, nem que não ia.

Quando eu tomei posse, pedi ao meu vice-presidente que começasse a fazer os primeiros contatos para que pudéssemos... já tinha um projeto que tinha sido coordenado pelo hoje senador Fernando Bezerra, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. E esse projeto foi muito debatido, eu mesmo tinha sido convidado para fazer um debate sobre o rio São Francisco. Eu pedi ao José Alencar que reestruturasse o debate sobre o São Francisco, que viajasse o Brasil, que conversasse. O vice-presidente José Alencar fez as primeiras etapas de negociações, conversa com governadores, com deputados, com prefeitos, com técnicos e, depois, chamei o ministro Ciro Gomes e pedi para o ministro Ciro Gomes tocar o projeto do São Francisco.

É um projeto que o povo cearense precisa se manifestar, mas é um projeto que nós não podemos deixar... eu não acredito que um cidadão baiano, sergipano, alagoano pobre esteja querendo negar um copo de água para um irmão nordestino que mora nos estados que não têm água.

Porque eu vejo, meu querido companheiro Ciro Gomes, hoje eu vejo alguns governadores defensores do rio São Francisco fazendo alguns discursos que eu fico pensando: mas se essas pessoas gostavam tanto do rio São Francisco, por que deixaram, durante tantas décadas queimar todas as matas ciliares para fazer carvão com o cerrado? Por que deixaram, durante tantos anos jogar esgotos das cidades dentro do rio São Francisco? Essas pessoas gostavam mesmo do rio ou essas pessoas, agora querem tentar tirar proveito político sem conhecer?

Eu dizia para o Ciro que um dia eu estava na Universidade Federal de São Paulo fazendo um ato, tinha lá uns meninos com uma faixa contra o São Francisco e eu fiquei pensando: este aí deve ter água "Perrier" na sua geladeira. Porque se ele souber o que é carregar um pote de água por 6, 7 quilômetros na cabeça, se ele soubesse o que é ficar esperando a humilhação de um carro-pipa, que nunca vem e quando vem às vezes chega tão atrasado que não valeu mais a pena, não seria contra e o Ciro fez esse projeto com a maior responsabilidade. Esse projeto vai tirar apenas 1% da água do rio São Francisco, esse projeto vai fazer uma interligação com muitos açudes, para que ele fique totalmente perene a vida inteira.

Este projeto, já estão desapropriados dois quilômetros e meio à margem direita e esquerda do canal, para que a gente possa fazer projetos de assentamento. Esse canal está pensado do ponto de vista social e humanitário. Social, porque nós queremos desenvolver alguma coisa ao lado do canal, e humanitário porque não é possível um país que tenha a quantidade de água que tem o Brasil, deixar aproximadamente 12 milhões de pessoas... e quando eu falo isso eu falo porque sei e vivi na pele.

Quando eu tinha sete anos de idade, Ciro, eu morava numa coisa mais ou menos assim, um terreno... eu me lembro que quando começava a trovejar a minha mãe fazia a gente fazer uma mureta de areia para catar água da chuva para a gente beber. Agora, se as pessoas do país não compreenderem que esse é um projeto que vai transformar o Nordeste brasileiro, não numa coisa melhor, mas numa coisa igual ao restante do país, dar cidadania aos nossos irmãos que não tiveram oportunidade, é a chance que nós temos.

Esses três projetos que eu falei, quatro na verdade, Gasene, Siderúrgica, São Francisco e a Transnordestina, e mais um que eu acho que daqui a 10 ou 15 anos será o mais importante... eu quero aproveitar, eu estou para prestar uma homenagem a ele, mas ainda não foi possível, ao professor Expedito Parente, que foi o idealizador do biodiesel, e nós resolvemos transformar o biodiesel em combustível e, a partir daí, pensamos Nordeste brasileiro, criamos uma política especial para o Nordeste brasileiro, fazendo isenção de impostos para as empresas de biodiesel que contratarem trabalhadores da agricultura familiar para plantar mamona.

A Petrobras participou do leilão esta semana, três empresas vão produzir 70 milhões de litros de biodiesel e nós vamos ter, então, a garantia de que o Brasil será - como é do etanol - daqui a 15 anos, um país líder na produção de biodiesel no mundo, certamente, será uma matriz energética muito mais geradora de empregos, muito menos poluente e, portanto, muito mais distribuidora de riquezas. E o mundo, depois do Protocolo de Quioto, vai precisar muito de um programa como esse.

E aqui, no Nordeste, já estamos fazendo uma pequena revolução. Às vezes, uma pequena revolução começa com um gesto, com um ato, com uma pessoa. E as pessoas só vão se dar conta de que elas estão existindo quando fizer muito barulho.

Eu fui visitar a fábrica de biodiesel lá em Floriano, no Piauí. E em uma fábrica que tem 40 trabalhadores, cada trabalhador gera mil empregos no campo, na produção de mamona, numa demonstração de que nós poderemos viabilizar mais dignamente o povo nordestino e, sobretudo, a parte mais pobre do país. Esse é um projeto que eu tenho por ele uma predileção importante porque é um projeto que vai tornar o nosso querido Brasil com três fontes energéticas excepcionais: o petróleo, eu fui ao Rio de Janeiro anteontem lançar a plataforma P50, uma plataforma que tem tamanho de três estádios do Maracanã, uma plataforma que tem capacidade de armazenar em alto-mar 1 milhão e 600 mil barris/dia de petróleo. A produção de um dia da Petrobras cabe dentro dessa P50. Nós atingimos a auto-suficiência quando essa P50 começar a produzir. Vamos produzir mais de 1 milhão e 850 mil barris/dia, que é a nossa auto-suficiência. Mas nós queremos mais.

Hoje, o Brasil, produz aproximadamente, 16 bilhões de litros de etanol, estamos exportando como nunca exportamos e queremos fazer mais acordos com outros países para que eles possam colocar etanol na gasolina e para que a gente possa produzir mais, gerar mais emprego, gerar mais riqueza e para que a gente possa ajudar que a agricultura brasileira seja muito maior e muito melhor do que ela é hoje.

E agora, o biodiesel. Está começando. Eu disse para a Dilma Rousseff que foi, no começo, quem coordenou esse projeto, que a gente vai superar todas a etapas, estão previstos, até 2008, 2% de biodiesel no óleo diesel; depois, estão previstos, em 2013, 5%. Pode escrever no teu caderninho, Dilma, que nós vamos passar por cima disso, Silas, porque eu me lembro que dois anos atrás a gente discutiu com a indústria automobilística a necessidade de voltar a utilizar o álcool e, hoje, o Brasil não só produz carro a álcool como o flex fuel, o carro que usa álcool e gasolina. Sessenta e cinco por cento dos carros vendidos no mercado interno, este ano, são flex fuel. Nenhum país do mundo tem essas condições. E nós temos essas condições.

Então, a Petrobras é um motivo de orgulho para nós. Todo mundo conhece, a Petrobras é a empresa mais extraordinária que o Brasil poderia ter. Ela é tão importante que eu acho que o presidente da Petrobras deveria ser eleito diretamente pelo voto, porque vá ter dinheiro para gastar em outro lugar. Eu fui ao Rio de Janeiro agora, ele anunciou, até 2010, 86 bilhões de reais de investimento, quando o governo brasileiro não tem como anunciar uma quantia dessas.

Então, a Petrobras que é essa empresa poderosa, certamente, vai nos ajudar. Mas eu acho que a Petrobras pode exportar muito petróleo e a gente utilizar aqui o nosso combustível porque essa vai ser a redenção do Brasil. E o Brasil tem soja, o Brasil tem mamona, o Brasil tem semente de girassol, o Brasil tem o pinhão manso, o Brasil tem babaçu, o Brasil tem dendê, ou seja, nós temos dezenas de possibilidades de produzir biodiesel e eu acho que nós logo, logo, estaremos sendo olhados pelo mundo como um grande produtor de biodiesel. Só para ter idéia, governador Lúcio Alcântara e Jarbas Vasconcelos, no almoço que fiz como presidente Bush na minha casa, 90% da conversa era sobre o biodiesel, porque os americanos também estão preocupados com o petróleo e estão querendo produzir biodiesel. Eu disse: "nós temos terra, sol, água, gente boa para trabalhar, não temos furacão, não temos neve, não temos maremoto, terremoto, aqui é paz e amor, neste país. Pode investir aqui, que não tem problema".

Esse projeto é... veja, a Petrobras está fazendo poço, agora, a 2 mil metros, 1.850 metros de lâmina d'água, depois que ela desce 1.800 metros de lâmina d'água, ela perfura 2 mil metros ou 3 de terra, veja, são quase 5 quilômetros de profundidade. Eu estou dizendo para o Presidente da Petrobras: "rapaz, não fique fazendo birra contra o nosso biodiesel não", porque a Petrobras acha que tudo compete com ela. Ela teve demora para aturar o Pró-Álcool e, agora, o biodiesel. "Ciúmes, vai nascer um irmãozinho ali e eu não quero porque está bem aqui, filho único". Então, eu falei para o José Sérgio Gabrielli: "veja a diferença, José Sérgio Gabrielli, para furar um poço de 2 mil metros, você gasta uma fortuna; agora, veja a nossa vantagem no biodiesel: o cidadão, com a mão mesmo, cava uma covinha ali, joga uma sementezinha ali, poucos meses depois ele vai lá, um metro e meio de altura, vai lá e colhe a mamona, vai moer aquela mamona, vai para a usina e nós vamos ter o biodiesel".

Nós vamos gerar milhares e milhares de empregos neste país e eu só quero que vocês se lembrem do dia de hoje e, daqui a dez anos, vamos voltar a conversar sobre o que significou o biodiesel para o Nordeste brasileiro, para o Brasil, e esses projetos que aqui hoje foram anunciados. Mas não é apenas isso. Eu sempre achei que o Brasil padecia de desvios de país colonizado. Embora tenhamos conquistado a nossa independência no dia 7 de setembro de 1822, a verdade é que a cabeça de uma parcela do Brasil ainda estava colonizada. Se vocês pegarem o mapa do Brasil, vocês vão perceber que durante quatro séculos e meio o Brasil cresceu só à beira-mar, era tudo voltado para a Europa, sobretudo porque o transporte era feito de navio. A partir de Juscelino, começou-se a pensar, a se desenvolver para dentro e, agora, nós demos um passo a mais, demos um passo a mais na integração da América do Sul e em tentar construir as coisas que faltam para que a gente possa se integrar enquanto continente e poder vender e comprar os nossos produtos com os países com os quais somos vizinhos, porque o Brasil tem fronteira com todos os países, menos com o Equador e com o Chile.

Portanto, nós não podemos ver um carro, vizinho do Brasil, vindo do Japão, quando nós podemos vender carro nosso com qualidade e tão importante quanto os outros. Mas o Brasil era quase como um país que não poderia pensar na América do Sul, na América Latina, na África; nós estávamos com a cabeça muito subordinada aos nossos colonizadores, ao continente europeu, então, era tudo para lá. Hoje a nossa relação comercial com a América do Sul já é maior do que com a União Européia e já é maior do que com os Estados Unidos.

Tudo isso está possibilitando, não vender um otimismo exagerado para vocês de que está tudo pronto, não está. A história de uma Nação não se constrói em uma década e, às vezes, nem em um século. E resolver as mazelas que foram feitas ao longo de séculos neste país e pagar as dívidas sociais que foram contraídas com o povo brasileiro, isso não será resolvido em um mandato, em dois mandatos, em três mandatos, em quatro mandatos. É preciso que haja um compromisso da Nação.

Eu acho que, um dia, governador Lúcio, nós vamos aprovar no Senado e na Câmara, quem sabe, a idéia de uma mini-Constituinte para fazer um projeto para o Brasil, e fazer um projeto para o Brasil, que todo presidente que entrar não tem que inventar nada, ele tem que cumprir aquele projeto Constituinte até a gente resolver o problema do Brasil, porque, senão, não tem jeito.

O Brasil está vivendo um momento bom, na minha opinião. Todo mundo pode querer um pouco mais, e é normal que se queira um pouco mais, mas o Brasil está vivendo uma combinação boa de crescimento econômico, de crescimento da exportação, de crescimento do emprego, está vivendo um momento bom. Eu quero muito mais e vou trabalhar para que a gente tenha muito mais. Mas também nós temos aqueles que não querem que as coisas dêem certo.

O Brasil é fantasticamente engraçado. Eu não sei se é o Brasil, governador Jarbas, ou se é no mundo inteiro. Aquele que perde uma eleição, ele fica torcendo, torcendo para que quem seja eleito não faça nada, não dê certo, erre o máximo possível, porque é a chance. Mas vocês já foram eleitos, já perderam, já ganharam eleição, é assim no Brasil. Todo mundo fica torcendo pelo fracasso.

Um dia, Patrícia, você vai ser eleita num cargo majoritário, num cargo executivo, e você vai ver, as pessoas ficam torcendo: tomara que não dê certo. Isso é que nem uma ave de mau agouro. Então, se a gente tiver um projeto para o país, um projeto em que o sucessor do Lúcio, o sucessor do Lula, o sucessor da Luizianne tenha compromisso, quem sabe a gente possa fazer muito mais pelo país. Nós estamos começando e não é fácil.

Eu vou dar um exemplo, aqui, Jarbas, Wellington e Lúcio, só no Nordeste brasileiro, o Bolsa Família está atendendo, até o dia de hoje, 3 milhões e 910 mil famílias. Estamos já com uma cobertura, no Nordeste, de 74% das pessoas que estão abaixo da linha da pobreza. E estamos gastando, nesse Programa, no Nordeste, 3 bilhões, 179 milhões, 702 mil e alguns centavos. E, por mês, significa vir, para combater a pobreza no Nordeste, 265 milhões de reais/mês, para combater a pobreza no Nordeste.

No estado do Ceará, só no estado do Ceará, nós estamos atendendo 678 mil famílias com o Bolsa Família. Já atingimos a cobertura de 82% das pessoas que, segundo o IBGE, estão abaixo da linha da pobreza. Estamos gastando 550 milhões de reais/ano, com um total de 46 milhões/mês de combate à pobreza.

É pouco, mas se juntarmos isso à compra de leite dos pequenos produtores, se juntarmos isso com o seguro agrícola, se juntarmos isso com a compra de alimentos, se juntarmos isso com o Pronaf, se juntarmos isso com o CrediAmigo, se juntarmos isso com as políticas sociais dos estados e das cidades, nós vamos perceber que em nenhum momento da história do Brasil os pobres tiveram tanta atenção como estão tendo agora. Nunca.

A verdade é que houve várias tentativas. Mas pobre conseguia entrar num banco? Mesmo no BNB era difícil. O Banco do Brasil, meu caro Schmidt, tinha perdido o hábito de emprestar dinheiro para pequeno, era melhor emprestar tudo para um grandão do que emprestar para milhares de pequenos, emprestar dois contos ali, dois contos e meio ali, mil reais, três mil, dá trabalho, é muita gente. E ainda tem gente que vai de sandália lá, para pegar dinheiro, não fica bem com o banco.

Nós mudamos essa cultura. E eu penso que é por isso que os números são muito bons. Vocês sabem quanto nós fizemos de empréstimo consignado em 20 meses, aquele dinheiro que o cidadão toma emprestado e desconta na folha de pagamento? Por isso é que a economia brasileira não pára: foram 29 bilhões de reais emprestados, 11 milhões e meio de tomadores, dos quais 5 milhões de aposentados. Aonde que o aposentado conseguia tomar dinheiro emprestado neste país? Hoje ele pode ir ao banco e tomar dinheiro emprestado, dar o seu holerite de pagamento, o seu contracheque de pagamento em garantia, e só pode descontar o máximo de 30% do que vai receber de salário, para não comprometer todo o salário.

E aí, o país vai andando. O país está começando a andar. Vários setores das indústrias estão crescendo; pela primeira vez, em 23 anos, as empresas ganharam mais dinheiro do que os bancos, o que já é um bom sinal. A gente percebe que as coisas estão... O Congresso Nacional tem nos ajudado. Por mais que você veja, na imprensa, briga entre o Senado e o Poder Executivo, Câmara e Poder Executivo, a verdade é que na essência o Senado e a Câmara têm votado as coisas de interesse deste país. De vez em quando, tem uma disputa política mais aguerrida, um xinga aqui, outro xinga ali, mas uma boa conversa resolve e fica tudo acertado, vota-se, coloca-se uma emenda a mais, isso é parte da democracia. Quando vocês virem essa briga, não se assustem. É melhor assim do que no tempo do regime militar, em que a gente não tinha essas coisas. É melhor isso. Isso é um aprendizado.

Outro dia, eu disse no Roda Viva: "aproveitem que eu estou no governo e denunciem tudo o que vocês souberem de corrupção, tudo, porque vocês terão a certeza de que será apurado". Denunciem. Quem souber, não guarde para si, não. Agora, por favor, não mintam, porque, se ao invés de denunciar uma coisa com indício de prova, você ficar levantando calúnia contra as pessoas, não poderemos prejudicar gente inocente, condenar gente inocente e absolver gente culpada. Então, é preciso que a gente faça as coisas corretamente.

O Brasil, quero dizer para vocês, não vai jogar fora essa chance. Não vai jogar fora. Nós demoramos muito para chegar aqui. Os senadores sabem, os deputados sabem, os ministros sabem, vocês sabem o sacrifício que nós fizemos no primeiro ano de governo. Foi quase como cortar uma veia para poder garantir que este país não fosse quebrar. Eu disse para a Dilma hoje, eu fazia reunião com alguns economistas amigos meus, dos mais importantes do Brasil, quando terminava a análise econômica, eu falava: "espera aí, se o Brasil está assim por que vocês querem que eu seja candidato a Presidente? Se o país vai quebrar, por que eu vou pegar esse abacaxi?" Agora, como eu gosto de abacaxi, é a minha fruta predileta, eu falei "vou pegar esse abacaxi e vou provar que a gente pode consertar esse abacaxi, fazê-lo ser uma coisa bastante digerível."

E podem ter certeza de uma coisa: com a conclusão desses projetos, o Nordeste brasileiro dará um salto de qualidade e, daqui a 20 ou 30 anos, os nossos filhos e os nossos netos vão se lembrar deste dia de hoje. Eu considero o dia de hoje um passo importante para que o Nordeste brasileiro deixe de ser exportador de pessoas procurando emprego nos centros mais ricos da União, para o Nordeste brasileiro voltar a ser um lugar gerador de emprego, gerador de oportunidades, porque uma coisa de que eu me orgulho é quando eu vejo um aposentado metalúrgico voltar para o Nordeste: ele saiu daqui com uma mão nas costas e a outra na frente, atrás de emprego. Trabalhou 35 anos lá e, quando ele se aposenta, ele volta para cá cidadão, ele volta para cá com poder de compra, ele volta para cá consumidor, e vocês devem conhecer muitos espalhados por este Nordeste afora.

De forma, companheiros e companheiras, que eu quero dizer para vocês, como nordestino, como Presidente da República, que eu, no dia de hoje, estou duplamente orgulhoso. Voltarei aqui no dia 15 para a pedra fundamental da nossa Siderúrgica e virei dar o primeiro ponto de solda no gasoduto do Gasene, vou fazer uma viagem de metrô quando ele estiver pronto porque é uma obra... e eu quero fazer justiça aqui: o governador Lúcio, eu já não podia vê-lo marcar uma audiência que eu já sabia que vinha o metrô na frente. E nós, depois de muita dificuldade, muita engenharia, conseguimos liberar o dinheiro para o metrô de Belo Horizonte, para o metrô de Salvador, para o metrô de Fortaleza, e estamos aqui acordando com o governador Jarbas para a gente ver se conclui a questão do metrô de Recife, porque cada cidade, agora, quer um metrô, virou um negócio impressionante. O Wellington quer um metrô também, e eu tenho dito o seguinte: "só vamos fazer metrô, agora, quando a gente terminar esses quatro". Porque que digo sempre: cachorro de muito dono morre de fome porque todo mundo pensa que pôs comida e não pôs. Se você colocar 10 obras, você termina não fazendo. Então, vamos terminar esses quatro, depois vamos ver quais as outras cidades que precisam de metrô para a gente fazer novos projetos. O dado concreto é que eu, ainda este ano, quero dar uma volta no metrô de Fortaleza e de Salvador.

E queria dizer a vocês que o governador Lúcio tem sido um parceiro. Não esperem que essa parceria acabe com as divergências políticas, porque nós somos de partidos diferentes, e é bom não acabar. Divergência, é bom ter, porque nós precisamos aprender a conviver com isso.

E eu queria, aqui, fazer justiça a um companheiro. Eu sei que quando estou com muitos ministros, elogiar um só fica muito ruim, mas eu quero fazer justiça, aqui, ao nosso ministro Ciro Gomes. Primeiro, porque é o único paulista nordestino, já é um valor extraordinário na cabeça de um ser humano, sem que tenha conseguido passaporte do Ceará, ou seja, ele é por conta própria. Segundo, porque o Ciro é um companheiro que tem dado uma contribuição inestimável ao meu governo e ao nosso país. Eu, poucas vezes, conheci um ser humano com a dedicação, com a honradez e com a lealdade que o Ciro Gomes tem, nas coisas que nós fazemos, no governo.

E essa visão que eu tenho do Ciro Gomes, hoje, é a demonstração de que nós, seres humanos, não somos estáticos, nós somos uma "metamorfose ambulante", nós estamos mudando todo dia, aprendendo, ensinando. E o Ciro Gomes, tem sido um quadro excepcional, esse projeto do São Francisco, ele e o Brito têm trabalhado que nem dois heróis, enfrentando provocações, e não desistem nunca, porque eles são brasileiros e sabem que não podem desistir nunca.

Essa Transnordestina foi uma engenharia. Olhe, eu quero dizer para vocês, que, muitas vezes, eu pensei em desistir, porque quando eu chamava Ciro Gomes, Palocci, Guido Mantega e mais não sei quem, ao invés de solução, senador Sérgio Guerra, era só problema, só problema. Chegou uma hora em que eu falei: "Sabe de uma coisa? Eu vou desistir, porque não dá certo". E o Ciro Gomes: "Não, vamos encontrar uma solução, vamos encontrar uma solução". E encontramos uma solução e vamos fazer um investimento de 4 bilhões e meio de reais, o que pode nos ajudar.

E eu acho que se o Ciro não estivesse participando... obviamente que todos os ministros tiveram... Eu dei a Transnordestina e o São Francisco para o Ciro, numa homenagem de um companheiro que disputou as eleições comigo e eu disse ao Ciro uma vez: "você vai saber o que é a elite política brasileira quando você virar oposição. Você vai saber como é que ela trata os adversários".

E, numa homenagem ao fato de o Ciro Gomes ter sido meu concorrente, eu tê-lo chamado para participar do governo, ele ter aceito, eu dei duas obras que são duas paixões da minha vida, a Transnordestina e o Canal do São Francisco para o Ciro Gomes fazer. Mesmo o nosso ministro dos Transportes, Alfredo, que eu pensei que era amazonense, é do Rio Grande do Norte, ou seja, que era para ser do ministro dos Transportes. Aí foi uma homenagem, uma homenagem à humildade, à lealdade, às coisas transparentes que ele faz. Então, eu não podia fazer elogios ao Ciro num lugar melhor do que na cidade de Fortaleza, no seu estado do Ceará.

E o que eu estou dizendo aqui, para vocês, posso garantir, é o pensamento unânime de cada ministro, o pensamento unânime de cada ministro do que o Ciro tem nos ajudado lá.

Portanto, eu quero dizer ao governador Lúcio, ao governador Wellington, ao governador Jarbas Vasconcelos, aos nossos deputados, senadores, ao povo do Ceará, empresários, trabalhadores, ao BNB, aos senadores, eu quero dizer a vocês o seguinte: tenho certeza de que hoje nós marcamos um novo começo de vida para o povo nordestino. Um novo começo de vida. E eu tenho certeza de que todos nós vamos nos orgulhar amanhã de ter participado deste dia porque, afinal de contas, nós estamos dando um passo importante, outros antes de nós já fizeram coisas, nós não começamos, não inventamos o mundo e nem a roda, mas eu acho que o passo de hoje foi extremamente importante.

Portanto, que Deus nos abençoe, que Deus abençoe todos vocês, que a nossa prefeita Luizianne tenha toda a sorte do mundo na sua administração, que o governador Lúcio tenha toda a sorte do mundo porque eu, depois dos 60 anos de idade, eu cheguei à seguinte conclusão: nossa vida é tão curta que não vale a pena a gente ter ódio, não vale a pena a gente ter rancor, não vale a pena a gente não pensar de forma otimista todo o dia e toda hora.

Portanto, eu sou um brasileiro otimista, eu sou um brasileiro que acredita e, por acreditar, eu sou um brasileiro que posso dizer para vocês: estejam certos de que o Brasil nunca mais voltará a ser o mesmo.

Obrigado.

Discurso do Presidente Lula: na cerimônia de abertura do I Congresso Nacional de Agricultura Familiar - Fetraf

Luziânia-GO, 22 de novembro de 2005

Quando o Gilberto Carvalho foi dizer para mim que eu tinha que vir no Congresso da Fetraf, eu, como sei que esse movimento começou no Sul do país e, portanto, proporcionalmente deve ter muito gaúcho, eu, como corintiano fiquei: "Será que é bom um corintiano ir?" Porque os críticos, o Calixto sabe que os críticos do Corinthians são muitos, estão dizendo que houve favorecimento.

Bom, eu quero começar cumprimentando cada companheiro e cada companheira que participa deste 1º Congresso, organizado pela Fetraf, que não é mais Fetraf porque está se transformando numa entidade nacional. Quero dizer para vocês que é uma alegria saber que vocês estão mais organizados hoje do que estavam ontem e, certamente, estarão amanhã mais organizados do que estão hoje. Tudo isso é um processo, leva tempo, leva a decepções, sofrimento. Mas não desistam, porque é o que vale a pena.

?Fiquei deveras preocupado, porque depois da mística, depois do confronto entre o bem e o mal, aqui, neste palco, as duas traidoras foram sentar juntas ali e ficaram tagarelando, ou seja, era uma briga apenas para inglês ver, porque no fundo, no fundo, estavam as duas, ali, dizendo que nos tinham enganado. Mas, meus parabéns pela mística.

Quero cumprimentar os dirigentes, representantes de países estrangeiros aqui presentes. É sempre importante que haja essa interação entre os trabalhadores, o povo e os dirigentes brasileiros com os nossos irmãos do Planeta, sejam da América do Sul, América Latina, África, Europa, Ásia, Estados Unidos, Canadá. É importante que haja essa interação, sobretudo porque estamos entrando numa reta final da Rodada de Doha, onde os acordos comerciais serão levados muito em conta. E eu acho que é preciso que haja um mínimo de compreensão dos trabalhadores do mundo inteiro, que é preciso construir uma proposta porque, na verdade, ninguém quer prejudicar ninguém.

A única coisa que precisa haver compreensão é que se os países ricos não diminuírem os subsídios que colocam nos seus países, continente como a África terá muito mais dificuldade de se desenvolver. Então, é preciso que haja a compreensão de que a disputa tem que ser mais igual, mais justa, para que aqueles que estão mais atrasados, do ponto de vista científico-tecnológico, possam ganhar uma certa dimensão. E a agricultura é, para muitos países, a única possibilidade que eles têm de ter acesso aos mercados internacionais.

A terceira coisa, Tortelli - eu não li a minha nominata, aqui, entrei direto - meu querido Tortelli, é que tem que aproveitar o momento em que tem representantes estrangeiros aqui e discutir um pouco o nosso programa de biodiesel, porque eu acho que para não deixar que o nosso planeta seja deteriorado pelo nosso capeta?, nós precisamos criar urgentemente alternativas energéticas renováveis. E o Programa de Biodiesel é o grande projeto de produção de uma matriz energética alternativa, sobretudo, para beneficiar a agricultura familiar. E é importante que eles voltem para os seus países conhecendo o projeto que nós temos no Brasil.

A terceira coisa que eu queria dizer - cumprimentando agora, educadamente, os nossos companheiros da mesa, eu não cumprimentei nenhum, parabenizando os dirigentes por este primeiro Congresso que vocês estão realizando, cumprimentando esta quantidade enorme de mulheres que está presente neste Congresso - eu queria dizer para vocês que estou aqui com orgulho, com a certeza de que estamos cumprindo o nosso dever, com a certeza de que estamos cumprindo os compromissos que assumimos com os trabalhadores e com a agricultura familiar em nosso país.

O Rossetto citou alguns números e o Tortelli, como sempre, apresentou uma reivindicação. O Tortelli esqueceu de citar o nome do Chico de Menezes, ele chegou aí com remorso, viu Chico? Eu disse que ia citar, mas o Rossetto citou antes do Chico Menezes, então... Chico de Menezes é um companheiro que tem dado uma contribuição enorme.

Olhem, eu gostaria que vocês, ao retornarem, não sei se a Fetraf tem isso, mas se não tiver, da minha parte eu vou deixar... Antes de ler o meu pronunciamento ou de falar aqui os meus improvisos, eu queria que vocês guardassem alguns números que são importantes para a gente medir a diferença do que aconteceu no Brasil em 35 meses, completados dia... vão completar ainda no dia 1º de dezembro, 35 meses. E sobretudo para a delegação estrangeira que está aqui saber o que está acontecendo na agricultura familiar no Brasil.

Quando nós tomamos posse, nós já estávamos no meio do Plano Safra 2002/2003, porque ele começa em junho e vai até julho do outro ano. Quando nós tomamos posse, em 2003, nós tínhamos 904 mil contratos do Pronaf. Agora, quando terminou a safra 2004/2005, nós já tínhamos um milhão, 639 mil e 515 contratos. O que é mais importante é o que disse o Rossetto: é que nós pulamos de uma quantia emprestada de R$ 2 bilhões para R$ 6 bilhões. E quando nós lançamos o Plano Safra, que começou em junho e vai até o ano que vem, e colocamos R$ 9 milhões, teve um companheiro que perguntou para mim "bom, mas nós estávamos reivindicando 18". Eu disse para ele: é melhor colocar 9 e depois a gente ter que chegar um pouco mais, do que a gente colocar 18 e não emprestar, e receber pela cara uma manchete dizendo que o governo não conseguiu emprestar o dinheiro.

Além dessa quantia de contrato, há duas coisas que eu acho extremamente importantes, e esse é o dado, meu companheiro Tortelli, que vocês devem utilizar, sobretudo no trabalho de vocês pelo Norte e pelo Nordeste brasileiro. Quando nós tomamos posse, no Plano Safra 2002/2003, tinha, na região Sul do país - vejam que interessante - de 932 mil contratos quase 500 mil eram no Sul do país. Cinqüenta por cento, praticamente, eram no Sul. Se você pega o Sul e o Sudeste, você vai chegar à conclusão de que quase 60% de todo o dinheiro do Pronaf ia para as regiões Centro-Sul e Sudeste.

Pois bem, qual foi a novidade que aconteceu no Plano Safra 2003-2004 e 2004-2005? O que aconteceu, de verdade, é que o Sudeste cresceu proporcionalmente menos, porque já tinha muita gente. Nós saímos de 435 mil, no plano... Veja, tinha caído, viu, Tortelli?

No Plano Safra 2001-2002, vocês fizeram, no Sul do país, 487 mil contratos. No Plano Safra seguinte, 2003 a 2002, vocês fizeram 435 mil contratos, 50 mil menos do que 2001-2002; em 2003-2004, vocês já pularam para 500 mil. E, agora, até outubro, vocês já chegaram a 678 mil contratos na região Sul do país. Ou seja, é muita gente.

E por que isso no Sul? Porque é onde tinha mais experiência organizativa. E o que nós fizemos, que eu acho que foi extremamente importante? Na região Sudeste também cresceu. Saímos de 118 mil contratos para 236 mil contratos, um crescimento também bom.

Na região Centro-Oeste cresceu menos. Saímos de 30 mil contratos para 57 mil contratos, até outubro. Na região Nordeste, nós saímos de 285 mil contratos - esse é um dado extremamente importante - saímos de 285 mil contratos para 568 mil contratos, na região Nordeste do Brasil. E na região Norte do país, nós saímos de 35 mil contratos para 98 mil contratos, praticamente três vezes mais.

Qual é o dado positivo disso? É que nesses últimos dois anos nós conseguimos nacionalizar o dinheiro do Pronaf. Nós conseguimos fazer com que um trabalhador do Acre, ou da Paraíba, ou de Rondônia, tivesse a mesma possibilidade de ter acesso aos recursos do Pronaf que tinha antes um trabalhador organizado na Fetraf, no Rio Grande do Sul, organizado numa cooperativa, no Rio Grande do Sul.

E a tendência natural é que a gente vá crescer um pouquinho mais e que possamos, ao terminar esse Plano Safra, que vai terminar em julho do ano que vem, que a gente tenha praticamente igualado as regiões Norte e Nordeste, sempre levando em conta a proporcionalidade, ao pessoal dos centros mais desenvolvidos do país.

E isso traz, por detrás, uma outra novidade que, na minha opinião, ainda não está pegando no breu, que é o empréstimo para a mulher trabalhadora. Isso é importante porque, de vez em quando, a gente lança um Programa e a gente acha que ele vai acontecer no dia seguinte. E por que não foram muito mais mulheres ao banco, pegar o dinheiro para cuidar da sua produção? Ela não foi porque não tinha cultura para isso. Muitas vezes o marido, também, não estava acostumado a entender que a mulher tem que ter um pouco de liberdade para fazer as coisas por conta própria. Às vezes o marido ia, pegava todo o dinheiro, não sobrava nada para a mulher.

Então, eu acho que quando a gente lança um programa, muitas vezes ele demora a acontecer porque tem um processo de maturação. Mas se der certo o programa que nós lançamos, em que a mulher possa ter o seu crédito e um filho possa ter também o seu crédito, nós estaremos fazendo mais que uma revolução na agricultura familiar. Por que muita gente deixava o campo para ir para a cidade? Primeiro porque não tinha financiamento; segundo, porque se plantasse, quando colhia não tinha preço; terceiro, ele não tinha energia elétrica, na maioria das casas.

E, desde que nós lançamos o Programa Luz para Todos, já atendemos 1 milhão e 800 mil pessoas. É uma coisa extraordinária, porque quem foi comigo a Vitória da Conquista, inaugurar o Programa Luz para Todos, o que percebeu? Uma senhora disse assim para mim: "Presidente, hoje é o dia mais feliz da minha vida". Eu falei: "Por quê?". "Porque agora eu vou comprar um liquidificador". E eu falei: "Para que a senhora vai comprar?" "Porque agora eu vou ganhar dinheiro. Eu vou pegar as frutas, vou colocar as polpas delas no liquidificador, vou fazer suco, vou fazer sorvete e vou vender e vou ganhar dinheiro". Vocês percebem que, no nosso meio, as pessoas não têm sonhos inalcançáveis, as pessoas pensam do tamanho do mundo em que elas vivem, e as pessoas querem construir.

E o Programa Luz para Todos é um Programa que conta com 85% de dinheiro do governo federal, é um programa que gera emprego lá no campo, porque a gente compra as coisas no estado em que estão sendo produzidas. E, se Deus quiser, nós tínhamos assumido o compromisso de atingir, em 2008, os 12 milhões de brasileiros que ainda não tinham energia, e eu penso que a gente pode alcançar antes. Por quê? Porque quando nós lançamos o Programa, até ele conseguir pegar força, leva tempo. As empresas não estavam preparadas, era necessário qualificar a mão-de-obra, era necessário... Só para vocês terem idéia, as empresas estavam praticamente paralisadas. Quando lançamos o Programa, tivemos que comprar das empresas milhares de postes, milhares e milhares de metros de cabos, de fios. Vocês sabem o que aconteceu? As empresas aumentaram o preço em quase 300%, ou seja, estavam quase quebrando porque não conseguiam produzir. Quando nós criamos o Programa, ao invés de vender mais barato, aumentaram o preço. Aí toca a chamar os empresários, a ministra Dilma se reunir com eles, agora o ministro Silas, para que a gente consiga fazer um preço equilibrado porque sai, em média, cada ligação dessas, por três mil e 200 reais. E nós a fazemos de graça para levar luz elétrica aos agricultores brasileiros, porque damos importância ao significado de um bico de luz. Ora, quem nasce no centro da cidade não tem a menor noção do que significa uma noite ou uma vida com um candeeiro. Não sabe, não tem a menor noção.

Então, quando chega um bico de luz, tem gente que não gosta que faça esses programas, tem gente que acha que a gente deveria estar fazendo outras coisas para quem já tem. Mas quem já viveu na base do candeeiro, não é candeeiro moderno, como a gente vê na televisão, é uma latinha com um pavio, e ali a mulher dava à luz, ali a mulher fazia comida, ali a mulher... tudo com aquilo. Imagina trocar um botão ou colocar um botão em uma camisa no escuro, com uma luzinha de candeeiro.

Então, vejam, quando decidimos fazer esse Programa, nós queremos ver se, até 2008, não haverá um brasileiro que não tenha luz na sua casa. E quando chega a luz, chega o desenvolvimento, porque chega junto o eletrodoméstico, chega junto a máquina de fazer farinha, chega junto para moer o milho. Eu acho que é um Programa que não estava na pauta de reivindicações do Movimento, precisa colocar aí, porque normalmente não estava na pauta do Movimento. Mas para nós é uma coisa sagrada e, sobretudo, eu que vivi até os sete anos de idade na base do candeeiro, tenho noção do que é isso. Eu vim para cá em 1952, mas em 1979 chegou o primeiro bico de luz na vila em que eu nasci. E a pessoa fica meio "areada". Os sulistas não sabem o que é ficar areado. Areado é quando você acende uma luz muito forte que você não sabe o que fazer, você nem enxerga, de tanta claridade.

Este Programa, certamente é um programa que terá um valor extraordinário para a agricultura familiar. E por que é que a gente resolveu apostar nisso? Eu vou dar um outro dado para vocês prestarem atenção, sobretudo aqui, as delegações estrangeiras e os deputados. Eu vou dar um dado aqui. Eu vou dar a questão de dinheiro por região. Vou sempre pegar como parâmetro o Plano Safra 2002/2003 que começou no governo anterior e terminou no meu governo, em junho. No Sul, em 2003, vocês tiveram o financiamento de um bilhão e 206 milhões. Vai corrigindo aí, Graziano, para ver se é esse número mesmo. Então, prestem atenção, a região Sul do país - depois você me dá essas plaquinhas para eu levar para ver se mando lhe atender logo com essas reivindicações aí. Mas, no Sul do país, nós tínhamos um bilhão e 206 milhões - Fritsch, presta atenção aqui - na safra 2002/2003 foram emprestados um bilhão e 206 milhões. Na safra 2004 (falha no áudio)... que está longe de terminar, nós já emprestamos 2 bilhões e 887 milhões de reais. Saímos de 1 bilhão e 200 milhões para 2 bilhões e 887 milhões. Na região Sudeste, que tinha muito pouquinho, apenas 390 milhões, até a safra de 2004/2005, já foi 1 bilhão e 47 milhões. Saímos de 390 milhões para 1 bilhão e 47 milhões. Na região Centro-Oeste, menor, nós saímos de 187 milhões para 381 milhões. Na região Nordeste, nós saímos de 393 milhões na safra 2002/2003 para 1 bilhão e 266 milhões na safra 2004/2005. Teve um crescimento de 288%. E na região Norte do Brasil, nós saímos de 201 milhões para 592 milhões, um crescimento de 491%.

Essa é a revolução que não tem a palavra de revolução, tem a palavra de justiça social, com milhares, milhões de seres humanos que vivem às custas do seu trabalho no campo. E quando as pessoas têm financiamento, luz e escola, dificilmente as pessoas deixarão o campo para ir morar em uma periferia de um grande centro urbano em condições subumanas. E nisso nós estamos com um pequeno avanço aqui, que é o seguinte: nós estamos em um processo de construção de 500 escolas rurais. Trezentas escolas rurais, 100 delas serão em assentamentos, 50 serão em quilombolas e 100 serão em terras indígenas, em acampamentos indígenas. E tem o problema da água também, porque nós nem falamos a palavra transposição. Nem falamos, porque eu não quero crer que alguém que conhece o que é a seca vai negar um pouco de água para atender a parte mais seca do território nacional. Não acredito.

Tem muita disputa eleitoral, o nosso projeto está bem pensado, nós colocamos em primeiro lugar a revitalização dos afluentes e do rio São Francisco, recuperar aquilo que hoje, os que são contra, dizendo que nós temos que preservar as margens das florestas, queimaram para fazer carvão durante um século, e nós vamos recuperar. Alguns que estão falando contra, jogam centenas de toneladas de esgoto todos os dias nos afluentes. Nós é que vamos revitalizar o rio São Francisco. Se eu pudesse, para não incomodar ninguém, eu ia, na hora em que a água vai cair dentro do mar assim, antes de chegar no mar, eu ia puxá-la de volta para levar para o semi-árido. Como fica muito caro, eu tenho certeza que o povo baiano, o povo sergipano, o povo alagoano não negarão um copo d'água para o seu irmão do Nordeste. Alguns políticos, possivelmente neguem. Porque tem gente que não quer acabar com a miséria neste país, porque a miséria é a fonte da sua manutenção em cargos políticos.

E nós precisamos... porque o projeto é um projeto que vai, sobretudo, manter os açudes perenes. Os açudes vão ficar perenes, porque na hora em que um açude estiver vazio, a água vai para aquele açude, e a gente vai poder fazer, meus queridos companheiros, Avelino Ganzer, nós estamos desapropriando dois quilômetros e meio de cada lado do canal para que a gente faça experiências de assentamentos bem-sucedidos. Sempre com a maior tranqüilidade, sem pressa. E nós vamos fazer tantos debates quantos forem necessários. Pode demorar um pouco mais, não tem problema. Mas nós teremos toda a paciência do mundo, toda, e vamos fazer.

Eu que nunca prometi... quem me conhece sabe que eu nunca prometi fazer transposição, mas é uma necessidade. É uma necessidade levar um pouco d'água para a região em que menos chove no nosso país. Obviamente que nós estamos vivendo momentos de incerteza nas intempéries, ou seja, este ano nós nos deparamos com uma seca no Rio Grande do Sul. Agora, no estado do Amazonas, onde habitualmente chovia 12 mil milímetros por ano, tivemos uma seca. No Pará, tivemos seca.

Bom, ao invés de a gente ficar culpando alguém, eu não quero culpar ninguém. Eu não quero culpar alguém que desmatou, também não quero que ninguém culpe o governo. Eu quero que a gente olhe para o céu, mesmo quem não acredita em Deus, saiba que alguém mais poderoso do que nós deve estar zangado com o que nós estamos fazendo no Planeta, nesse momento histórico da sua vida. Há muitas incompreensões.

Então, hoje, nós estamos tomando consciência de que preservar o meio ambiente, cuidar da natureza, passa a ser uma vantagem comparativa nos nossos negócios internacionais. As pessoas vão ter que aprender isso. Plantar um pé de soja a mais ou criar uma cabeça de gado a mais, não precisa desmatar, a tecnologia já permite que não se precise. Então, nós vamos ter que cuidar com mais carinho, cada projeto nosso tem que ter um carinho especial.

Uma outra coisa importante: a questão das agroindústrias familiares. Quero, aqui, dizer para vocês o seguinte: vocês precisam começar a elaborar projetos. Não adianta ter muito dinheiro no BNDES para a agroindústria se não tem projeto. É o bom projeto que faz aparecer o dinheiro, não é o dinheiro que faz aparecer o projeto.

Então, Tortelli, o BNDES tem dinheiro. Vamos aproveitar e fazer muitas e boas experiências para a construção da agroindústria familiar. Obviamente que vamos fazer projetos que tenham solidez, projetos que tenham mais possibilidade de ter sucesso, porque se fizermos três ou quatro projetos fracassados, desanima todo mundo.

Vamos, então, escolher as melhores condições e fazer esse projeto, porque o dinheiro está no BNDES, está até mofando. Se não aparecerem os projetos, meu caro, o Guido Mantega vai emprestar para outra coisa.

Então era importante, viu, Tortelli, que vocês criassem, a CUT, João Felício, dentro da CUT, que vocês criassem, quem sabe, uma comissão especial para que vocês produzissem alguns bons projetos de experiência da agricultura familiar. Vocês podem fazer isso, o BNDES certamente dará a assessoria que for necessária e vocês têm que aproveitar porque o mandato termina no dia 31 de dezembro do ano que vem. Aproveita, porque senão, depois, vocês não vão nem conseguir falar "bom dia" para o presidente do BNDES.

Eu acho que o momento, para a agricultura familiar, vocês vão discutir aqui, certamente falta muita coisa, gente. Certamente vai faltar, sempre que a gente for analisar, Calixto, vai faltar muita coisa. Agora, nós temos que sempre partir de um parâmetro: o que a gente tinha, o que a gente tem e o que a gente precisa. Para que a gente não faça nem juízo de valores excessivamente otimista e nem juízo de valores excessivamente pessimista. Que a gente faça a avaliação justa do que já aconteceu neste país, na agricultura familiar.

Eu posso dizer aqui, olhando na cara de vocês, e dizer olhando na cara do Tortelli, na cara dos dirigentes, que eu duvido que em algum momento da história do Brasil a agricultura familiar tenha sido tratada com o respeito e com os olhos que nós temos olhado para a agricultura familiar.

E pensamos isso não é porque somos apenas amigos, não. Pensamos isso porque isso norteia um modelo de desenvolvimento que leva em conta a manutenção do homem na sua terra natal. De o homem extrair da sua terra... Vejam que houve uma evolução, aqui, nessa frase, porque antes a gente falava: nós precisamos fixar o homem no campo. E, aí, nós aprendemos que quem gosta de ser fixado é estaca, o homem gosta de trabalhar no campo, mas ele pode querer morar na cidade. Afinal de contas, quem é que não gosta de uma cidade, de um cinema, de uma praça, não é isso?

Então, o que nós queremos é dar as condições para que a juventude não saia, aos 17 anos, para ir perambular pelo mundo, a não ser que vá por prazer. Mas que tenha condições de trabalhar no campo, que tenha condições de trabalhar ajudando a mãe, o pai. Para isso é que nós estamos criando essas linhas de financiamento, para isso é que nós estamos apostando muito na assistência técnica. E muitos de vocês, daqui a algum tempo, serão técnicos agrícolas e poderão estar ajudando em outras partes do Brasil.

Estamos cumprindo uma coisa que eu disse ao companheiro Miguel Rossetto. Quando eu chamei o Rossetto para ser ministro eu disse: "Rossetto, olhe, se você enveredar pelo caminho de ficar medindo apenas quantas pessoas você assentou, você já está derrotado. Você precisa, ao mesmo tempo em que você tem que assentar, o que você precisa lembrar é que nós temos milhões de pequenos agricultores que não tem empréstimo, que não tem assistência técnica, que não tem garantia de preço".

Eu vi a alegria, quando eu fui a Rondônia e que a gente foi comprar o feijão do povo de Rondônia, que estava a 20 e poucos reais o saco e que nós levamos para 50 e poucos reais e, aí, o mercado foi obrigado a pagar o preço justo.

Então, eu acho que essa assistência técnica e essa melhoria de quem já tem a terra é um passo gigantesco porque, senão, ficam os piores do mundo. Você faz uma luta imensa, assenta um companheiro, mas depois você não dá financiamento, esse companheiro volta para a cidade. Aí, você pega e assenta um outro companheiro, aí uma família inteira, que está morando num lugar qualquer, porque não tem financiamento, porque não tem assistência técnica, porque não tem garantia de preço, porque não tem luz elétrica, faz que nem minha mãe fez: pega um pau-de-arara e vai para a cidade. O que nós queremos é dar condições, a todos que já tinham terra, de produzir. Para isso, estamos com um trabalho imenso com o Ministério do Desenvolvimento Social, na construção de cisternas, que é um trabalho que pode render frutos em curto prazo.

Por isso estamos com um trabalho de compra, a compra do leite. Esses dias não sei quem foi que cometeu um desatino, Dulci, que reduziu... a gente estava comprando até 100 litros de leite, não sei quem foi que reduziu. Deu uma chiadeira imensa na Paraíba e em outras cidades do Nordeste. Nós voltamos imediatamente a comprar os 100 litros. Eu não sei quem foi. Porque de vez em quando aparece um engenhoso que dá uma idéia dessas, "corta", achando que quem produz 100 litros já é rico, já é latifundiário. Vamos comprar e vamos aumentar, sabe por quê? Porque é um programa excepcional não apenas pela quantidade de produtores que você atende, mas pela quantidade de pessoas para quem você distribui o leite.

Eu vou dar um dado aqui, se é que está aqui na minha notinha, que meus assessores... Caiu a minha notinha... tão bem que meus assessores escreveram aqui. Mas eu vou dar aqui o exemplo do leite. O leite, nós colocamos 230 milhões de reais, atendemos 1.151 municípios. As famílias atendidas com esta distribuição do leite, foram 647 mil famílias, e os produtores que nos venderam foram de 15 mil produtores. Tudo isso pode melhorar. Nós queremos, vocês querem, nós precisamos, vocês precisam, e esta parceria de comprar o leite dos pequenos produtores a um preço melhor do que eles vendem para as multinacionais - a um preço melhor, é importante lembrar isso - e distribuir para famílias carentes, é a melhor coisa que pode acontecer.

Da mesma forma que a questão da compra de alimentos. Na compra direta e antecipada, eu acho que nós poderemos melhorar muito. Nós compramos quase 28 mil toneladas de alimentos, dos quais 11 mil toneladas foram da agricultura familiar. Poderia aumentar, não é, Rossetto? Mais da agricultura familiar, mais.

Bem, por fim, companheiros - eu já me alonguei demais - eu queria dizer para vocês que a tendência é melhorar. Eu fiquei muito feliz quando fui a Erechim, no Rio Grande do Sul, quando nós... teve a seca no Rio Grande do Sul, em uma semana nós conseguimos colocar no estado 408 milhões de reais para resolver o problema da seca. Agora, com o seguro agrícola, se Deus quiser, daqui a alguns anos não vai ter mais problema. Não vai ter mais problema porque, bateu uma crise em um estado ou em uma região, a gente vai poder, imediatamente, com o seguro, cobrir. Uma coisa que eu fico feliz é que acabou a história... vocês nunca mais viram na imprensa nacional, a figura daquelas frentes de trabalho. Tem uma seca, os trabalhadores tiram uma pedra de um canto, colocam em outro canto. No ano seguinte, ele tira do outro canto e bota no mesmo canto que estava. Agora, não. Agora o Bolsa Família está ajudando muitas famílias. Esses dias eu fiquei... esses dias, lá em casa, vendo televisão, quando eu vi aquelas mulheres do Rio Grande do Norte devolvendo o cartão porque já tinham resolvido o seu problema - e uma contou uma história, que comprou, com o primeiro dinheiro que ela recebeu, comprou pintinhos, aí com o segundo, também comprou pintinhos, e daqui a pouco ela tinha uma galinhada, e daqui a pouco ela estava sendo vendedora de ovos e de frango caipira, e por isso ela não precisava mais do cartão, foi devolver. Recebi 290 cartões de volta, em uma demonstração de que vale a pena acreditar na seriedade do povo deste país. Vale a pena.

No mais... você devolveu, mas você está reivindicando para mim aí, vale uns 500 cartões, rapaz.

Olha, gente, nós vamos continuar avançado, fiquem certos. Fiquem certos, não tenham vergonha, não tenham medo, não tenham preocupação de fazer as reivindicações que têm que fazer, de fazer as críticas que têm que fazer, vocês sabem que nós nunca vamos nos incomodar com isso.

Até porque eu sei que a maior conquista da minha passagem pela Presidência da República - a maior - é quando terminar o meu mandato poder encontrar com vocês onde eu sempre encontrei e a gente se tratar como companheiro, como sempre nos tratamos.

Muito obrigado. Boa sorte à nova entidade sindical. E que Deus abençoe vocês.

Leia antes de comentar

Atenção: Este NÂO é o site oficial deste politico.

O objetivo deste site é reunir opiniões independentes sobre nossos representantes eleitos.

Não há censura de opinião nos comentários, mas o vc é o responsável pelo que escrever. Ou seja, aqui vale o Yoyow (You Own Your Own Words).

Lembre-se: Opinião é diferente de informação.

Informações sem fonte ou que não puderem ser checadas facilmente podem ser deletadas.

Serão apagadas tb mensagens publicitárias fora de contexto, spam usado para melhorar a posição de sites e outras iniciativas de marqueteiros pouco éticos.

Grosserias desacompanhadas de conteúdo, coisas off-topic e exagero nas gírias ou leet que dificultem o entendimento de não-iniciados tb não serão toleradas aqui.

Vou apagar sumariamente tb todos os comentários escritos inteiramente CAIXA ALTA e mensagens repetidas.

Além de prejudicar, a leitura é falta de educação.

Não publique tb números de telefone, pois não tenho como checá-los.

Obviamente, qq conteúdo ilegal tb será deletado sem dó.

Todas os comentários são considerados lançados sobre a licença da Creative Commons.

Se você não quer que seu texto esteja sob estes termos, então não os envie.