Urucu, AM, 22 de abril de 2004
Não estava previsto no protocolo eu fazer nenhum pronunciamento aqui. Mas eu também não poderia deixar de dizer umas palavras, sem citar nenhum dos números que já foram citados pelo José Eduardo Dutra e pela Dilma.
Possivelmente, vocês que estão aqui não tenham, muitas vezes, a dimensão do que significa isso para quem vem de fora. Isto aqui é a demonstração mais inequívoca da diferença entre a teoria e a prática. Ou seja, qualquer grande teórico da USP pode falar o quiser do gás de Urucu, pode colocar no papel. Mas se ele não vier aqui, ele não tem dimensão do que é isso, ou seja, eu, quando subi a escada e vi todos esses homens e mulheres - obviamente que tem menos mulheres - vestidos nessa roupa bonita, eu tive uma sensação do que eu tinha sentido em 1990, quando eu fui à Itália e me convidaram para ir assistir um jogo do Brasil na cidade de Turim.
Eu jamais tinha imaginado entrar em um estádio para assistir uma Copa do Mundo e ver o Brasil jogar. E o Brasil não estava lá dos melhores, o Brasil não estava bem. Mas na hora em que o Brasil entrou em campo eu até esqueci que eu tinha feito críticas a muitos jogadores. E na hora em que toca o Hino Nacional, é uma sensação de orgulho, uma sensação de importância que toma conta da gente. Eu não sabia se eu ia conseguir terminar de assistir ou de ouvir o Hino Nacional.
E quando eu entrei aqui, eu senti a mesma coisa. Eu senti a importância que tem a Petrobrás e seus técnicos, seus funcionários e mais as empresas que trabalham contratadas pela Petrobrás. A importância do que vocês representam para o Brasil.
Muitas vezes, nós, no nosso mundo menor, de vez em quando falamos: nossa, o pessoal da Petrobrás ganha muito bem. Um técnico da Petrobrás ganha muito bem. E nós ficamos apenas analisando quanto a pessoa ganha e não analisamos a importância do trabalho que a pessoa faz para ganhar o tanto que ganha. E eu senti a segunda emoção numa plataforma, lá em Macaé. Ou seja, eu não tinha a menor dimensão do que era aquilo, e quando eu cheguei numa plataforma, eu fiquei um dia inteiro lá. Eu aprendi a dar mais valor a coisas que, até então, eu dava pouca importância.
Chegar aqui, a mil quilômetros de distância de Manaus, no coração da Amazônia, e encontrar uma empresa brasileira produzindo o que vocês estão produzindo, com a qualidade da consciência de preservação que vocês estão tendo, inaugurando uma unidade de processamento de gás, é uma coisa que me deixa orgulhoso.
Vocês podem ter certeza que, se eu já tinha orgulho por tudo que eu conheço deste país, e passei parte da minha vida tentando levantar a auto-estima do nosso povo, eu hoje saio daqui muito mais orgulhoso. E muito mais orgulhoso não apenas porque estamos inaugurando isso, mas pela qualidade do trabalho que vocês prestam, pela riqueza do trabalho e pelo alento que vocês dão a qualquer governante deste país, de que é possível fazer as coisas. Às vezes pode demorar, mas se tiver disposição, não é possível. Há quantos e quantos anos esse povo sonha com esse gasoduto? Há quantos anos? Aqui tem empresários com quem nós conversamos isso há muitos anos atrás. Ou seja, se você ficar sempre dizendo que tem ou não tem dinheiro, você nunca vai conseguir fazer. De vez em quando você tem que botar a cara para apanhar e dizer: "eu vou fazer, independentemente de qualquer coisa."
Mais importante do que a gente estar aqui, no estado do Amazonas, para assinar um protocolo, será a gente voltar em 2006 para inaugurar o término do gasoduto neste Estado.
Até porque, nós que somos do sul do país, temos que aprender que não dá para a gente ficar apenas dizendo que a Amazônia tem que ser o santuário da Humanidade e não lembrar que aqui moram quase 20 milhões de seres humanos, que têm mulheres e filhos e, portanto, têm o direito de viver condignamente como qualquer outro ser humano neste planeta.
Ao mesmo tempo, nós temos que ter clareza de que se a gente quiser ter um tipo de desenvolvimento sustentável que preserve o meio ambiente, nós temos que ter energia. Sem ela, nós não conseguiremos fazer nada.
Me dizia o governador: a partir do momento em que a gente começar a produzir energia em função do gasoduto, a gente vai, economizar, em 10 anos, 7,5 bilhões de reais, numa demonstração de que a gente não tem apenas que perguntar quanto custa uma obra, mas quanto custa não fazer esta obra no tempo certo.
Portanto, meus companheiros e companheiras, eu já sou um poço de orgulho por ser brasileiro e por ser presidente da República. Eu quero dizer para vocês que eu saio de Urucu, ainda com mais orgulho de ser brasileiro, porque um país que tem homens e mulheres como vocês não tem porque não ser otimista e não tem porque não acreditar no futuro.
Meus parabéns a vocês e que continuem assim, porque o Brasil não pode prescindir de homens e mulheres com vocês.
Obrigado.
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fonte: www.info.planalto.gov.br
