“ESTRATÉGIA de VITÓRIA”

Nikolai

A “marcha do divergentes”
Tradução e adaptação para o Português de Mykola Szoma
Artigo de Aleksei Fanytalov - “ESTRATÉGIA de VITÓRIA”

Obs.: O autor analisa a situação da Federação Russa.

Tomemos como exemplo, a observação do interessante processo da vida da nossa política interna, destacando o fenômeno da “marcha dos divergentes”.

“Marcha dos divergentes” refere-se aos movimentos que serão realizados, nos dias 14 e 15 de abril de 2007, nas cidades de Moscou e de São Petersburgo.

Na realidade não passarão de uma repetição de atos similares ocorridos por todas as cidades russas.

São movimentos das oposições que buscam, colocar na pauta política, as suas reivindicações.

Destacando-se as reivindicações:
1. elevação dos níveis de educação municipal, equiparando-os aos níveis regionais;
2. reforma dos conselhos legislativos, transformando-os em assembléias bicamerais:
2.1 - uma câmara formada com membros eleitos de uma lista partidária,
2.2 - uma outra com membros eleitos pela representação territorial;
3. reforma dos poderes executivos municipais e de seus órgãos administrativos, a fim de reduzir o aparato executivo.

São os pontos básicos das proposições dos “marchantes”, segundo as declarações, da líder organizadora do movimento de São Petersburgo - Olga Kurnosova, para o correspondente de Zaks.ru.

Olga também é membros dirigente da “Frente Cívica Unificada” ( OHF - Obiedinennyj hrazhdznskyj front), fundada em junho de 2005 e representa todas os movimentos cívicos inter-regionais da Rússia.

Mas a vida interna não se manifesta por si só; há influências vindas de fora. Movimentos do tipo liberalizante recebem apoios vindos das políticas norte-americanas.

Mas, será que os americanos não percebem que políticos, como Kasparov, pelo menos, em futuro breve, não terão condições de chegar ao poder na Rússia? Como conseqüência, o investimento capitalista é inútil?

Kasparov, em 1984 entrou para o Partido Comunista Soviético, fazendo parte do Comitê Central do Partido. Em 1990, saiu do PCUS e tornou-se um membro fundador do Partido Democrático das Rússia (DPR). Em junho de 1993, tomou parte na formação do bloco “Vybor Rossiji” (Escolha Russa). Em 1996, fez campanha ativa de Boris Yeltsin. A partir de 2005, está encabeçando o movimento oposicionista liberal “Frente Cívica Unificada”.

Kasparov também é presidente do “Comitê 2008: eleições livres”. Já perceberam? Kasparov é o mesmo Kasparov, Harri Kimovich - o famoso enxadrista russo. E é adversário declarado de Putin.

Mas, Kasparov desperta outro interesse dos Estados Unidos.

Como enxadrista, não mais causa “espanto”.

É na “marcha dos divergentes” que repousa toda a jogada política. As proibições aos manifestantes seria, por si só, um bom argumento informativo, para demonstrar ao mundo, de que as autoridades russas não merecem crédito - continuam as mesmas de sempre...

Então, segue-se um pergunta: por que os Estados Unidos estão se batendo contra os seus “amigos” leais - que seguram seus capitais no Ocidente e que pretendem integrar-se na elite Ocidental?

Aqui, pois, está o nó do pensamento estratégico político americano.
Os americanos, aos poucos, desmontaram todos os regimes que lhes eram obedientes - Saddam Hussein, Leonid Kuchma, Edouard Shevarnadze, Askar Akayev... Os dois primeiros, tiveram um fim trágico.

Sabemos que os estrategistas americanos agem plenamente ausentes de quaisquer sentimentos. Mesmo em relação a seus mais leais parceiros de um dia, principalmente, os parceiros políticos.

Em 1945 os americanos tinham todas as condições de tomar sob a sua totalidade a cidade de Berlim. Estavam dela mais próximos do que as tropas soviéticas. Tinham contra si muito menor número de soldados do exército nazista.

A questão centrava-se no fato: que efeito “publicitário“ seria como conseqüência!? Não teríamos décadas de inútil guerra fria, para que na mente dos homens, se desgastasse o fato histórico: a URSS e o comunismo derrotaram o fascismo.

Os soviéticos ficaram com a vitória, os americanos com o resto do "mundo"!

Dizem que Dwight Eisenhower perguntou:
- “Com quantos soldados se fará a tomada de Berlim?”
- “Com cem mil homens”, responderam-lhe.
- “Não, um número assim eu não posso aceitar. Que os russos o façam, melhor”.

Durante a Segunda Guerra, os Estados Unidos perderam 250 mil homens. E a perda de mais 100 mil homens seria demais... Faça a sua conta.

Eisenhower, depois, seria o Presidente dos Estados Unidos.

Já, a URSS teve uma baixa de 500 mil homens, só na tomada de Berlim. Que diferença!

Aleksei Fantalov
fantalov@mail.ru

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