Brasília-DF, 21 de outubro de 2005
Nesta comemoração do Dia do Aviador e do Dia da Força Aérea Brasileira quero lembrar a figura deste grande brasileiro, o Pai da Aviação e Patrono da Aeronáutica, Alberto Santos Dumont.
Em 23 de outubro de 1906, Paris assistiu, no Campo de Bagatelle, o início de uma nova dimensão na trajetória da Humanidade. Inicia-se, portanto, o ano do centenário do primeiro vôo publicamente registrado de um avião, o 14 Bis, resultado da genialidade de Santos Dumont.
Essa façanha extraordinária merece ser comemorada pelo Brasil e por todo o mundo, expressão que é da nossa capacidade inventiva e estímulo permanente para uma cultura de inovação. O frágil 14-Bis simbolizou a vitória da persistência na realização de séculos de sonhos, de expectativas e de frustrações, recompensando finalmente os idealistas que aspiravam a conquista do espaço.
O vôo inaugural de Alberto Santos Dumont foi uma extraordinária contribuição para o progresso tecnológico, resultado de um trabalho ao longo do qual outros inventos de destaque foram concebidos, ampliando sua participação no elenco das conquistas científicas.
Essa é uma das mais fortes tradições de nossa Força Aérea: sua contribuição para o nosso desenvolvimento científico e tecnológico, seu esforço continuado de pesquisa e desenvolvimento através de núcleos de excelência como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e o Centro Técnico Aeroespacial.
Ao longo do tempo, nossa aviação se transformou em uma das mais respeitadas do Planeta, pelo número de profissionais, pela malha de ligações e pelo porte da frota brasileira, reforçando a nossa dimensão estratégica no cenário internacional.Temos uma Força Aérea totalmente integrada com múltiplos aspectos da vida nacional.
Herdeira das tradições da Aviação Naval e da Aviação do Exército, ela conquistou o carinho e a admiração do povo brasileiro, ao levar a esperança nas asas do Correio Aéreo Nacional, ao promover a defesa da liberdade e da democracia nos céus da Itália, e ao implementar um moderno sistema de controle do espaço aéreo brasileiro. No campo social, a Aeronáutica oferece permanente e valiosa contribuição, integrando o país e participando do esforço para arrancar da exclusão tantos irmãos brasileiros.
Nascida em combate, em pleno conflito mundial, a Força Aérea Brasileira vem mantendo o seu espírito nobre e aguerrido, tornando-se uma referência para toda a nação. Atuando em estreita ligação com a Marinha do Brasil e com o Exército Brasileiro, ela também patrulha a amplidão de nossos mares, leva o apoio aos pelotões de fronteira e exerce intensa participação no campo da defesa civil. É o continuar de uma longa caminhada, balizada pela vocação de personalidades que, como o Pai da Aviação, fizeram de suas vidas uma lição de brasilidade.
Santos Dumont semeou os caminhos. Hoje, os aviadores brasileiros, civis e militares, continuam marcando sua presença de gênio nos céus do Brasil e do mundo. A lição que herdamos desse ilustre compatriota foi, antes de mais nada, a de alimentar um sonho e de apostar em sua realização. Foi a de ter a determinação de superar obstáculos, a coragem de correr riscos, a confiança na possibilidade de concretizar um ideal.
Hoje temos o exemplo do nosso Tenente Coronel Marcos César Pontes - o primeiro astronauta brasileiro - que, em março próximo, embarcará em uma nave russa com destino à Estação Espacial Internacional.
Lembro também dos corajosos brasileiros que fizeram de cada vôo uma lição, um exemplo de como se deve conhecer e como se deve trabalhar por este país - heróis que ajudaram a escrever, com o fervor de seu idealismo, uma página grandiosa de nossa História. Se eles não estivessem armados de uma tenacidade inquebrantável e de um agudo senso da grandeza da missão, talvez não pudéssemos desfrutar hoje deste portentoso legado - a integração nacional.
As mulheres e os homens da Força Aérea treinam com afinco, preparam-se nas atividades de defesa, mas também juntam espontaneamente seus braços na batalha pelo progresso e pelo bem-estar do povo brasileiro.
E é a essa Força Aérea e ao Aviador brasileiro - lembrando o exemplo de Santos Dumont - que, no dia de hoje, manifesto confiança e gratidão por um valioso legado de patriotismo e amor ao Brasil, confiante por saber que a convocação da pátria será sempre atendida com abnegação e lealdade.
