Palavras do presidente Lula na declaração conjunta dos presidentes da Guiana e do Brasil

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Palácio Itamaraty, 30 de julho de 2003

É com grande satisfação que recebemos, hoje, o presidente da República Cooperativista da Guiana, Bharrat Jagdeo, e vários ministros de sua equipe de Governo. Conversamos de maneira ampla e construtiva sobre assuntos de interesse comum para a Guiana e o Brasil.

Os jornalistas aqui presentes, senhor Presidente, já se habituaram a cobrir nossos encontros com os chefes de Estado dos países vizinhos da América do Sul. Este ciclo de visitas está para ser completado com a próxima vinda do presidente do Chile, em agosto. Tenho tido oportunidade de expressar aos meus colegas do Continente o quanto uma América do Sul integrada, próspera e fortalecida em suas instituições democráticas poderá contribuir para o progresso dos nossos povos.

O Brasil vem intensificando os esforços de cooperação e entendimento em todos os quadrantes das nossas fronteiras, do Uruguai ao Suriname. Tenho a convicção de que este trabalho de aprofundamento dos laços diplomáticos, políticos, econômicos, culturais e sociais é de enorme significado para juntos realizarmos, na região sul-americana, tudo o que promete o seu potencial físico e humano.

Comentei com o presidente Jagdeo as possibilidades de benefício mútuo que advêm da aproximação do Brasil com a Guiana. O Acordo de Transporte Rodoviário Internacional de Passageiros e Cargas, assinado em fevereiro deste ano, é um passo muito importante para a ampliação das ligações entre os dois países. Por esse Acordo, que esperamos em breve seja aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro, são regulamentados os serviços de transporte por via terrestre, essenciais para que o trânsito de pessoas e o comércio de bens ganhem impulso. Com o Acordo de Transporte, começamos a nos preparar para o momento em que a fronteira da Guiana com o estado de Roraima se tornará ainda mais viva, uma verdadeira fronteira de integração.

Mas a obra da integração não terá sentido se a infra-estrutura não estiver concluída. Discuti com o presidente da Guiana formas de retomar a construção da ponte sobre o rio Tacutu, entre Bonfim e Lethem. Trata-se do término da conexão terrestre Brasil-Guiana. Creio que já avançamos bastante nesse projeto, e as dificuldades que se apresentaram, alheias à vontade do governo brasileiro, devem ser logo superadas.

A aproximação que estamos reforçando constitui um exemplo da potencialidade de um Continente integrado. Nossos dois países estão empenhados em uma verdadeira e fraterna ligação.

Estamos conscientes de nossas singularidades no contexto regional, a começar pela circunstância de não partilharmos os respectivos idiomas oficiais com outros países do Continente. Estou certo de que saberemos assimilar as diferenças lingüísticas às muitas semelhanças que unem e identificam nossas sociedades - no plano étnico, no plano cultural, no plano dos interesses comerciais, no apego à paz e ao Direito Internacional.

A dimensão amazônica é outro aspecto essencial a ressaltar. Juntos fazemos parte da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, recentemente instalada em Brasília. O Tratado de Cooperação Amazônica, do qual a Guiana participa desde a sua conclusão, em 1978, demonstra a extensão do compromisso dos países com o uso sustentável dos recursos naturais por nós compartilhados. Demonstra também que a Guiana, sem deixar de lado suas naturais afinidades caribenhas, se insertou desde cedo no espaço sul-americano.

O Brasil estará sempre disposto a impulsionar as relações com a Guiana no contexto da América do Sul, prosseguindo a já exitosa cooperação técnica na área da agricultura, da saúde e explorando novos campos de colaboração que contribuam para o desenvolvimento dos nossos povos e de nossas economias.

Vossa Excelência tem conhecimento de que a integração da América do Sul como espaço de paz e prosperidade é objetivo do meu governo.

Esse trabalho tem que levar em conta que os países sul-americanos não são iguais e que alguns deles - e é o caso da Guiana - necessitam de um impulso adicional para participar desse esforço.

Não há América do Sul sem a Guiana. Contamos com a amizade e o entusiasmo do governo e do povo da Guiana e quero dizer a Vossa Excelência que o Brasil fará a sua parte.

O apoio que o presidente da Guiana traz para que o Brasil integre, como membro permanente, um Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliado em muito nos agrada e acresce à responsabilidade do Brasil para com a região. E é mais uma expressão de como as relações do Brasil com a Guiana tendem a estreitar-se e a fortalecer-se para o benefício das populações dos nossos dois países.

Muito obrigado.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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