Palácio do Planalto, 31 de julho de 2006
Primeiro, quero agradecer a presença de todos vocês aqui, nesta conversa sobre o biodiesel. Agradecer aos trabalhadores, aos empresários, aos companheiros do governo, aos ministros. E dizer para vocês que nós estamos vivendo um momento, eu diria, para o futuro do nosso País e para o futuro da bioenergia, que é uma coisa um pouco mágica, porque nem todos nós tem a dimensão do que pode acontecer no mundo com a utilização do biocombustível.
Nós começamos, e muitos de vocês participaram desde o começo, construindo o nosso arcabouço, a nossa engenharia de produção de biodiesel, estamos há dois anos e os resultados têm sido surpreendentes, do ponto de vista do nível em que nós chegamos na questão do biodiesel. A expectativa do mundo é muito grande. Eu acabo de chegar do G-8 em que a BR me preparou um folder em inglês para entregar para cada presidente, e tem expectativa na América Central, tem expectativa na América do Sul, tem expectativa na África, tem expectativa na Europa.
Ou seja, nós estamos com uma engenharia na mão e uma possibilidade que não estava na cabeça de ninguém há 3 anos e meio. E o interesse de outros países tem sido surpreendente. Internamente, nós estamos percebendo que os resultados são extremamente favoráveis. E, de quando em quando, nós vamos ter que fazer essas reuniões, para que a gente coloque as nossas informações em dia, para que a gente coloque as nossas pretensões em dia e para que a gente possa ir fazendo o ajuste nas coisas que estamos fazendo porque, ao mesmo tempo em que nós queremos apresentar ao mundo a solidez de um programa que possa oferecer uma matriz energética renovável e garantidora de que nós vamos ter uma grande responsabilidade pela despoluição do planeta e por não ficar dependente do preço do petróleo, nesse programa tem uma característica empresarial, uma característica energética muito forte, mas tem uma característica social profunda, que é o fortalecimento da combinação entre a nossa capacidade de construir a fábrica, produzir o biodiesel e gerar riqueza neste País, e gerar distribuição de renda via parcerias com a agricultura familiar.
E nós também temos que ter uma preocupação no avanço que vamos dar. Ou seja, nós temos um compromisso na lei de que até 2008 nós iríamos atender 2% de biodiesel no óleo diesel, depois assumimos, na mesma lei, o compromisso de que até 2013 nós chegaríamos a 5%. Acontece que, pelo andar da carruagem, eu acho que nós vamos ultrapassar, com muita facilidade, esses índices que nós colocamos.
Obviamente que nós temos a indústria automobilística, que está participando aqui hoje, também, e eu sou um daqueles que acham que nós poderemos ultrapassar os limites que estão estabelecidos na lei, na hora em que a indústria automobilística tiver a disposição de provar a si e a nós mesmos que colocar um pouco mais, um pouco menos, não vai criar nenhum problema no seu motor, pelo contrário, vai ser um ganho para todos nós.
Então, quero agradecer a presença de vocês, por isso, porque esse programa não pode... a gente não pode permitir que esse programa cresça de maneira desordenada. Nem ele decresça, nem cresça de forma desordenada. É preciso ir acompanhando pari passu, porque uma coisa que me chamou muito a atenção, nesses dois anos e meio, é que nós começamos a discutir a questão do etanol com outros países e, sobretudo, com mais força no Japão, na viagem que eu fiz ao Japão. E a principal preocupação do governo japonês - já tinham tomado a decisão de introduzir 3% de etanol na gasolina deles - mas, a preocupação deles era saber o seguinte: se nós éramos sérios o suficiente enquanto país, enquanto empresa para, na hora em que eles assumissem a responsabilidade de levar para o posto de gasolina, saber se nós íamos atendê-los, se nós íamos assumir os compromissos.
E, obviamente, quando se trata de combustível, o compromisso é outro porque aí não pode faltar no posto e nós temos que ter seriedade. Tem que ter estoque regulador, quem vai controlar isso, quem vai garantir essa produção, quem vai garantir a compra, porque senão todo mundo desejoso de investir, de ganhar muito dinheiro, de produzir muita mamona... nós tivemos um momento aqui em que uma prefeitura da Bahia incentivou o pessoal a plantar mamona, e todo mundo plantou, mas não tinha nenhum compromisso com a BR de comprar com alguém, então ficou a mamona sem ter quem comprar. Eu pedi para o Miguel Rossetto, que era o ministro, ir lá e ver se a gente conseguia comprar, com quem nós poderíamos negociar. Então, esse controle e esse cuidado nós temos que ter até a consolidação definitiva do Programa, a consolidação da utilização do biocombustível de verdade como essa nova fonte energética.
Nós vamos, agora, com os leilões que fizemos, vamos cumprir, já em 2007, a meta que estava prevista para cumprirmos em 2008 e, pela sede e pelo interesse que eu tenho visto de empresários de outros setores, se a gente não tomar cuidado, daqui a pouco, está todo mundo querendo investir no biodiesel. E nós precisamos, em um primeiro momento, ir cuidando disso com um certo carinho, e é por isso que nós estamos fazendo esta reunião hoje, para que a gente possa ouvir de vocês e para que a gente possa falar, como nós estamos e as coisas que nós vamos fazer. Tem uma agenda, eu vou pedir e passar a palavra para a Dilma, nós vamos começar isso com a abertura do Ministro das Minas e Energia, e depois, então, tem um roteirinho.
Dilma, a palavra com você.
fonte: www.info.planalto.gov.br
