Palavras do presidente Lula na reunião com a Diretoria da Federação das Indústrias do Distrito Federal - Fibra

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Palácio do Planalto, 09 de outubro de 2006

Bom, primeiro, meu querido amigo Antônio Rocha, quero dizer para você que é sempre uma alegria a gente receber um grupo de pessoas que apresentam propostas para o setor que representam.

Normalmente, no Brasil, as pessoas não costumam trabalhar com projetos. Eu, durante muito tempo, viajei muito pelo Brasil, fazendo reuniões com prefeitos, com Câmaras de Vereadores, e mesmo com empresários das cidades que eu visitava. A primeira pergunta que eu fazia é se eles tinham construído um projeto de desenvolvimento para aquela cidade ou para aquela região.

A verdade é que as pessoas não pensam em se sentar e, em função das suas dificuldades e das suas potencialidades, elaborar um projeto e, com esse projeto, buscar envolver todos os segmentos de governo, de instituições financeiras e de investidores de outros estados para que aqui possam implantar a sua indústria e desenvolver Brasília.

É verdade que Brasília, durante muito tempo, ficou dependendo muito da estrutura do governo. Também não era para menos, Brasília estava se implantando e para aqui veio quase tudo o que o Brasil tinha, desde investimento até gente de todos os estados. Então, era normal que Brasília, num primeiro momento, fosse assim.

Mas eu acho que Brasília pode ser uma região, e o DF pode ter um desenvolvimento industrial muito mais importante do que tem se nós conseguirmos planejar o desenvolvimento de Brasília, ou seja, que tipo de indústria vai se implantar aqui - nós não podemos trazer as mesmas indústrias poluentes que já estão em outros lugares - que tipo de desenvolvimento você quer, que região você quer ocupar para fazer o Parque Industrial de Brasília. Eu acho isso extremamente produtivo e quero começar dando os parabéns a todos vocês por terem tido a coragem e a capacidade de sentar e trazer para o papel uma proposta. Esse é um passo extremamente importante.

O segundo passo que eu penso que tem que ser dado - e aí entram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o Ministério do Planejamento - é tentar pegar, junto do governo, todos os Ministérios que estão diretamente e indiretamente envolvidos na construção de uma proposta para constituírem um grupo de trabalho com vocês e com o governo.

E na minha opinião, a gente também deveria, em um próximo passo, envolver o governo do DF, que tem muito a ver com tudo isso. Deve ter a Secretaria de Indústria e de Desenvolvimento aqui, para que a gente possa, então, construir um projeto que seja de interesse de todos, porque nós vamos ter que conversar a questão ambiental, nós vamos ter que conversar algumas coisas com o Ministério Público, com o Ibama, com o Ministério do Meio Ambiente, com a Secretaria de Meio Ambiente, e definir corretamente o que nós queremos. Por exemplo, se nós introduzirmos, aqui no Brasil, a produção de semicondutores, essa é uma planta que precisa se implantar em cidades que a gente não queira poluir tanto. Mas para isso é preciso que a gente construa, antes, centros de alta tecnologia, e isso pode ser feito em parceria com o governo e com os empresários da região.

Eu fui, agora, visitar o Ceitec, no Rio Grande do Sul, que é o mais importante centro de desenvolvimento tecnológico da América Latina, uma coisa financiada pelo governo federal, que vai poder produzir chips. E eu acho que é nesse tipo de coisa que Brasília precisa pensar para se desenvolver. Tentar trazer para Brasília o modelo de desenvolvimento, muitas vezes feito abruptamente em outras regiões do Brasil, seria um desastre para Brasília, que é uma cidade altamente planejada. Só não se planejava que tivesse tanta gente em tão curto espaço de tempo, mas isso é bom, e agora nós temos que cuidar disso.

Quero terminar, Rocha, dizendo para vocês o seguinte: o Paulo Bernardo está aqui, o ministro do Planejamento, o MDIC está aqui, vamos envolver, Paulo, e você poderia tomar a iniciativa de entregar isso ao Secretário da Indústria e Comércio do DF, e vamos criar um grupo de trabalho para pensar, porque esse grupo de trabalho, a partir do momento em que começar a pensar, nós temos que começar a convidar empresários de outra região para que eles topem vir aqui fazer parcerias, fazer investimentos na região.

Eu fico feliz quando você diz que aumentou o processo de exportação de Brasília e, na medida em que o Brasil exporte valor agregado, a chance de Brasília é enorme. Agora, com o aeroporto funcionando melhor, nós ainda temos que continuar a reforma do aeroporto, eu acho que Brasília tem uma chance de não ficar dependendo do governo federal, de tentar procurar os nichos de oportunidades que já têm no Parque Gráfico de Brasília e em outras coisas, e desenvolver Brasília, porque, como a cidade cresceu muito, não tem a possibilidade de o governo federal e o governo do DF serem os únicos sustentáculos da geração de oportunidades para essas pessoas. Nós temos a UnB, que é uma grande universidade, nós temos, agora, uma extensão para Planaltina, e atrás das universidades pode vir um centro tecnológico, é chamar e envolver o Reitor e começar a discutir o que nós queremos para Brasília nos próximos 20 ou 30 anos.

Bem, a construção civil é um setor em que eu estou mais tranqüilo, porque eu acho que todas as medidas que nós tomamos para o setor nesses últimos 15 meses vão permitir que a gente tenha a certeza de que a construção civil vai ser uma das alavancadoras do desenvolvimento deste País em todo o território nacional.

Enfim, querido, eu quero agradecer e dizer para você - não sei se você vai deixar o material conosco - que vamos aumentar a cooperativa para fazer crédito mais barato para esse pessoal. No mais, é isso, gente, eu quero agradecer a presença de vocês e dizer que a nossa parte nós vamos cumprir, constituir o grupo de trabalho e tocar o barco.

fonte: www.info.planalto.gov.br

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