Palácio do Planalto, 09 de novembro de 2006
Excelentíssimo senhor Alan Garcia, presidente da República do Peru. Senhoras e senhores ministros de Estado e demais integrantes das comitivas do Peru e do Brasil. Meus amigos, minhas amigas. Representantes da imprensa.
Com grande satisfação recebo o presidente Alan Garcia, que volta ao Brasil para dar continuidade ao diálogo construtivo e mutuamente proveitoso entre nossos países.
Acabamos de presenciar a assinatura de novos acordos nas áreas de defesa, desenvolvimento social, energia, saúde, educação e cooperação técnica.
Eles refletem a vontade de associar o destino de duas nações vizinhas e amigas.
Nosso comércio bilateral segue crescendo, estimulado pelo bom desempenho das nossas economias.
É bem possível que, até o final deste ano, possamos chegar à cifra recorde de 2 bilhões de dólares, quadruplicando o volume das trocas desde 2001.
A assinatura de acordo comercial entre o Peru e o Mercosul também tem grande potencial para aumentar o intercâmbio de bens.
Vamos continuar trabalhando para estimular as vendas de produtos peruanos em nosso mercado.
O Peru está hoje no horizonte estratégico das grandes empresas brasileiras dos setores de energia, mineração, siderurgia, construção civil e bens de consumo.
O acordo assinado entre a Petrobras e a Petroperu, por exemplo, abre novas oportunidades nas áreas de exploração de petróleo e refino de combustíveis.
Vamos trocar experiências bem-sucedidas na área social, como o "Bolsa Família" do Brasil e o "Juntos" do Peru.
Estamos, também, intensificando a cooperação na área de fronteira.
Queremos atuar conjuntamente no combate ao tráfico ilegal de madeiras e aumentar nossa capacidade de monitorar a região amazônica.
Acabamos de assinar um acordo inovador na área de defesa e estamos criando as condições operacionais para que o Peru tenha acesso aos sistemas do Sivam/Sipam.
Meu caro amigo Alan Garcia
A construção da Rodovia Interoceânica trará inegáveis benefícios ao Peru e ao Brasil. É, sobretudo, um passo importante na direção da verdadeira integração regional.
A integração física é ferramenta indispensável para levar os benefícios do desenvolvimento a populações e regiões historicamente distanciadas dos pólos dinâmicos de nossas economias.
A grande prioridade da política externa brasileira é unir esforços para a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera, que se guie pelos ideais da democracia e da justiça social.
Agora, temos a responsabilidade de determinar os próximos passos de nossa comunidade sul-americana.
Nosso desafio é criar os meios para garantir que nossas decisões sejam implementadas.
Temos, também, que definir prioridades e desenvolver mecanismos financeiros que estejam à altura de nossas ambições.
Amigas e amigos
Brasil e Peru compartilham valores e uma visão comum sobre os desafios globais.
É por isso que temos defendido uma ampla reforma das Nações Unidas.
Uma reforma que só estará completa com uma ampliação do Conselho de Segurança.
Agradeço ao presidente Alan Garcia o apoio que o Peru tem dado à postulação brasileira.
Estamos lado a lado no Haiti na missão de estabilização da ONU, ajudando o povo haitiano em sua busca pelo desenvolvimento econômico e pela consolidação da democracia.
Quero saudar o retorno do Peru ao G-20. Juntos, estamos provando que é possível fazer com que o sistema multilateral de comércio se torne uma ferramenta de desenvolvimento.
Brasil e Peru trabalharão juntos para ajudar a desbloquear as negociações na OMC.
Meu querido presidente Alan Garcia
Não posso deixar de lembrar hoje as manifestações de amizade que recebi de sua parte ao longo de nossas vidas políticas.
Hoje, tenho a alegria de receber sua visita - acompanhado de expressiva delegação ministerial - no momento em que o povo brasileiro reafirmou nas urnas sua esperança em um novo Brasil.
Tenho a certeza de que, ao construir uma relação ainda mais ampla e fraterna entre o Peru e o Brasil, estaremos respondendo aos anseios de nossos povos por um futuro de prosperidade e justiça para todos.
Meu caro amigo e presidente do Peru Alan Garcia
Esta sua visita ao Brasil, a primeira que eu recebo depois de reeleito Presidente da República, é a confirmação de que Brasil e Peru estão ligados a um só destino e a um só objetivo: fazer com que a democracia se fortaleça nos nossos países, fazer com que haja integração da América do Sul, fazer com que essa integração se estenda para a América Latina e, ao mesmo tempo, fazer com que as nossas economias cresçam, para que possamos fazer a distribuição de renda que os peruanos e brasileiros tanto necessitam, e fazer com que o nosso povo possa melhorar de vida.
Os acordos assinados aqui - eu nunca tinha visto a quantidade de acordos assinados com um só país - demonstram que Peru e Brasil estão definitivamente convencidos de que não existe saída individual para nenhum país da América do Sul. Se nós nos convencermos de que somos países pobres, que temos muito ainda que evoluir e que, quanto mais trabalharmos juntos mais chances teremos de enfrentar este mundo globalizado, onde os ricos sempre têm levado vantagens sobre os países pobres, nós teremos a chance, você e eu, de ter mais quatro anos de convivência como governantes dos nossos países, de fazer evoluir, não apenas a relação Peru/Brasil, mas a relação na construção da Comunidade Sul-Americana de Nações, o fortalecimento do Mercosul e o fortalecimento de mecanismos e instrumentos multilaterais que possam garantir que nós não fomos apenas mais um presidente peruano ou mais um presidente brasileiro.
Eu penso que nós temos que aprender com as virtudes que aconteceram nos nossos países no século XX, temos que aprender com os erros que foram cometidos no século XX, para que a gente possa, no século XXI, concretizar o sonho da integração, sobretudo, concretizar o sonho, a aspiração e a esperança de milhões e milhões de peruanos e brasileiros que ainda precisam de um Estado forte, de um Estado indutor, para que possamos acabar com a pobreza nos nossos países e no nosso continente.
Eu tenho a convicção, presidente Alan Garcia, de que a sua chegada ao governo do Peru, onde nós já tínhamos uma boa relação com o presidente Toledo e tínhamos avançado bastante, nós poderemos aprender também com os nossos erros, erros brasileiros e erros peruanos, do que não fizemos nesse período, para que a gente possa corrigir e acertar muito mais do que errar, porque o povo nos deu uma chance e eu acho que nós precisamos concretizar essa chance na realização do sonho do povo peruano e do povo brasileiro. Mais desenvolvimento, mais emprego, mais política educacional, e sobretudo, mais política social.
Eu tenho a convicção de que seremos parceiros nestes quatro anos e que o povo peruano e o povo brasileiro irão compreender que a construção da Interoceânica é o cordão umbilical que faltava para que a nossa relação se tornasse definitiva, ampla e poderosa para se inserir na construção da Comunidade Sul-Americana de Nações.
Por isso eu quero agradecer a sua presença, os seus ministros, e dizer que temos muito a fazer. Os nossos empresários precisam se encontrar, os nossos governadores precisam se encontrar, os nossos sindicalistas precisam se encontrar, os nossos técnicos, especialistas e cientistas precisam se encontrar. Nós precisamos fazer curso de pós-graduação, de especialização em todos os países do mundo. Mas é importante que a gente comece, também, a freqüentar as universidades do nosso continente, porque nós vamos aprender, quem sabe, muito mais do que estamos aprendendo sobre nós mesmos em outras universidades.
Meus parabéns e boa sorte.
fonte: www.info.planalto.gov.br
